Isabela
O sangue de Ivan ainda estava fresco no mármore quando percebi a mudança.
Não na casa.
Em mim.
Os homens de Dimitri não me olhavam mais como convidada, nem como proteção, nem como “a brasileira”.
Olharam como se eu fosse… decisão.
— Limpem tudo — ordenei.
Ninguém se mexeu.
O chefe da segurança, Sergei, hesitou. Um segundo apenas. O suficiente.
— Vocês ouviram — Dimitri disse, a voz calma demais. — Ela falou.
O efeito foi imediato.
Corpos em movimento. Ordens executadas. O cadáver desaparecendo como se nunca tivesse existido.
Eu não estremeci.
Isso me assustou mais do que deveria.
Subi para o escritório. Precisava pensar. Antecipar. Controlar.
Morozov não tinha feito tudo aquilo à toa. Ivan era só uma peça. Um teste.
E eu tinha passado.
Dimitri entrou minutos depois. Fechou a porta atrás de si.
— Eles te obedeceram sem questionar — disse.
— Porque você deixou claro — respondi. — Ou porque eles entenderam que eu não hesito?
Ele se aproximou devagar.
— As duas coisas.
A tensão entre nós era diferente agora. Não era só desejo. Era reconhecimento.
— A partir de hoje — ele disse — os aliados vão querer te conhecer.
— Ou me derrubar — completei.
— Os dois — ele confirmou. — Especialmente os mais antigos.
Cruzei os braços.
— Então marque uma reunião.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Quer enfrentar o conselho?
— Quero sentar à mesa — corrigi. — Se
ser alvo, que seja de frente.
Um silêncio pesado.
— Eles não respeitam mulheres — Dimitri disse. — Muito menos estrangeiras.
Sorri de canto.
— Então vão aprender duas coisas ao mesmo tempo.
Dimitri
A reunião aconteceu no subsolo. Sala de concreto. Mesa longa. Homens que sobreviveram a guerras, prisões, traições.
Nenhum deles sorriu quando Isabela entrou.
Vestido preto. Sem joias. Cabelo preso. Olhar firme.
Ela não pediu permissão.
Sentou-se ao meu lado.
— Vamos começar — disse.
Um dos homens riu.
— Quem é ela para conduzir isso?
Isabela virou o rosto lentamente.
— Sou a mulher que decidiu o destino de Ivan Volkov ontem à noite.
O riso morreu.
— Ivan era família — outro disse.
— Era — ela concordou. — E mesmo assim vendeu vocês junto com ele.
Joguei os documentos sobre a mesa.
— Provas — falei. — Transferências. Rotas. Nomes.
Silêncio.
Isabela apoiou as mãos na mesa.
— Morozov está vivo — disse. — Fraco, mas vivo. E vai tentar dividir vocês como fez antes.
— E o que você propõe? — Sergei perguntou, desconfiado.
Ela o encarou sem piscar.
— Caçar antes de ser caçada.
Alguns trocaram olhares.
— Você quer guerra — alguém murmurou.
— Quero controle — ela respondeu. — Guerra é consequência.
Levantei-me.
— Isabela fala por mim.
Um dos mais velhos bateu a mão na mesa.
— Desde quando uma mulher decide quem vive e quem morre?
Isabela se levantou devagar.
— Desde que vocês precisaram de alguém que não tivesse medo de sujar as mãos — disse. — Ou de apertar o gatilho.
Aproximei-me dela. Fiquei atrás, mas não à frente.
Ela era o foco.
— Eu não peço lealdade — continuou. — Eu exijo. Quem ficar, fica inteiro. Quem sair… sai agora.
Ninguém se mexeu.
— Ótimo — ela concluiu. — Então temos um acordo.
Quando a sala começou a esvaziar, Sergei ficou.
— Você é perigosa — disse a ela.
Isabela sorriu, fria.
— Eu sei.
Isabela
Mais tarde, no quarto, o peso finalmente caiu.
Minhas mãos tremiam quando fechei a porta.
Dimitri percebeu.
— Agora sente — ele murmurou.
— Agora eu entendo — respondi. — Não existe volta.
Ele me puxou contra o corpo dele.
— Existe poder — disse contra meu ouvido. — E você acabou de provar.
Beijei-o com fome. Não por conforto.
Por domínio.
— Morozov vai vir — sussurrei.
— Eu espero que venha — Dimitri respondeu. — Porque agora ele vai encontrar você.
_&&___________&&&________________
🔥 Cliffhanger:
• Morozov prepara um ataque direto
• O conselho começa a temer Isabela
• Um aliado pode se tornar o próximo traidor