CAPÍTULO 24 — A MULHER QUE ASSINA SENTENÇAS

683 Words
Isabela O sangue de Ivan ainda estava fresco no mármore quando percebi a mudança. Não na casa. Em mim. Os homens de Dimitri não me olhavam mais como convidada, nem como proteção, nem como “a brasileira”. Olharam como se eu fosse… decisão. — Limpem tudo — ordenei. Ninguém se mexeu. O chefe da segurança, Sergei, hesitou. Um segundo apenas. O suficiente. — Vocês ouviram — Dimitri disse, a voz calma demais. — Ela falou. O efeito foi imediato. Corpos em movimento. Ordens executadas. O cadáver desaparecendo como se nunca tivesse existido. Eu não estremeci. Isso me assustou mais do que deveria. Subi para o escritório. Precisava pensar. Antecipar. Controlar. Morozov não tinha feito tudo aquilo à toa. Ivan era só uma peça. Um teste. E eu tinha passado. Dimitri entrou minutos depois. Fechou a porta atrás de si. — Eles te obedeceram sem questionar — disse. — Porque você deixou claro — respondi. — Ou porque eles entenderam que eu não hesito? Ele se aproximou devagar. — As duas coisas. A tensão entre nós era diferente agora. Não era só desejo. Era reconhecimento. — A partir de hoje — ele disse — os aliados vão querer te conhecer. — Ou me derrubar — completei. — Os dois — ele confirmou. — Especialmente os mais antigos. Cruzei os braços. — Então marque uma reunião. Ele arqueou a sobrancelha. — Quer enfrentar o conselho? — Quero sentar à mesa — corrigi. — Se ser alvo, que seja de frente. Um silêncio pesado. — Eles não respeitam mulheres — Dimitri disse. — Muito menos estrangeiras. Sorri de canto. — Então vão aprender duas coisas ao mesmo tempo. Dimitri A reunião aconteceu no subsolo. Sala de concreto. Mesa longa. Homens que sobreviveram a guerras, prisões, traições. Nenhum deles sorriu quando Isabela entrou. Vestido preto. Sem joias. Cabelo preso. Olhar firme. Ela não pediu permissão. Sentou-se ao meu lado. — Vamos começar — disse. Um dos homens riu. — Quem é ela para conduzir isso? Isabela virou o rosto lentamente. — Sou a mulher que decidiu o destino de Ivan Volkov ontem à noite. O riso morreu. — Ivan era família — outro disse. — Era — ela concordou. — E mesmo assim vendeu vocês junto com ele. Joguei os documentos sobre a mesa. — Provas — falei. — Transferências. Rotas. Nomes. Silêncio. Isabela apoiou as mãos na mesa. — Morozov está vivo — disse. — Fraco, mas vivo. E vai tentar dividir vocês como fez antes. — E o que você propõe? — Sergei perguntou, desconfiado. Ela o encarou sem piscar. — Caçar antes de ser caçada. Alguns trocaram olhares. — Você quer guerra — alguém murmurou. — Quero controle — ela respondeu. — Guerra é consequência. Levantei-me. — Isabela fala por mim. Um dos mais velhos bateu a mão na mesa. — Desde quando uma mulher decide quem vive e quem morre? Isabela se levantou devagar. — Desde que vocês precisaram de alguém que não tivesse medo de sujar as mãos — disse. — Ou de apertar o gatilho. Aproximei-me dela. Fiquei atrás, mas não à frente. Ela era o foco. — Eu não peço lealdade — continuou. — Eu exijo. Quem ficar, fica inteiro. Quem sair… sai agora. Ninguém se mexeu. — Ótimo — ela concluiu. — Então temos um acordo. Quando a sala começou a esvaziar, Sergei ficou. — Você é perigosa — disse a ela. Isabela sorriu, fria. — Eu sei. Isabela Mais tarde, no quarto, o peso finalmente caiu. Minhas mãos tremiam quando fechei a porta. Dimitri percebeu. — Agora sente — ele murmurou. — Agora eu entendo — respondi. — Não existe volta. Ele me puxou contra o corpo dele. — Existe poder — disse contra meu ouvido. — E você acabou de provar. Beijei-o com fome. Não por conforto. Por domínio. — Morozov vai vir — sussurrei. — Eu espero que venha — Dimitri respondeu. — Porque agora ele vai encontrar você. _&&___________&&&________________ 🔥 Cliffhanger: • Morozov prepara um ataque direto • O conselho começa a temer Isabela • Um aliado pode se tornar o próximo traidor
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD