CAPÍTULO 11_ O NOME POR TRÁS DO MEDO

792 Words
Isabela A primeira regra que aprendi depois da morte de Yuri foi simples: nada naquela casa era neutro. Nem o silêncio. Nem os corredores vazios. Nem os olhares que desviavam quando eu passava. Dimitri manteve a promessa de não esconder mais nada, mas isso não significava respostas fáceis. Significava mapas sobre a mesa, reuniões que varavam a madrugada e telefonemas que terminavam sempre com o mesmo tom duro. — Ele está se movendo — Dimitri disse naquela manhã, o dedo marcando um ponto no mapa. — E quer que eu saiba. — Quem? — perguntei. Ele me encarou como se estivesse medindo o peso do que ia dizer. — Alexei Morozov. O nome caiu pesado. — Devo conhecê-lo? — perguntei. — Não — respondeu. — E esse é o problema. Aproximei-me da mesa. — Então me explica. — Morozov era meu aliado — começou. — Antes de ser meu inimigo. Ele controla rotas que eu não controlo. Compra silêncio. Compra lealdade. Compra tempo. — E agora? — insisti. — Agora ele quer você. Meu estômago revirou. — Por quê? — Porque você é a única coisa que não estava nos planos — ele respondeu. — E homens como Morozov odeiam variáveis. — Então eu não sou o alvo — concluí. — Sou a mensagem. Um silêncio tenso se instalou. — É por isso que você vai sair da mansão hoje — Dimitri disse de repente. — O quê? — arqueei a sobrancelha. — Você acabou de dizer— — Justamente — ele interrompeu. — Quero ver quem reage quando você aparece em público comigo. — Isso é uma armadilha. — É — ele confirmou. — E você é a isca. — Não sem dentes — rebati. O canto da boca dele se curvou, quase imperceptível. — Então mostre. Dimitri Levá-la para fora era um risco calculado. Mas ficar parado era pior. O restaurante escolhido era discreto, porém frequentado pelas pessoas certas — aquelas que informam, observam e vendem pedaços de verdade para quem paga melhor. Mantive Isabela ao meu lado, não por aparência, mas por estratégia. Ela estava calma demais. — Você está pensando em algo — eu disse, baixo. — Sempre — respondeu. — Se Morozov quer me ver, ele vai mandar alguém. — Não aqui. — Não hoje — corrigiu. — Mas logo. O garçom trouxe o vinho. Isabela observou o movimento ao redor com atenção afiada. Não parecia a mesma mulher que tinha chegado assustada a Moscou. Havia algo novo nela. Mais firme. Mais consciente. — Dimitri — ela murmurou. — Aquela mulher ali. De casaco cinza. Segui o olhar dela. — Ela está fingindo não olhar — Isabela continuou. — Mas já olhou três vezes. Sempre quando você fala. A mulher levantou e saiu. — Motorista — ordenei pelo ponto no ouvido. — Siga o carro cinza. O coração acelerou. Isabela estava certa. De volta à mansão, recebi a confirmação. — Senhor — disse o chefe de segurança. — O carro foi até um hotel. Quarto registrado em nome falso. Mas temos uma coisa. — O quê? — Um recado. Ele colocou um envelope sobre a mesa. Isabela se aproximou. Dentro, apenas uma frase, escrita à mão: “Toda variável pode ser eliminada.” O sangue gelou. — Ele está falando comigo — ela disse. — Ele está me desafiando — respondi. — Não — ela corrigiu, levantando o olhar. — Ele está tentando me assustar. — Funcionou? — perguntei. Ela sorriu. Não havia medo. — Não. Aquilo me atingiu mais forte do que qualquer ameaça. — Você não entende o tipo de homem que ele é — falei. — Entendo — respondeu. — Porque ele não é tão diferente de você. A verdade doeu. Isabela Naquela noite, enquanto Dimitri lidava com ligações e estratégias, eu não fiquei no quarto. Fui até o escritório. Abri gavetas que nunca tinha ousado tocar. Não por curiosidade. Por necessidade. Encontrei arquivos, nomes, alianças quebradas. E uma coisa em comum: Morozov sempre aparecia antes do caos. Quando Dimitri entrou, me encontrou lendo. — Eu disse que nada seria escondido — ele falou. — Então não esconda — respondi. — Eu posso ajudar. — Ajudar como? Fechei a pasta. — Ele me quer viva. Por enquanto. Então me use. Ele me encarou por longos segundos. Não como homem. Como líder. — Isso vai te colocar na linha de frente. — Eu já estou nela — respondi. — Só estava desarmada. Dimitri respirou fundo. — Então escute bem — disse. — A partir de agora, você não reage. Você antecipa. — Ótimo — sorri. — Porque eu nunca fui boa em esperar. ____&&&_&______&&&_________________ 🔥 Cliffhanger: Morozov fez o primeiro movimento. Isabela decidiu jogar. E Dimitri percebe que a guerra não é mais só dele.
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