O HOMEM QUE NÃO ESQUECE

606 Words
Isabela O local escolhido por Morozov não foi um erro. Era um antigo clube às margens do rio, fechado há anos, longe o bastante para não chamar atenção e perto o suficiente para deixar claro que ele controlava a cidade. Quando o carro parou, senti o peso do passado se acomodar nos meus ombros como uma velha cicatriz. Dimitri saiu primeiro, o olhar atento, cada movimento calculado. Eu o segui. — Lembre-se — ele murmurou, sem me olhar. — Você fala quando eu permitir. — E se ele falar primeiro? — perguntei. — Então você sustenta o silêncio. Entramos. Morozov estava sentado à mesa central, um copo de vodka intacto à frente, como se o tempo não tivesse qualquer autoridade sobre ele. Elegante. Calmo. Perigosamente confortável. — Dimitri Volkov — disse ele, levantando-se. — Pontual. Sempre admirei isso em você. O olhar dele se moveu para mim. — Isabela — completou, com um sorriso lento. — Finalmente. Meu corpo inteiro ficou em alerta. — Não use o nome dela — Dimitri disse, frio. Morozov riu baixo. — Ainda acha que pode ditar regras aqui? — perguntou. — Engraçado. Foi isso que Yuri pensou também. O nome caiu como um golpe. — Não fale dele — eu disse, antes que Dimitri pudesse me impedir. Morozov inclinou a cabeça, satisfeito. — Está vendo? — disse a Dimitri. — Ela não é frágil. Nunca foi. — Diga logo o que você quer — Dimitri cortou. — Ou isso termina agora. Morozov caminhou lentamente ao redor da mesa, como um predador sem pressa. — Eu quero equilíbrio — respondeu. — Você cresceu demais, Dimitri. Esqueceu quem abriu portas para você. — Você as abriu para se beneficiar — Dimitri retrucou. — Não por lealdade. — Lealdade é uma palavra bonita — Morozov sorriu. — Pena que só existe enquanto é útil. Ele parou diante de mim. — Você devia ter ido embora quando teve chance, Isabela. — Eu tentei — respondi. — Você não deixou. O olhar dele escureceu por um instante. Apenas um. — Porque você viu demais — disse. — E porque homens como eu… não gostam de testemunhas que aprendem a pensar. Dimitri deu um passo à frente. — Ela não é sua — disse. — Nunca foi. — Não — Morozov concordou. — Ela é sua. E é por isso que dói. O silêncio se tornou espesso. Perigoso. — Você quer guerra — Dimitri disse. — Então fale. Morozov voltou à mesa e finalmente tocou no copo, girando-o devagar. — Quero um território — respondeu. — Um só. Em troca, deixo o passado… descansar. — Mentira — eu disse. — Você nunca deixa nada descansar. Ele me olhou como quem reconhece um igual. — Não — admitiu. — Mas posso escolher onde sangrar. Dimitri me lançou um olhar rápido. Eu sabia o que ele estava pensando. Concessão agora significava fraqueza depois. — Não haverá acordo — Dimitri disse. — Você cruzou linhas demais. Morozov suspirou, como se estivesse decepcionado. — Então estamos entendidos. Ele estalou os dedos. O som metálico de armas sendo engatilhadas ecoou. Dimitri me puxou para trás dele num movimento rápido. — Fique atrás de mim — ordenou. — Não — respondi, firme. — Ao seu lado. Morozov sorriu. — Agora sim — disse. — A variável escolheu. Um segundo antes de tudo explodir, os olhos de Dimitri encontraram os meus. Não havia medo ali. Apenas uma decisão compartilhada. E eu soube: não havia mais retorno. &&&&&&&&&&&&&&&&&______________&& 🔥 Cliffhanger: Morozov força o confronto. Isabela se coloca ao lado de Dimitri. E o primeiro tiro está prestes a decidir quem manda… e quem sobrevive.
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