Isabela
O local escolhido por Morozov não foi um erro.
Era um antigo clube às margens do rio, fechado há anos, longe o bastante para não chamar atenção e perto o suficiente para deixar claro que ele controlava a cidade.
Quando o carro parou, senti o peso do passado se acomodar nos meus ombros como uma velha cicatriz.
Dimitri saiu primeiro, o olhar atento, cada movimento calculado. Eu o segui.
— Lembre-se — ele murmurou, sem me olhar. — Você fala quando eu permitir.
— E se ele falar primeiro? — perguntei.
— Então você sustenta o silêncio.
Entramos.
Morozov estava sentado à mesa central, um copo de vodka intacto à frente, como se o tempo não tivesse qualquer autoridade sobre ele. Elegante. Calmo. Perigosamente confortável.
— Dimitri Volkov — disse ele, levantando-se. — Pontual. Sempre admirei isso em você.
O olhar dele se moveu para mim.
— Isabela — completou, com um sorriso lento.
— Finalmente.
Meu corpo inteiro ficou em alerta.
— Não use o nome dela — Dimitri disse, frio.
Morozov riu baixo.
— Ainda acha que pode ditar regras aqui? — perguntou. — Engraçado. Foi isso que Yuri pensou também.
O nome caiu como um golpe.
— Não fale dele — eu disse, antes que Dimitri pudesse me impedir.
Morozov inclinou a cabeça, satisfeito.
— Está vendo? — disse a Dimitri. — Ela não é frágil. Nunca foi.
— Diga logo o que você quer — Dimitri cortou.
— Ou isso termina agora.
Morozov caminhou lentamente ao redor da mesa, como um predador sem pressa.
— Eu quero equilíbrio — respondeu. — Você cresceu demais, Dimitri. Esqueceu quem abriu portas para você.
— Você as abriu para se beneficiar — Dimitri retrucou. — Não por lealdade.
— Lealdade é uma palavra bonita — Morozov sorriu.
— Pena que só existe enquanto é útil.
Ele parou diante de mim.
— Você devia ter ido embora quando teve chance, Isabela.
— Eu tentei — respondi. — Você não deixou.
O olhar dele escureceu por um instante. Apenas um.
— Porque você viu demais — disse. — E porque homens como eu… não gostam de testemunhas que aprendem a pensar.
Dimitri deu um passo à frente.
— Ela não é sua — disse. — Nunca foi.
— Não — Morozov concordou. — Ela é sua. E é por isso que dói.
O silêncio se tornou espesso. Perigoso.
— Você quer guerra — Dimitri disse. — Então fale.
Morozov voltou à mesa e finalmente tocou no copo, girando-o devagar.
— Quero um território — respondeu. — Um só. Em troca, deixo o passado… descansar.
— Mentira — eu disse. — Você nunca deixa nada descansar.
Ele me olhou como quem reconhece um igual.
— Não — admitiu. — Mas posso escolher onde sangrar.
Dimitri me lançou um olhar rápido. Eu sabia o que ele estava pensando. Concessão agora significava fraqueza depois.
— Não haverá acordo — Dimitri disse. — Você cruzou linhas demais.
Morozov suspirou, como se estivesse decepcionado.
— Então estamos entendidos.
Ele estalou os dedos.
O som metálico de armas sendo engatilhadas ecoou.
Dimitri me puxou para trás dele num movimento rápido.
— Fique atrás de mim — ordenou.
— Não — respondi, firme. — Ao seu lado.
Morozov sorriu.
— Agora sim — disse. — A variável escolheu.
Um segundo antes de tudo explodir, os olhos de Dimitri encontraram os meus.
Não havia medo ali. Apenas uma decisão compartilhada.
E eu soube: não havia mais retorno.
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🔥 Cliffhanger:
Morozov força o confronto.
Isabela se coloca ao lado de Dimitri.
E o primeiro tiro está prestes a decidir quem manda… e quem sobrevive.