CAPÍTULO 9_QUANDO O INIMIGO DORME AO LADO

810 Words
Isabela A noite caiu pesada sobre a mansão. Depois da conversa com Dimitri, eu não consegui dormir. A sensação de estar sendo observada voltou mais forte, como se o ar carregasse intenções escondidas. Cada estalo da casa parecia alto demais. Cada sombra, longa demais. Sentei na cama, abraçando os joelhos. Eu tinha aceitado aprender a sobreviver ali. Mas ninguém me avisou que sobreviver também significava desconfiar de tudo — e de todos. Levantei para beber água. O corredor estava silencioso, quase bonito demais. Foi quando ouvi passos suaves atrás de mim. Virei rápido. — Você anda muito à noite — disse Yuri, encostado na parede, o rosto relaxado demais. Meu corpo inteiro entrou em alerta. — Não sabia que isso era proibido — respondi, mantendo a voz firme. Ele sorriu. — Aqui, muitas coisas são proibidas sem serem ditas. — Dimitri sabe que você está fora do posto? O sorriso dele vacilou por uma fração de segundo. O suficiente. — Ele confia em mim — respondeu. — Há anos. — Confiança é uma coisa curiosa — falei. — Normalmente cega as pessoas certas. Os olhos dele endureceram. — Você fala demais. Antes que eu reagisse, ele se aproximou rápido demais. Não me tocou, mas invadiu meu espaço, me prendendo contra a parede com o próprio corpo. — Você não entende onde está — murmurou. — E está fazendo perguntas erradas. Meu coração disparou, mas mantive o olhar firme. — Se você encostar em mim, morre — sussurrei. Ele riu baixo. — Dimitri não saberia quem culpar. — Saberá — respondi. — Porque você está cometendo o mesmo erro de todos os outros. — Qual? — Achar que eu sou fraca. Os passos pesados ecoaram no corredor. Yuri se afastou no mesmo instante. Dimitri surgiu das sombras, o olhar cortante, a presença preenchendo o espaço como uma ameaça viva. — Algum problema? — perguntou, calmo demais. — Nenhum — respondeu Yuri rápido. — Só estava garantindo que ela não se perdesse. Dimitri olhou para mim. — Aconteceu alguma coisa? — Não — respondi. — Ainda. O silêncio que se seguiu foi mortal. — Volte ao seu posto, Yuri — ordenou Dimitri. Yuri se afastou, mas o olhar que lançou para mim prometia algo r**m. Muito r**m. Dimitri No momento em que Yuri saiu do meu campo de visão, eu soube: a traição estava mais avançada do que eu imaginava. — Ele te ameaçou — afirmei. — Ele se revelou — corrigi. — E isso é pior. Fechei a distância entre nós. — Você não deveria confrontá-lo sozinha. — Eu não confrontei — respondi. — Eu observei. Segurei o rosto dela com cuidado, forçando-a a me olhar. — Isso aqui não é um jogo, Isabela. — Eu sei — ela respondeu, firme. — É uma guerra silenciosa. Soltei-a, respirando fundo. — A partir de agora, você não anda sozinha — disse. — Nem de dia. — Vai me trancar? — Vou te proteger — corrigi. — À força? — Se for preciso. Ela não recuou. — Então você vai ter que aceitar uma coisa — disse. — Eu não sou só algo que você protege. Eu vejo. Eu escuto. E eu posso ajudar. — Ajudar pode te matar. — Ficar cega também. Aquela mulher era impossível. — Fique perto de mim amanhã — disse por fim. — Quero ver quem se mexe quando você está ao meu lado. Ela arqueou a sobrancelha. — Vai usar isso como armadilha? — Vou usar a verdade — respondi. — Eles não conseguem se esconder quando acham que estão ganhando. Isabela No dia seguinte, a mansão estava diferente. Mais movimentada. Mais tensa. Dimitri me manteve ao seu lado o tempo todo — reuniões, telefonemas, conversas em russo que eu não entendia completamente, mas captava o tom: urgência. Yuri observava de longe. Sempre de longe. Quando Dimitri se afastou para atender uma ligação, senti a presença atrás de mim novamente. — Ele não confia mais em mim — sussurrou Yuri. — E você esperava que confiasse? — perguntei, sem virar. — Você o mudou. — Não — corrigi. — Eu só mostrei o que já estava quebrado. — Pessoas morrem por menos — ele disse. Virei-me lentamente. — Então escolha bem de que lado você está quando isso acontecer. Nesse instante, um disparo ecoou do lado de fora da mansão. Gritos. Correria. O caos explodiu. Dimitri voltou correndo, a arma já em mãos. — Para trás de mim — ordenou. Obedeci. Mas antes que tudo se resolvesse, vi Yuri se afastar rápido demais. Indo na direção oposta do perigo. Fugindo. — Dimitri — falei, o coração disparado. — É ele. O olhar de Dimitri seguiu o meu. E endureceu. — A guerra começou — ele disse. _____________&&&____________&&_______ 🔥 Cliffhanger: Yuri fugiu. O ataque foi só um aviso. E Dimitri sabe que o próximo movimento vai exigir sangue.
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