Isabela
Morozov ajoelhou.
Não por escolha.
Por necessidade.
O galpão central da mansão estava cheio.
Capitães, aliados, homens que já tinham mandado matar em nome de Dimitri agora observavam em silêncio absoluto.
O tipo de silêncio que antecede decisões que mudam mapas.
Morozov estava amarrado a uma cadeira. Rosto machucado.
Orgulho ainda vivo — erro clássico.
Dimitri ficou atrás de mim.
Não ao lado.
Atrás.
Mensagem clara.
— Alexei Morozov — Dimitri começou, voz firme. — Você violou acordos, cruzou fronteiras e tentou tocar no que não lhe pertence.
Morozov cuspiu sangue no chão.
— Ela não é sua propriedade.
Antes que Dimitri respondesse, fui eu quem falou.
— E nunca será de ninguém.
Todos os olhares se voltaram para mim.
Caminhei até Morozov. Agachei à frente dele. Falei baixo, só para que ele ouvisse:
— Você cometeu dois erros. O primeiro foi me subestimar. O segundo foi achar que Dimitri mandava em mim.
Levantei e encarei o salão.
— Quem aqui acha que eu sou apenas a mulher ao lado do Don?
Nenhuma mão se levantou.
Bom.
— Morozov tentou me usar como ameaça. Como moeda. Como variável. — pausei.
— Variáveis são eliminadas quando não entendidas.
Olhei para Dimitri.
— Mas exemplos… são preservados.
Dimitri entendeu.
Ele puxou a arma.
— Alexei Morozov — declarou — você está vivo por misericórdia dela. E quebrado por escolha minha.
Um disparo.
Não na cabeça.
No joelho.
O grito ecoou pelo galpão como um aviso gravado a ferro.
— Você vai viver — Dimitri continuou — para contar a todos o que acontece quando se tenta atravessar este território.
Ele se abaixou, aproximando-se do ouvido de Morozov.
— E principalmente… quando se olha demais para minha rainha.
Morozov foi arrastado para fora, chorando, humilhado, destruído.
O salão permaneceu em silêncio.
Então Dimitri fez algo que ninguém esperava.
Pegou minha mão.
Ergueu-a.
— Esta é Isabela — disse. — Não como minha mulher. Não como proteção. Mas como autoridade.
Um dos capitães deu um passo à frente.
— E quem responde a ela?
Dimitri me olhou.
O poder estava ali. Nu. Sem filtros.
— Todos — respondi.
O homem abaixou a cabeça.
Um a um, fizeram o mesmo.
Naquela noite, Dimitri não me levou para o quarto.
Levou-me para o escritório principal. O lugar onde só ele mandava.
— Sente-se — disse.
Sentei na cadeira dele.
Ele ficou em pé, à minha frente.
— Você sabe o que fez hoje?
— Assumi — respondi.
— Você se tornou um alvo maior do que eu.
— Ótimo — sorri. — Sempre odiei dividir protagonismo.
Ele segurou meu rosto, firme, intenso.
— Isso aqui — murmurou — não é mais só desejo. É guerra compartilhada.
— Então pare de lutar sozinho.
Ele me beijou ali mesmo. Não foi romântico. Foi uma marcação de território. Um acordo silencioso. Um pacto sem volta.
Quando me afastei, sussurrei:
— Agora falta limpar a casa.
Ele franziu o cenho.
— Do que você está falando?
Peguei uma pasta da mesa. Joguei sobre ela.
— Traição interna — falei. — E começa com alguém em quem você confia demais.
O rosto de Dimitri escureceu.
— Quem?
Sorri devagar.
— Seu primo.
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🔥 Cliffhanger pesado:
• Traidor dentro da família
• Isabela assume papel estratégico definitivo
• Dimitri dividido entre sangue e poder