COROA DE SANGUE

554 Words
Isabela Morozov ajoelhou. Não por escolha. Por necessidade. O galpão central da mansão estava cheio. Capitães, aliados, homens que já tinham mandado matar em nome de Dimitri agora observavam em silêncio absoluto. O tipo de silêncio que antecede decisões que mudam mapas. Morozov estava amarrado a uma cadeira. Rosto machucado. Orgulho ainda vivo — erro clássico. Dimitri ficou atrás de mim. Não ao lado. Atrás. Mensagem clara. — Alexei Morozov — Dimitri começou, voz firme. — Você violou acordos, cruzou fronteiras e tentou tocar no que não lhe pertence. Morozov cuspiu sangue no chão. — Ela não é sua propriedade. Antes que Dimitri respondesse, fui eu quem falou. — E nunca será de ninguém. Todos os olhares se voltaram para mim. Caminhei até Morozov. Agachei à frente dele. Falei baixo, só para que ele ouvisse: — Você cometeu dois erros. O primeiro foi me subestimar. O segundo foi achar que Dimitri mandava em mim. Levantei e encarei o salão. — Quem aqui acha que eu sou apenas a mulher ao lado do Don? Nenhuma mão se levantou. Bom. — Morozov tentou me usar como ameaça. Como moeda. Como variável. — pausei. — Variáveis são eliminadas quando não entendidas. Olhei para Dimitri. — Mas exemplos… são preservados. Dimitri entendeu. Ele puxou a arma. — Alexei Morozov — declarou — você está vivo por misericórdia dela. E quebrado por escolha minha. Um disparo. Não na cabeça. No joelho. O grito ecoou pelo galpão como um aviso gravado a ferro. — Você vai viver — Dimitri continuou — para contar a todos o que acontece quando se tenta atravessar este território. Ele se abaixou, aproximando-se do ouvido de Morozov. — E principalmente… quando se olha demais para minha rainha. Morozov foi arrastado para fora, chorando, humilhado, destruído. O salão permaneceu em silêncio. Então Dimitri fez algo que ninguém esperava. Pegou minha mão. Ergueu-a. — Esta é Isabela — disse. — Não como minha mulher. Não como proteção. Mas como autoridade. Um dos capitães deu um passo à frente. — E quem responde a ela? Dimitri me olhou. O poder estava ali. Nu. Sem filtros. — Todos — respondi. O homem abaixou a cabeça. Um a um, fizeram o mesmo. Naquela noite, Dimitri não me levou para o quarto. Levou-me para o escritório principal. O lugar onde só ele mandava. — Sente-se — disse. Sentei na cadeira dele. Ele ficou em pé, à minha frente. — Você sabe o que fez hoje? — Assumi — respondi. — Você se tornou um alvo maior do que eu. — Ótimo — sorri. — Sempre odiei dividir protagonismo. Ele segurou meu rosto, firme, intenso. — Isso aqui — murmurou — não é mais só desejo. É guerra compartilhada. — Então pare de lutar sozinho. Ele me beijou ali mesmo. Não foi romântico. Foi uma marcação de território. Um acordo silencioso. Um pacto sem volta. Quando me afastei, sussurrei: — Agora falta limpar a casa. Ele franziu o cenho. — Do que você está falando? Peguei uma pasta da mesa. Joguei sobre ela. — Traição interna — falei. — E começa com alguém em quem você confia demais. O rosto de Dimitri escureceu. — Quem? Sorri devagar. — Seu primo. ______________&&&_____________ 🔥 Cliffhanger pesado: • Traidor dentro da família • Isabela assume papel estratégico definitivo • Dimitri dividido entre sangue e poder
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