Isabela
Ser dada como fraca foi a melhor arma que já empunhei.
O boato correu rápido demais para ser coincidência:
Isabela desapareceu.
Dimitri perdeu o controle.
A rainha saiu do tabuleiro.
Morozov mordeu.
Eu estava em um dos galpões antigos do porto, oficialmente “sequestrada”, extra oficialmente no centro da armadilha mais bem planejada da minha vida.
Dois homens faziam a vigilância. Não falavam comigo. Não me tocavam.
Eles tinham ordens.
— Ela é só um trunfo — ouvi um deles dizer ao telefone. — Viva, mas intacta.
Sorri por dentro.
Homens como Morozov sempre achavam que controle era sinônimo de poder.
Nunca aprenderam a diferença entre prender e dominar.
Horas depois, a porta abriu.
Alexei Morozov não entrou com pressa. Entrou como quem já venceu.
Alto. Elegante. Olhos frios demais para alguém que fingia cordialidade.
— Esperava mais resistência — disse ele, observando-me sentada, mãos soltas, postura ereta.
— Esperava mais inteligência — respondi.
Ele riu.
— Dimitri te transformou em algo perigoso.
— Não — corrigi. — Ele só parou de me subestimar.
Morozov se aproximou.
— Você sabe por que ainda está viva?
— Porque você acha que pode me usar.
— Exato.
Levantei devagar.
— E você sabe por que isso é um erro?
Ele arqueou a sobrancelha.
— Me diga.
— Porque Dimitri não reage a ameaças — falei, calma. — Ele responde com extermínio.
O telefone de Morozov vibrou no bolso.
Ele atendeu ainda sorrindo.
O sorriso morreu em segundos.
— Onde? — perguntou, ríspido. — Repete.
Desligou e me encarou como se me visse pela primeira vez.
— Você mentiu.
— Não — respondi. — Antecipei.
O som veio antes da explosão.
Vidros estouraram. O galpão tremeu. Gritos. Tiros. Os homens correram. Morozov puxou a arma.
— Você é a isca — rosnou.
— Não — corrigi novamente. — Eu sou o aviso.
A porta foi arrombada.
Dimitri entrou como uma força da natureza. Frio. Preciso. Mortal. Dois tiros.
Dois corpos no chão. Nenhuma palavra desperdiçada.
Morozov tentou fugir.
Erro final.
Dimitri o derrubou com um golpe seco e o manteve no chão, arma apontada para a testa dele.
— A regra é simples — Dimitri disse. — Quem toca na minha rainha morre.
Morozov riu, mesmo sangrando.
— Ela não é sua.
— Nunca foi — respondi, me aproximando. — E é por isso que você perdeu.
Olhei para Dimitri.
— Não o mate aqui.
Ele me encarou.
— Por quê?
— Porque o medo precisa de plateia.
O silêncio durou um segundo.
Então ele sorriu. Lento. Perigoso.
— Como quiser.
Morozov foi levado vivo. Quebrado. Humilhado.
No carro, Dimitri me puxou para perto, mãos firmes, voz baixa:
— Você passou do limite hoje.
— Eu criei um novo — respondi.
Ele me beijou como se estivesse lutando contra si mesmo. Desejo bruto. Controle à beira do colapso.
— Você não é minha fraqueza — ele murmurou. — É meu ponto sem retorno.
Encostei a testa na dele.
— Então pare de tentar me salvar.
— E faça o quê?
— Governe comigo.
Ele respirou fundo.
— A partir de hoje — disse — ninguém mais decide por você.
Sorri.
— A partir de hoje, Dimitri… ninguém mais decide nada sem mim.
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🔥 Cliffhanger:
• Morozov será exibido como exemplo
• Uma traição interna começa a vir à tona
• Isabela assume posição oficial ao lado de Dimitri