Isabela
O pressentimento veio antes do barulho.
Não foi medo.
Foi instinto.
O salão ainda estava cheio, música ecoando, taças se chocando, mas algo mudou no ar.
Dimitri sentiu também. Seu corpo enrijeceu ao meu lado, a mão apertando minha cintura com força protetora demais para passar despercebida.
— Temos um problema — ele murmurou.
— Eu sei — respondi baixo. — Três homens. Lado leste. Não são seus.
Ele virou o rosto milímetros, sem parecer alarmado.
— Como sabe?
— Porque eles estão olhando para mim como mercadoria.
Antes que ele respondesse, um dos homens se aproximou com um sorriso falso.
— Senhorita… o senhor Morozov pediu para—
Minha mão se moveu primeiro.
Segurei o pulso dele e torci levemente, o suficiente para fazê-lo entender que eu não era frágil.
— Diga a ele que não atendo convites feitos com covardia.
O sorriso sumiu. O homem tentou puxar o braço. Erro fatal.
O segundo veio rápido demais. Forte demais. Um pano pressionou meu rosto.
Tudo virou caos.
Ouvi gritos.
O som seco de um tiro. O impacto do meu corpo contra algo duro. Lutei, chutei, mordi. Alguém me segurou por trás.
— Leva logo! — alguém gritou.
Então o inferno desabou.
O primeiro corpo caiu a menos de um metro de mim. Sangue quente respingou no meu braço. Dimitri.
Ele não atirava para avisar. Atirava para matar.
— Solta ela — a voz dele veio baixa, letal.
— Agora.
O homem atrás de mim tremeu. Senti a arma encostar na minha cabeça.
— Um passo e eu—
O tiro veio antes da frase terminar.
O corpo caiu. Eu tropecei, mas Dimitri me segurou antes que eu tocasse o chão. Seus olhos estavam negros. Selvagens.
— Você está machucada? — perguntou, me analisando com as mãos, rápido, preciso.
— Não — respondi. — Mas agora é guerra aberta.
Ele me puxou contra o peito, a testa encostando na minha.
— Eu disse que isso não era um jogo.
— E eu disse que sabia jogar.
Os seguranças arrastavam corpos enquanto os convidados eram retirados às pressas. O evento acabou em sangue.
Exatamente como Morozov queria.
Ou como eu previ.
Dimitri me levou para o quarto sem dizer uma palavra. Trancou a porta. Mandou todos saírem.
O silêncio que ficou era pesado.
— Você devia ter me avisado — ele disse, finalmente.
— Você não teria deixado — respondi.
Ele se aproximou devagar. Perigoso.
— Eu quase te perdi.
— Não — corrigi. — Você quase perdeu o controle.
A mão dele segurou meu braço, firme.
— Não provoque agora.
— Por quê? — desafiei. — Porque você percebeu que não manda em mim?
O olhar dele queimava.
— Porque eu mataria qualquer um que tentasse te tocar — rosnou. — Inclusive você, se insistir em se colocar na linha de fogo.
Puxei-o pela gravata.
— Então para de me tratar como fraqueza — disse. — Eu sou o motivo pelo qual eles erram.
O beijo veio violento. Não foi pedido. Foi colisão. Raiva, desejo, poder.
Ele me prensou contra a parede, boca explorando, mãos marcando minha pele como se quisesse gravar que eu era dele — e que ele sabia que eu não pertencia a ninguém.
— Você é um risco — ele murmurou contra meus lábios.
— Você vive disso.
Ele riu sem humor.
— Você vai me destruir.
— Não — respondi. — Vou governar com você. Ou sobre você.
O silêncio caiu pesado.
Então ele se afastou um passo, respirando fundo.
— Amanhã — disse — Morozov perde um homem importante.
— Qual?
— O irmão mais novo.
Sorri, fria.
— Ótimo. Porque eu já escolhi o próximo movimento.
Ele me encarou.
— Qual?
— Vamos deixar que pensem que eu fui sequestrada de propósito — falei. — Um boato. Um erro calculado.
— Isabela, isso é loucura.
— Não — corrigi. — É estratégia. E funciona.
Ele me observou por longos segundos.
— Você não é minha ruína — disse por fim. — Você é minha condenação.
Aproximei-me dele.
— Então aceite a sentença.
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🩸 Cliffhanger:
• Morozov acredita que Isabela está vulnerável
• Dimitri prepara uma execução simbólica
• Uma traição interna começa a se revelar