QUEM TOCA NA RAINHA MORRE

704 Words
Isabela O pressentimento veio antes do barulho. Não foi medo. Foi instinto. O salão ainda estava cheio, música ecoando, taças se chocando, mas algo mudou no ar. Dimitri sentiu também. Seu corpo enrijeceu ao meu lado, a mão apertando minha cintura com força protetora demais para passar despercebida. — Temos um problema — ele murmurou. — Eu sei — respondi baixo. — Três homens. Lado leste. Não são seus. Ele virou o rosto milímetros, sem parecer alarmado. — Como sabe? — Porque eles estão olhando para mim como mercadoria. Antes que ele respondesse, um dos homens se aproximou com um sorriso falso. — Senhorita… o senhor Morozov pediu para— Minha mão se moveu primeiro. Segurei o pulso dele e torci levemente, o suficiente para fazê-lo entender que eu não era frágil. — Diga a ele que não atendo convites feitos com covardia. O sorriso sumiu. O homem tentou puxar o braço. Erro fatal. O segundo veio rápido demais. Forte demais. Um pano pressionou meu rosto. Tudo virou caos. Ouvi gritos. O som seco de um tiro. O impacto do meu corpo contra algo duro. Lutei, chutei, mordi. Alguém me segurou por trás. — Leva logo! — alguém gritou. Então o inferno desabou. O primeiro corpo caiu a menos de um metro de mim. Sangue quente respingou no meu braço. Dimitri. Ele não atirava para avisar. Atirava para matar. — Solta ela — a voz dele veio baixa, letal. — Agora. O homem atrás de mim tremeu. Senti a arma encostar na minha cabeça. — Um passo e eu— O tiro veio antes da frase terminar. O corpo caiu. Eu tropecei, mas Dimitri me segurou antes que eu tocasse o chão. Seus olhos estavam negros. Selvagens. — Você está machucada? — perguntou, me analisando com as mãos, rápido, preciso. — Não — respondi. — Mas agora é guerra aberta. Ele me puxou contra o peito, a testa encostando na minha. — Eu disse que isso não era um jogo. — E eu disse que sabia jogar. Os seguranças arrastavam corpos enquanto os convidados eram retirados às pressas. O evento acabou em sangue. Exatamente como Morozov queria. Ou como eu previ. Dimitri me levou para o quarto sem dizer uma palavra. Trancou a porta. Mandou todos saírem. O silêncio que ficou era pesado. — Você devia ter me avisado — ele disse, finalmente. — Você não teria deixado — respondi. Ele se aproximou devagar. Perigoso. — Eu quase te perdi. — Não — corrigi. — Você quase perdeu o controle. A mão dele segurou meu braço, firme. — Não provoque agora. — Por quê? — desafiei. — Porque você percebeu que não manda em mim? O olhar dele queimava. — Porque eu mataria qualquer um que tentasse te tocar — rosnou. — Inclusive você, se insistir em se colocar na linha de fogo. Puxei-o pela gravata. — Então para de me tratar como fraqueza — disse. — Eu sou o motivo pelo qual eles erram. O beijo veio violento. Não foi pedido. Foi colisão. Raiva, desejo, poder. Ele me prensou contra a parede, boca explorando, mãos marcando minha pele como se quisesse gravar que eu era dele — e que ele sabia que eu não pertencia a ninguém. — Você é um risco — ele murmurou contra meus lábios. — Você vive disso. Ele riu sem humor. — Você vai me destruir. — Não — respondi. — Vou governar com você. Ou sobre você. O silêncio caiu pesado. Então ele se afastou um passo, respirando fundo. — Amanhã — disse — Morozov perde um homem importante. — Qual? — O irmão mais novo. Sorri, fria. — Ótimo. Porque eu já escolhi o próximo movimento. Ele me encarou. — Qual? — Vamos deixar que pensem que eu fui sequestrada de propósito — falei. — Um boato. Um erro calculado. — Isabela, isso é loucura. — Não — corrigi. — É estratégia. E funciona. Ele me observou por longos segundos. — Você não é minha ruína — disse por fim. — Você é minha condenação. Aproximei-me dele. — Então aceite a sentença. &___&&_________&&&&______________&& 🩸 Cliffhanger: • Morozov acredita que Isabela está vulnerável • Dimitri prepara uma execução simbólica • Uma traição interna começa a se revelar
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