Isabela
A mansão nunca dormia.
Ela apenas respirava mais baixo.
Depois do ataque, homens armados ocupavam cada corredor, cada sombra.
A segurança triplicou, mas o clima era de guerra silenciosa. Eu sentia isso no ar. Dimitri também.
Ele estava no escritório subterrâneo, o lugar onde decisões viravam sentenças de morte. Entrei sem bater. Ninguém me impediu. Isso já dizia tudo.
— Eles sabem que você saiu viva — disse ele, sem levantar os olhos dos mapas sobre a mesa. — Isso muda o jogo.
— Então vamos mudar de novo — respondi.
Ele ergueu o olhar devagar. Aqueles olhos frios, calculistas… mas agora havia algo diferente. Atenção real.
— Fale.
Aproximei-me, apontando para um dos territórios marcados em vermelho.
— Morozov não ataca direto. Ele provoca. Ele quer que você pareça instável diante das outras famílias.
— Correto.
— Então pare de agir como um homem ferido e comece a agir como um rei entediado.
Um dos conselheiros pigarreou, nervoso.
— Com todo respeito—
— Saiam — Dimitri ordenou, sem desviar os olhos de mim.
O silêncio caiu pesado quando a porta se fechou.
— Continue — ele disse.
— Faça um evento — falei. — Um leilão. Luxo. Mulheres, dinheiro, arte roubada. Convide todos. Inclusive ele.
— Você quer colocá-lo no meu território?
— Quero que ele pense que você não o vê como ameaça.
Ele se levantou devagar, alto, dominante.
— E onde você entra nisso?
Sustentei o olhar.
— Do seu lado. Visível. Intocável.
Ele se aproximou até eu sentir o cheiro dele. Couro, pólvora e perigo.
— Você sabe o que isso provoca.
— Sei — respondi. — E sei o que mostra.
— O quê?
— Que se alguém quiser te atingir… vai ter que passar por mim.
A mandíbula dele travou. A mão subiu, segurando meu queixo com força controlada.
— Você não é um escudo.
— Não — corrigi, sem recuar. — Sou a lâmina.
O silêncio entre nós ficou elétrico.
— Você tem noção do que está pedindo?
— ele murmurou.
— Tenho. E quero mais.
Os dedos dele apertaram um pouco mais, não para machucar, mas para testar.
— Isso não é um jogo, Isabela.
— Nunca foi — respondi. — É um reinado.
Por um segundo, vi algo raro atravessar o olhar dele. Orgulho.
Ele me soltou de repente e virou de costas.
— Prepare o evento — disse. — Em três dias.
Meu coração acelerou.
— Você confia em mim?
Ele se virou lentamente.
— Não — respondeu. — Eu aposto.
Dimitri
Ela não pedia espaço.
Ela tomava.
E o mais perigoso… era que eu deixava.
Três dias depois, a mansão estava irreconhecível. Luzes baixas, música clássica, poder exposto sem pudor. Isabela desceu a escadaria usando um vestido preto justo, costas nuas, olhar afiado.
Todos olharam.
Todos entenderam.
Ela não era companhia.
Era declaração.
Minha mão pousou na cintura dela diante de todos. Um aviso silencioso.
Morozov chegou meia hora depois. Sorriso falso. Olhos atentos.
— Dimitri — disse ele. — Vejo que agora você anda bem acompanhado.
— Sempre estive — respondi. — Você só não percebeu.
O olhar dele passou por Isabela como uma lâmina avaliando carne.
Ela sorriu. Frio. Mortal.
— Prazer — disse ela. — Espero que aproveite a noite. Algumas pessoas não saem inteiras.
Morozov riu, mas os olhos escureceram.
— Gosto dela — disse. — Tem coragem.
— Tem mais que isso — respondi. — Tem poder.
Quando ele se afastou, Isabela se inclinou para mim.
— Ele vai tentar algo hoje.
— Eu sei.
— Deixe — ela murmurou. — Só observe.
— Isabela—
— Confia — disse, firme. — Uma vez.
Eu hesitei. Então assenti.
Minutos depois, vi quando Morozov tentou cercá-la com palavras. Ela não recuou. Não sorriu. Não cedeu.
Ela dominou.
Quando voltou para mim, seus olhos brilhavam.
— Ele mordeu — disse. — Agora ele sangra.
Puxei-a pela cintura, colando nossos corpos.
— Você provocou um inferno.
— Você me colocou nele.
Me inclinei até seu ouvido.
— E agora você é oficialmente parte da guerra.
Ela sorriu.
— Sempre fui.
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🩸 Cliffhanger:
Morozov prepara o contra-ataque.
Uma traição se forma dentro da própria família.
E Isabela cruza a linha definitiva — sem volta.