CICATRIZ QUE NÃO SANGRAM

646 Words
Isabela Algumas verdades não precisam ser ditas em voz alta para machucar. A ligação de Morozov ecoava na minha cabeça como um sussurro venenoso. Minha variável. Ele não falava como alguém curioso. Falava como alguém que já tinha decidido. Dimitri não me deixou sozinha depois disso. Não por vigilância — por instinto. Caminhava pela mansão como um animal em alerta, sempre próximo demais, atento a cada som. — Você sabe o que ele quis dizer — Dimitri disse, quebrando o silêncio no escritório. — Sobre o seu passado. Eu respirei fundo. — Sei. Ele me encarou, esperando que eu continuasse. Não pressionou. Dimitri nunca arrancava verdades. Ele esperava que elas sangrassem sozinhas. — Yuri não morreu por acaso — comecei. — Ele devia dinheiro. Não a você. A Morozov. O maxilar de Dimitri se contraiu. — Ele estava envolvido com ele? — Não diretamente — respondi. — Mas servia de ponte. Informações. Pequenas entregas. Até tentar sair. — E você? — a voz de Dimitri saiu mais baixa. — O que você viu? — O suficiente para que Morozov nunca esquecesse meu nome. O silêncio caiu pesado. — Ele não quer me matar — continuei. — Quer me quebrar. Fazer você errar tentando me salvar. Dimitri se aproximou. O espaço entre nós desapareceu. A mão dele tocou minha nuca, firme, como um apoio silencioso. — Ele não vai conseguir. — Você não pode prometer isso. — Posso prometer que vou tentar — respondeu. — E que ninguém toca em você enquanto eu respirar. O olhar dele queimava. Não era só proteção. Era algo mais escuro. Mais íntimo. — Dimitri… — comecei. — Não diga meu nome desse jeito — ele interrompeu. — Porque eu não vou parar. Meu coração acelerou. — Parar de quê? — De querer você em meio a tudo isso. A verdade nos atingiu juntos. Ele me puxou para mais perto, a mão firme na minha cintura. O beijo veio intenso, sem gentileza, carregado de necessidade e contenção ao mesmo tempo. Não era fuga. Era confronto. Quando nos afastamos, o mundo parecia mais perigoso. — Isso nos torna vulneráveis — murmurei. — Não — ele respondeu. — Nos torna honestos. O alarme soou. Passos apressados no corredor. — Senhor — disse o chefe de segurança. — Temos uma invasão digital. Alguém acessou os arquivos antigos. Meu sangue gelou. — Quais arquivos? — perguntei. — Os seus. Dimitri Morozov tinha entrado onde não devia. — Bloqueiem tudo — ordenei. — Quero rastreamento agora. Mas eu já sabia. Ele não queria dados. Queria provocar. Isabela estava pálida, mas firme. Não desviou o olhar. — Ele quer que eu vá até ele — disse. — Sozinha. — Não — respondi imediatamente. — Dimitri — ela insistiu. — Ele não vai parar. Cada ataque será mais próximo. Mais pessoal. — Isso é uma armadilha. — Todas são — respondeu. — A diferença é quem controla. Aproximei-me, segurando o rosto dela com cuidado perigoso. — Se você for… — comecei. — Eu não vou sem você — ela interrompeu. — Mas também não vou continuar fugindo. Olhei para ela como se estivesse vendo pela primeira vez. — Você entende que isso muda tudo. — Eu já disse isso antes — respondeu. — Só estava desarmada. Peguei o telefone. — Preparem o encontro — ordenei. — Nos termos dele. — Senhor… — alguém tentou argumentar. — Nos meus termos — corrigi. Desliguei e encarei Isabela. — Se Morozov quer jogar com fantasmas — disse —, nós vamos mostrar que alguns mortos não descansam. Ela sustentou meu olhar. Sem medo. Sem recuo. — Então vamos acabar com isso — respondeu. — Ou começar de verdade. E eu soube: o próximo movimento decidiria quem sobreviveria ao próprio passado. ____&&____&____________&&&&&___&&& 🔥 Cliffhanger: Morozov força um encontro pessoal. Isabela decide encarar o passado. E Dimitri prepara um jogo onde ninguém sai ileso.
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