No dia seguinte, estava ocorrendo uma reunião de agentes na sede da corporação Australiana.
- Senhoras e Senhores! Devo dizer que é um prazer estar com todos aqui nesta excelentíssima tarde, agradeço a presença de cada um dos representantes de cada órgão público.
Meu nome é Joseph Kosarev.
Um homem careca de pele clara estava falando num palco no meio de uma sala, haviam muitos funcionários da corporação e outros chefes de órgãos públicos ali presentes.
E o homem continuou:
- Sabe, eu nunca vi antes na história, um país ir do auge à decadência em tão pouco tempo, mas tudo isso tem um motivo simples senhores, nossos líderes anteriores negligenciaram as nossas pendências econômicas, oque custou quase toda a nossa infraestrutura. Por isso, senhores, hoje eu e meu partido, os Pais Totalitários, temos uma proposta que poderá nos tirar dessa lama.
Então Joseph fez um sinal e uma tela gigante atrás dele se ligou, ele pediu pra que dois homens tirassem a mesinha em que ele estava apoiado para um canto da sala, um holofote se ligou sobre ele, e todos os executivos e agentes corporativos inclusive o líder que também estava ali, sacaram suas pranchetas prontos para fazer suas anotações.
- Aqui estamos nós, vamos começar. Nossa proposta tem o nome de Restauração. - conforme ele explicava iam aparecendo os gráficos e informações no telão atrás.
- Essa ideia tem obviamente como principal objetivo acabar com a enorme crise econômica que o país já viveu e vive, os Australianos passam fome e catam restos de comida nas latas de lixo para sobreviver, o'que é inaceitável, cidadãos de bem merecem o melhor da sociedade, não é mesmo? Pois então, esse plano consiste basicamente em diminuir gastos, para que esse dinheiro seja investido, oque quer dizer que: cortando gastos de minorias, poderemos gerar renda, e assim ir levantando aos poucos a situação financeira de cada um.
Um executivo levantou a mão, e Joseph lhe deu a palavra.
- E como exatamente cortaremos esses gastos das minorias? Digo, as pessoas mais carentes não vão concordar em já perder o pouco que tem e transferir aos ricos.
- Excelente pergunta, senhor...?
- Leonid Vasilenko.
- Perdão, eu vou ter dificuldade em lembrar, mas prometo me esforçar.
Então Joseph tomou um gole d'água e retomou o raciocínio:
- Por favor senhores, peço que se atentem a esse gráfico.
Um enorme gráfico dividido num círculo se abriu no painel digital.
- Atualmente a população mundial da Austrália é de 25.541.337. Desse número, 60% são de pessoas abaixo da classe média, ou seja, temos mais da metade da população feita de pessoas sem ou com poder aquisitivo baixo, já que eles não têm condição de se manter e vivem às custas da corporação em alguns programas de apoio. Essas pessoas com toda certeza não tem a intenção de abrir mão disso, logo... Precisaremos passar por um processo de limpeza nas classes sociais menos favorecidas.
Leonid tirou seu óculos e pôs sobre a mesa.
- Senhor Joseph, não me diga que está sugerindo que...
- Oferecemos oportunidades de trabalho compulsório, os que se negarem, não é justo que vivam às custas do povo honesto e trabalhador, então devem ser mortos.
Todos na sala prenderam o ar, até que o líder da corporação se pôs de pé, e mansamente falou:
- Senhor Joseph, agradecemos a sua visita e a sua tentativa de salvar a Austrália e a sua população, porém nós recusamos a sua proposta, formalmente.
Joseph deu uma leve risada e desceu do palco, caminhando em direção ao líder da corporação, e os dois ficam cara a cara, e então Joseph o abraça, um momento de silêncio e tensão se instala.
- Vocês... não tem escolha, Kylie. - sussurrou Joseph no ouvido do líder da corporação.
- É formalmente que eu e meus companheiros de partido nos retiramos. - anunciou Joseph, se afastando de Kylie, e então todos do partido dos Pais Totalitários se retiraram.
Todos na sala começam a discutir entre si e com o presidente da corporação, porém ele apenas se retirou dali e foi até seu escritório acompanhado por Leonid, quando os dois chegaram na sala, Leonid encostou a porta e Kylie se sentou em sua cadeira, estando visivelmente preocupado.
- Está tudo bem, senhor? - perguntou Leonid.
- Não, não está nada bem, o Joseph vai agir contra nós, e não há nada que possamos fazer. - ele apoia os cotovelos sobre a mesa e coloca as mãos sobre o rosto.
- Ele realmente pretende fazer aquilo?
- Sim, e usará todos os meios que ele sabe que tem, e nós não poderemos fazer nada a respeito.
Leonid se senta numa cadeira em frente a mesa do presidente e começa a pensar:
- Talvez haja uma ou duas maneiras de resolver tudo isso senhor...
Kylie o olha intrigado.