James Pendleton

1137 Words
- Sabe, você pode às vezes ser do tipo que acredita em paz mundial e tudo mais. Pode até ser que você esteja certo, mas você está errado quanto a como alcançá-la, alguns acreditam em paz através do diálogo, outros através da guerra, mas eu não acredito em nenhum dos dois. Meu jeito é um pouco mais sofisticado, a paz pra mim, vem através da extinção dos gananciosos e corruptos, eles são o câncer da humanidade, isso é oque verdadeiramente nos impede de progredir e que causa a morte de tantos inocentes. O mundo hoje é dominado por corporações, o poder do governo é quase diminuto, vivemos em uma era onde o dinheiro não é mais o deus do mundo, mas sim o poder. Pessoas ignorantes defendem partidos e políticos corruptos que se aproveitam de gente pobre, isso faz deles marionetes, alguns por ignorância e outros são comprados. Essas pessoas não são nada mais do que peões num jogo de interesses, onde vidas correm risco. Elas são cegas, se deixam influenciar por quem fala mais bonito e por quem tem melhor aparência, mas não estão nem aí pro conteúdo..." James Pendleton recitava essas palavras deitado sobre uma poltrona e se olhando em um mini espelho de mão, ele tinha os olhos castanhos e o cabelo era um topete meio bagunçado com umas pontas meio ruivas, ele também tinha uma barba cerrada. Então ele percebe que seu psicólogo dormiu apoiado numa mesinha ao lado. - Owen? Mas ele apenas roncava. - OWEN! E então o psicólogo acorda, ajeitando o seu cabelo calvo, seus óculos e sua gravata borboleta. - S-sim, história interessante Sr Pendleton. - Aham, com certeza... - James disse, revirando os olhos e se afundando na poltrona. - Perdão, James. Essa história é realmente interessante. James o encarou de r**o de olho, obviamente o psicólogo não ouviu uma única palavra que ele tinha dito até aquele momento. - Poderia repetir o seu trauma de infância novamente? James bufa, se ajeita na poltrona e começa a relembrar: - Eu morava na cidade de Pilgrim, nos EUA, mas sou Australiano de nascimento. Morei por doze anos lá com meus pais, éramos uma família feliz, tínhamos condições de viver uma vida tranquila, meu pai se chamava Lester e minha mãe Megan, eram os melhores pais do mundo. - E oque aconteceu com eles? - Nossa família perdeu todos os bens, meu pai era funcionário da corporação Australiana, mas era um agente que atuava nos EUA, eles exigiram cinquenta por cento dos bens da minha família por acharem que meu pai era um adulterador de contas, e o culparam pela inflação na Austrália na época, mas como ele se recusou a pagar e se determinou a provar sua inocência, ele foi assassinado, ele e a minha mãe. A corporação da Austrália viu uma oportunidade em mim e me transformou em um agente especial. - Como você tem certeza de que foram eles que mataram seus pais? - Meu pai era um homem honesto, ele jamais conspirou contra ninguém, só armaram pra ele porque ele estava planejando se aposentar e se dedicar a mim e a minha mãe. Nessa hora um relógio em cima de uma mesa entre o psicólogo e James tocou. - Muito intrigante sua história James. Mas nosso tempo acabou, porque não continuamos na próxima semana? - É, claro. O escritório do psicólogo era bastante aconchegante, a lareira com o tapete de urso faziam esquecer o frio aterrador que fazia lá fora, James sai do escritório, esfregando suas mãos com luvas uma na outra e sopra entre elas, tentando se aquecer. Até que ele esbarra em uma moça no corredor até a saída: - Perdão, senhorita. - Oh não, tudo bem. A moça tinha a pele clara, olhos castanhos e um longo cabelo loiro. - Me distraí. - disse ele. - Não sabia que isso era possível. - ela respondeu, e logo se virou e continuou andando no corredor. Seguindo seu caminho, James abre a porta principal do prédio, dando de cara com as ruas, estava uma neve agradável, crianças correndo e brincando, algumas montavam bonecos de neve ou deitavam no chão, fazendo anjinhos, aquele clima era impagável para ele, já que lembrava e muito sua infância em Pilgrim. Ele desce alguns degraus e anda calçada abaixo, e avista um mendigo encolhido no canto da parede, tremendo de frio e com uma latinha com apenas uma moeda lá dentro, James se aproxima do homem e lhe dá seu casaco, e coloca mais cinco moedas dentro da latinha. O mendigo retribui com um grande sorriso, enquanto se enrolava no casaco que James havia lhe dado. Satisfeito, ele retoma sua caminhada, chegando a um bar, e então ele entra. Tocava música clássica, haviam muitas pessoas sentadas às mesas, conversando. Ele adentra o local e se senta em uma das cadeiras no balcão. - Vai querer oque, meu amigo? - pergunta o barman. - Eu gostaria de um chocolate quente por favor. - pede James. E o barman se vira de costas, indo preparar o pedido. James percebe que na parte em que ele estava no balcão estava sujo com bebida derramada, então ele pega um papel toalha que havia ali perto e seca o balcão, o deixando completamente limpo. Não muito tempo depois, o barman volta com uma xícara fumegante de chocolate quente. - Muito obrigado. James dá o primeiro gole, e quando estava começando a se sentir aquecido: - Parece que você é um homem de gostos peculiares, não é? - disse uma voz feminina atrás dele. Ele se vira para ver quem era, e então percebe: - Você não seria aquela moça que esbarrei no corredor, né? - E se eu fosse? - Poderia dizer que você está me perseguindo. - O Alasca é um lugar bem estreito, não é de se espantar que frequentamos o mesmo bar, não é? - respondeu ela enquanto se sentava numa cadeira ao lado de James. - Uísque? - ela ofereceu. - Não, não gosto de beber. - Uma pequena dose de Uísque pode te aquecer muito mais do que uma xícara de chocolate quente. Então ela olhou pro barman e fez um sinal com a cabeça, ele imediatamente se virou para preparar as bebidas. - Você sim tem gostos peculiares. Ela dá uma risada e diz: - O que um homem tão quente como você faz numa terra tão gelada como essa? - Vim procurar por algo quente. - ele responde. Nessa hora o barman colocou duas pequenas taças com Uísque na mesa. - Tenta. - incentivou ela. E então James deu um gole só na taça, e sentiu a bebida descer queimando, mas aquecendo o corpo inteiro. - Bom. Mas ainda sim, não gosto de beber. - Do que você gosta então? Mas nessa hora, um tumulto começou no bar.
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