Do dia em que você nasceu
Vinda do amor de sua mãe e eu
Um lindo presente que o Senhor nos deu
A realidade de um sonho meu" (Rick e Renner)
Seguir quando caímos, quando tudo parece perdido, não é nada fácil, dói tirar o curativo, arde lavar a ferida.
Começar sem um apoio depois de uma queda, não é nada fácil, mas qual a escolha?
Quais as opções?
Permanecer no chão vendo o mundo andar?
Porque ele não vai para por sua dor.
Deixar que outros façam a nossa obrigações?
Colocar a culpa em todos e tudo e simplesmente chorar e reclamar?
Quem vai entender a minha dor? Mas quem vai mudar essa situação?
Heitor tinha essas e muitas dúvidas na cabeça, mas uma certeza.
Amou e muito Vanessa, e desse amor algo muito maior do que a sua dor nasceu, a pequena Violeta.
Foi pensando nela que entrou no banho e deixou que a água morna relaxasse o seu corpo; enquanto lembrava dos bons momentos que ele e Vanessa viveram ao lado da filha.
Lembrança on
"Amor a sua barriga está cada dia mais linda" falava alisando a barriga da esposa enquanto ela esta vendo uma receita na TV, quando sentiu o pequeno chute."Mor nosso tesouro está se mexendo, bebê lindo respondendo o papai", falou chorando emocionado.
Lembrança off
Essa lembrança fez Heitor sorrir depois de muitos dias, saiu do box do banheiro e olhou para espelho, vendo a barba lembrou o quanto Vanessa não gostava que ele ficasse barbudo, mas foi quando descobriu que a sua barba irritava a pele delicada do seu bebê que ele passou a fazer a barba todos os dias só para poder dar vários beijos na sua Violeta.
Já arrumado para o trabalho foi até a porta do quarto, respirou fundo antes de girar a maçaneta e ter coragem para sair, melhor, para começar a viver, agora como pai viúvo, que faria de tudo para ver a sua Vi feliz. Caminhou pelo corredor da casa em passos lentos, porém sem parar, chegou na sala viu o seu maior tesouro sentada no sofá, já com o seu uniforme escolar, perninha balançando, olhos que mais pareciam duas jabuticabas maduras olhando longe, como que para o nada ou tudo.
Suspirou fundo silenciosamente e disse:
"Oi meu bebê! Animada para escola?" Foi o suficiente para que Violeta saísse do seu lugar num pulo correndo para os braços do seu pai.
Neste momento Heitor sentiu toda a dor que sentia diminuir e dar lugar a um conforto sem igual, com o seu bebê de quatro anos nos braços ele deixou-se levar pelo doce cheiro de flores do cabelo ruivo cacheado, depois de um tempo ele disse a filha:
"Perdão minha pequena, a dor a saudade da partida da sua mãe deixou-me cego, e acabei não vendo que o melhor da sua mãe, a mulher que mais amei, ficou aqui para que eu possa proteger. Eu te amo filha!"
"Eu te amo papai! Vou cuidar de você, e ser uma filha que não vai dar-te trabalho, porque quero te ver sorrir."
" Você já me faz feliz filha."
O amor de pai e filha era algo palpável naquele momento, ele sentia ali que tinha um motivo muito forte para continuar a sua vida, motivo para seguir em frente, pois o amor da sua vida, a mulher que viveu os seus melhores anos havia-lhe deixado, sim, mas não sozinho.
A cena emocionou os pais de Heitor que observavam de longe, felizes por terem uma neta com tanto brilho, eles sabiam que o caminho seria duro para ambos, Vanessa era mais que especial para família, mas com certeza muito de Vanessa havia ficado com Violeta, e essa com certeza ainda tinha muito amor para demonstrar.
Como combinado logo após o café da manhã, os pais de Heitor seguiram viagem para seu sítio, já com a promessa de voltar em poucos dias. Antes de sair Ruth orientou o filho em tudo que precisava para se organizar sozinho daquele momento em diante, deixando anotados números de emergência, como médico, vizinha que poderia cuidar de Violeta numa emergência, pizzaria e diarista.
Ele teria uma equipe de apoio para a nova missão.
Heitor percebeu que seus pais estavam fazendo o melhor para ele, lhe dando a oportunidade de cuidar da sua filha com responsabilidade, mas sem o abandonar realmente.
Quando estavam sozinhos pai e filha, Heitor ficou de joelhos no chão olhando para a filha com muita ternura lhe disse:
"Violeta quando você nasceu fiz uma promessa silenciosa que seria o melhor pai do mundo, desculpe-me filha, se com a partida da sua mãe acabei esquecendo dessa promessa, vou errar muito nessa a nova caminhada, mas não irei desistir de cultivar momentos bons como pai e filha, porque você a minha pequena é meu arco-íris depois da tempestade."
Abraçou mais uma vez a filha para confirmar as suas palavras.
"Papai eu te amo muito! Também amo muito a minha mamãe! Ela sempre será minha heroína e você o meu herói. Mas o que mais mamãe dizia era que queria nós ver felizes, vai ser difícil viver com a saudade, vai ter dias que irei chorar, já que ela não está aqui, porém ela deixou muita coisa boa e alegre para gente lembrar junto em quanto construimos novas alegrias na nossa vida."
"Você sabia que é muito esperta para os seus quatro anos pequena?"
"Sei" disse confiante com um lindo sorriso, que faz o seu pai sorrir junto.
Conversaram com a secretária da casa, deixando todas as orientações, conforme dona Ruth havia-lhe dito.
Heitor levou Violeta para escola, o caminho não foi em silêncio, pois a pequena fez o seu pai colocar uma seleção musical com os sucessos infantis do momento, sentada na sua cadeirinha cantava e requebrava tirando muitas gargalhadas do seu pai.
Chegando na escola não foi fácil ver a piedade no olhar de todos os conhecidos, ele ainda estava perdido que nem percebeu alguns pedidos de condolências um pouco mais ousados de algumas mães de coleguinhas da sua filha, nada que a nossa Violeta não tenha observado já atenta.
A preocupação de Heitor, os seus olhos e ouvidos estavam voltados apenas a sua pequena Vi, por ela, ele seria forte mesmo não sendo, por ela ele enfrentaria a dor e a saudade, seria o herói que ela desejava, com esse pensamento entrou no carro e dela antes de dar a partida falou baixinho:
"Por você filha o papai vai ser forte e viver feliz!"