Capítulo 1
"Elisabeth Connor é uma garota que veio de uma família humilde. Ela mora em um bairro esquecido da cidade. Sua luta todos os dias é sustentar a mãe e trabalhar bastante para ajudar no tratamento da senhora Connor, que está lutando incansavelmente contra o câncer.
Há mais ou menos três meses que Elizabeth descobriu que a mãe estava muito doente, e que seus exames apontaram para um câncer terminal. Mas mesmo assim, Elizabeth não desistiu, e continua lutando juntamente com sua mãe para que ela fique bem, mesmo que suas esperanças tenham ido embora.
O pai de Elizabeth largou a mãe assim que descobriu que a esposa estava doente, indo embora para outra cidade. Hoje, ele formou outra família. Desde então, Elizabeth parou os seus estudos e focou-se no trabalho, mergulhando de corpo e alma para manter as despesas do tratamento e da casa. Atualmente, trabalha em um barzinho localizado no centro da cidade.
Nada está sendo fácil para Elizabeth, que decidiu então focar-se em ajudar a mãe e dedicar-se totalmente a ela, embora soubesse que não ganharia o suficiente para cobrir todas as despesas.
Elisabeth acordou cedo, fez o café da manhã especial para sua mãe e, além do preparo do café, organizou tudo para que estivesse livre na parte da noite, já que trabalha no horário noturno. Todo esforço é exigido de si mesma.
Após Elisabeth ter organizado tudo que tinha para ser organizado, já havia chegado a hora de ir ao seu trabalho. Elisabeth sabia que não ganhava o suficiente, mas já ajudava bastante. Então, imediatamente ela corre para o box, faz sua higiene, lava o cabelo e seca com o secador, terminando caminha até o guarda-roupa e veste-se em um vestido comportado, faz uma leve maquiagem e coloca seus tênis brancos.
— Filha. — chama sua mãe com sua voz fraca.
— Oi mãe! Está precisando de alguma coisa? Está sentindo algo? — Elisabeth abre a porta do quarto com um pouco de pressa, pois estava preocupada.
Alguns meses atrás, ela não tinha com que se preocupar, porém hoje tudo havia mudado, porque sua rainha tornou-se uma preocupação diária. Tudo que Elisabeth fazia era para seu bem-estar. O que deixava Elizabeth mais triste era pensar que a qualquer momento sua mãe poderia partir e ela ficar sozinha no mundo, embora já soubesse muito bem se virar, a solidão lhe assustava.
— Não, minha princesinha, está tudo bem, não se preocupe. Seu pai está no telefone e quer falar com você. — falou mostrando um sorriso fraco.
Embora achasse que seu pai foi um grande canalha com sua mãe, Elizabeth não queria falar com ele. Não era a primeira vez que o senhor Connor ligara para falar com a filha. Porém, houve várias tentativas falhas de se aproximar novamente de Elizabeth, bem como todas as vezes que ele ligava e a mesma evitava atender suas ligações. Antes mesmo que o pai de Elizabeth pudesse falar algo a ela, a mesma prontamente encerrava a ligação. Mas aquele dia seria diferente, ela atenderia ao telefone e deixaria ele falar a ela o que quer tanto dizer, mas em troca ele também ouviria o que sua filha achava de tudo isso.
Elisabeth não entendia o porquê o pai tinha mudado tanto, sempre cuidou bem da família, viviam felizes com o pouco que tinham e prometia à esposa que sempre a amaria e sempre estaria com elas, não importava o que aconteceria. Porém, tudo o que falou foi totalmente o oposto disso, talvez isso teria magoado Elisabeth, já que Elisa foi a primeira mulher na vida do pai de Elizabeth, e ela a única filha. Tanto que ela pensava que poderia existir a ex-mulher, mas ex-filha, não.
— Vou falar com ele, mamãe. — respondeu deixando um beijo no topo de sua cabeça coberta por um lenço.
Elisabeth caminha a passos largos até a mesinha da sala, pega o telefone e o aproxima do ouvido.
— Alô. — falou, para que assim ele soubesse que ela estava lhe ouvindo.
— Oi filha, que saudades de ouvir sua voz, minha princesinha.
— Shh... Pode parar por aí, senhor Jorge. Para mim, o senhor é um estranho. Me fale logo o que você quer, tenho que ir trabalhar. — respondeu curta e grossa.
— Filha, me perdoa, não quero que você pense m*l de mim. O caso entre mim e sua mãe é questão nossa. — falou.
— É questão minha também, sou sua filha, infelizmente. Olha o que o senhor fez conosco? Será que não tem um pingo de remorso ou vergonha na cara? Prometeu amor eterno a sua mulher no altar. Onde está aquela pessoa que prometeu ficar ao lado de minha mãe na saúde e na doença?
— Eu sei, querida, que falhei com vocês, mas eu não tive forças para ficar ao lado dela, ver que seus cabelos caindo aos poucos, ver ela sofrer por sentir dores e náuseas. Me desculpe, querida, mas eu não podia, eu... — ele solta um suspiro pesado.
— Chega! Não torne tudo mais difícil para mim. Só atendi o telefone porque minha mãe pediu, e também queria falar a você que não ligue mais para essa casa, nos esqueça, assim como nós também te esquecemos, para mim o senhor está morto. — Elisabeth encerra a chamada.
A mãe de Elisabeth estava em um canto da casa, observando todas as palavras que a filha e o pai estavam trocando naquele momento. Elisa tremia o corpo tentando segurar as lágrimas, talvez sentisse na pele novamente a rejeição do ex-marido. Elisabeth caminha até ela e aconchega em seus braços, dando carinho como se fosse um bebê.
— Não chore, não precisamos dele para nada, eu estou aqui para ajudar a senhora e, se depender de mim, eu darei minha vida para vê-la bem. — tenta acalmá-la.
Elisabeth guia sua mãe até o sofá, a mesma senta no sofá sob o olhar de Elisabeth enquanto ela liga a TV. Agora, com a mãe mais tranquila, foi que Elisabeth pôde ir ao seu trabalho.
Já em seu local de trabalho, Elisabeth pôde observar que o lugar estava mais lotado do que nos outros dias, então apressou-se para entrar e trocar de roupa para começar a trabalhar, antes mesmo que seu chefe a demitisse de seu único trabalho.
Elisabeth cumprimenta a colega de trabalho e pega a bandeja, saindo pelo local servindo os clientes.
— Oi, gatinha. — falou um bêbado dando um tapa na b***a de Elisabeth assim que ela o serve.
— Boa noite, senhor, tenha respeito pelas pessoas que trabalham aqui. — falou já irritada.
— Claro, delícia. — rebateu com um sorriso cínico em seus lábios.
Elisabeth sai dali servindo outros clientes, enquanto passava pelo local, Elisabeth pensava na possibilidade de arrumar outro emprego, em compensação que pagasse bem, porque sabia que aquela vida não era para ela, mas estava aguentando por causa de sua mãe.
Elisabeth termina seu expediente por aquela noite e já foi se trocando e saindo dali para ir para casa, a tela do seu celular mostrava claramente o horário que já se passava das dez da noite. Então ela apressa seus passos, entra por uma esquina próxima a um hotel luxuoso da cidade, aquele atalho ficaria mais perto de sua residência.
Elisabeth caminha apressadamente e entra pelo estacionamento do hotel, outras vezes já havia feito isso, mas o segurança havia lhe chamado a atenção, falando que ali não era estrada. Porém, contou com um pouco de sorte, porque o segurança não estava por ali naquele momento.
Assim que Elisabeth se aproxima de um dos carros parados, sentiu alguém lhe puxar pelos cabelos e tapar sua boca, ela gritava e se debatia, mas sem sucesso. Ninguém poderia lhe escutar, aquele lugar estava calmo e silencioso e ninguém passava por ali aquela hora da noite. Aquele homem que lhe agarrou com força brusca, empurra seu corpo contra o chão e cobre o corpo da mesma, imediatamente Elisabeth sabia que se não conseguisse escapar dele, ela seria violentada.
— Oi, gatinha hahaha. — falou sorrindo, e só então Elisabeth lembrou do bêbado que estava no bar. — Não se mexa, porque se não corto você. — falou mostrando um canivete. Aquele monstro usou o mesmo para partir a sua blusa ao meio.
Aquele momento era desesperador, Elisabeth talvez gritaria, mas não podia, queria correr e não conseguia. A única coisa que ela fazia era chorar em pensar que aquele monstro poderia a qualquer momento tirar a sua inocência.
— Vou tirar as mãos de sua boca, mas não faça nenhuma gracinha, porque se não mato você. — falou passando o canivete em seu rosto.
Elisabeth olha para o lado e vê a silhueta de um homem, provavelmente ele havia saído de dentro do hotel, ele estava acompanhado por uma mulher. O mesmo abre a porta para ela entrar, e nesse momento Elisabeth grita por socorro. Mas ela sente um tapa forte queimar seu rosto e novamente sua boca é tapada por aquelas mãos asquerosas.
— Falei para você não gritar, sua imunda. — proferiu mais um tapa.
Aquele homem ia proferir outro tapa em seu rosto mas não faz. Elisabeth sente seu corpo leve porque o peso foi tirado de cima dela. Ela abre os olhos e vê aquele homem sair dali correndo só em ver o cara do carro em sua frente apontando uma arma para ele.
— Você está bem? — perguntou enquanto aquelas órbitas azuis a encaravam com preocupação e suas mãos grandes a ajudavam a levantar do chão.
— Estou bem agora — falou. — Obrigado por sua ajuda, se não fosse por você eu nem sei o que aquele monstro teria feito. — ela respondeu.
— Sim. — respondeu ele enfiando suas mãos no bolso da finíssima calça social.
Elisabeth prestou atenção em uma mulher loira que se pôs em pé ao lado de seu herói da noite. Aquela mulher a olhou dos pés à cabeça.
— Quem é essa, Darius? — perguntou ela, e só então ela soube do nome do seu salvador da noite.
— Só uma moça que estava em apuros, mas ela já está bem. — explicou. — Vamos. — convidou saindo dali puxando a mulher pelas mãos até entrarem no carro, mas o carro não saiu do lugar, ainda estava ali parado.
Rapidamente Elisabeth se ajeitou e foi embora, e só depois ela escuta o carro ser ligado e eles irem. Ela não queria ter falsas ilusões, mas parecia que o estranho herói queria se certificar de que ela ficaria bem, talvez por isso teria ido embora só depois que ela foi. Elisabeth chegou em sua casa, segura e bem, mas seu emocional estava bastante abalado pelo que havia acontecido aquela noite.
Então ela entrou em casa, olhou sua mãe se estava bem, a mesma dormia tranquilamente. Elisabeth a cobre com um cobertor e vai para seu quarto, toma um banho para tirar todos os toques sujos daquele monstro, e após se aninha em sua cama e dorme.