Depois do que havia ocorrido na noite passada, Elisabeth se sentiu muito m*l e um ataque de pânico a tomou por completo. O medo de retornar novamente ao trabalho não a deixou em paz. E mesmo arrumando outro trabalho, o medo a perseguia e não a deixou trabalhar.
Em sua mente passavam todas as imagens daquele infeliz incidente, então ela não se sentiu animada para levantar-se da cama, como fazia todos os dias. Elisabeth pegou o cobertor e se enrolou dos pés à cabeça. Sentia frio, levou as mãos na testa e percebeu que estava ardendo em febre.
Elisa, sua mãe, bateu na porta com batidas leves, e então, tendo permissão para entrar, ela sentou-se na beira da cama, enquanto Elisabeth ajeitava seu corpo dolorido na cama. Elisa repousou sua mão sobre a perna de sua filha, enquanto a examinava com cuidado.
— O que houve, minha princesinha? Você não quis ir ao trabalho hoje, não desceu para tomar o café. — perguntou Elisa.
Elisabeth fez de tudo para segurar as lágrimas para não cair e a língua para não contar o que houve, e não deixar a mãe preocupada. Pois Elisa já tinha muitos problemas e mais um para a lista não compensaria, só faria seu estado piorar mais.
— Apenas estou indisposta, minha rainha. Mas não se preocupe, tudo ficará bem. — Elisabeth contornou a situação, e um sorriso novamente se formou em seus lábios.
Elisa lhe deu um beijo e saiu do quarto, deixando Elisabeth descansar. Algumas horas haviam se passado quando Elisabeth decidiu levantar-se de sua cama e ir ao banheiro tomar um banho para relaxar um pouco. O celular de Elisabeth tocou em cima do criado-mudo, ela saiu do banheiro sem pressa e pegou o pequeno aparelho atendendo assim que viu que era sua melhor amiga Rarle que estava ligando.
— Bom dia, amiga. Como está a tia? — Rarle perguntou.
— Bom dia, amiga. Está como sempre. Eu ando preocupada porque ela terá que fazer tratamento para amenizar mais a situação dela, e eu não juntei ainda o dinheiro todo, falta muito. Aconteceram tantas coisas que eu desisti até do trabalho. — Elisabeth desabafou com sua amiga.
— Eu não vou aí conversar com você porque estou no curso, mas eu queria falar pra você, amiga, por que não arruma um homem rico e tenta fisgar ele, menina? Assim você arrumaria mais dinheiro pra ajudar no tratamento de sua mãe. Nem que depois, você dê um pontapé na b***a dele.
— Ficou louca? Eu não quero me amarrar em ninguém, prefiro minha liberdade, e depois, quem iria me querer? Você sabe que nem beijar eu sei, nunca tive um namorado. — falou Elisabeth ouvindo Rarle ter uma crise de risos do outro lado da linha.
— Menina, na precisão vale tudo, e beijar não é coisa do outro mundo. — falou. — Já vou entrar pra sala, nos falamos depois, se cuida, amo-te.
Rarle encerrou a ligação, Elisabeth deixou o celular de lado, vestiu-se, e desceu até a cozinha para colocar algo no estômago. Elisabeth estranhou por a casa estar em completo silêncio, a TV estava ligada no jornal e Elisa não estava no sofá como ela esperaria que estivesse. Então ela caminhou até o quarto, e viu que sua mãe estava apoiada na pia, enquanto vomitava.
Elisabeth passou suas mãos pelas costas da mãe e se assustou quando percebeu que ela estava vomitando sangue. O médico já havia deixado claro que isso aconteceria, e Elisabeth teria que ser forte.
Mesmo que o desespero tenha tomado conta de Elisabeth por ver sua mãe naquela situação, ela teve que manter a calma, para poder ajudá-la. Ela sabia que se entrasse em desespero, não iria resolver nada.
Elisabeth apoiou a mãe em seus braços e a levou para a cama, para que ela descansasse um pouco.
Elisabeth não queria admitir para si mesma, porque odiava a ideia de ver sua mãe definhando aos poucos, mas Elisa estava r**m, e seu estado de saúde se complicava a cada dia mais. Ela sabia que a qualquer momento, ela ficaria sozinha.
— Por que não me falou, mãe, que estava vomitando sangue? — perguntou ajudando ela a deitar-se sobre a cama.
— Eu não queria preocupá-la, você é tão nova e já tem tantos problemas, minha querida. — Elisa respondeu fraca.
— Não fala isso, a senhora não é problema pra mim. — Elisabeth sentou-se ao lado dela.
Elisa mostrou um sorriso calmo para a filha. Seu semblante era triste, e seu sorriso fraco.
Elisabeth deitou-se ao lado de Elisa, e ficou com ela até a mesma adormecer. Depois, se retirou devagarinho do quarto, para não acordá-la, preparou uma merenda e sentou-se no sofá assistindo a um filme.
Alguém bateu na porta, e Elisabeth se levantou e foi até a mesma atender, e viu que se tratava de sua amiga Rarle. Elisabeth puxou a amiga para o quarto e trancou a porta e contou tudo que aconteceu com ela na noite anterior.
Rarle então, prometeu à amiga de encontrar um outro trabalho, que não fosse mais em um barzinho. E prometeu que contrataria uns amigos da pesada para darem uma surra no bêbado do bar, que tentou abusar dela.
Elisabeth não gostou da ideia, pois não gosta de violência, mas tratando-se da amiga, ela sabia que ela faria o que disse, e ninguém seria capaz de tirar essa ideia de sua cabeça dura.
As horas haviam se estendido, e tudo seguiu como deveria seguir. Elisabeth ficou duas semanas sem trabalho, espalhou currículos pela cidade toda, ficou pendurada no telefone essas semanas toda, dormiu no sofá próximo ao telefone, mas o mesmo nunca tocou para dar uma boa notícia.
Elisabeth continuou batalhando, arrumava alguns b***s em limpeza e faxina na casa de família, cuidava das coisas em casa, e nas horas vagas, escrevia livros. Mas sempre tinha o cuidado com sua mãe.
Elisabeth estava conversando com Elisa na cozinha, enquanto preparava uma sopa, as duas conversavam animadamente sobre a infância de Elisabeth e riam juntas. Porém foram interrompidas pelo celular que tocou em cima da mesa. Elisabeth enxugou as mãos no pano e atendeu.
Ela escutou Rarle falar algo e dar pulos de alegria, e gritos de euforia. Assim que Rarle encerrou a ligação, Elisabeth contou a sua mãe que arrumou um trabalho por uma noite, mas em compensação, pagariam bem para ela servir as mesas. Era uma festa de ricos e tudo sairia bem.
Elisabeth estava aliviada por finalmente ter conseguido um trabalho temporário que ajudaria a pagar o tratamento da sua mãe. No entanto, ela sabia que precisava se preparar para a noite desafiadora que a aguardava na festa.
Ao longo dos dias seguintes, Elisabeth se dedicou a cuidar de Elisa com ainda mais carinho e atenção. A saúde da mãe continuava a se deteriorar, e cada momento juntas era precioso para ambas. Elisabeth fazia o possível para manter o ânimo e o sorriso nos lábios, mesmo diante das adversidades.
A noite da festa chegou, e Elisabeth se arrumou com o melhor que tinha. O vestido simples, porém bem cuidado, foi escolhido para a ocasião. Ela se olhou no espelho e respirou fundo, tentando afastar a ansiedade que a consumia.
Quando chegou à mansão onde acontecia o evento, Elisabeth se surpreendeu com o luxo e a ostentação ao seu redor. Ela se sentiu um pouco deslocada entre aquelas pessoas tão diferentes da sua realidade, mas lembrou-se do propósito da sua presença ali.
Durante toda a noite, Elisabeth serviu com diligência, mantendo-se discreta e profissional. As horas pareciam se arrastar, mas ela estava determinada a cumprir seu trabalho da melhor forma possível.