Quarta-feira.
O dia amanheceu nublado, refletindo exatamente como Isadora se sentia por dentro. Ela chegou cedo à empresa, antes mesmo de boa parte da equipe, e se trancou na própria sala com uma xícara de café forte e a planilha do orçamento trimestral aberta na tela.
Desde a conversa com Rafaela no dia anterior, Isa estava determinada a manter distância de tudo que pudesse complicar ainda mais sua situação — inclusive (e principalmente) de Dante.
E ele parecia ter sentido isso.
Na parte da manhã, passou duas vezes pelo corredor e olhou para dentro da sala de Isa, mas ela não levantou os olhos. Na terceira, bateu levemente na porta de vidro, com a mesma expressão de sempre — intensa, atenta. Isa apenas acenou com a cabeça e voltou para o computador. Fingiu concentração até ele se afastar.
Durante uma reunião do setor administrativo, Dante estava presente, mas Isa manteve sua postura profissional o tempo inteiro. Não sorriu, não desviou o olhar, não reagiu aos toques sutis que ele costumava usar para mexer com ela. Ele notou. Todos notavam.
Depois do almoço, ela evitou passar pela cafeteria interna onde sabia que ele costumava ir. Pediu um café pela recepção e almoçou em silêncio com Júlia no refeitório.
— Você vai aguentar muito tempo nessa frieza toda? — Júlia perguntou, sussurrando, enquanto mastigava uma salada.
— O tempo que for preciso. Não posso dar brecha pro Rodrigo virar essa separação num espetáculo.
— E o Dante?
Isa deu de ombros, evitando demonstrar o que realmente sentia.
— O Dante é só meu chefe. E a empresa é pequena demais pra eu esquecer disso.
No fim da tarde, Isa finalizou os relatórios do setor financeiro e enviou tudo para a diretoria antes mesmo de Dante solicitar. Manteve o tom neutro nos e-mails e evitou qualquer conversa paralela.
Quando o relógio marcou 18h, ela desligou o computador, pegou a bolsa e saiu antes que pudesse ser chamada.
Dante ainda estava na sala dele. Ela passou apressada, mas sentiu o olhar dele acompanhando cada passo.
Não se virou.
Não hesitou.
Não podia.
Ela só queria atravessar aquela tempestade sem mais escândalos.
Dois dias depois – Evento da Corp Group Brasil em São Paulo.
O evento anual da Corp Group Brasil era uma das datas mais aguardadas do calendário corporativo, e este ano acontecia em grande estilo: no salão de um hotel cinco estrelas na região dos Jardins, em São Paulo. Executivos, investidores e representantes internacionais circulavam pelo espaço luxuoso, entre taças de espumante e discursos de impacto.
Isa, usando um vestido preto elegante com um discreto corte na cintura, prendeu os cabelos em um coque baixo e clássico. Queria parecer profissional e confiante — mesmo sabendo que Dante estaria ali.
E ele estava. Assim que chegou, o viu conversando próximo ao bar com outros empresários. Smoking impecável, cabelo alinhado e o olhar que, inevitavelmente, pousou nela.
Ela desviou.
Passou boa parte da noite acompanhada de Júlia, evitando qualquer brecha que pudesse deixá-la a sós com Dante. Mas, em dado momento, Júlia foi chamada por um gestor de outro setor, e Isa acabou sozinha perto de um dos corredores laterais do salão principal, onde a música era mais baixa e o ambiente mais discreto.
— Finalmente sozinha. — a voz de Dante surgiu baixa, próxima demais.
Ela virou o rosto lentamente, tentando manter o controle.
— Acha mesmo que isso aqui é uma boa ideia?
— Não vim aqui pra conversar sobre o evento. — ele respondeu, aproximando-se mais. — Vem comigo. Quero te mostrar uma parte mais... interessante.
— Dante...
— Confia em mim. Só cinco minutos.
Relutante, mas intrigada, Isa o seguiu por uma porta lateral. Passaram por um pequeno corredor até uma área mais isolada do hotel — um salão reservado, elegante, com iluminação mais baixa e um clima nitidamente diferente. Havia grupos discretos conversando e outros... em uma dinâmica muito mais íntima.
Isa arregalou os olhos.
— Você me trouxe pra uma parte do evento onde rola swing?
— Tecnicamente, sim. Mas ninguém é obrigado a nada. É só uma ala restrita para convidados que sabem... o que procurar.
Ela cruzou os braços, desconfiada.
— E você me trouxe aqui pra quê?
Ele se aproximou, o rosto colado ao dela, os olhos cravados nos seus.
— Porque sabia que aqui ninguém vai interromper a gente. E porque, sinceramente, tô cansado de fingir que não penso em você o tempo todo.
Isa engoliu em seco.
O beijo veio antes que ela pudesse responder. Caloroso, possessivo. Ele a puxou pela cintura, suas mãos explorando o corpo dela por cima do tecido leve. Isa se agarrou aos ombros dele, deixando escapar um suspiro baixo quando os dedos dele deslizaram pela lateral de sua coxa.
Ela recuou o rosto, respirando rápido.
— Isso é uma péssima ideia.
— As melhores ideias geralmente são.
Ele voltou a beijá-la, e desta vez, a mão dele foi mais ousada — por baixo do tecido do vestido, com toques precisos, até que Isa se arqueou contra ele, o coração disparado.
Ela então o interrompeu com um toque no peito.
— A gente precisa sair daqui antes que eu esqueça quem sou.
Ele riu baixo.
— Muito tarde pra isso.
Ainda na ala reservada do evento em São Paulo, Dante conduziu Isa até um lounge discreto com cortinas de seda, luz baixa e sofás luxuosos. À frente deles, alguns casais já se envolviam em carícias mais ousadas, sem qualquer receio de estarem sendo observados.
Isa, inicialmente desconfortável, se sentou ao lado de Dante, o olhar preso em um casal à frente que se beijava com intensidade. O vestido dela subia levemente à medida que cruzava as pernas, e Dante, atento, se aproximou.
— Tá vendo como é natural? — ele sussurrou ao pé do ouvido dela. — É só prazer. Sem julgamentos, sem rótulos.
Isa não respondeu. Seu coração batia acelerado, não apenas pela situação, mas pela proximidade dele, pelo calor da respiração dele em sua pele.
Dante levou uma das mãos até a coxa dela, devagar, acariciando a pele exposta, como quem esperava alguma reação — mas ela permaneceu imóvel. Ele avançou, o toque subindo lentamente por debaixo do vestido.
— Me diz pra parar... se quiser. — murmurou.
Ela não disse. Em vez disso, suspirou baixinho, os olhos ainda presos nas cenas à frente.
A mão dele chegou até a calcinha dela, e com a destreza de quem sabia exatamente o que estava fazendo, começou a estimulá-la com movimentos lentos, calculados. Isa mordeu o lábio inferior, tentando conter qualquer som, enquanto o corpo reagia ao toque, envergonhada por estar se deixando levar — e ao mesmo tempo, excitada pela intensidade e pelo risco.
— Tá gostando... — Dante sussurrou, colando os lábios ao pescoço dela.
Ela virou o rosto, buscando o dele, e o beijou — um beijo urgente, cheio de tensão acumulada. Por um momento, tudo ao redor desapareceu. O ambiente, os casais, as vozes abafadas. Só existiam os dois.
Até que Isa ouviu uma risada familiar.
Congelou.
Virou o rosto para o outro lado do salão e ali estava ele: o ex-marido, de mãos dadas com uma mulher loira, rindo enquanto se aproximava de um dos sofás. Ele ainda não a tinha visto.
Isa arregalou os olhos, empurrou a mão de Dante e se levantou bruscamente.
— Isa...?
— É ele. — ela sussurrou, pálida. — Meu ex.
Dante se virou, confuso, e tentou segurá-la, mas Isa já estava se afastando, andando apressada em direção à saída da ala reservada, o rosto em chamas — de vergonha, de raiva, de desespero.
Ela saiu do salão, atravessando os corredores do hotel como se o ar ali tivesse se tornado irrespirável.
Dante ficou parado por um instante, encarando o lugar por onde ela saiu, com o maxilar tenso e os olhos estreitos.