Depois do jantar, Isadora e Dante saíram caminhando pelas ruas iluminadas do Soho, sem rumo certo. O ar fresco da noite nova-iorquina acariciava a pele, enquanto o som distante de buzinas, música ao vivo e conversas em diferentes idiomas preenchia o ambiente.
— Isso aqui parece um filme — ela comentou, parando em frente a uma vitrine de uma livraria 24h com luz baixa e pôsteres vintage colados no vidro.
— Nova York tem esse efeito. Te faz sentir que tá vivendo alguma coisa maior do que você consegue entender na hora.
Ela o olhou de lado, curiosa.
— E você sente isso agora?
Dante deu de ombros, com um meio sorriso.
— Não sei o que eu tô sentindo... mas é bom.
Eles continuaram caminhando lado a lado, por algumas quadras, até chegarem perto da Times Square. Mesmo quase meia-noite, os letreiros pulsavam com força, e turistas ainda tiravam fotos como se fosse meio-dia.
Isadora tirou os saltos por um instante, rindo quando Dante ofereceu o braço para ela se apoiar.
— Aposto que você não imaginava isso no seu roteiro de negócios, né? — ela brincou.
— A verdade é que... meu roteiro mudou desde que você entrou nele.
Ela não respondeu. Apenas o olhou em silêncio por alguns segundos, depois desviou os olhos, voltando a calçar os sapatos.
Já passando da meia-noite, decidiram voltar ao hotel. O carro os deixou na entrada elegante do prédio, onde o silêncio da madrugada contrastava com o burburinho das ruas.
Dentro do elevador, ficaram em silêncio, mas a tensão entre eles era palpável. Quando a porta se abriu no andar dos quartos, Isadora hesitou por um segundo antes de dizer:
— Obrigada pela noite.
— Ainda não acabou — Dante respondeu, com um sorriso lento. Mas não insistiu. Apenas se aproximou, beijou levemente a bochecha dela e foi até seu quarto ao lado.
Isadora entrou no dela em silêncio, com o coração acelerado sem saber exatamente por quê.
Isadora entrou no quarto e encostou a porta devagar, tentando ignorar o turbilhão dentro dela. Mas nem precisou pensar muito. Seu corpo se moveu antes da mente decidir.
Do lado de fora, atravessou o curto corredor até a porta ao lado. Bateu uma vez, e antes mesmo que completasse a segunda, Dante abriu, já sem blazer e com a camisa parcialmente desabotoada.
— Não consegui dormir — ela disse, sem rodeios.
Ele não respondeu. Apenas deu um passo para o lado, abrindo espaço.
Assim que ela entrou, a porta se fechou às costas dela com um clique seco. Os olhos de Dante estavam escuros, famintos. Ele a puxou pela cintura com firmeza, como se já tivesse esperado por aquilo a noite inteira.
O beijo veio urgente. Línguas se encontrando com desejo acumulado, mãos deslizando por corpos quentes e impacientes. As roupas foram caindo pelo caminho: primeiro a camisa dela, depois a dele, sapatos, calças, lingeries... até estarem nus e colados, corpo contra corpo, como se o toque fosse vital.
Dante a empurrou contra a parede com uma das mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça, enquanto a outra explorava cada centímetro de sua pele. Ela arfava, provocada, completamente entregue. Quando ele a penetrou ali mesmo, contra a parede, o gemido dela ecoou abafado contra o ombro dele.
Mas aquilo era só o começo.
Eles se moveram pelo quarto como se não houvesse tempo. A cama foi o segundo cenário — onde Dante a virou de bruços, dominando cada movimento com intensidade, fazendo-a gritar seu nome entre gemidos roucos. Depois vieram o chão, o espelho, a poltrona. Em cada canto, um ritmo diferente. Ora bruto, ora lento e intenso. Ora com beijos suaves, ora com mordidas e arranhões.
Isadora já não sabia mais quantas vezes havia gozado. O corpo tremia, mas ela queria mais. Queria tudo. E ele dava.
Quando o sol começou a tocar a linha do horizonte e a luz fraca invadiu o quarto pelas frestas das cortinas, estavam entrelaçados, suados, ofegantes, ainda se tocando como se não tivessem se esgotado por completo.
— Isso foi... — ela tentou dizer, mas ele a interrompeu com outro beijo, mais calmo, mais íntimo.
— A melhor noite da minha vida — ele murmurou contra a boca dela.
Ela não respondeu. Mas também não saiu dali.
A luz da manhã atravessava a fresta das cortinas, filtrando-se em feixes dourados que dançavam no lençol amarrotado. Isadora dormia abraçada ao travesseiro, o corpo nu parcialmente coberto pela coberta fina. Do banheiro vinha o som distante do chuveiro, e Dante, já desperto, tomava um banho rápido.
Três batidas firmes na porta quebraram o silêncio.
Isadora despertou sobressaltada, piscando confusa enquanto se sentava devagar na cama. Olhou em volta, percebendo que ainda estava no quarto dele, completamente nua. Procurou a camisola que havia deixado jogada no chão na noite anterior, a vestiu às pressas e caminhou até a porta com passos cuidadosos, ainda sonolenta.
— Já vai — murmurou, amarrando os fios bagunçados em um coque improvisado.
Girou a maçaneta e abriu a porta.
Diante dela, uma mulher morena de pele dourada, alta, corpo esguio como o de uma modelo, usava um conjunto de alfaiataria claro, elegante e perfeitamente ajustado. Os cabelos estavam presos em um r**o de cavalo baixo e impecável, os saltos soavam caros, e o batom vermelho parecia recém-aplicado.
Os olhos castanhos e frios da mulher desceram lentamente, observando Isadora dos pés à cabeça, com um leve levantar de sobrancelha.
— Você é... a nova assistente? — ela perguntou com um tom de voz doce e debochado, inclinando levemente o corpo para dentro do quarto, como se procurasse alguém com o olhar.
Isadora engoliu seco.
— Quem é você? — rebateu com firmeza, mesmo sentindo o estômago se revirar.
A mulher deu um meio sorriso e estendeu a mão com elegância calculada.
— Helena Bittencourt. Ex-noiva do Dante. Vim conversar com ele.
Isadora ficou imóvel por um segundo, tentando processar. O som do chuveiro desligando pareceu ainda mais alto naquele momento.
Antes que pudesse responder, Helena cruzou os braços e completou, como se estivesse diante de algo irrelevante:
— Eu não sabia que ele havia contratado... esse tipo de ajuda para a viagem.
Isadora respirou fundo, sustentando o olhar.
— Ele está no banho. Se quiser esperar... — disse, abrindo um pouco mais a porta, o tom cortante.
A tensão pairava no ar como uma bomba prestes a explodir.
Do banheiro, a voz de Dante soou abafada:
— Isa? Quem era?
Helena sorriu com gosto ao ouvir o apelido e deu um passo à frente, já se preparando para entrar.
Isadora se manteve no lugar, firme, o corpo ereto, bloqueando a passagem.
— Tem visita, Dante — disse ela, com a voz mais firme do que esperava. — Sua ex-noiva.
Helena cruzou os braços e mediu Isadora de cima a baixo com um olhar afiado.
— Você deve ser a nova distração do Dante — disse com um tom doce demais para ser sincero. — Ele sempre teve um gosto peculiar.
Isadora sustentou o olhar com calma, mesmo ainda surpresa por aquela mulher aparecer na porta do quarto.
— E você é...?
Helena sorriu, inclinando levemente a cabeça como se estivesse se divertindo.
— Helena. Ex-noiva dele.
Isadora arqueou uma sobrancelha, mas não recuou.
— Ex é uma palavra que diz bastante coisa. Tipo... ficou no passado.
— Interessante — Helena respondeu, dando um passo à frente. — Às vezes o passado volta quando menos se espera. Principalmente quando nunca foi superado.
Antes que a conversa pudesse escalar, a porta do banheiro se abriu e Dante apareceu, com a toalha na cintura e os cabelos úmidos. Ele parou imediatamente ao ver Helena.
— Helena? — A voz saiu carregada de choque e raiva contida. — Que diabos você está fazendo aqui?
Helena virou-se para ele com um sorriso leve, como se tudo estivesse perfeitamente normal.
— Relaxa, Dante. Só passei pra te ver. E dar um oi à sua... acompanhante.
Isadora cruzou os braços, observando os dois com atenção.
— Eu pedi pra você não me procurar — ele disse, sério. — Como conseguiu meu quarto?
— Conheço gente no hotel — ela respondeu casualmente, dando de ombros. — E eu estava em Nova York... pensei que talvez a gente pudesse conversar. Resolver algumas pendências.
— Não temos pendências — ele rebateu com firmeza.
Helena deu um último olhar para Isa, com um sorriso malicioso.
— Vai continuar insistindo nisso? Tudo bem. Só espero que você não cometa os mesmos erros de antes, Dante.
Ele não respondeu. Apenas abriu a porta e olhou para fora, indicando que ela deveria sair.
Helena hesitou por um segundo, então passou por ele com a cabeça erguida.
— A gente se vê — disse, antes de desaparecer no corredor.
Dante fechou a porta e encostou nela, inspirando fundo. Isadora permaneceu parada no meio do quarto, os braços ainda cruzados.
— Ex-noiva? — ela perguntou, mantendo a voz neutra.
Ele assentiu, ainda com o olhar fixo na porta.
— Sim. Helena.
— E ela costuma aparecer assim... do nada?
— Não. E espero que continue sendo exceção.
Isadora o observou por um instante, então soltou o ar.
— Tá, tudo bem. Quer conversar sobre isso?
Ele a olhou nos olhos por alguns segundos e negou com a cabeça.
— Não agora. Não quero que ela tenha espaço aqui. Não hoje. — Ele caminhou até ela e parou bem próximo. — A noite foi nossa. Não dela.
Isadora o encarou por mais um instante antes de assentir.
— Então vamos tomar café. Tô faminta.
Ele sorriu de leve e pegou a camisa em cima da cadeira.
— Café e depois negócios.