UM DIA QUALQUER

1994 Words
Depois de uma noite vazia, com o pessoal da banda “Marimbondos de Fogo” e garotas adolescentes fáceis, Timothy, ou Tim para os íntimos, acorda de ressaca, ao som do despertador, que ficava buzinando como trombetas de guerras em sua cabeça. O despertador tinha a forma da parte superior de um corpo feminino: grandes s***s, ombros e braços finos e delicados. O botão esquerdo desligava, o direito ligava e nas costas estava o painel de controle. Tim apertou o esquerdo e o barulho cessou. Empurrou o lençol para o lado, levantou e teve cuidado para não pisar nos pratos sujos e caixas abertas de pizza pelo chão. Deu graças a Deus por ter seu próprio banheiro especialmente projetado para ficar mais tempo possível sem ter contato com o restante da casa. Tomou uma ducha quente, bateu punheta e escovou os dentes, colocou um jeans e uma farda escolar surrada, do jeito que fora ensinado por seus pais e foi para escola. Até ai, nada de novo. O percurso de bicicleta até a escola era bom para curar a ressaca. Logo na entrada, encontrou Yan e sua turma aporrinhando o Samuel, que como sempre tentava inutilmente reagir. Não muito Diferente de Sam, Tim também era perseguido por Yan, até que um dia, o motivo o próprio Tim desconhece, parou de ter medo, pois toda a vez que o atacavam ele atacava de volta e com um sorriso no rosto, não importando o quanto a coisa ficasse feia. Certo dia e ninguém sabe o porquê, enquanto estavam na sala de aula, jogou um pacote de merda de cachorro que vinha juntando a três dias na cara do seu inimigo mortal, melando todo o seu rosto logo em seguida, e começou a esfregar com as mãos, a merda no rosto do atleta brigão. Foi obrigado a fazer terapia e todos o olhavam como se fosse um lunático, mas ninguém nunca mais o perseguiu desde então. A verdade é que Tim gostava de ser tido como louco. Isso o dava permissão para fazer qualquer coisa. Sentia que era um renegado numa missão suicida, e que as outras pessoas eram apenas obstáculos a serem vencidos. Chegou perto de onde estava Sam e a turma de Yan. — As moças já terminaram de brincar... — disse Tim num tom de ironia — Ou a lua de mel está apenas começando? Todos pararam de implicar com Sam e olharam para ele. — Não vejo a rainha da frieza com vocês. — disse Tim, cada vez mais irônico — Ela está de novo trancada na gaiola das loucas? Mas ninguém respondeu e saíram. Tim ajudou Sam a se levantar e erguer seu ego. — E, ai? — disse Tim, estendendo a mão para o seu amigo - Como foi o exercício? — Excelente. — disse Sam, levantando-se — Estou ficando bom nisso. Até acertei um deles na barriga. — Há! Há! Há! — satirizou Tim, tirando o pó da camisa do amigo — Não diga? — Você nem para me ajudar seu filho da p**a — disse Sam, mostrando sua indignação. — Você sabe que desde daquela situação de merda... — disse Tim com ar de preocupação — Devo ficar longe deles e eles de mim, senão, estamos expulsos. E Conceição não brinca em serviço quando o assunto é chutar algum aluno daqui do CEAS. — Sei. Ah, quer saber: f**a-se! — disse Sam aborrecido — Não preciso da ajuda de ninguém, de qualquer maneira. Estou aprendendo uns golpes maneiros de caratê. — Caratê não ferra com ninguém, cara. — Disse Tim com um ar decidido — Aprenda logo a mexer com armas e explosivos. Esse é o lance dos jovens de hoje: terrorismo. — Não seria justo. — disse Sam, ainda aborrecido por não ser ajudado pelo colega — Quero vencê-los no mano-a-mano. — Não se pode vencer jogando o jogo do inimigo. — disse Tim, tentando convencer Sam, ainda mais — Você tem que criar suas próprias regras. Manipular suas chances e alterar o resultado sempre que lhe for conveniente. Isso é o caos! — p***a. Não vem com esses papos insanos para cima de mim. Estamos falando de brigas, cara! — Sam esbraveja — Não da p***a da dialética de Aristóteles!. — Aristóteles teve uma dialética? — disse Tim um tanto quanto cético — Nunca ouvi falar. — Sei lá da p***a. — Sam esbraveja — Ouvi isso em algum lugar. Talvez na aula de História. — p***a. Meus olhos atravessaram essa escola de merda inteira e não vi a gostosa da Natasha. — disse Tim com ar de tarado — Bati uma hoje pensando naquele r**o gostoso. Será que ela está doente? — Hum... — Sam parando para ouvir Tim. — Você é sortudo e não sabe. Adoraria levar uns tapas daquele monumento. — disse Tim com cara de maníaco s****l — Chuparia ela todinha, até o caroço de feijão saído do r**o dela eu chupava. Era ela peidando na minha cara e eu lambendo o r**o dela. — Você é tosco de mais p***a! — Sam esbraveja com Tim, devido a sua secura — Quem é que pensa essas coisas? — Todo mundo! É que depois você falou que viu os maravilhosos e loiros pentelhos dela fiquei louco e não paro de pensar nisso... — Tim pergunta com um ar de maníaco s****l — Como você conseguiu vê-los mesmo? — Eu disse que vi? — disse Sam, de maneira cética — Devia estar viajando na hora, cara. — Falou e estava até com uma cara de satisfação no rosto. Seu filho da p**a mentiroso. — disse Tim, rindo — Sabia que você não era de nada! Seu cabaço de merda! — Esqueça isso e vamos para a aula — Sam falou puxando o colega – Estou faltando demais e não quero perder mais nenhum assunto de Inglês. As horas demoram a passar quando se está no CEAS. “Eu não sei como são os campos de tortura na China, mas o sistema de tortura deve ser primo de sangue do sistema de ensino” pensou Tim. Não prestou atenção ao que foi ensinado. Geografia, talvez História ou Sexologia. Não importava “E quem são essas pessoas para nos ensinar? O que tem de especial? Nada! Só sabem se gabar do que compram, culpar o capitalismo pelo preço que pagam, militar falando de uma tal de esquerda e feder”. Ele não conseguia enxergar serventia em professores de ensino público. Ele passava a maioria do tempo das aulas olhando os pássaros pela janela, pensando em como seria a escola passarinha ou a tortura daquelas criaturas. Talvez ensinassem a comer insetos e a pousar nos fios elétricos sem morrerem eletrocutados. Usavam uma sala dividida por um vidro transparente: de um lado um gato faminto e do outro colocavam o passarinho. Mas e aí, quem seria o torturado? E por que alguém iria querer torturar um passarinho de qualquer jeito? Outro passarinho? Talvez para descobrir onde estão as melhores larvas e materiais para ninhos. Talvez um passarinho corno em busca da honra manchada pela levada dona passarinha. Tim passava horas nesses momentos de reflexão, para no final deduzir que certos humanos, em todos os níveis da sociedade, mereciam a tortura que os professores tanto negam existir em países comunistas. Intervalo das nove e meia da manhã. Fritas com refrigerante na hora do lanche formavam uma bela dupla venenosa. Foi convidado a sentar à mesa da galera rock, que criaram apreço por ele depois do episódio da merda. Tim comia calado suas batatas e escutava a conversa dos metaleiros, mas sem prestar muita atenção. “O único disco verdadeiramente trash do Metallica é o Kill ’Em All!”. “Os melhores músicos do mundo estão no Dream Theater! Todo mundo sabe disso!”. Tim não via sentido nisso. Rock era pra ser apreciado e não discutido como se fosse política. Aliás, de tanto falarem merdas sobre política, tudo naquela escola soava como política. A vida escolar de um aluno do Ensino Médio era uma lavagem cerebral socialista sem fim. Traduzindo literalmente: uma merda. Como tudo na vida, o dia escolar acabou. Tim chegou em casa e, assim que percebeu que estava sozinho, pois seus pais trabalham o dia inteiro, ligou o computador, pôs o player no modo aleatório e procurou uma garrafa de vodca, uma de licor de café e foi até a cozinha preparar uma jarra de White Russian. Gostava de ficar bêbado, entrar em salas de bate-papo e falar p*****a com mulheres na internet. Adorava o fato de nunca ter que conhecer realmente todas aquelas pessoas e falar o que passava pela sua cabeça enquanto bêbado para estranhos que o odiariam ainda mais se o conhecessem. O calor tomou conta de seu corpo. Ele então despediu-se das mulheres chamando todas de putas, desligou o computador e saiu pela rua, chapado de vodca, cantando: “I hate the jocks and I hate the geeks, I hate the trendies but I also hate the freaks (ya). I hate Dr. Martens and muscle tees. I'm only happy when I'm in my misery, It's cool to hate, it's cool to hate”… Mais adiante, Tim viu uma moça muito bem vestida passeando com uma bolsa e falando no celular. Fechou o casaco de um modo que pouco do seu rosto ficasse visível, esperou que ela virasse a esquina, aproximou-se dela e puxou sua bolsa com força, mas de alguma maneira a mulher ainda segurava a bolsa e resistia em soltar, essa ousadia deveria ter origem do fato de ser jovem e atraente ou simplesmente estúpida. Deu-lhe um soco na barriga e outro na cara e disse: — Tá querendo me f***r, v***a? A moça caiu e ele finalizou com um chute na cara e vários pisões que deixaram o nariz dela empapado em sangue. — Você tem sorte deu não arrancar suas tripas, p*****a! — gritou Tim enquanto saia correndo — Melhor sorte na próxima, c****a! Tim jogou a bolsa e o resto dos documentos num tonel de lixo, estava com dinheiro e sentia-se Rubão, o dono do mundo. Trabalhara duro para conseguir aquela grana e pensava que merecia um divertimento. Passou na casa de Sam, já que ambos moravam no mesmo bairro, mas em realidades diferentes, o chamou para ir ao bar do PATTO, beber até cair e descolar umas vadias. O bar foi inaugurado recentemente e de longe parece até bar de rico, devido à sua organização e descrição. Mas de perto é um inferninho dos melhores que existem na cidade. Tim chegou ao local abanando um maço de dinheiro na mão e gritando: — Hoje o dia foi bom meninas! Hoje quero o melhor que a vida pode-me oferecer! Logo quando sentaram, duas das garotas do bar aproximaram-se, sentaram no colo deles e pediram cigarros e cerveja. Uma delas é uma morena do rabão e s***s pequenos, com cara de hindu, chamada Khadija. Outra era uma ninfeta de dezenove anos, ruiva, de olhos castanho-avermelhados, chamada Annabel, que não tinha nada exagerado, pois nela tudo fora desenhado perfeitamente. “Primeiro deixe-nos ver o material”. Tim deu um beijo na morena e passou os dedos na sua b****a por cima do short. — Qual é o esquema? — perguntou Tim, com ar de ostentação. — 25 só o boquete, 50 normal e 100 completo. — disse a morena dando um leve sorriso — E isso vale para nós duas, seu safadinho. — Tenho cara de o****o? Quem vai pagar 100 contos para comer um cu fedorento de uma v***a feia como você? — disse Tim, tentando pechinchar um desconto — Pago 75 e é pegar ou largar! — Que é isso docinho. Vou tratar-te bem. — disse a morena acariciando o rosto de Tim — Garanto que não vai se arrepender. — 75 ou nada feito! — disse Tim, olhando nos olhos da morena. — Nada feito. — disse a morena levantando-se e indo embora.
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