Terror Narrando O toque do despertador ecoou alto no pavilhão, aquele som metálico, agudo, que atravessa o ouvido e já avisa que o dia começou. Eu abri o olho devagar, sentindo o corpo pesado no colchão fino que mais parece uma folha de papelão jogada em cima da grade da cama. O cheiro do presídio já invadia as narinas: mistura de suor, mofo e azedo de comida velha. Hoje é o dia. Dia de banho de sol. Levantei devagar, alongando os braços, ouvindo o som das grades sendo destrancadas lá no começo do corredor. Os carcereiros andando com as chaves penduradas na cintura, arrastando bota no chão de cimento que já viu muita coisa. — Bora, Vagabündo. Já de pé — gritou um deles, batendo na grade da cela ao lado. Eu já tô acostumado. Nessa altura, o respeito a gente não espera de carcereiro nen

