Sofia Narrando Quando o carcereiro abriu a porta da sala e tirou a algema do Iran, ele me olhou daquele jeito que só ele sabe olhar. O olhar de quem carrega saudade, dor e amor tudo junto. O carcereiro deu aquele aviso de sempre, com aquele tom grosso de quem acha que tá no comando. — Vinte minutos. Só vinte, hein? E saiu, batendo a porta com força. Assim que ele sumiu, eu levantei da cadeira num pulo e fui até o Iran. Me joguei no abraço dele como se o mundo fosse acabar ali. Senti o cheiro dele, o calor do corpo dele, o peito dele subindo e descendo rápido, igual ao meu. Nosso beijo aconteceu como se fosse a última vez. Um beijo desesperado, cheio de saudade, cheio de tudo que a gente guarda quando não pode se ter. As mãos dele no meu rosto, no meu cabelo, como se ele quisesse grava

