Capítulo 1
Bg
Crescer em meio ao caos te dá uma vantagem, você não se assusta mais com ele. Sempre que alguma coisa boa acontecia vinha outra para me tornar mais forte, conflitos, guerras internas e problemas que qualquer pessoa de fora diria “Esse menino não é capaz de resolver” e eu fui, mostrei ser o melhor, mostrei o meu pior lado para as pessoas e me acostumei com ele sempre no controle.
Aos dezesseis tive que assumir o morro, ninguém entendeu ao certo a morte do meu tio, todos achavam que a bala cravejada no peito dele foi presente de algum policial da bope, mas na verdade foi um presente meu. O verme sempre foi r**m, mas a partir do momento que ele tentou mexer com a minha irmã ele assinou a propria setença, deixa-lo vivo mataria a minha honra.
Minha irmã ainda era muito pequena, agora já tem vinte e dois anos, sem nenhum trauma e nenhuma memória r**m do Cobra. Ela é quem dá as maiores facadas no meu bolso, nunca vi mina para gastar mais do que a Lavínia, é toda hora “Preciso de dinheiro para o cabelo”, “Preciso de dinheiro para unha”, se deixar ela mora no salão.
Cá estou eu verificando novamente a carga depois de notar um falha na contabilidade, eu me mantinha ativo em tudo, em cada pino ou grama vendida, cada carga recebida e quisquer coisas que aconteciam no meu morro, se alguém respirasse errado eu queria estar ciente. Nunca dei espaço para moleque nenhum achar que podia me passar a perna, se fui esperto o sufuciente para cometer um assassinato perfeito e enganar a todos, também sou para manter as coisas em ordem.
Olhei para o caderno mais uma vez, não haviam saido apenas dois quilos daqui. Já foram anos fazendo a mesma coisa praticamente todos os dias para saber quando algo está faltando, alguém pegou mais.
— Aí Pedrinho, quero que junte todos os menor que entraram aqui no galpão e os que fizeram ronda por aqui, todo mundo no forno em meia hora, não importa se estiver na china, quero lá em meia hora ou morre!
Vi ele subir na moto e dar partida em disparada, aqui eu não vou dar a vez para ninguém não, se fez uma vez, com certeza vai querer fazer duas. Voltei para a boca e me joguei em um dos sofás, diferente do que o pessoal de fora achava o lugar era limpo, eu pagava a uma tiazinha que morava sozinha no pé do morro para deixar as coisas todas nos lugares.
Retirei o meu celular do bolso e notei algumas chamadas perdidas da Lavínia e umas onze mensagens, entrei na conversa e me arrependi na hora. A madame querendo mais dinheiro para ir para o salão, as vezes eu tenho vontade de fazer um para ela só para ver se esse fogo no r**o passa. Respondi apenas que daria a ela quando voltasse para casa, mas só se ela levantasse e procurasse algo para fazer.
Passei maior cota’ esperando os moleques chegarem, nesse meio tempo eu verifiquei algumas coisas por lá mesmo e respondi algumas pessoas. Era tanta p**a mandando mensagem que chegava a ser um pecado, meu número sempre acabava vazando por aí e eu não podia trocar sempre que isso acontecia.
Assim que chegaram foram se espalhando pela salinha, cerca de quinze caras ali e um deles ia falar, mesmo que não fosse o traídor. O semblante de dúvida no rosto de vários me faziam querer rir, a verdade é que geral aqui sabia o que estava acontecendo e o porquê.
— Se falar morre rápido.
Nenhum abriu a boa para dizer nada, me levantei do sofá e peguei o fúzil que eu tinha deixado escorado na parede. m*l chegaram e a minha vontade já era de matar todos, tempo é dinheiro e eu odiava perder assim.
— Se ninguém souber de nada e nem fez nada, eu avho que estou louco. — Segurei o fuzil com firmeza e fui apontando em direção a todos eles. — Eu estou louco?
Destravei a arma fazendo alguns olharem assustados.
— Foi o Mt chefe. — Um dele falou, eu nem tive tempo para ver quem era.
Apontei a arma em direção ao Mt e atirei, em meio a todos, os respingos de sangue deixaram uma mancha na parede, no chão e na camisa de muitos ali presentes. Eu poderia passar horas torturando e só acabar isso amanhã de manhã, eu queria? Muito, mas eu tinha outros assuntos para resolver hoje e perder tempo com um verme é o menor dos meus problemas.
— Quero que fiquem ligados, todo mundo aqui recebe uma grana’ preta, qualquer um que agir de ma fé dentro da minha comunidade vai engolir terra e pode ter certeza que antes disso vai viver um inferno. — Falei.
— Aí Bg, tem umas paty’ querendo subir para tirar umas fotos de modelo, umas paradas’ assim. — Pedrinho falou, ele segurava o radinho em mãos e assim que eu acenei concordando ele mandou os menor liberarem a antrada lá em baixo.
— É bagulho rápido?
— Acredito que sim, não vão querer passar muito tempo, Juninho disse que as três tem mó carinha de filhinha de papai.
— Tô ligado, vou ter que vazar, qualquer b.o até eu chegar tá nas tuas costas, pegou a visão? — Ele concordou.
Saí de lá e subi na XRE, passei direto para casa, Lavínia não estava, essa menina só me dava trabalho. Fiquei um tempo assistindo o jogo do flamengo, só para esperar a hora passar, odiava chegar nos lugares cedo demais. Fiquei assistindo até os dezenove minutos do segundo tempo, o timão tava na frente, mais uma vitória para conta.
Subi para o quarto e tomei o meu banho rapidamente. Vesti uma calça, uma camisa e um tênis, tudo preto, se uma criança me visse na rua tomava susto. Passei o one million e me olhei no espelho uma última vez antes de sair de casa novamente.
Dessa vez eu não ia de moto, era muito perigoso e de certa forma seria bem mais tranquilo. Já passei por tanto perrengue até pegar as manhas, teve dias que por pequenos vacilos eu cheguei a quase morrer, mas é de erro em erro que tu se torna experiente.
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@aut.izzamarques