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O preço da ilusão

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Blurb

O Preço da Ilusão

Até onde você iria para salvar quem ama? E quanto de si mesma estaria disposta a perder no processo?Maya sempre soube que o mundo da alta costura era feito de aparências, mas o que ela nunca imaginou é que o verdadeiro luxo cobra um preço invisível — e perigoso. Pressionada por uma crise financeira que ameaça destruir sua família, a jovem e determinada designer vê nas luzes da cidade grande a sua única saída. A promessa de uma ascensão rápida a leva até a agência mais conceituada do mercado. O que parece ser a realização de um sonho, no entanto, é o passaporte para um submundo exclusivo e sombrio: o infame Book Rosa.É nesse cenário de segredos bem guardados que seus olhos cruzam com os de Arthur Castilho.Bilionário, enigmático e influente, Arthur comanda um império de entretenimento e dita as regras do jogo entre a elite empresarial e política. Ele é o guardião das verdades mais obscuras do país. A química entre os dois é instantânea, avassaladora e fatal. Seduzido por Maya, Arthur não quer apenas uma noite — ele exige exclusividade.Arrastada para um turbilhão de festas privadas, jantares de negócios e coberturas banhadas a ouro, Maya se vê dividida entre duas realidades inconciliáveis: a farsa glamourosa que encena sob os holofotes e o amor honesto de Caio, seu namorado de infância, que assiste de braços atados ao distanciamento da mulher que ama.Mas no jogo do poder, nenhuma mentira dura para sempre. Quando Maya descobre um segredo capaz de colocar o império de Arthur abaixo, ela deixa de ser apenas uma peça no tabuleiro e se torna o alvo principal. Em uma narrativa visceral e sensual, onde a traição espreita até nos laços familiares mais profundos, Maya precisará descobrir se o amor de Arthur é sua salvação ou a sua ruína.Bem-vindo ao submundo do luxo. Onde cada desejo tem um custo. E cada ilusão tem o seu preço.

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Capítulo 1: O Gosto de Domingo e Promessas de Infância
​Onde o passado e o presente se fundem na simplicidade de um café da manhã. ​O sol de domingo tinha uma maneira muito específica de invadir o apartamento. Não era uma luz agressiva, daquelas que despertam a cidade com o peso das obrigações, mas um feixe dourado e preguiçoso que filtrava pelas frestas da cortina de linho cru, desenhando linhas luminosas sobre o lençol bagunçado. ​Maya esticou os braços, sentindo o tecido fresco sob os dedos, antes que os seus sentidos fossem completamente despertados pelo ambiente. Primeiro, veio o aroma forte, encorpado e inconfundível de café fresco passando na caneca de cerâmica. Logo em seguida, como uma trilha sonora perfeitamente sintonizada com a manhã, o dedilhar suave de um violão e a voz de Caetano Veloso ecoaram baixo, vindos da cozinha integrada. ​Ela sorriu contra o travesseiro. Aquele era o gosto do domingo. ​Ao se levantar, os pés descalços encontraram o taco de madeira morno pelo sol. Maya caminhou a passos lentos pelo corredor curto do pequeno apartamento. O espaço era um reflexo exato dos dois: uma mistura caótica, mas harmoniosa, de móveis de palha garimpados em feiras de antiguidade, uma profusão de jiboias e suculentas que Maya tentava — com um otimismo quase heroico — manter vivas, e paredes adornadas com molduras desalinhadas que guardavam bilhetes de cinema, ingressos de shows esquecidos e fotografias analógicas. ​Quando dobrou a quina que dava para a cozinha, a cena que encontrou a fez parar e cruzar os braços, apoiando-se no batente da porta. ​Caio estava de costas para ela, concentrado diante do fogão. Ele vestia uma bermuda de moletom cinza e aquela camiseta azul-escura desbotada, com um furo perfeitamente circular no ombro direito. ​— Eu já disse que essa camiseta deveria ter virado pano de chão em 2022, Caio — Maya disse, a voz ainda levemente rouca pelo sono, mas carregada de uma diversão implícita. ​Caio deu um leve salto, claramente pego de surpresa, e virou-se com uma espátula de silicone em punho. Um rastro de farinha decorava a bochecha esquerda e o topo do seu nariz. ​— Primeiro: bom dia, meu amor — ele respondeu, abrindo um sorriso largo que fazia os olhos se espremerem nos cantos. — Segundo: essa camiseta tem valor histórico e sentimental. Ela estava comigo quando eu mudei para a casa ao lado da sua, quando eu quebrei o braço caindo do pé de amora e, mais importante, ela me dá sorte na cozinha. O que me leva ao terceiro ponto... veja e aprenda. ​Com um floreio dramático digno de um chef de televisão, Caio balançou a frigideira para frente e para trás, tentando fazer a panqueca que estava no centro dar uma cambalhota perfeita no ar. ​O plano, contudo, falhou miseravelmente. A massa, ainda um pouco úmida no topo, subiu em um arco desajeitado, bateu na borda do exaustor e caiu de volta na panela como um disco amassado e irreconhecível. ​Maya soltou uma gargalhada alta, cobrindo a boca com as mãos, enquanto Caio olhava para o desastre com uma expressão de pura indignação culinária. ​— Sorte na cozinha, é? — ela provocou, aproximando-se. ​— O exaustor claramente se moveu alguns centímetros para baixo durante a noite. É uma questão de física, física pura — ele justificou-se, largando a espátula e envolvendo a cintura de Maya com os braços assim que ela chegou perto o suficiente. ​— Sei. Física — ela murmurou, envolvendo o pescoço dele e deixando um beijo terno na bochecha enfarinhada, ignorando o pó branco. — Bom dia. ​— Bom dia. Apesar do atentado contra a culinária moderna, o café está perfeito. Eu garanto. ​Duas Vidas em uma Caneca ​Enquanto Caio tentava salvar o que restara das panquecas — que, apesar do formato geométrico questionável, tinham um gosto honesto de baunilha e açúcar —, Maya serviu duas canecas pesadas de cerâmica artesanal. ​Eles se acomodaram na mesa de madeira de demolição perto da janela, o único lugar do apartamento onde o sol batia por completo àquela hora da manhã. Sentados ali, com as pernas entrelaçadas por baixo da mesa, o tempo parecia desacelerar. Era uma i********e construída não em meses, mas em décadas. ​"Sabe o que eu estava pensando enquanto o café passava?", Caio perguntou, soprando a fumaça da sua caneca. "Do dia em que o caminhão de mudança do meu pai travou a rua inteira. Você estava na calçada, com duas chiquinhas no cabelo e um pirulito de cereja na boca, me olhando como se eu fosse um alienígena." ​"Você parecia um alienígena", Maya rebateu, rindo. "Estava usando um boné virado para trás maior que a sua cabeça e carregando uma caixa cheia de gibis rasgados. Mas eu lembro de ter pensado: 'Pelo menos ele tem cara de quem sabe andar de bicicleta'." ​Eles sabiam tudo um do outro. Maya conhecia a cicatriz exata no joelho esquerdo de Caio de quando ele tentou descer a ladeira da rua deles em um carrinho de rolimã sem freios. Caio sabia que, quando Maya ficava genuinamente nervosa, ela roía a ponta do dedão esquerdo e começava a falar duas vezes mais rápido. ​Eles haviam compartilhado os verões quentes da infância com mangueira de jardim, os silêncios desconfortáveis da pré-adolescência e, finalmente, aquela noite chuvosa de outono, aos dezesseis anos, sob a cobertura do ponto de ônibus deserto. O primeiro beijo deles tinha sido desajeitado, com gosto de chiclete de hortelã e o som de trovões ao fundo, seguido por cinco minutos de um silêncio apavorado de quem temia ter estragado a melhor amizade do mundo. ​Mas não estragaram. O amor deles não havia sido uma explosão repentina ou um drama de cinema; fora uma transição natural, como as estações do ano se fundindo umas nas outras. O melhor amigo tinha se tornado, sem esforço, o amor de sua vida. ​O Caderno dos Sonhos ​Depois que os pratos foram limpos e apenas o fundo das canecas de café restava, Caio esticou o braço até o aparador e puxou um caderno de capa de couro desgastada, cujas bordas das folhas já estavam levemente amareladas. ​Na capa, escrito com a caligrafia redonda de Maya anos atrás, lia-se: O Caderno dos Sonhos. ​Aquele caderno era o santuário deles. Nele, registravam não apenas os desejos abstratos, mas as metas pragmáticas, os cálculos de planilha e os prazos que estipulavam para a vida que estavam construindo, tijolo por tijolo. ​Caio abriu o caderno na página marcada com um marcador de páginas de tecido. Ele pegou uma caneta esferográfica azul e apoiou os cotovelos na mesa, os olhos brilhando com uma seriedade bonita.

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