Capítulo 11

1039 Words
Só há dois quartos naquele apartamento, e todos concordamos que eu devo dormir no sofá, caso eu sinta medo ou me sinta só, posso pedir para dormir com um dos casais em algum momento, a não ser que estejam fazendo aquilo. Mas eu gosto de estar com a sala inteira para mim, eu leio com a ajuda da luz do lampião, se eu tiver sede ou fome, vou à cozinha sem fazer barulho de porta se abrindo. Eu posso me acostumar, não tanto, porque foi por causa do costume que me ofereci para ficar de vigia naquele dia fatídico, eu sabia que não conseguiria dormir. *** Quando acordo, encontro os meninos se ajeitando para irem trabalhar... Eles não fazem barulho, só acordei quase nove horas ontem porque eu não havia descansado direito antes. Eu, geralmente, acordo às sete. — Acordou, Prego? — diz Adam. — Venha — ele me pega pelo braço e abre a porta do quarto dele —, durma na minha cama. Eu me deito na cama dele e me acomodo, pode ser mais espaçosa, mas não troco pelo meu sofá, para mim é mais aconchegante. Todavia, eu não sinto mais sono, eu ouço eles conversarem baixinho, ouço os sons dos objetos que eles pegam, das roupas sendo vestidas, do mastigar da comida, até o som da porta sendo destrancada e sendo aberta. "Vamos, gente" ordena a voz daquele capanga. "Vamos lá" responde Adam. "A propósito, o meu nome é Cristiano" diz o rapaz, a sua voz vai sumindo enquanto ele fecha a porta e vão descendo às escadas. "Agora que vamos trabalhar juntos seria legal a gente se conhecer..." Eu fico lá, deitado, de olhos abertos, pensando na vida. Julgo que se passam uns dez minutos, levanto da cama para ir à cozinha comer mais daquele pão maravilhoso quando ouço alguém subir às escadas. Parecem duas pesssoas e dialogam. Silenciosamente eu me encosto na porta para ouvir. Não me julguem, eu sou curioso. Quanto mais se aproximam da minha porta, mais nítida fica a conversa. "...É por isso que eu preciso que você providencie mais daquela bebida, Cristiano, ela me fez demorar pra gozar dessa vez." Eu arregalo os olhos, é a voz do Prefeito Lemos, com certeza. "Tudo bem, patrão, deixa eu escolher a minha tropa, a gente sai e procura mais daquela planta, quando eu vi, logo percebi qual era, a minha mãe..." Daí não consegui mais ouvir. Pelo que entendi, Cristiano sabia fazem uma bebida com uma planta exótica que tinha o efeito de retardar a e********o. Meu Deus. Eu disse que o s**o destruiu a humanidade, mas na verdade, foi a imprudência estava em primeiro lugar. *** Estou na sala a ler um dos livros, sei que se passaram uns vinte minutos, quando ouço os passos de Cristiano e o Prefeito Lemos descerem às escadas. Apesar de estarem em silêncio, sei que são eles, até onde foi nos informado, somos os últimos moradores daquele bloco. Encosto o ouvido novamente na porta e de repente, ouço os passos pararem, olho pelo olho mágico e vejo que o prefeito está a olhar na minha direção. Eu me abaixo rapidamente e torço para ele não ter percebido. "Este é o apartamento dos novos hóspedes?" pergunta o prefeito. Caramba! Eu tô muito ferrado. "Sim, senhor" responde o capanga Cristiano. "O mais novo está trabalhando?" pergunta novamente. O que será que ele quer? "Não, senhor. Ele é muito franzino, não serve para os nossos serviços ainda." Não sei por que o Cristiano diz isto, eu não sou tão franzino assim, acho que ele está tentado me privar. Quando ele fechou a porta uma hora antes do horário estipulado, percebi que ele nos quer afetados do restante dos condôminos. Nesta hora, o inesperado acontece, o prefeito mete a mão na porta e a abre, se eu não sou mais rápido, e não corro para trás da porta, ele poderia me ver. Tudo o que faço é apertar os olhos e comprimir a boca, na esperança de que ele não me veja. — Olá? — pergunta o prefeito. — Tem alguém aí? Eu prendo a respiração para não emitir nenhum som. O prefeito espera por dez segundo, acho que ele está olhando o meu livro e tentando advinhar do que se trata, depois fecha a porta e eu posso respirar de novo, ainda abafado, pois, consigo ouvir a voz dele. "É... Parece que ele não tá aí" diz o prefeito. "Deve ter saído. Sim, patrão, quero levar comigo o Jeferson, o Carlos, o Wellington..." As vozes vão ficando distantes e eu me lanço no sofá, trêmulo. Não sei o porquê, mas eu pensei que iria morrer. Não espero mais um segundo e saio do AP. O que que eu tô fazendo? Na frente da porta, eu olho para a escada que leva para baixo e depois para a curva que dá na escada que leva para cima. Se eu descer e sair, tenho um álibi para responder qualquer pergunta sobre este horário, não sei porquê, mas sinto que o prefeito vai perguntar; e se eu subir, provavelmente vou morrer. E mais uma vez os meus desejos tentam me m***r. Eu subo todos os lances de escadas até chegar ao último andar, ao último apartamento e fico de frente para a porta, a única com portão, parece uma cela. Passo o punho fechado pelas barras de ferro e faço menção de bater. Eu preciso pensar um milhão de vezes e bem rápido antes de fazer qualquer coisa que eu tenho certeza que vai me prejudicar. Por que eu sou assim? Meu cérebro grita: BATE LOGO NESSA POR... Bato três vezes e agora vou m***r a minha curiosidade, e a mim mesmo. "Quem é você? Sinésio te mandou aqui?" pergunta uma voz feminina e jovial. Provavelmente ela está a me ver pelo olho mágico. — Quem? Não... Eu sou seu novo vizinho. "Sinésio Lemos é o prefeito deste condomínio" explica a voz. — Ai, caramba! — digo aflito. Com certeza já estou morto. A pessoa atrás da porta a abre, não por completo, e revela apenas um rosto. Uma linda garota n***a com cachos bem definidos aparece, um pouco do lado esquerdo do seu rosto está escondido atrás da porta.
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