capítulo 19

2003 Words
O sol da tarde banhava a cidade com seu calor intenso, transformando o asfalto da rodovia em uma fita brilhante que se estendia até o horizonte. As aulas haviam terminado e Sófia, com um ar de determinação, esquivou-se habilmente de seus seguranças. Ela estava convicta de que essa ação chamaria a atenção de Lancelot. Com um toque rápido em seu smartphone, ela chamou um Uber. Enquanto esperava, observou o trânsito caótico que se desenrolava à sua frente. Carros, caminhões e motos disputavam espaço na rodovia, criando um emaranhado de veículos que parecia interminável. Quando o Uber chegou, Sófia entrou rapidamente e deu as direções ao motorista. Ele olhou para o trânsito com uma expressão preocupada. Com uma combinação de atalhos conhecidos e a habilidade do motorista, eles conseguiram evitar o pior do trânsito. O Uber deslizava suavemente pelas ruas laterais, deixando para trás a rodovia congestionada. Ao final da viagem, Sófia saiu do Uber, agradecendo ao motorista pelo serviço eficiente. Ela olhou em volta, satisfeita por ter evitado as filas intermináveis e confiante de que sua ação não passaria despercebida por Lancelot. A tarde ainda estava ensolarada, mas agora, havia um brilho adicional em seus olhos. Sófia chegou ao hospital privado, um edifício moderno e imponente, com jardins bem cuidados e uma atmosfera tranquila. Bem ao lado, havia uma floricultura encantadora, repleta de flores frescas e vibrantes. Ela decidiu levar tulipas rosas, flores elegantes e delicadas que simbolizam carinho, acolhimento e perfeita felicidade. As pétalas suaves e a cor rosa suave das tulipas eram um símbolo de ternura que ela esperava que pudesse transmitir carinho à senhora Dinorat. Entretanto, ao entrar no hospital, foi recebida pelo cheiro característico de desinfetante, uma mistura de limpeza e esterilidade que é tão típica desses ambientes. O interior do hospital era tão impressionante quanto o exterior, com corredores amplos e bem iluminados, paredes pintadas em tons suaves e tranquilos, e um mobiliário moderno e confortável. Ela cruzou com alguns pacientes que pareciam aliviados e felizes por estarem recebendo alta. Ao entrar pelo corredor, viu uma placa indicando a enfermaria. O hospital era bem sinalizado, tornando fácil para ela localizar o quarto onde Liam estava internado. Sófia, com o coração batendo forte no peito, aproximou-se da porta. Com uma mão trêmula, bateu levemente na madeira envelhecida, o som ecoando pelo corredor silencioso. A porta foi aberta por Dinorat, uma mulher muito bonita e vaidosa, com um espírito jovem e acolhedor. Ela recebeu Sófia com um abraço caloroso, um gesto que transmitia tanto carinho quanto gratidão. Sófia, por sua vez, ergueu cuidadosamente o braço que segurava um buquê de túlipas vibrantes, as pétalas delicadas quase parecendo brilhar sob a luz suave do corredor. Após o abraço, Dinorat encarou Sófia. Seus olhos, cansados e cheios de preocupação, estudaram o rosto da jovem. "Minha doce menina, obrigada por ter vindo. Veio sozinha?" Indagou Dinorat, sua voz suave, mas carregada de preocupação. "Sim, acredito que a Ma'am deve estar a chegar, combinamos de nos encontrar aqui. Eu trouxe essas túlipas, espero que goste", respondeu Sófia docemente, estendendo o buquê para Dinorat. "Vamos entrar", disse Dinorat, afastando-se da soleira da porta e conduzindo Sófia para o interior do quarto. O quarto era espaçoso e acolhedor, com uma grande janela que permitia a entrada de luz natural e oferecia uma vista serena dos jardins do hospital. Era um ambiente calmo e tranquilo, perfeito para a recuperação dos pacientes. Sófia olhou para o rapaz que jazia na cama, respirando com a ajuda das máquinas. Com os olhos fechados e o rosto sereno, parecia um anjo adormecido. Era difícil acreditar que o mesmo tivera rixa com uma gangue. "Alguma novidade sobre o estado dele?" indagou Sófia, a voz baixa, quase um sussurro, como se temesse que a pergunta pudesse perturbar a paz do quarto. "O doutor disse que finalmente ele começou a responder à medicação, até tem reflexos nos membros inferiores", contou Dinorat, um brilho de esperança nos olhos. "Graças a Deus, isso significa que muito em breve ele vai sair desse estado", disse Sofia, um sorriso esperançoso iluminando seu rosto. A notícia trouxe um alívio bem-vindo, um raio de esperança em meio à incerteza. "Você é muito linda, e tem um coração puro, tal como era sua mãe ". Disse a mulher olhando para o rosto oval angelical de Sófia. "Muito obrigada senhora Dinorat, fico até sem jeito. desculpa perguntar o Liam está em uma relação?" Indagou Sófia, e a Senhora Dinorat deixou escapar um riso, ter Sófia como sua nora era seu grande desejo, mas a pergunta dela tinha um outro objectivo, e sabia ela perfeitamente o que levaria a Dinorat a pensar. "Não que eu saiba, só sei que ele tem muitas amigas, e uma delas ligou me esta manhã a confirmar que viria. se ele estivesse namorando eu saberia não há segredos entre nós" Disse a senhora Dinorat, contemplando o rosto adormecido de Liam. "Eu vou até ao corredor vi um bebedouro de água". Disse Sofia, e Dionrat acenou como forma de concordar. Ela caminhou pelo corredor, um espaço longo e bem iluminado, com um chão de mármore frio sob os seus pés descalços. O corredor estava silencioso, apenas o som suave do ar condicionado enchia o ar. Chegou ao bebedouro de água, uma máquina moderna e brilhante que contrastava com a decoração clássica do corredor. Pegou num copo plástico que ali havia, serviu-se e bebericou do líquido, sentindo a frescura da água aliviar a secura da sua garganta. Havia algo que não batia. Liam, com seus olhos azuis profundos e cabelos castanhos desgrenhados, não parecia nada com alguém que estivera envolvido com uma gangue. Ou ele tinha duas caras - aos pais ele era o filho exemplar, e para o resto, um artilheiro. Só resta descobrir qual das duas faces é verdadeira, pensou Sófia, enquanto terminava a água, pronta para jogar o copo no balde de lixo. Foi então que sentiu a presença de alguém atrás de si. Antes que pudesse reagir, foi rapidamente puxada para dentro de um consultório médico. O espaço era pequeno e acolhedor, com uma mesa de madeira no centro e prateleiras cheias de livros e documentos nas paredes. A luz suave de uma lâmpada de mesa lançava sombras dançantes nas paredes. "O que você faz aqui?" Perguntou Sófia, sua voz trêmula ecoando pelo corredor do hospital privado. O ambiente estava impregnado com o odor de desinfetante e a tensão pairava no ar. Lancelot, com seus olhos castanhos penetrantes e cabelos da cor do sol, encarou-a. Ele não parecia um típico m****o de gangue; na verdade, sua aparência contradizia qualquer estereótipo. Crime não tem rosto, afinal. "Quem faz as perguntas sou eu. Então, garota, o que você faz aqui, no mesmo hospital que aquele playbozinho?" A voz de Lancelot era grave, e seus corpos estavam perigosamente próximos naquele espaço confinado. Sófia sentiu o medo apertar seu peito, mas também uma estranha coragem. "Eu vim ver o Liam. Talvez você não saiba, mas o Liam é como se fosse da minha família, por causa da sociedade de nossas famílias ." Ela tentou manter a firmeza nas palavras, embora suas mãos tremessem. "Por que só hoje é que me dá essa informação?" Lancelot insistiu, seus olhos sondando os dela. "Você nunca conversou comigo, apenas me deu ordens." A ousadia tomou conta de Sófia. Ela não podia mais ser apenas uma peça no tabuleiro dele. "Você está muito respondona. Tenho que te lembrar para ter cuidado com os teus atos, que vão acabar te magoando, e talvez pior do que o playbozinho." A ameaça na voz de Lancelot enviou arrepios pela espinha de Sófia. "Eu não vou sair da linha, tem a minha palavra. Mas eu preciso ficar próxima da família para ter sempre uma atualização das investigações. Esqueceu que eu presenciei a cena e posso também ser implicada?" Sófia escolheu suas palavras com inteligência, acalmando Lancelot. Ele se aproximou ainda mais, acariciando o rosto angelical de Sófia. "Eu estou de olho em você," murmurou, o tom ameaçador. "Seria uma pena ver esse lindo rosto desconfigurado."E, com isso, ele se afastou e saiu do espaço. Sofia estava em transe, perplexa com a sensação que o toque leve de Lancelot havia deixado. Ela se recompôs, lembrando-se de que precisava fazer algumas perguntas. Com passos decididos, saiu do quarto e entrou no corredor do hospital. O ambiente era impessoal, com paredes brancas e luzes fluorescentes que pareciam amplificar a tensão no ar. Enquanto caminhava, ficou impressionada ao ver Lancelot parar para cumprimentar duas jovens. Elas o conheciam bem, e ele parecia desconfortável com a situação. Sofia se escondeu atrás de uma estante que adornava o corredor, observando a cena. As jovens seguiram em direção ao quarto de Liam, e Sofia decidiu segui-las. Ao adentrar o quarto, Sofia viu que Preta já estava lá, Dinorat recebeu as jovens com gentileza. "Elas são as colegas de Liam," disse Dinorat , fazendo as apresentações. As jovens se apresentaram educadamente. "Sófia, eu dizia a Preta há pouco que estava pensando em te procurar pela sua demora,"comentou Dinorat. "Onde esteve, Sofia? Porque quando passei pelo mesmo local onde estava o bebedouro, não a vi?" Indagou Preta, desconfiada. "Ma'am, eu fui ao banheiro e, como não sabia onde era, acabei me perdendo. Não queria incomodar,"declarou Sofia, com convicção suficiente para acalmar as suspeitas. "Bom, já que elas estão aqui, vou levar você para tomar um café. Precisa se distrair um pouco,"sugeriu Preta, tocando no ombro de Sofia. "É uma excelente ideia,"concordou Dinorat. As duas mulheres saíram do quarto de hospital, deixando Sofia com mais perguntas do que respostas. O que estava acontecendo ali? E por que Lancelot parecia tão envolvido com essas jovens? A melhor maneira de descobrir era se enturmar com as meninas presente, que inicialmente pareciam acanhadas tanto que o silêncio era quebrado apenas pelo som abafado dos monitores cardíacos. sofia quebrou o silêncio, comentando sobre os espectáculos previstos para esse fim de semana, e elas parecia muito interessadas em participar. As duas jovens com quem conversava estavam sentadas à beira da cama de Liam, discutindo assuntos banais. Sófia viu que o momento ja era propício para ter uma oportunidade para obter as respostas que precisava. "Quando eu estava vindo, vi vocês cumprimentando um jovem bonito," disse Sófia, como se estivesse casualmente interessada. As jovens gargalharam. "Duvido que aquele nerd faça o teu estilo,"comentou Carla , com um ar de superioridade. "Nerd?"Perguntou Sófia, perplexa. O homem que ela conhecia não parecia nada disso. "Sim, nerd. Ele estudou comigo. Como tenho algumas cadeiras em atraso do primeiro ano, tive a oportunidade de conhecê-lo. É muito dócil demais, não é o meu tipo," explicou Carla . Sófia ficou pasmada. Não conseguia acreditar no que ouvia. "A Carla tem uns gostos só dela mesmo. O Lancelot Mayer realmente é um jovem interessante, muito inteligente. Só não sei por que parou de estudar repentinamente," disse Jessica. "Se calhar seja por causa do familiar doente que ele disse que vinha visitar," acrescentou Carla . Agora, Sófia tinha um nome: Lancelot Mayer. E sabia por onde começar. Tantas revelações em um único dia, e ela estava determinada a desvendar os mistérios que cercavam esse jovem intrigante Após um revigorante café, as duas mulheres, Preta e a senhora Dinorat, retornaram ao hospital privado. A senhora Dinorat, que antes parecia desgastada, agora exibia um brilho renovado em seus olhos. Elas se despediram calorosamente. Sófia prometeu visitar a universidade onde as meninas estudavam, com o pretexto de vislumbrar um futuro onde ela mesma poderia ingressar. No entanto, Preta e Sofia deixaram o quarto de hospital . Juntas, elas entraram no BMW cinza de Preta, que estava estacionado no amplo estacionamento do hospital. O carro, com seu interior luxuoso e confortável, parecia um santuário de tranquilidade em meio à agitação do hospital. Elas partiram, mergulhando em um silêncio confortável, quebrado apenas pelo som suave da música de uma cantora lusófona que Preta apreciava. A melódia parecia tecer uma trilha sonora perfeita para o momento, enquanto o carro deslizava suavemente pelas ruas da cidade.
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