capítulo 16

1557 Words
O som da chuva sobre o carro era um murmúrio constante, como se o céu estivesse sussurrando segredos aos viajantes. Cada gota batia no teto metálico, criando uma melodia suave que se misturava com o ronco do motor. O asfalto, encharcado pela tempestade, refletia as luzes dos postes, criando um caleidoscópio de cores que dançava sob os pneus. “Vamos para casa,” disse Otávio com uma voz que carregava a finalidade de um capítulo que se encerra, e seus olhos encontraram os de Lila, que estava imóvel, como se suas raízes tivessem se fundido ao asfalto molhado. “Eu não posso dormir fora de casa, meu pai me mataria,” resmungou ela, a preocupação tingindo cada sílaba de sua confissão. “Você é a primeira mulher que conheço que teme o pai mais que a morte,” Otávio retrucou, seu tom carregado de um deboche suave, mas não desprovido de calor. “Não gostaria de incomodá-lo, você já fez mais do que o necessário. Eu posso tentar me virar, sei lá,” disse Lila, suas palavras flutuando sem destino, perdidas em meio à ideia aterrorizante de ficar na casa de Otávio. Eles m*l se conheciam, e agora, talvez, estivessem à beira de uma amizade inesperada. “Eu posso ter todos os defeitos do mundo, mas não sou insensível. Não é matéria para discussão. Se fosse qualquer outra pessoa na mesma situação, eu faria o mesmo,” declarou Otávio, sua voz soando como um decreto irrevogável. Lila se calou, reconhecendo que não havia espaço para argumentos, apenas para um sussurro de gratidão que m*l escapou de seus lábios. O resto da viagem transcorreu em silêncio, apenas a tempestade ousava falar, sua voz crescendo de um jeito ameaçador. O carro serpenteou pela Avenida da Baía, onde as ruas banhadas em luz revelavam casas com arquiteturas extravagantes que capturavam o olhar de Lila. Ela já tinha ouvido falar dessa avenida, mas testemunhá-la era descobrir um novo mundo. O carro parou diante de um portão colossal que se abriu lentamente, revelando uma vista que roubava o fôlego, uma mansão que parecia ter saltado das páginas de um romance ou das cenas de um filme. “chegamos ao destino ,” disse Otavio, e no exato momento em que o segurança abriu a porta, um guarda-chuva foi erguido contra o céu tempestuoso, um escudo contra as gotas implacáveis, pronto para escoltá-los através do jardim que se estendia como um tapete verdejante até a entrada da casa que prometia ser um refúgio contra a tempestade da vida. Ao saírem do veículo, Lila olhou para cima, através do véu da chuva, e contemplou a grande mansão que se erguia majestosamente diante deles. A residência era uma mistura harmoniosa de grandiosidade e elegância. Com sua fachada de pedra clara, janelas amplas e uma porta de entrada imponente, a casa exalava uma presença quase real. As luzes suaves que emanavam das janelas cortavam a escuridão da noite, prometendo calor e conforto no interior. O jardim, embora obscurecido pela chuva, não deixava de impressionar. As silhuetas das árvores e arbustos meticulosamente podados podiam ser vislumbradas, e o caminho de pedras que levava à entrada principal estava ladeado por tochas acesas, cujas chamas dançavam ao sabor do vento e da chuva, criando um caminho iluminado que convidava os visitantes a entrar. Lila não pôde deixar de sentir um arrepio de admiração ao observar os detalhes arquitetônicos que adornavam a casa. As colunas robustas que ladeavam a porta, os entalhes delicados que decoravam as molduras das janelas e a varanda espaçosa que prometia noites agradáveis sob as estrelas — tudo isso contribuía para a aura de riqueza e refinamento. Ao entrarem, foram recebidos por um hall de entrada esplêndido, com um lustre de cristal que pendia do teto alto, espalhando uma luz dourada pelo ambiente. O piso de mármore refletia a luz, e cada passo ressoava com uma clareza que apenas ampliava a sensação de vastidão do espaço. “É como um sonho”, murmurou Lila, enquanto Otávio, com um sorriso orgulhoso, fechava a porta atrás deles, selando-os longe da tempestade e dentro da serenidade de seu lar opulento. consuelo abriu a porta com um sorriso caloroso, recebendo Lila como se fosse uma velha amiga. Otávio, seguindo logo atrás, fez as apresentações. “Esta é Lila, minha colega da escola,” disse ele, com um gesto em direção à jovem encharcada pela chuva. Consuelo acenou com a cabeça, compreensiva. “Com este tempo terrível, vocês devem estar congelando. Vão, tomem um banho quente. Vai fazer bem.” Otávio, enquanto se livrava de seu casaco luxuoso de pele de vison, perguntou por Luis Felipe e as outras. “E Sofia? E Preta?” “Luis Felipe está trancado no escritório, mergulhado em seu projeto. Ele disse que não vai jantar,” explicou Consuelo, pendurando o casaco de Otávio. “Quanto a menina Sófia vai passar a noite com o Sr. Vagner, a quanto a Ma'am como sempre resolvendo assuntos do trabalho". Otávio assentiu, mas sua preocupação era evidente. Consuelo, percebendo isso, decidiu mudar de assunto. “Vamos, Lila. Vou te mostrar o quarto de hóspedes.” Lila seguiu Consuelo pelo corredor, seus olhos se arregalando ao entrarem no quarto luxuoso. A cama era grande e convidativa, coberta com lençóis de seda e várias almofadas macias. O banheiro anexo brilhava com mármore e ouro, e uma banheira de hidromassagem prometia relaxamento. “É lindo,” murmurou Lila, ainda impressionada.enquanto olhava para o espelho que completava o seu rosto cheio de sardas e seu longo cabelo ruivo, um contraste vibrante com a suavidade do ambiente. “Espero que se sinta em casa,” disse Consuelo, deixando-a sozinha para desfrutar do banho. Quando Lila emergiu, envolta em vapor e calor, encontrou Consuelo à sua espera com um vestido de Sofia. O vestido era uma obra-prima de design, feito de seda lilás que parecia quase mágica. O decote era adornado com pequenas pérolas que adicionavam um toque de sofisticação, enquanto acentuavam os s***s fartos de Lila. A cintura era acentuada por um cinto de cetim que destacava a figura jovem e magra de Lila. “Acho que isso vai servir em você,” disse Consuelo, ajudando Lila a se vestir. O tecido abraçava suas curvas com elegância, apesar de Lila ser mais magra que Sofia. O vestido parecia ter sido feito para ela, realçando cada curva e contorno de seu corpo. A cor lilás suave complementava perfeitamente o tom de pele de Lila, fazendo-a parecer ainda mais deslumbrante. Quando ela se olhou no espelho, não pôde deixar de sorrir. Ela nunca se sentiu tão bonita. “Otávio está te esperando para jantar,” informou Consuelo, uma vez que Lila estava pronta. Otávio, sentado à cabeceira da imensa mesa de jantar, levantou-se quando elas entraram. Ele havia considerado pedir que o jantar fosse servido no quarto, mas sabia que isso iria contra as regras de hospitalidade da casa. Otávio, com sua popularidade e charme, era uma figura conhecida na escola, enquanto Lila, com sua natureza reservada e paixão por livros, era vista como a nerd da turma. A discrepância em seus mundos tornava a situação ainda mais delicada. “Você está deslumbrante,” disse Otávio ao vê-la, mantendo uma distância respeitosa. Sua voz era gentil, mas havia uma tensão subjacente, uma preocupação de que a presença dela ali pudesse se tornar conhecida na escola. Lila corou, não pelo elogio, mas pela situação incomum em que se encontrava. Ela era uma convidada em circunstâncias extraordinárias, abrigada na casa de Otávio durante uma noite de tempestade, um segredo que ele insistiu que deveria ser mantido. A tensão entre eles era como uma corda esticada, pronta para estalar a qualquer momento. O silêncio era interrompido apenas pelo som ocasional da prataria contra a porcelana fina. As velas tremulavam, lançando sombras que dançavam nas paredes, como se refletissem a inquietude de seus corações. “Obrigada por me receberem assim,” disse Lila, finalmente quebrando o silêncio, sua voz quase um sussurro, enquanto se dirigia à mesa posta para um jantar que ela sabia que não seria compartilhado em conversas amigáveis. Otávio acenou discretamente para Consuelo, que começou a servir o jantar sem mais delongas. A noite prosseguiu com uma formalidade silenciosa, o som dos talheres contra os pratos preenchendo o espaço onde as palavras não ousavam ir. Quando o jantar terminou e o momento de se retirarem para seus respectivos quartos chegou, Otávio acompanhou Lila até a porta do quarto dela. Com um olhar grave, ele fez um pedido sussurrado, carregado de uma seriedade que não admitia contestação. “Por favor, não comente com ninguém na escola sobre esta noite,” disse ele, a urgência em sua voz deixando claro o quanto isso era importante para ele. Lila assentiu, compreendendo a magnitude do segredo que agora compartilhavam. Com um aceno silencioso, ela entrou no quarto, e Otávio se afastou, cada um absorvido pelos próprios pensamentos sobre a tempestade que havia trazido dois mundos tão diferentes para tão perto. Lila fechou a porta do quarto atrás de si, o som suave do clique ressoando como um eco de sua própria surpresa. Encostada na madeira fria, ela deixou escapar um suspiro que não sabia estar segurando. O pedido de Otávio, sussurrado com tal intensidade, reverberava em sua mente, pesado como o céu tempestuoso que os havia unido naquela noite.
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