- Sua vagabunda, eu não acredito que você fugiu. Brandon grita comigo e eu não consigo me mover. Choro de desespero. Ele começa a pegar o isqueiro e ameaça pôr fogo em mim. Você não quer morrer de verdade? Não quer acabar de vez com seu sofrimento? Fecho meus olhos balançando a cabeça em negação. Mas antes vamos tirar meu filho, porque ele você não vai com você. Sinto cheiro de fumaça. Olho em volta tudo está pegando fogo. Ouço a risada de Brandon e Adam. Coloco a mão em minha barriga e só vejo sangue.
- Não. Meu filho. Não.... Uma risada ecoa todo ambiente com o fogo alastrando, tento me levantar, mas não consigo. Brandon aparece segurando meu bebê. Me devolve ele. Falo sem forças.
- Não. Ele é meu e você não é ninguém. Você não merece ele. Fugiu com ele de mim. Eu sou o pai dele e o mesmo será criado comigo. Agora você morrar. Ele fala sorrindo e vai saindo. Tento andar até ele, mas o fogo me impede. Eu não quero morrer. Eu quero meu filho. Vejo tudo ficar sem saída. Quase não tem espaço para mim. O que eu vou fazer. Começo a chorar desesperada. Brandon vai dar meu filho para alguém. Meu bebê não... Meu bebê não.
- Moça... Moça...
- Não me toca, por favor não me toca. Acordo assustada.
- Calma moça. Olho em volta e ainda estou no táxi. Olho para o motorista que está com os olhos desesperados para mim.
- Desculpe. Digo limpando meu rosto que está banhado de lágrimas.
- Você está bem? Assinto pegando o dinheiro para pagar a corrida.
- Obrigada! Desço do carro e vou para dentro do prédio. Olho as horas em meu celular e passou quinze minutos da minha hora. Droga. Entro e já me encaminho para o elevador de serviços. Espero que o Sr Carter não tenha notado meu atraso. Chego na área de serviço e vou logo para a cozinha. Oi Valquiria, ele notou meu atraso?
- Calma menina. O que você tem? Está pálida, seus olhos estão vermelhos. Andou chorando?
- Não é nada. Estou bem. Pego um copo de água.
- Senta para comer. Ela pede e eu balanço a cabeça em negação.
- Não, Valquíria. Eu usei meu horário para fazer umas coisas, mais tarde como algo.
- Deixa de ser Adama menina. Senta para comer. Não pode ficar com fome.
- Eu não estou com tanta fome. Digo a verdade, e outra eu não posso me dar ao luxo de perder esse emprego. Já está na hora da fisioterapia dele. Deixa eu ir. Falo e ela me olha.
Saio para sala de fisioterapia e a fisioterapeuta já está lá arrumando tudo para começar os exercícios do Sr Carter.
- Boa tarde , Chloe! O que você tem? Está pálida, seus olhos estão vermelhos. Andou chorando? Está sentindo alguma coisa?
- Não, Kamile. Eu estou bem. Deve ser uma alergia. Digo não revelando meu pesadelo a minutos atrás.
- Tem certeza? Assinto. Ela continua me olhando.
- Chloe, eu sei que você não tem ninguém. Sei que fica aqui trancada nesse apto no dia da sua folga. Porque não vai domingo para minha casa? Assim fazemos as coisas juntas, podemos pegar até um cinema. Você precisa sair um pouco daqui. Voltar a viver. Olho para fora da janela panorâmica. Kamile sabe um pouco da minha vida. Não tudo. Não quis contar o que realmente passei com Brandon e Adam. Me sentir m*l por querer compartilhar essa sujeira com ela. Kamile parece ter uma vida tão perfeita, que não seria legal da minha parte sujar ela com tudo que eu vivi. Ela não sabe também que estou grávida.
- Já estão prontas? O Sr Carter chega com sua cara fechada de sempre. Kamile e eu apenas assentimos.
Nós duas tiramos ele da cadeira de rodas e colocamos o mesmo em cima do tapete emborrachado. Kamile começou a fazer os exercícios mais pesados. Via a cara de dor que ele fazia. Mesmo que ele vá voltar a andar, ele demorou muito para aceitar o tratamento. Ele já era para está andando. Ajudo Kamile com alguns exercícios que ela me ensinou. Ele fica me olhando com sua severidade. Espero não está fazendo nada errado.
Depois de todos os exercícios feitos, acabamos a fisioterapia, e colocamos ele de volta na cadeira.
- Sr Carter, amanhã eu já venho com a esteira para o Sr começar a colocar seus pés no chão. Vamos começar os exercícios para firmar as pernas em pé e depois começar a andar.
- Mais alguma coisa? Ele indaga.
- Não. Era só isso. Até amanhã. Ele apenas assentiu e Kamile me olhou.
- Um homem tão bonito, mas se torna feio pela sua postura, por sua amargura. Não digo nada. Você pense na minha proposta.
- Não quero atrapalhar você, Kamile. E outra o seu domingo é com maridão. Não quero atrapalhar vocês. Sei que você trabalha até no sábado, então domingo deseja ficar com ele.
- Gustavo e eu curtimos um ao outro todos os dias, Chloe. Deixa de ser boba. Almoçarmos lá em casa, você não vai atrapalhar em nada. Fora que Gustavo ainda vai está em uma convenção de Cardiologistas essa semana em Detroit, então não precisa se preocupar. Vamos ao cinema esse final de semana? Vai, será até bom para você se distrair. Vejo no seu olhar que está triste. Se ela soubesse como eu estou mais que triste.
- Coeeeee.... Sorrio ao ouvir a voz da princesa da casa.
- Olha aí. Essa pecinha já vem te procurar.
- É, mas você acredita que o Sr Carter pediu para eu ignorar ela.
- Porque?
- Tem medo que ela se apegue demais. Ela já até me perguntou se eu sou a nova mamãe dela?
- Tadinha. Sente falta de uma mãe. Assinto.
- Coeeeeee...
- Deixa eu ir antes que ela continue com essa gritaria e o pai dela se irrite com a mesma.
- Vai lá. Mas não esquece que domingo vamos ao cinema. Suspiro. Como digo para Kamile que eu não posso sair dessa área? Brandon e Adam podem está em qualquer lugar. Eu não posso voltar para as garras deles de novo. Por mim e meu bebê, eu tenho que me manter segura aqui.
- Coeeeeee....
- Melissa, o que é isso? Escuto o Sr Carter falar.
- Eu quero a Coe.
- Ela está ocupada. Ela não pode ficar com você. Ela está aqui trabalhando e não para ficar com você. Ele fala severo para ela e me parte o coração vendo ele falar dessa forma com ela.
- Vovô me deu dinheilo, vou pagar ela pa ficar comigo. Dá vontade de rir dela.
- Mel, deixa papai conversar com você. Ele pede mais brando. Vejo ela indo para o colo dele. A Srta Stewart, está aqui só para trabalhar, para fazer o papai andar. Quando papai estiver melhor ela vai embora. Então não se apegue a ela achando que a mesma vai ficar para sempre.
- Mentila. Ela selá minha mamãe. Ela fala descendo do colo dele e cruzando seus pequenos bracinhos. É uma mini Scott Carter mesmo. Faz uma cara fechada igual ele.
- Filha, não. Ela não será sua mamãe.
- Poque? Ocê nunca vai dar uma mamãe pla mim, né? Ela pede já chorando.
- Mel, não é fácil assim. Ouça o papai.
- Não. Eu quelo uma mamãe, e Coe vai ser minha mamãe. Se ela for embola, eu vou com ela. Me assusto com o que ela fala.
- Melissa não, papai já disse que não gosta de malcriação. Ele tenta, mas ela chora mais.
- Papai não dosta de Melissa. Não quer me dar uma mamãe. Não quer que Coe seja minha mamãe. Dosta de ver Melissa tliste. Ela fala subindo a escada chorando.
- Melissa. Ele grita, mas ela não quer saber. Droga. Ele grita de novo. Não vou para sala. Espero ele sair dali.
Ele fica um tempo ali e depois vai para seu escritório. Vou para as escadas indo para os quartos no segundo andar. Vou para o quarto dela, que é decorado como uma castelo de princesa. Vejo ela deitada em sua cama com a cabeça no travesseiro chorando.
- Posso entrar princesa? Peço e ela me olha com seus olhinhos vermelhos e tristes. Ela balança a cabeça em afirmação. Vou até ela e me sento em sua cama. Não chora princesa.
- Papai não ama Melissa. Ele não quer que você seja minha mamãe.
- Mel? a chamo e ela vem para meu colo chorando. Ele te ama muito meu amor, porém ele está certo em dizer que não é tão fácil assim. Ela me olha com lágrimas escorrendo.
- Ocê não quer ser meu mamãe? Aperto em meus braços.
- Amaria ter uma filha como você meu amor, porém para seu pai dar uma mamãe para você é preciso amor.
- Amor?
- Sim, minha linda! Seu pai tem que se apaixonar por uma mulher, construir um amor para formar uma família. Ela limpa seus olhinhos e me olha.
- Você não dosta do meu papai. Sorrio.
- Meu amor, eu aqui só sou a enfermeira que cuida do papai. E ele tem razão em dizer que quando ele estiver melhor eu vou embora.
- Não. Ela grita me assustando. Eu não quelo que você vai embola. Eu quelo você como minha mamãe.
- Isso não vai acontecer princesa. Mas eu tenho certeza que seu papai vai arrumar uma mamãe muito legal para você. Digo e ela balança a cabeça em negação.
- Eu não quelo outra mamãe, quelo você.
- Eu sinto muito minha pequena. Mas isso não vai acontecer.
- Você não dosta de mim?
- Te amo minha linda. Te amo muito, porém as coisas não são fáceis.
- São sim. É só ocê namolar o meu papai. Sorrio para ela.
- Você muito pequena, princesa. Quando crescer você vai entender o que a Aninha está falando.
- Fica minha mamãe em segledo? Ela me olha com os olhos pidão.
- Meu amor, eu não posso. Mesmo porque seu pai se souber não vai gostar. Esse homem é capaz de me expulsar daqui, e isso eu não posso no momento. Preciso muito continuar nesse emprego pelo menos um ano. Esse foi o tempo que Kamile disse que se ele fizesse todo o exercício corretamente, voltaria a andar.
- Eu nu tonto. Abraço ela apertado. Eu fico com dó dela. Mas eu não posso mudar as coisas aqui. Daqui uns meses eu partirei e ela vai me esquecer.