Os dias estavam passando e eu via uma tristeza nos olhos de Melissa. Sabia do que se tratava. Ela não podia me considerar a mãe dela, e o Sr Carter me proibiu de me aproximar dela dizendo que ela já está apegada a mim. Eu fiquei com coração partido com isso. Ele não entende que se trata de uma criança? Sei que ela me adora, e eu também a ela. Por um lado ele tinha razão em nos afastar, porque eu iria embora daqui uns meses, e olha se não fosse antes, porque ele estava empenhado em se recuperar. Ele já estava dando os primeiros passos na esteira.
Quando ele conseguiu ficar de pé na esteira, ele ficou muito feliz. Vi seu sorriso, que por sinal é lindo. Na verdade, comecei a reparar muito nele nessas últimas semanas Apesar do seu jeito ranzinza, ele tinha um vestígio de bondade em seus olhos. Ele estava mais sorridente depois que ele deu seus primeiros passos, e acredito que deva ser isso. Ele é fechado por causa do acidente. Espero de coração que ele fique bem e que a minha pequena também.
Tem uma semana que não ouço mais ela gritar pela casa por mim. Ela vive mais em seu quarto do que aqui embaixo. Outro dia até vi o Sr Carter pedir a Valquíria para buscá-la, porque ele também não estava vendo a mesma aqui, e como ele não pode subir, ele não tinha acesso a ela.
- Chloe? Valquíria me chama.
- Oi. Digo
- a família Carter está subindo. Me ajude aqui. Preciso montar uma mesa para o lanche. Assinto e vou ajudar ela na cozinha.
Pego pães, biscoitos e uma torta que Valquiria fez para animar Melissa, mas ela nem quis comer depois do almoço. Seu semblante era triste. O pai tentava a todo custo animá-la, mas nada, ela não estava nem para conversa. Coisa estranha, porque normalmente ela era bem falante. Mais ela não estava para nada. Eu estava realmente com dó dela e preocupada também.
- Valquíria. Ouço o Sr Carter chamar.
- Pois não Sr Carter? Valquíria fala indo para sala de estar.
- Vai lá em cima e pede Melissa para descer. Valquíria assentiu e foi. Continuei colocando as coisas na mesa. Fui na geladeira e peguei as jarras de suco e também de água e levei para a mesa. Fico olhando para ver se não está faltando mais nada. Vejo que falta os guardanapos. Os pratos e copos foram colocados por Valquíria. Acabei e fui parar a cozinha. Me sentei com um copo de água .
Amanhã é dia de mais uma consulta de Pré natal. Estou chegando ao quarto mês, e talvez dá para saber o que é. Fico imaginando já ele nos meus braços. Não tenho preferência, pois eu já o amo sem saber o sexo dele ou dela. Sorrio alisando minha barriga.
- Você está bem querida? Marina fala me olhando estranho. Droga. Será que ela perceber meu sorriso e minha mão alisando minha barriga? Espero que não.
- Sim, Sra Carter. Deseja alguma coisa. Indago me levantando. Ela sorrir amável para mim.
- Não. Só vim te cumprimentar mesmo. Como você está?
- Estou bem, obrigada por perguntar. E a Sra?
- Estou ótima. Queria conversar com você em particular, me permite? Fico apreensiva.
- Claro. Pode dizer.
- Sente-se. Vamos aproveitar que Scott está tentado conversar com a princesa. Me sento e ela também. Ela fica me olhando. De quantos meses você está? Suspiro com dificuldade. Fique calma. Eu não estou aqui para repreender você por ter escondido, mesmo porque você é casada. Ela fala olhando para minha aliança. Eu tinha que tirar isso do meu dedo. Mas eu não conseguia. Tento todos os dias chorando por ter tirar e depois choro por ter colocado de volta. Eu não sei o que me faz ficar com isso ainda.
- Desculpe Sra Carter, mas eu não posso perder esse emprego. Preciso muito.
- Não se preocupe, porque eu não vou contar e nem muito menos farei você perder o emprego. Me diz, quantos meses você está? Ela pega na minha mão me passando confiança.
- Farei quatro meses amanhã. Ela sorri amavelmente para mim.
- Então você não sabe o que é. Ela afirma e eu apenas assinto. Agora me diz o que houve com a princesa desse casa.
- Sra Carter, eu não me sinto bem falando o que está havendo nessa casa.
- Scott me disse que ela está em cima de você para ser a mãe dela, mas que ele a proibiu. Afimo balançando a cabeça. O que você pensa disso?
- Minha opinião não importa Sra Carter. Como ele mesmo disse, daqui a alguns meses eu irei deixar essa casa.
- E é isso que você quer? Franzo a testa. Não deseja ficar para ser a babá dela? Me surpreendo com essa proposta. Mas eu não posso ficar nessa cidade. Ethan e Bob podem me encontrar.
- Desculpe Sra Carter. Eu depois desse trabalho estarei deixando a cidade. Ela franze a testa, como se quisesse entender.
- Você tem um trabalho no hospital. Você vai se demitir?
- Eu não posso me dar ao luxo de me demitir. Eu vou ver o que faço para negociar a minha saída. Ela fica me olhando.
- O porque você vai embora da cidade? É o trabalho do seu marido? Eu sei que ela está desconfiada de mim, mas o que eu faço? Não posso contar realmente o que se passa na minha vida. Eu não sei o que ela pensaria de mim. Talvez agiria como a mulher que se dizia minha mãe. Talvez ela pense que estou aqui para dar de cima dos homens da casa. Mesmo ela parecendo uma pessoa boa, eu não sei qual é o pensamento sobre mim.
- Sim. Ele recebeu uma oferta de trabalho e eu vou com ele. Ela assentiu.
- Onde é?
- Onde é o que?
- Para onde vocês vão? Ela me questiona novamente.
- Estamos indo para New York. Ela assentiu.
- Mas isso não impede de você cuidar de Melissa enquanto está aqui. Ela precisa de uma presença feminina...
- Sra Carter, desculpe te interromper, mas o Sr Carter já pediu para não se aproximar de Melissa. Ele tem medo que ela se apegue.
- Ela já está apegada. Não adiantou muito. E posso te dizer que ela sente que você tem um bebê aí dentro, e por isso está mais apegada a você. Marina parece tranquila. Eu vou conversar com Scott sobre isso. Eu não quero minha neta doente, porque é isso que vai acontecer se ele não olhar para ela.
- Eu não quero vê-la doente, porém por um lado eu concordo com ele, sobre dizer que eu não vou ficar aqui. Daqui a pouco eu vou embora. Digo e ela se levanta.
- Vamos deixar isso para quando for acontecer. Neste momento eu só quero pensar na saúde da minha neta. Agora deixa eu ir. Cuide-se. Qualquer coisa esse é meu número. Ela passa seu cartão para mim. Não exite em me ligar. Seja o que for, não me importa. Eu quero te ajudar. Não digo nada. Só fico olhando para ela. Não sei se posso confiar nela. Queria muito poder confiar em alguém, falar o que tenho dentro de mim que me aflige. Falar dos meus tormentos, mas eu não confio em ninguém. Não confio nas pessoas. Eu aprendi a confiar em mim, somente em mim. Ela sai sem dizer mais nada.
Fico na cozinha para ver se Valquíria precisa de ajuda, mas ela me diz que não precisa de mais nada. Agradece pelo que eu fiz e diz que se eu quiser descansar, eu posso. Vou mesmo para meu quarto. Eu só tenho que fazer os exercícios do Sr Carter mais a noite.
a noite, tomo um banho antes de fazer o exercícios com o Sr Carter. Assim que saio do banheiro, vejo uma pessoinha sentada na minha cama com sua mantinha e seu bico.
- Oi meu amor! O que você faz aqui?
- Quelo colo Aninha. Sorrio para ela e a pego no meu colo. Sento com ela.
- Seu pai sabe que você está aqui? Ela balança a cabeça em negação.
- Segledo. No pode tontar. Sorrio dela. Tenho dó, e não falarei nada.
- Tudo bem, segredo. Mas Aninha tem que fazer os exercícios nele. Ela encosta mais a cabeça no meu peito e fechou seus olhinhos passando a sua pequena mãozinha em meu rosto. Ficamos em silêncio até eu ver que ela acabou pegando no sono. Coloco ela na cama e vou até o closet e pego minha roupa de enfermeira. Me visto para poder atender o Sr Carter.
Cubro Melissa antes de sair. Passo na cozinha e peço Valquíria para pegar Melissa em meu quarto e levar para o quarto dela, antes que o Sr Carter perceba. Ela sorriu e me disse que faria isso.
Me encaminhei para o quarto do Sr Carter. Ele já estava sentado em sua cama.
- Podemos começar Sr Carter?
- Claro, já era para ter começado. Assinto não dizendo nada. Ele se deita e eu começo a fazer a massagem na sua perna. Minha mãe pediu para que você se aproximasse de Melissa novamente. Escuto ele dizer. Eu vou deixar, mas não quero que você deixe ela te chamar de mãe. Somente assinto novamente. A Sra pode não me entender, mas Melissa é minha vida, e me dói ver ela sofrendo da forma que está sofrendo por falta de uma mãe. Porém ela realmente precisa de uma presença feminina.
- Eu entendo o Sr. E se for o caso, porque não contrata uma babá para ela. Assim ela vai poder ter uma pessoa com ela, e que não vai deixá-la daqui uns meses. Digo não olhando para ele.
- Pensei em te contratar como babá dela. Sei que a Sra é enfermeira, tem um emprego ainda no hospital, que assim que terminar seu trabalho comigo, voltará para o mesmo, porém Melissa precisa de alguém como a Sra. Me surpreendo com que ele fala, mas eu não posso ficar.
- Desculpe Sr Carter, mas eu não posso aceitar a oferta de trabalho. Eu vou embora de Manhattan assim que terminar meu trabalho com o Sr.
- Porque? Ele pede se sentando rápido e eu estranho seu gesto.
- Porque eu preciso.
- É uma outra oferta de trabalho? Eu cubro para que possa ficar aqui com Melissa. Olho para seu rosto que está sério.
- Não precisa disso, Sr Carter. Eu amaria ficar com ela. Eu já amo sua filha como se fosse minha, mas eu não posso ficar. Digo firme, e ele me olha parecendo tentar descobrir algo em mim.
- Continue seu trabalho. Ele volta ao seu modo autoritário. Volto sem dizer nada.
Depois que acabei com o Sr Carter, fui para cozinha e bebi um copo de suco. Não estava com fome. Valquíria me chamou atenção por não comer. Disse que isso não era certo, que eu precisava me alimentar. Falei para ela não se preocupar, pois realmente não estava com fome. Dei boa noite para ela e fui para meu quarto. Melissa não estava mais ali. Tirei minha roupa e coloquei uma calça de moletom com uma camisa grande. Minha barriga já está dando vãozinho, acredito que terei que mudar a minha roupa de enfermeira. Talvez uma calça com uma blusa mais larga para ninguém perceber ainda, pelo menos não agora e nem nos próximos dois meses.