Uma semana e meia foram os dias que se passaram. Os meninos não paravam de olhar para Lilian, mas diminuíram com o assédio. Não se sabe ainda se foi pelo tempo que passou, ou se foram pelas as ameaças de Leonardo de arrancar o fígado e as tripas de cada “moleque desgraçado filho de...” que resolvesse mexer com ela.
Ela evitava a todo custo ir a casa dele e, como estavam no período de provas, conseguia arranjar boas desculpas. Não gostava quando precisava beijá-lo no colégio porque todos soltavam alguma piadinha para cima deles, mas amava fazer isso na frente de Gustavo que se enfurecia quando via!
— Léo, porque você não chama a Lili para vir estudar aqui com você? São do mesmo ano, não são?
— Ela prefere estudar sozinha.
— Então a chame para vir assistir a um filme hoje à noite.
— Ela está de castigo porque dormiu aqui aquele dia...
E assim, Leonardo conseguia impedir a necessidade de fingir para os seus pais.
“É só até eu terminar com ela, aí essa palhaçada acaba!” — Pensou ele.
Foi com esse pensamento que ele seguiu para o colégio. Sentia-se carente, mas Lilian não o atraia, não importava o quanto os outros rapazes diziam sobre o corpo dela, Leonardo se viu imaginando ela como uma amigona que ele protegia. A beijava porque gostava, mas não se via indo além disso.
— Lili!
Ela se virou para olhar. Por mais que tentasse negar, ela também o via assim. Por isso evitava ficar perto dele, como estavam agora.
Ele a abraçou pela cintura dando-lhe um beijo lento. Depois a olhou.
— Tá fugindo de mim, ou o que? — perguntou ele.
— Eu? Não! É que ando ocupada estudando e tal.
— Ah tá, então... Vamos estudar juntos hoje? Posso ir na sua casa?
— E você estuda?
— É claro, se não, não posso jogar no time de basquete.
— Só por isso?
— Acha pouco?
Lilian deu risada, bateu de leve no antebraço dele como um sinal de que queria sair, mas ele a abraçou mais forte.
— Vamos ou não?
— Ah... Não sei!
— Não vou ficar cheio de agarra, agarra com você!
— Promete?
— Prometo.
Assim que terminou seu simulado de línguas estrangeiras, saiu apressada. Estava irritada com os meninos fazendo palhaçada sobre ela. Sua pressa era tanta, que nem notou uma garota parando na sua frente e esvaziando um balde com água em seus p****s.
Lilian puxou o ar, ergueu a cabeça para decorar o rosto da garota, quando sentiu mais água vinda do alto terminando de molhar as partes que ficaram esquecidas.
Do outro lado do pátio, Leonardo estava conversando com Pedro quando se virou para ver a razão da gritaria.
— Briga, briga, briga! — gritavam.
Eles correram animados para ver quem era e se infiltrou no meio da multidão. Viram Lilian sem a toca de lã, o pescoço arranhado e o punho fechado no alto pronto para descer no rosto de uma loira que estava embaixo dela. Larissa...
Em uma fração de segundos, Leonardo correu para Lilian puxando-a pela cintura. O que recebeu em troca? Uma cotovelada no estômago, um prisão no pé, vários arranhões nos braços e quase um chute na canela. Larissa era segurada por Gustavo, mas não tinha a mesma valentia. Tudo O que Lilian fez, foi se debater (imagine se tivesse tentado bater no coitado!).
— Lili... Para com isso! — gritou ele.
— Não! Eu tô toda molhada por causa dessa v*******a!
— v*******a é a sua mãe! — Gritou Larissa, mas se calou quando o pé de Lilian quase lhe acertou o nariz.
— p***a Léo... Tira ela daqui. — Pediu Gustavo.
Leonardo a arrastou para um banco onde a empurrou várias vezes até ela ficar quieta e sentada.
— Minhas coisas ficaram lá! — disse ela respirando nervosa.
— Deixa que eu pego! — disse Pedro se afastando.
— O que deu em você, mulher? — perguntou Leonardo ainda sentindo falta de ar.
— Me desculpa, não era para acertar em você, era para acertar naquela lambisgoia azeda...
— Tá, tá, tá! Agora ela tá lá, toda chorosa para cima do Gustavo! Satisfeita?
— Léo, ela me molhou toda! Tô tremendo de frio e isso ninguém olha!
Mas ele olhou. Não tinha notado a roupa molhada por causa do caos que foi a situação, mas agora via o sutiã vermelho desenhado na blusa branca e colada no corpo...
Ele desviou o olhar nervoso, notou que os rapazes olhavam para ela desejosos, então tirou sua blusa e entregou a ela.
— Vai trocar.
Ela aceitou a blusa e saiu pisando forte indo até o banheiro feminino. Leonardo se sentou e observou Pedro se aproximando.
— Oh menina valente! — riu Pedro.
— Né? Mas eu também teria ficado revoltado com isso! As meninas estão com inveja dela...
— Água foi uma péssima escolha, só a deixou mais gostosa, com todo o respeito.
— Ela que não demore, se algum segurança me pegar aqui sem blusa, vou ser botado pra fora!
— Isso é.
Mas Lilian não demorou. Ela saiu do banheiro cuspindo fogo com sua blusa molhada embolada na mão. Os cabelos grudavam no rosto lhe deixando mais bonita. Leonardo observou sua “melhor amiga” chegar perto dele e puxar a toca da mão dele. Quando ela torceu, parecia que a toca tinha sido mergulhada no balde cheio de água.
— Aff... eu mato todas! — Resmungou ela.
— Depois, agora vamos embora! Falô, Pedroca!
Leonardo passou o braço em volta do ombro dela e saíram andando com Lilian ainda reclamando. Passaram pelo portão sem mais problemas. Quando ela respirou mais calma, atravessaram a rua. Estavam prestes a seguir em direções diferentes quando ouviram uma buzina de carro ao lado deles.
— Léo, Lili!
Leonardo olhou e deu de cara com o carro do seu pai! Dois minutos! Era esse o tempo que eles precisavam para não ter que passar por aquilo. Se ele tivesse passado dois minutos depois, Lilian já teria virado a rua e sumido de vista. Mas não, ele tinha que aparecer dois minutos antes...
— Pai?
— Entrem, eu levo vocês.
Ambos se sentaram no banco de trás com a cara amarrada. Evitaram tanto aquele tipo de situação, mas o destino não estava colaborando. Lilian explicou onde era sua casa e, assim que chegaram, ela desceu com Leonardo logo atrás. Ele encostou na janela do pai e disse:
— Vou ficar por aqui.
— Tudo bem, não chegue muito tarde em casa!
— Tá.
Ele olhou para ela e sorriu sem graça.
— Nem sei se posso.
— Não atrapalhando minha limpeza, está tudo bem.
Entraram na casa vazia e subiram as escadas. Lilian arrancou a blusa dele assim que entrou no quarto, jogando nele.
— É sua. — Depois ela entrou no próprio banheiro, de lá gritou. — Pode ligar o PC, mas nada de mexer nas minhas páginas sociais.
— Tá.
Leonardo vestiu a blusa e se sentou em frente ao computador. Estava distraído conversando com um monte de gente no MSN, quando sentiu aquele cheiro de novo. Frutas vermelhas... Creme?
Ele olhou para a porta do banheiro que se abriu. Quase teve um infarto.
Lilian estava só de toalha com o corpo e cabelos molhados. A toalha realçava suas coxas grossas.
— Ah... Er... Vais se vestir na minha frente? — Ele não queria mudar a maneira de vê-la.
— Não! Só vou pegar minha roupa...
Ela abriu o guarda-roupa, escolheu um conjunto e voltou para o banheiro. Nervoso, Leonardo deu atenção ao seu MSN, resolveu aproveitar e colocar ciúme nos trezentos e tantos contatos que tinha. Alterou a frase para:
Léozito diz:
Na casa da minha linda, a tarde vai ser boa!!!
Lilian retornou ao quarto usando um short preto curto e colocado (tipo cueca feminina, só que um pouco mais comprido) e uma camiseta cinza sem sutiã. Ela parecia bem a vontade sem se importar com a presença dele.
“c*****o! Como é que Gustavo não quis nada com ela? Tão... Aff... Para Léo... Ela se tornou sua amiga, é a única gata que você NÃO PODE traçar!” — Pensou ele.
— É... Então... O que vem agora? — perguntou tentando focar o rosto dela.
— Almoço. Vamos lá para baixo que eu estou faminta.
Ele concordou e desceram. Só quando estavam lá embaixo que se lembrou de algo.
— E seus pais?
— Trabalhando. Eles vêm para casa só de noite.
— Ah, entendi!
Ela esquentou o almoço sem perceber que, sentado à mesa, Leonardo travava uma guerra interna. Ele fechava os olhos para não olhar o rebolado dela toda vez que ela andava pela cozinha ou mexia a comida. Fechava os olhos para tentar não pensar besteira toda vez que ela se agachava para pegar algo no armário ou na geladeira.
Quando terminaram de almoçar, ele ajudou na limpeza da cozinha e subiu desesperado para o quarto dela enquanto ela terminava de arrumar a casa.
“Assim eu fico louco! Tô sem pegar ninguém desde a festa, geral fica buzinando no meu ouvido e ela ainda se veste assim?! Oh garota mais contraditória! Eu deveria ter ido para casa!” — pensou ele.
Quando ela subiu, pegou a mochila conferindo a conservação do material. Felizmente nada molhara por dentro.
— Certo, amanhã é simulado de Biologia, Química e Física. Certo? — indagou ela.
— Certo.
— Então vamos pela Biologia.
— Não quer ir pelos números primeiro não?!
— Mas é que eu não entendi nada de biologia. Esse negócio de Aa, tipo sanguíneo, alelos... Eu me perco nisso tudo!
— Eu tô é fudido em Física... Esse troço de T.
— Espera um pouco!
— O que?
— Estamos estudando Eletricidade!
— Sério? Já saiu do T para essa parte? Povo rápido, hein?!
Lilian entendeu a malícia na voz dele e lançou um olhar sem humor. Ele desfez o sorriso e se sentou na cama.
— Beleza, biologia então — disse vencido pelo cansaço.
Começaram pelo tipo sanguíneo.
— Tá, então se o cara for O+ ele pode doar! — disse ela satisfeita.
— Isso. Eu queria estar no 1º ano. Reprodução humana é tão fácil!
— Quê?!
— De estudar, decorar... Essas coisas.
— Ah... É verdade.
— De fazer também!
— Como é?!
— Os resumos, poxa Lili! Que foi hein?
— Você falando tudo com duplo sentido! Vamos para Química agora, é melhor. Essa parte eu domino, você tem alguma dúvida?
— Tenho.
— Quais?
— Todas!
— Aff!
Ela começou a explicar sobre o início da matéria. Química, no terceiro ano, tinha que se entender desde o início, ou iria para a recuperação de cara. Felizmente, era o primeiro simulado do ano.
— E é só você se lembrar dos prefixos e fica tudo certo.
— Hum... Lili...
— O que?
— Notou como as coisas fluem de boa entre nós?
— Somos amigos, é normal isso rolar.
— A gente se beija, Lili!
— Para enganar os outros!
— Pô... Você é muito má! Eu gosto tanto de beijar você.
— Aff... Vamos estudar física. Você entendeu sobre essa coisa toda?
Já estavam quase no fim da matéria quando escutaram o som familiar do MSN. Alguém chamando...
Lili correu para o computador sem saber que não era o seu MSN.
Marcelão Todo bom B-) diz:
Aiii mlk, tá traçando né??? Kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Lilian olhou no alto da janela e viu a foto de Leonardo, quando leu a frase, seu sangue ferveu.
— Que m***a é essa, Leonardo?
Quando ela gritou o rapaz tomou um susto dando um pequeno salto e jogando o livro no chão. Ele a fitou confuso, depois viu sua foto em uma janela de conversação.
— Não sei! Ah, a frase? Relaxa que é para calar os moleques.
— Calar ou atiçar?
— Calar. É uma maneira de mostrar que você já tem um dono.
— Quem, você?
— Isso!
Ela o olhou irritada. Não era o tipo de mulher que se considerava “propriedade de alguém”, mas resolveu se calar para evitar brigas. Desligou o computador e voltou para a cama. Leonardo a olhou.
— Que cara é essa? Parece que comeu e não gostou! Se bem que... Nem comeu ainda!
— Dá para parar? Você não precisa jogar essas piadinhas para cima de mim não.
— Foi m*l! É força do hábito, sabe?
— Sei, mas eu sou sua amiga e não uma piriguete com quem você é louco para t*****r.
— Tá, tá! Já entendi!
Terminaram de estudar tranquilos sem mais brincadeiras. Faltava meia hora para os pais dela chegarem, quando Leonardo resolveu ir embora.
— É melhor ir mesmo, ou o meu pai vai pensar besteira.
— Beleza.
— Te levo até a porta.
Desceram as escadas com tranquilidade quando viram a porta da frente se abrindo. Lilian congelou e puxou Leonardo de volta pela camisa.
— Sobe, sobe, sobe! — sussurrou ela.
Ele subiu apressado e os dois voltaram para o quarto com Lilian fechando a porta e encostando nela.
— Merda... Mamãe chegou mais cedo! Isso nunca aconteceu antes - Leonardo começou achar que tinha alguém no céu fazendo hora extra, só pode! — Fica aqui que eu vou ver o que houve.
— Certo.
— Não faça barulho.
Ela sumiu do quarto e desceu as escadas indo até a cozinha onde Clarita estava.
— Oi mãe! Chegou mais cedo.
— O filho do meu chefe adoeceu, ele me dispensou mais cedo para ele ir cuidar do menino.
— Hum... Entendi!
— Ficou comida para a janta?
— Não, só tinha um pouquinho.
— Aff... Não vou cozinhar não.
— Onde é que a senhora vai? — disse atônita ao ver sua mãe subindo as escadas.
— Tomar um banho.
— Ok.
— Está tudo bem com você? Parece nervosa!
— Não é nada, é o simulado de hoje só.
— Hum...
Assim que Clarita entrou no quarto, Lilian esperou para ouvir o barulho da porta do banheiro se fechar, depois abriu a porta do quarto e arrancou Leonardo de lá.
Desceram as escadas sem fazer barulho, abriram a porta da sala e, quando Lilian olhou para fora, congelou.
Parado na porta, com a chave na mão, estava o seu pai.
— Filhota, eu já ia abrir.
Antes que Lilian pudesse tomar alguma atitude, ouviu uma voz vinda do alto da escada.
— Lili, minha filha, me empresta o seu creme de pele que o meu acabou.
Não havia como ela dizer para a mãe que Leonardo tinha vindo da rua porque seu pai estava parado na porta esperando passagem. E não dava para dizer ao seu pai que Leonardo estava ali desde a hora que sua mãe chegara, porque Clarita iria desmentir. E agora?
Fernando empurrou a filha com gentileza ao mesmo tempo em que Clarita terminava de descer os degraus olhando para o chão. Simultaneamente, olharam para Lilian e viram Leonardo parado.
O silêncio era cortante... Fernando olhava para o rapaz com ar assassino. Quem era ele? O que estava fazendo ali? O que ele andara fazendo com sua menininha?
— Pa... pai... esse é o Leonardo — disse Lilian pálida e preocupada. — Um amigo do colégio.
— Hum... Por que não me ligou avisando que traria alguém para cá? — perguntou Fernando, sério.
— Por... porque eu não queria incomodar... Estávamos apenas estudando para a prova de amanhã.
— Sei... Eu me lembro dele... É o menino que deu aquela festa! — Lilian se calou! — É ou não é?
— É sim...
— Você dormiu na casa dele?
— Juro que não fiz nada...
— Eu não vi a hora que você chegou em casa. Você sabe sobre as regras, Lilian!
— Pai...
— Se ele é só seu amigo, porque não me disse que ele viria para cá?
— Eu já disse!
— Eu não admito isso, Lilian! Você sabe muito bem. Eu quero que a minha filha tenha um mínimo de dignidade! Não aceito que fique trazendo rapazes para cá, sendo que é só momentâneo! Você está me entendendo?
— O Léo é só... — Lili hesitou...
— Assim como o Gustavo? Por favor, minha filha! Eu quero que você se valorize e não fique com esses moleques que...
— Senhor, com o devido respeito, não sou moleque e também não sou o Gustavo. — Leonardo estava nervoso, não aguentava ter só que escutar, precisava abrir a boca. — Eu pedi para a Lili conversar com o senhor sobre mim, mas ela queria esperar um pouco até ter certeza que a gente iria dar certo junto. Eu sinto que tenhamos que nos conhecer assim, de uma maneira tão constrangedora, mas realmente estávamos só estudando! Sua filha é a mulher mais digna que já conheci.
Mais uma vez a casa ficou em silêncio. Fernando observou a expressão ofendida do rapaz, depois respirou cansado.
— Tudo bem... Só espero que não dure apenas uma semana depois desse discurso todo! — Ele andou até a escada, deu um beijo carinhoso no rosto da esposa e olhou para trás — Lili, tome um banho, vamos ter visita para o jantar.
— Tudo bem.
Assim que os pais dela sumiram, Leonardo relaxou.
— Seu pai é cheio de neurose igual a minha mãe!
— É! Melhor você ir. Tenho que começar a janta...
— Tudo bem...
♣♣♣
— Anda meninas... Estamos atrasados!
— Calma pai! Eu não tenho culpa se o senhor não disse que era em um restaurante.
— Deixe disso, vamos logo.
A família Machado entrou no carro rumo á um restaurante onde Clarita e Fernando reencontrariam seus antigos colegas da faculdade.
Fernando estacionou o carro próximo ao restaurante simples e bem organizado, e andou apressado até a entrada. Parou na porta com as duas paradas ao seu lado, olhando em volta.
— Parece que eles ainda não chegaram, querido! — disse Clarita. — Oh, espere, olha eles ali.
Clarita acenou para um casal na mesa próxima a cozinha. A família sorriu e andaram até lá.
Lilian estava tão concentrada em não esbarrar em ninguém que, quando olhou para o casal, perdera a cor pela segunda vez aquela noite.
— Lili! Gente, que coincidência! — disse Melissa abraçando-a depois de ouvir Fernando apresentando Lilian como sua filha.
— Não é?!
“Oh meu Deus! Tô fudida!” — pensou ela.
— Sente-se aqui. — disse Melissa apontando para uma cadeira ao lado da dela.
— Conhece a Lili? — Indagou Clarita curiosa.
— Claro! — Respondeu Melissa.
— Ah... eles são... são os pais do...
Antes de Lilian concluir, viu Leonardo se aproximar da mesa. Estava irritado.
— O que foi? — Perguntou Otávio. Ele nunca via o filho irritado.
— Assédio s****l é crime né? — perguntou sério e se sentando de frente para Lilian, ainda sem notar.
— Creio que sim! Por quê?
— Fui assediado na maior cara de p*u! Vou denunciar, tenho até testemunha!
— Quem foi que fez isso?
— Uma louca sentada perto do banheiro! Quase que o namorado dela me bate.
— Que é isso! Que menina mais abusada! — disse Melissa.
Só então Leonardo olhou para frente e viu Lilian o encarando. Olhou para o lado e viu os pais dela. “p**a m***a! Não vai me dizer que viemos jantar com os pais dela? A essa altura, nem duvido mais!” — Pensou ele.
O jantar fluiu com os pais deles relembrando o tempo da faculdade... Pareciam tão entretidos, que se quer tocaram no assunto dos filhos que jantavam em silêncio.
Quando terminaram o jantar, saíram para andarem pela praça em frente.
— Minha filha, fico feliz que tenha arrumado um rapaz descente dessa vez. — disse Fernando assim que todos se calaram.
— Pai... Não podemos falar sobre isso em casa?
— Para Quê? Agora que temos mais um motivo para passar um tempo todos juntos!
Enquanto Leonardo e Lilian fizeram bico, os outros riram satisfeitos.
— Quem diria! Nossos filhos juntos é um milagre. — disse Otávio.
— Coincidência, não acham? — disse Clarita.
— Oh mãe, a senhora nem imagina o quanto! — Suspirou Lilian.
No fim da noite voltaram para perto dos carros. Era a hora de se despedir e os pais esperavam, pacientemente, o beijo de despedida que os autorizava a ir embora. Leonardo acompanhou Lilian até a porta do carro, abriu para ela entrar e lhe deu um selinho demorado.
Ele estava com mais vergonha do que ela, já que era a primeira vez que um pai o aceitava como genro. Era coincidência o fato de Fernando ter chegado na hora em que Leonardo estava indignado com o atrevimento da moça que sequer esperou o namorado sair de perto. Se o namorado dela não estive vendo, aí era outra história!
Cada um, em seu determinado carro, escutou o quanto o jantar havia sido agradável e que iriam repetir a dose. Ouviram, horrorizados, sobre o quanto formavam um lindo casal juntos e que era, definitivamente, um namoro aprovado por eles. Adicionar um término ao relacionamento não era algo que estava sendo levado em consideração pelos pais deles. Até mesmo Fernando não parecia gostar da ideia.
No dia seguinte, Lilian conseguiu fazer sua prova de Biologia, Química e Física com tranquilidade. Estudar com Leonardo havia lhe salvado, já que Biologia era o que mais lhe preocupava e ele lhe explicou com facilidade. Quando ela chegou ao pátio, viu os meninos bagunçando os cachos louros dele enquanto riam. Ele estava sério.
— Pô gente, parem com isso! — resmungava ele quando Lilian se aproximou.
— Ah... Porque você não compra um presentinho para o sogro, hein? — riu Thiago.
— Vai pra m***a todos vocês! — respondeu irritado.
— Léo — Ele ergueu a cabeça e viu Lilian. Tinha os olhos mais irritados do mundo e sua boca estava mais rosada ainda de tanto ela morder os lábios de raiva. — Vamos à sorveteria? Ainda tá cedo!
Ele assentiu. Era melhor mesmo tomar algo gelado para esfriar a cabeça. Estava furioso porque finalmente Larissa havia olhado para ele convidando-o a ir na casa dela. O problema era que ela só estava fazendo isso para irritar Lilian. Se era para esse fim... ele não iria.
Quando chegaram na sorveteria, escolheram os sabores e estavam sentados no banco da praça, então Lilian notou que ele estava calado demais.
— O que é que você tem?
— Nada.
— Fala de uma vez.
— É que eu não gosto de gente doida.
— Então você não gosta dos seus amigos!
— Não Lili, a única doida aqui é você! Porque não me disse que seu pai é todo grilado com você? Por que me deixou entrar se sabia que ele podia chegar a qualquer momento?
— Eu não sabia, ele sempre chega no horário. Além do mais, se vai me julgar, você também é errado nessa história porque me deixou beber além da conta naquele dia. Se eu não tivesse bebido, não estaríamos nessa situação ridícula.
— Sabe de uma coisa? Você continua sendo doida!
— Só que essa doida aqui agradou os seus pais mais do que qualquer outra garota que você já apresentou ou vai apresentar.
— Só que eu quero terminar com essa doida, mas ninguém deixa!