Leonardo estava atirado em sua cama tentando dormir. Era dia de domingo e fazia dois ou três dias que não falava com Lilian. Depois da pequena discussão que tiveram na sorveteria, ela saiu batendo o pé e jogando o sorvete na lixeira. Na escola, ela ia direto para a sala e lá ficava.
Naquele momento, estava deitado sentindo o deleite que fora o seu banho quente enquanto pensava na Larissa. Ainda de olhos fechados, ouviu a porta se abrir devagar. Olhou para a porta e viu Lilian se jogar, de cara amarrada, na cadeira do computador que já estava ligado.
— Que invasão é essa?! — Ela não respondeu. — Lili, eu tô falando com você! — Ela continuou quieta abrindo o seu MSN.
Ele resolveu deixar para lá, se deitou de novo ficando em silêncio e sonolento, quando ouviram Melissa batendo na porta. Nessa hora ele sentiu a cama balançar e algo ficar pesado em sua cintura.
— Queri... Oh, desculpem!
Lilian fingiu constrangimento e escorregou para o lado. Confuso, Leonardo olhou para ela e depois para Melissa que parecia feliz com o que tinha visto.
— Eu só vim dizer que tem pizza congelada e refrigerante — continuou ela. — Lili amor, não deixe o Léo encher a casa de gente.
— Tá.
Melissa saiu ainda com Leonardo confuso. Ele olhou para Lilian que estava observando a unhas, pensou um pouco assimilando tudo o que houve, depois se indignou.
— Dá para me dizer o que é que tá pegando?
— Meus pais resolveram me largar aqui enquanto eles saem com os seus.
Ele se irritou ao ver que seus pais estavam começando a trabalhar em uma aproximação maior com Lilian.
Levantou-se para sair do quarto e checar se estavam a sós. Enquanto isso, Lilian voltou para o computador.
Lilian u.u diz:
u.u
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
Que foi bebê?
Lilian u.u diz:
Estou na casa do imprestável do meu namorado u.u
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Imprestável, mas gatinho!
Iaih, hj rola???? O.O
Lilian u.u diz:
u.u
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
Ahhhhhh Lili, deixa de ser chata! Tá deixando o
coitado na seca... kkkk
Lilian u.u diz:
Aff... Por mim!
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
kkkkk Faz isso não, se não ele acha quem se importa!
Lilian u.u diz:
Capo ele antes *-*
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
Que bruta! Nem é ciumenta!
Lilian u.u diz:
Se é meu namorado, tem que me respeitar u.u
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
Ah tá! Aproveita que tá aí, e dá uns cata no gatinho
por mim, tá?
Lilian u.u diz:
Kiissu??? O.o Tarada!
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
kkkkkkk Saindo aqui pq mô chegou
Lilian u.u diz:
Tá, o outro tá aq de cara emburrada já!!! Kkk Beijos
depravada u.u
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz: kkkk
Depravada é vc que tá aí... Sozinha com essa
perdição... Fuiii
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ está off-line
Lilian ignorou Leonardo que estava sentado na cama olhando para ela de cara f**a.
— Eu tenho uma proposta para te fazer — disse ele.
— Não quero saber.
— Qual é Lili! Deixa de ser chata.
— Sou chata, mas tenho dignidade e vergonha na cara! Só tô aqui porque nossos pais ficaram me enchendo para vim aqui.
— Deixava eles falarem então! Se é para vir e ficar de cara feia... melhor nem ter vindo.
— Fácil falar quando meu pai conheceu o desgraçado do Gustavo.
Leonardo se irritou, a última coisa de que precisava era falar de outro cara que quase o socara no treino de basquete. Arrastou-se para a cama e cruzou os braços, nada melhor para fazer... espera... Até que tinha algo.
— Lili, vem cá.
— Pra quê?
— Eu quero te mostrar uma coisa.
— Mostra daí — disse desconfiada.
— É que... de longe não fica uma visão detalhada!
— Aff...
Lilian tinha um mau. Esse mau sempre a metia em problemas... Sempre. Esse mau se chamava curiosidade. Ela se levantou e se sentou ao lado dele que estava sentado com as pernas esticadas na cama. Leonardo pegou um controle e apontou para o DVD que estava acima do Computar em uma prateleira com uma TV e alguns livros.
Assim que ele ligou a TV e o DVD, mostrou o nome carregando e eles esperaram.
— Filme? — perguntou ela.
— Não. Clipe.
A música começou a tocar mostrando Nando Reis em um palco.
— Preste atenção na letra, por favor! — pediu ele com um sorriso malicioso. Então ele se aproximou do ouvido dela e acompanhou a música baixinho.
Quando a música terminou, Lilian notou a mão dele em sua coxa. Para tentar acalmar seu embaraço, susto e apagar o fogo dele, ela se levantou apressada.
— Que música mais louca! Ele se chamando de Mulher... Aff. Coisa esquisita, né?
— Você sabe muito bem o que eu quis dizer com essa música! — disse ele com um sorriso de canto.
Nervosa e constrangida, ela puxou o controle da mão dele e pulou para o menu. Escolheu outra e disse:
— Gosto dessa. É mais bonita!
Ela se sentou ao lado dele e cantou para si mesma enquanto a música rolava. Mas enquanto ela cantava, Leonardo tentava atiçá-la.
Ele a abraçou pela cintura enquanto mordiscava o lóbulo da orelha e a tinha entre suas pernas. Lilian estava sentada na beira da cama de frente para o computador.
— Para com isso! Oh o respeito! — Advertiu ela tentando ignorar.
— Eu respeito quando você me respeitar! — disse em uma voz rouca no ouvido dela.
Ele segurou o rosto dela começou um beijo lento onde ela mordeu seu lábio inferior e tentou se levantar. Ele a puxou de volta jogando-a na cama onde ele tinha metade do corpo por cima.
— Léo... Pare com isso. Eu não quero.
— Prove!
Ele deslizou os lábios pelo pescoço dela afastando as mechas negras. A toca preta só escondia a raiz do cabelo naquela hora.
A mão dele deslizou pela barriga até chegar ao fecho da calça jeans dela.
Tentou abrir o fecho quando Lilian o empurrou fazendo-o se deitar. Lançou um olhar mortífero para ele e se levantou.
— Vou embora!
Ele se levantou apressado e a puxou pelo braço prensando-a contra a parede e dando um “lindo” chupão no pescoço dela, fazendo-a gritar de susto e dor.
— Seu louco!
Leonardo a segurou com força pela cintura obrigando Lilian a sentir sua excitação por cima da roupa em sua barriga. Ela arregalou os olhos e o empurrou.
— Se você insistir mais um pouquinho que seja, juro que faço um escândalo!
Leonardo respirou fundo se sentindo cansado. Sentou-se na cadeira ao lado do computador passando as mãos nos cachos louros. Onde estava com a cabeça para ter feito O que fez? Era a Lilian, sua amiga, sua irmã!
— Me desculpe, eu... eu me descontrolei — disse ele já mais calmo.
— Melhor eu ir!
Ele assentiu e a viu sair de seu quarto, provavelmente mais confusa que ele.
Quando Lilian chegou em casa, pegou o telefone sem fio e discou para Manu. Sabia que o namorado dela estava lá e, como eles passavam pouco tempo juntos, era até maldade interromper.
— Quer saber? — Sussurrou colocando o telefone no gancho. — Deixa a minha amiga ser feliz.
No dia seguinte o 3º ano estava em alvoroço. Não teriam as aulas programadas, mas, em compensação, as turmas se reuniriam no auditório para uma prova o**l de inglês e espanhol, cujo qual seria dado pelo mesmo professor. Depois disso, os alunos teriam que ir para a quadra para, ou assistir o treino do time de basquete, ou o treino do time de futebol.
— Caraca velho! Prova surpresa? E pode isso? Saímos do simulado ontem quase! — resmungava Thiago. Já estavam sentados no auditório esperando o professor terminar de se ajeitar.
Enquanto o garoto se queixava da vida, Leonardo olhava para três fileiras à sua frente. Lilian estava rodeada de homens, mas parecia injuriada. Já tinha trocado de lugar duas vezes até desistir.
Então você se pergunta, porque eles ainda estão nisso? Levando em conta que ela se tornou símbolo s****l e que ninguém além de Leonardo e Gustavo tinha ficado com ela, pairavam as curiosidades.
— Você tá bem? — perguntou Freitas ao ver que Léo estava alheio à conversa. — Não tá preocupado com a prova, mas tá preocupado com a Lili, não é?
— Não é isso! Ontem forcei a barra, a gente meio que brigou e agora ela está me evitando — Sibilou. Apenas Freitas tinha escutado.
— Forçou a barra?
— É! Eu queria, mas ela já estava chateada por umas coisas que eu disse... Ficou p**a comigo!
— Pô Leozito! Essas coisas não são assim não! Em vez de você ficar ai com cara de i****a, vai lá falar com ela e pedir desculpa.
— Quê? Tá louco?
— É isso ou ela vai continuar te evitando.
Freitas tinha 18 anos. Apesar da pouca idade, era o mais sensato e amigo do grupo. Ele brincava, zoava e até se deixava levar ás vezes, mas sempre tinha um bom conselho para dar.
O professor começou a chamar por ordem alfabética de três em três. Não adiantava tentar passar informação enquanto saiam porque as perguntas eram diversificadas e alternadas.
Quando Leonardo saiu, ficou sentado em um dos bancos do lado de fora.
— Fazendo o que aí? Bora para a quadra — chamou Pedro.
— Vou esperar a Lili.
— Que melação é assa agora?
— Nenhuma. Ao contrário, é a falta dessa melação.
— Bom... beleza, mas não demora que você é o pivô, aí já viu!
Leonardo assentiu e observou, um por um, os alunos indo para a quadra. Então Lilian passou pela porta de vidro.
— Oi gatinha. De cabelo solto hoje? — Ele se levantou e sorriu.
Lilian usava a toca, mas deixou seus cabelos cobrindo o pescoço.
— O que você está fazendo aqui?!
— Te esperando, bora?
— Não.
— Eu preciso conversar com você, só que os moleques estão me esperando para treinar. Vou ficar mais tranquilo se você ficar lá na quadra com a gente.
— Aff... Eu só vou porque não quero levar falta.
Leonardo estendeu a mão para ela que aceitou e foram para quadra.
Os alunos se dividiam entre a vontade de ver o treino de futebol, o de basquete e a de não fazer nada. Lilian estava sentada na grama com as coisas de seu namorado ao seu lado. Euando o treino terminou, ele se aproximou dela, dando-lhe um selinho.
— Fica muito perto não que você tá fedido!
— Que é isso mulher?! O que você está sentindo é o puro e delicioso cheiro másculo de um homem perfeito!
— Aff... O másculo me soou tão... Gay!
— Tá louca?!
Lilian começou a gargalhar e se levantar. Estava em pé quando sentiu dois braços em volta de sua cintura e algo preguento em seus braços.
— Ah! Que nojo! Você tá suado, me larga!
Ele rodopiou com ela ainda gritando, depois a largou e saiu correndo pela quadra. Iria apanhar se alguém não tivesse a puxado pelo braço.
— Lili, eu quero falar com você! — disse Gustavo.
Nem preciso dizer o quanto o coração dela bateu forte. Mas ela sabia que ele só queria ter uma conversa por puro despeito. Leonardo, apesar dos apesares, tinha não só a assumido para todos no colégio, como para os pais deles. Não dava para ela simplesmente largar o menino lá, parado, desfalecendo o sorriso de minutos atrás.
— Desculpe Gustavo, eu gostaria muito, mas eu tenho que ir. O Léo e eu vamos passar a tarde juntos, cada minuto é muito importante.
No começo da frase Leonardo se agachou para pegar suas coisas e a dela. Quando ela terminou de falar, ele lhe estendeu a mão e saíram de mãos dadas com ela se queixando.
— Antes de tudo, você vai tomar um banho.
— Oh menina chata!
Andaram em silêncio até a casa dele. Assim que chegaram, Melissa os recebeu com um sorriso.
— Lili, meu amor! Como está?
— Bem. Precisa de ajuda com alguma coisa?
— É mãe, dá alguma coisa para essa menina chata fazer, enquanto eu tomo um banho.
Ele não esperou a resposta e subiu. O que iriam fazer aquela tarde? Ele não sentia mais necessidade de conversar com ela, já que ela não parecia mais chateada.
Depois do almoço o casal ficou na sala conversando sobre a prova enquanto assistiam a um desses filmes de cachorro (desses que você chora quando o cachorro fica para trás na mudança, cai da cachoeira, é roubado por pelo vilão que quer grana... Tá, tá parei.), jogavam pipoca um no outro e, quando acabava a artilharia, Lilian pulava em cima dele entre gargalhadas dando uns bons tapas nos braços dele. Quando a mão ardia, partia para os beliscões e apertões. Leonardo retribuía com leves mordidas, tapas nas coxas e cócegas.
O clima era de brincadeira e amizade. Logo, ele começou a olhar para ela como uma menina “responsa”. Dessas que os mulherengos, que sabem valorizar, não encostam. Preferem manter o e******o de fora para não estragar a beleza da amizade, e era assim que a ideia teria ficado fixa na memória dele, se não fosse um “porém”... Um único e minúsculo “porém” que já estava esquecido e enterrado nas profundezas do tempo (exagerei né?).
Lilian tombou do sofá para o chão com ele por cima dela. Ela gargalhava enquanto ele mordiscava sua barriga ao mesmo tempo que fazia ruídos com a boca, imitando um homem das cavernas furioso. A pesar de não parecer, não havia malícia naquela situação, mas quem via...
— Vão se comer no quarto! — gritou Thiago com as mãos na cintura. Balançava a cabeça negando e sério. Os meninos riam e Melissa olhava os dois, jogados no chão, com um brilho nos olhos.
Leonardo se levantou apressado consertando suas roupas enquanto Lilian permaneceu deitada tentando recuperar o fôlego. Tinha rido tanto...
— O... o que é que vocês estão fazendo aqui?
— São quatro horas! — Disse Felipe, como se aquilo fosse óbvio.
— E...?
— Como e? A gente tem que ir lá na oficina, lembra?
Ele fez cara de poucos amigos, se virou para Lilian e a ajudou a se levantar. Ela sentia calor e amarrou o cabelo em um coque. Pegou a mochila e jogou nas costas.
— Eu também já vou! Tenho que deixar a casa limpa antes dos meus pais chegarem.
Os rapazes acompanharam o casal até a casa dela, esperaram ela entrar para as brincadeiras começarem.
— Eu posso saber que demonstração foi aquela? — disse Marcelo.
— Estávamos só brincando! Até que foi divertido... Saudável!
— Saudável? E aquele chupão no pescoço dela?
Os meninos fizeram um sonoro “Hummm” enquanto bagunçavam os cabelos do coitado. Aquele detalhe... Ele tinha se esquecido... Por que eles foram lembrar justo quando a ideia de amizade ainda estava prematura? Ele tinha certeza que se fosse alguns dias depois, ou até mesmo algumas horas, teria uma boa resposta mental para calar as lembranças. Mas não, o destino nunca para! Ele gosta de te lembrar das coisas importantes que você faz tanta questão de esquecer.
Era importantíssimo o fato de que ele se excitava muito fácil com ela, mas era isso que ele esta tentando esquecer.
Enquanto ele aturava as brincadeiras, Lilian terminava de limpar a casa e corria para o computador.
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
PAIXÃOOOOOOOOOOOOO *.................................*
Lilian u.u diz:
E aê MINHA VIDA *.................*
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
Ih! Que foi que houve, hein?
Lilian u.u diz:
Nada, pq?
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
Deixa, tava onde que demorou? Tá o maior porre aqui
no trabalho e nada de vc ficar on u.u
Lilian u.u diz:
Tava na casa do Léo!
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
Ahhhhhhhhhhhh agora saquei ;)
Lilian u.u diz:
É. Por isso demorei
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
E é por issO que não xingou ele até agora!
Lilian u.u diz:
kkkkkkkkkkkkkkk então é isso? Nos tornamos
amigos.
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
Quê? Viajei agora!!
Lilian u.u diz:
Passei a tarde na casa dele, brincamos e nos tratamos
como gente! Mas é só amizade
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
Hum... Eu tbm sou amiga do meu mô, viu?
Lilian u.u diz:
u.u
♥ Manu Mozãooooo Te amo ♥ diz:
kkkkkkkkkkkk aih amiga, esse papo de que “é só
amizade” não rola cara! Vc’s já ficaram antes, estão
namorando!
Lili??? Sua VACA me deixou falando sozinha!!! :@
Lilian u.u está off-line
Lilian se jogou na cama com raiva. Todos levavam as coisas que ela e Leonardo faziam na mais completa maldade.
— Aff... sinceramente...
Ela se levantou para tomar um banho quente e relaxante. Passou creme de pele e se olhou no espelho para pentear os cabelos molhadas. Viu a marca roxa em seu pescoço.
— Ainda não sumiu?
Se enrolou na toalha e saiu do banheiro.
— Ah! — Ela encostou na parede colocando a mão no peito e tentando recuperar o fôlego.
Leonardo estava diante do computador completamente pálido com o grito dela.
— Se você quer me m***r de susto, é só repetir isso! — resmungou ele.
— O que é que você está fazendo aqui? — disse irritada.
— Vim te convidar para irmos ao cinema, mas já que está estressada, vou embora.
— Espera, espera! Aff... Meu coração tá quase pulando pela boca! Quem abriu a porta para você?
— Seu pai. Ele mandou eu subir.
— Meu pai chegou?
— Sim! Eu já estava quase indo embora, mas, por coincidência, ele chegou na hora.
— Hum... Minha mãe está ai também?
— Sim, por quê?
— Nada. Me espera lá embaixo.
♣♣♣
Escolheram um shopping mais afastado do que costumavam ir com os amigos. Um em que a “galera” não costumava ir, deixando-os livre para manifestarem a recém-amizade. Estavam na fila para comprar os ingressos quando ele puxou assunto.
— Se vestiu assim por quê? Fico perdido com essa sua bipolaridade na hora de se vestir.
Ela usava uma bata branca sem alça com um short jeans de cumprimento médio. E, claro, seu All Star. Tinha também os cabelos molhados e soltos cobrindo o colo.
— Minha mãe. Ela não gosta que eu me vista daquele jeito. Quando ela está em casa eu tenho que me vestir assim.
— É por isso que gosto da sua mãe!
— Palhaço.
Como ainda estava um pouco cedo, compraram os ingressos e ficaram sentados nas mesas em frente. Riam e brincavam sem o mínimo de malícia, até ouvirem uma voz grave e conhecida.
— Nossa! Isso é muita coincidência, cara! — Disse Gustavo de mãos dadas com Larissa.
Leonardo e Lilian fizeram cara f**a quando o casal se sentou ao lado deles à mesa. Larissa, descaradamente, lançava olhares sugestivos para Leonardo, enquanto Gustavo olhava para Lilian.
— Você está linda, Lilian! — disse com um sorriso sedutor.
Lilian corou e sentiu seu coração disparar. Sussurrou um “obrigada”, mas logo seu coração partiu em dois quando viu Gustavo puxar Larissa pela nunca e beijá-la.
Leonardo se aproximou do ouvido dela e disse:
— Não fique assim, ele não é para você. Você merece um cara que preste!
— Um príncipe encantado! — disse sorrindo e olhando para ele.
— Ah tá! Plebeia! — Leonardo sentiu um t**a forte em seu braço e sorriu. — Louca!
— i*****l! — respondeu rindo.
— Tapada!
— Imprestável!
— Psicopata!
— s****o!
— Eu?!
— Não, eu!
— Ah há! Tarada!
— Ah, seu jumento!
— Isso são palavras de amor ou o quê? — perguntou Larissa interrompendo a brincadeira dos dois.
Lilian ignorou a pergunta e puxou seu namorado pelo rosto fazendo-o olhar para ela. Tinha raiva de Gustavo por tudo o que ele fez e sabia que ele sentia-se desrespeitado toda vez que Lilian beijava Leonardo na sua frente.
E foi o que ela fez. Grudou seus lábios com força nos dele em meio ao sorriso e mordiscou o lábio inferior e rosado do rapaz. Leonardo suspirou com o toque e afastou os lábios para iniciar um beijo de língua quando, de repente, algo estralou, pesou e ardeu no meio de suas costas.
— Deixem isso para mais tarde! — disse Gustavo. — Vai começar o filme.
O pobre coitado se irritou pelo t**a que levara nas costas e pela interrupção. “Agora que estava ficando massa!” — Pensou ele.
Entraram na sala e escolheram a última fileira no canto. Larissa ao lado da parede, Gustavo ao lado dela depois Leonardo e Lilian, para evitar que as duas se batessem.
Assim que o filme começou, Larissa e Gustavo começaram a se beijar. Ela praticamente arrancava a camisa do rapaz diante da força que suas mãos faziam para abraçá-lo. Incomodado, Leonardo abraçou Lilian.
— Só o que faltava! Estragou nossa noite... — resmungou ela sem olhar para eles.
Leonardo percebeu o ciúme na voz dela e a puxou pelo queixo fazendo-a beijá-lo. Antes de aprofundar o beijo, sussurrou.
— Ele tá doido para ver essa sua reação!
Ela entreabriu os lábios e deixou suas línguas se chocarem. Não tinham a mesma força que o casal “agarra, agarra” ali, mas foi o suficiente para tirar o sossego do rapaz. Amizade? Podia até ter, mas Leonardo exigia poder beijá-la mais vezes. Afastaram-se quando não tinham mais fôlego, depois voltaram a se beijar entre selinhos e abraços.
— Cansei desses dois e perdemos o começo do filme, vamos sair de fininho? — sussurrou ele em uma voz rouca e afetada, voz essa que Lilian não percebeu.
Ela assentiu e saíram de fininho. Correram até o estacionamento e entraram no carro do pai de Leonardo que ele tinha pegado emprestado.
— Vamos lá para casa, Lili? Meus pais estão lá e vão adorar assistir um filme com a gente.
— Melhor do que aturar aqueles dois, não é?
— Oh! Mas tem uma coisa...
— O quê?
— A gente vai ter que dar uns beijos na frente deles, minha mãe está meio grilada! — Preciso ressaltar que, em partes, essa frase é mentirosa.
— Tá, mas... nada de tentar coisas... Sabe?
— Sei.
Assim que chegaram na casa dele, Melissa os recebeu com um sorriso e abraçou Lilian. Sentaram-se todos no sofá para verem um filme da programação.
— Aff... Beija logo! — Disse Lilian para a mocinha do filme.
Leonardo gargalhou e a puxou pela cintura dando lhe vários selinhos. Ela o olhou com a sobrancelha arqueada.
— Quê? Não era comigo que você falava? — fingiu constrangimento.
Ela deu de ombros e voltou a olhar o filme. Estavam quase na metade quando Otávio olhou no relógio.
— Está na hora de irmos, Mel! — disse ele se levantando e pegando as chaves.
— Ué! Posso saber para onde? — perguntou Leonardo.
— Vamos ter um jantar de negócios. Tchau amores. Juízo. — disse Melissa.
— Léo, o carro da sua mãe está na garagem, use-o para levar a Lili em casa quando ela for.
— Vocês vão demorar?!
— Provavelmente.
Então os dois saíram. Lilian olhou no relógio, os ponteiros estavam pulando para as dez horas.
— Eu acho melhor eu ir também! — disse ela.
— Que isso? Nada! Agora que a gente não precisa ficar se agarrando? Nem pensar.
— Mas...
— Mas nada. Vamos lá para cima.
— Nem pensar!
— Não vou te agarrar, garota! É só por causa do computador.
Ainda insegura com uma marca roxa em sua pele lembrando que não era uma boa ideia... Lilian subiu. Leonardo ligou o computador atrás de alguns vídeos engraçados para verem. Ficaram um tempo rindo do vídeo, quando um em especial, fez Lilian sentir a barriga doer.
O cara (do vídeo) tentou passar a mão em uma mulher, quando ela se virou para esbofeteá-lo, acertou o marido que vinha logo atrás.
— Você ri né? — disse ele sério.
— Mas é claro!
— Doida!
— Estrupício!
— Vaca!
— Retardado.
— Ei!
Ele a puxou pela cintura jogando-a na cama e dando leves tapas nas coxas dela que gargalhava. Já conhecia aquela brincadeira! Ela o empurrou ficando por cima enquanto o prensava entre suas coxas. Deu um lindo t**a na cara dele (desses que estrala e arde a própria mão) entre risos.
— Sua p**a! Ainda reta quando mordo! — gritou ele.
— Shiu! Oh a boca, menino!
Leonardo se sentou abraçando-a pela cintura mordendo-a no colo. Em resposta, ela se debruçou por cima do ombro dele, puxou a blusa e desceu outro t**a fazendo-o gemer de dor.
— Agora você me paga! — Bufou ele.
Ele a atirou na cama ficou de joelhos e deu um t**a leve no rosto dela e um forte na coxa exposta. Afastou o corpo e mordeu a barriga deixando uma marca vermelha que logo seria roxa!
— Aih! Seu bruto!
Ela cruzou as pernas nos quadris dele girou de novo, como a cama não era de casal, tombaram no chão com ele por baixo.
— Ah! Quebrei as costas!
Lilian riu e se deitou por cima dele levando sua boca ao pescoço de Leonardo. Se ele achava que iria se livrar, estava muito enganado! Mordeu com gosto.
— Aih, quer arrancar sangue por acaso? — gritou ele.
— Eu? Hum... Adorei a ideia! — disse se sentando com ele entre as pernas novamente.
— Vem não!
— Vou sim!
Ela se aproximou de novo, mas Leonardo a puxou pelos cabelos fazendo-a ir para trás. Lilian o estapeou e, quando viu que suas mãos ardiam, cravou sua unha na barriga dele por baixo da blusa.
Mas, ao invés de ouvir um grito, um palavrão ou qualquer coisa desse tipo, Lilian escutou um gemido. Confusa, olhou para baixo e viu o volume nas calças dele. Respirou irritada!
— Só porque estou e******o, não quer dizer que a gente tem que parar! — Disse ele ao ver que ela estava tensa.
— Não sei não! Você já provou que...
— Esquece! A gente estava brincando de boa!
Ele se sentou a abraçou apertado e a virou rolando no chão. A soltou e seguiu apressado para mais uma mordida na coxa.
— Aih! Isso dói! Vagabundo!
— Shiu! Oh a boca, menina!
Ela ficou de pé, ele também. Ambos descabelados com marcas vermelhas em várias partes do corpo.
Ao ver que Lilian ainda tinha dúvida, Leonardo começou a dar pulinhos com os punhos fechados imitando um lutador. Tinha o olhar desafiante.
— Vem, vem! Tá com medo é???
Ela respirou fundo e andou até ele o empurrando até a parede, ao chegarem lá, ele riu e se dobrou para se defender do joelho que ela erguia para atacá-lo entre as pernas.
— Aí não vale!
Ele a puxou pelo joelho com uma mão e a outra a ergueu pelas coxas, deu alguns passos e a jogou na cama com ele por cima. Ela ria gostosamente.
— Cansei de te morder! — Disse ele de joelhos em cima da cama com as pernas um pouco afastadas e entre as dela.
— Ah é? E vai fazer o que agora? Me bater?
— Não! Cansei disso também! — Ele levou a mão direta para o cinto da calça, tirou e dobrou. — Vou te chicotear!
Lilian arregalou os olhos e pulou da cama correndo pela casa. Ele correu atrás dela.
— Ficou com medo né? — gritou ele enquanto ria.
— Até parece que você vai chegar perto!
Lilian estava se divertindo com isso. Sabia que ele não a machucaria, mas correr só pelo quarto não tinha graça!
Ela atravessou a sala e se escondeu atrás do sofá. O ouviu descer as escadas devagar
— Lili, sua louca! Tá com medo de quê? — Ele ficou em silêncio, depois pôs as mãos na cintura, resolveu duplicar os sentidos — Olha que você vai gostar!
Lilian se entregou caindo no chão entre gargalhadas. Quando recuperou o fôlego, o viu parado de frente a ela batendo o cinto na própria mão.
— Agora você vai fazer O que eu quiser!
— Só nos seus sonhos!
Ela se levantou pronta para correr, mas ele a segurou pelo braço com força e a jogou no sofá sentando em cima dela.
— Xeque mate! — disse ele.
— Não!
— Vai ser castigada por sua desobediência!
— Eu te desobedeci? Não me lembro!
— Claro que sim! E ainda tentou mandar em mim!
— Eu?! Nunca, jamais! Sou uma moça comportada, não mereço castigo!
— Me desobedeceu quando insinuou que não vai fazer O que eu quero, e ainda me mandou sonhar, quer perdão? Tá! Não vou ter misericórdia!
Ele ergueu a mão com o cinto e Lilian fingiu medo.
— Não, por favor... Não! — disse ela fingindo pavor. — Não me castigue. Eu peço perdão.
— Perdão? Eu não conheço essa palavra!
— Eu faço O que o senhor quiser!
— Hum... Não sei! Vai ficar m*l acostumada!
Lilian viu um brilho transpassar os olhos de Leonardo. Ele estava adorando a brincadeira!
— Prometo que não!
— Vai fazer O que eu quiser?
— Vou!
— Sem questionar? — Em tom mais baixo, quase um sussurro e sensual, continuou. — Nem me mandar parar?
Lilian começou a se preocupar, o caminho que aquela brincadeira estava tomando ia além de sua sensatez, mas, se parasse... E se ele ainda estivesse só brincando?
— Vou! — respondeu indecisa.