Rui nem percebeu que estava encarando Wendel a algum tempo, só quando um par de olhos castanhos caiu sobre ele, foi que se deu conta do que estava fazendo. Um estranho sentimento tomou conta dele aumentando seu m*l humor. Encheu o copo e virou de uma vez.
Wendel apavorada acha que pode ter sido descoberto.
- Vou nessa.
- E só brincadeira rapaz, não liga para esses caras não. Mais tarde piora.
- Nada haver, quero ir a um lugar antes de voltar para casa.
- Você é quem sabe.
Luiz desistiu.
- Você vai para um lugar mais maneiro e não apresenta para a gente?
- Para de pegar no pé do menino.
- Até amanhã pessoal. Divirtam se.
Wendel deixou cem reais na mesa e Saiu.
- Vocês são f**a, tinha que pegar no pé do garoto?
- Eu acho que essa coca é fanta.
- Júlio você parece uma lavadeira. Ninguém vai achar que você é mudo se não abrir a boca.
Carlos já está perdendo a paciência com ele.
- Vamos fazer um teste e ver como ele se sai.
- Você não tem jeito.
Luiz balança a cabeça.
- Deixa ele em paz!
Rui olhou f**o para Júlio que se assustou. Rui era o que menos falava, quando saiam tomava sua bebida em silêncio e depois se levantava e saia.
Wendy chegou em casa e a mãe estranhou.
- Wendy não ia sair com o pessoal da empresa?
- Eu fui mãe, mas não sei bateu um medo de ser descoberta.
- Como assim Wendy?
- Meu patrão estava me olhando estranho. Acho que ele desconfiou.
- Será? Esse tempo todo ninguém desconfiou.
- Sei não. Também é um bando de homens com um papo r**m que arrependi de ter ido.
- Você não pode fugir, aí que vão desconfiar mesmo.
- Eles acham que eu sou gay. Aí eu disse que tenho namorada, fiz besteira. Agora só falta eles querer conhecer.
- Toma cuidado filha, vamos dar um jeito de resolver essa situação logo.
- Tinha um advogado lá hoje. Leonardo Amaral já ouviu falar?
- Claro! Tem vinte e seis anos e nunca perdeu um caso. E muito respeitado e também muito caro contratar seus serviços.
- Mãe como sabe disso tudo?
- Ele sempre e citado nós jornais, mas não gosta de dar entrevistas.
- Entendi.
- Você está pensando em contratar ele para resolver o seu caso?
- Não de jeito nenhum. Ele é amigo do meu chefe.
- Uma pena, seria uma ótima escolha, causa praticamente ganha
- E, mas se ele contar para o Sr Castilho eu me dou m*l.
- Ele não pode comentar com ninguém. Existe o sigilo advogado/cliente. Se ele falar perde a licença e ainda pode enfrentar um processo.
- Eu não vou arriscar. Vou olhar outro, mas tenho que arrumar um tempo.
Débora agora tem pressa que a filha resolva essa situação. Depois da discussão com Walquíria, ela tinha medo que ela desse com a língua nos dentes.
No dia seguinte não deu outra na empresa, logo que chegou Luiz já a avisou:
- Wendel fica experto com o Júlio, ele vai armar para você.
- Como assim?
Ela já teve um sobressalto.
- Ele falou alguma coisa em fazer um teste para ver se você e gay.
- Esse cara vai pegar no meu pé agora?
- Ele não tem limites.
- Obrigado por avisar.
Para piorar foi até o escritório de Rui para passar os compromissos do dia e percebeu que ele não parava de encara-la.
- Sr. Castilho precisa de mais alguma coisa?
Era a segunda vez que ele perguntava.
- Não, pode ir.
Wendel saiu e Rui continuou olhando para a porta que acabou de se fechar. Sacudiu a cabeça duvidando de sua insanidade.
- Estou ficando louco!
Ontem ele tinha bebido, mas hoje estava sóbrio. Como explicar que estava se sentindo atraído por seu assessor? Só podia ser loucura.
Na sala ao lado Wendel também estava inquieto. O comportamento de Rui era estranho e ela tinha certeza que ele estava desconfiado. E ainda tinha Júlio que não ia largar do seu pé.
Precisava conversar com a única amiga que sabia da sua identidade. Iria ligar para ela a noite.
Saiu para almoçar e quando voltou o escritório estava tumultuado. Ela havia agendado dois compromissos para Rui no mesmo horário. O chefe estava furioso.
- Eu mantive você porque me garantiram que você era responsável e competente. Outro erro igual a esse e você pode procurar outro emprego.
Wendel não entende o que aconteceu. Foi revisar a agenda de Rui e estava tudo certo.
- Sr Castilho o Sr só tem agendado as quatorze horas com o pessoal do projeto do shopping. Não fui informado dessa reunião com o grupo Neves.
- Então para que te pago se não sabe de nada?
Wendel não era bobo e percebeu o sorriso disfarçado de Heloísa. Com certeza era coisa dela.
- Tudo bem, o Sr vai para o projeto do shopping e eu me encarrego do grupo Neves.
- Agora vai me dar ordens também?
Rui já está no limite da paciência.
- De forma alguma. O grupo Neves quer apresentar um proposta de cooperação, então posso lidar com isso. Já o outro está em fase de assinatura do contrato, precisa da sua presença.
- Vou aceitar. Mas se você ferrar com o grupo Neves está demitido.
- Eu não vou, confie em mim.
O grupo Neves queria a parceria para a construção de uma rede de supermercado. Alguns imóveis seriam reformados e outros seriam totalmente construídos. Não foi difícil para Wendel lidar com isso. Pegou um apanhado do que os clientes queriam, os endereços dos imóveis e o contato dos responsáveis.
- Vou levar para a empresa e pedir para elaborar o projeto. Entro em contato com os Sr assim que estiver tudo pronto e marcamos para os senhores darem uma verificada.
- Ok, eu aguardo.
- Qualquer dúvida, vocês tem o meu número direito. E só entrar em contato.