Não deu outra, as duas já chegaram reclamando.
- Wendel alguém mexeu na nossa sala.
- Vocês foram transferidas para a sala cinco.
- Quem te autorizou a mudar nossa sala?
- O Sr Luiz precisava dela.
- Desse a sua sala para ele. Ele é o assistente pessoal e você é só decoração.
- Se vocês puderem ir trabalhar, eu tenho muito o que fazer.
- Você não dá ordem para a gente, Pode estar na empresa a mais tempo, mas estamos com a equipe do Rui a mais tempo que você.
Wendel percebeu que Elaine é tão afiada quanto Heloísa.
- Vocês podem reclamar com o Sr Castilho. Agora me deixem trabalhar.
As duas sairam marchando e deram de cara com Luiz saindo da sala da presidência.
- Devolve nossa sala Luiz.
- Bom dia para vocês também. Eu vou ficar naquela sala. Estou pensando em mandar vocês para o andar de baixo.
Wendel segurou o riso.
- Você..
Heloísa foi interrompida no ato por Luiz.
- Wendel dá serviço para elas, se as deixar livres não deixam ninguém trabalhar e vai sobrar para você, se reclamar muito pode mudar elas de andar, o Sr Castilho não gosta de barulho.
- Certo meninas já acabou o recreio. Heloísa vá ao arquivo buscar esses contratos e se intere deles.
Passou para ela uma lista e outra para Elaine.
- Elaine ligue para todas essas empresas e começa a agendar os horários para virem aqui.
- Isso é trabalho seu, não sou paga para fazer o seu trabalho.
- Tem até às duas da tarde para me entregar os agendamentos. Podem ir agora.
- Wendel você está se achando.
- Eu disse que já pode ir.
Wendel levantou e encarou as duas que bateram em retirada marchando.
- Gostei garoto.
- Sr Luiz já vi que não vamos ter paz.
- Seja firme com elas.
- Eu serei! A agenda pessoal do Sr Castilho vai ficar com quem?
- Somente os assessores pessoais dele. Pode ficar com você. Na sua falta eu assumo.
Luiz passou detalhadamente e de forma bem completa a rotina de Rui e como ele gosta de tudo.
Com ele Wendel não teria problemas. Mas as duas secretárias era outra história.
- Wendel hoje vamos tomar um drink depois do trabalho. Esperamos você para nos acompanhar.
- Valeu, estou dentro.
Wendel avisou a mãe que ia sair com o pessoal do trabalho e chegaria mais tarde. Ela nunca deixava de avisar a mãe para que não ficasse preocupada.
- Toma cuidado filha, não exagera na bebida.
- Fica tranquila mãe, está tudo no controle.
No final do dia foram ao Belori Hills, um bar de frente para a igrejinha da Pampulha as margens da lagoa.
Sentaram-se e enquanto os homens pediam drinks fortes, Wendel pediu shop.
Há dois anos disfarçada, Wendel já estava acostumada ao papo masculino.
- Gostei do lugar, tem gata pra c*****o aqui.
- Olha a loirinha alí de olho em mim.
- Prefiro a morena do outro lado.
Wendel tomava seu shop com um leve sorriso no rosto. " homens" pensou.
- O Wendel você pega muita gata aqui?
Luiz perguntou.
- Eu não, quando saio e pelo prazer de refrescar a garganta.
- Vai me dizer que tu gosta de homem?
Esse era Júlio Montes, um dos arquitetos.
Wendel sorriu com o comentário, mas não podia explicar que era isso mesmo.
- Claro que não, só que tenho namorada.
- Aí, não vai dizer que não dá uma pulada de cerca.
- Não, se for para ficar na curtição eu não namorava, só ficava.
- Uau, o garoto e todo certinho. Sabe de nada inocente.
Os homens caíram na gargalhada, e Wendel nem piscou. Mas a chegada Rui Castilho a fez ficar rubra de vergonha, coisa que geralmente não acontecia e Wendel não esperava que ele se juntasse a eles.
Rui chegou acompanhado de outro homem que ela não conhece, se sentou a mesa e pediu um whisky duplo.
- Está de bom humor hoje Rui, um duplo logo de entrada?
Rui lançou flechas com o olhar para Júlio.
- Está com muito tempo livre? Vou te enviar para um projeto na África.
- Brincadeira meu caro, aqui é para relaxar. Vou até pedir uma garrafa de uma vez para você.
Rui pegou seu whisky e não respondeu.
- Léo o que está pegando?
- Eu não quero ir para a África em seu lugar.
Ou seja, não ia falar os assuntos de Rui.
- Quem é ele?
Wendel perguntou a Luiz.
-Leonardo Amaral, é um dos mais brilhantes advogados do país. Sério que não conhece?
- Não! Nunca ouvi falar.
Júlio que ouviu não ia deixar passar.
- Aí Léo, parece que você não é tão famoso assim.
- Mais que você com certeza sou.
- O Rapaz aqui nunca ouviu falar de você.
Parece que só então Léo percebeu a presença de Wendel.
- Sério? E quem é a figura?
- O novo assistente do Rui.
- Wendel Dr. Amaral. E um prazer conhecer.
Léo balançou a cabeça analisando Wendel em silêncio.
- O mais jovem fenômeno do judiciário Mineiro e você nunca ouviu falar? Hilário.
Júlio era realmente debochado.
- Talvez por que nunca precisei de um. Nunca me enrolei com a justiça.
Em meio a risadas a turma caiu em cima de Júlio.
- Podia dormir sem essa kkk.
Carlos bateu nas costas de Júlio e chorava de rir.
- O garoto tem cara de neném mas é afiado.
Wendel continuou seu shop sem dar atenção aos outros. Agora que estava em frente ao advogado, se lembrou da conversa com a mãe e a promessa que fez a ela.
Devia procurar um advogado para ver o que fazer na sua situação. Perdido em pensamentos, sentiu Luiz dar um toque em seu ombro.
- Está pensando o que Wendel? Ficou zangado com o Júlio?
- Não, só me distrai com uma lembrança.
Sorriu amarelo para Luiz e percebeu que Rui a olhava pensativo. Um arrepio lhe tomou o corpo. Será que ele percebeu alguma coisa?