Capítulo Doze - Après Moi

2953 Words
WINDBER, WESTERN USA • 28 DE SETEMBRO DE 2008 Olivia e Christoffer caminhavam pelo supermercado, procurando os itens que a garota precisaria para fazer a comemoração para Ann-Marie. — Ei! — a ruiva chamou atenção do amigo. — Alec me disse algo sobre você hoje! — Completou, sorridente. — Sobre mim? O quê? — O garoto encarou-a, confuso. — Algo que envolve Shakespeare! — respondeu, animadamente. — Ah, isso… — Christoffer abaixou a cabeça envergonhado, passando a mão pelo cabelo. — Ele me disse para perguntar o seu nome. Já faz horas que estou curiosa! Me conta, por favor. — A ruiva pediu, fazendo beicinho para ele. — Eu vou m***r o Alec. Por que não contou tudo logo? — O vampiro riu. — Então, meu nome é Christoffer… — Olivia aguardava ansiosa, com os olhos brilhando. — Romeo… — Encarou-o boquiaberta. — Mcbride. Eu assumi Bloodyeye depois, por conveniência — explicou-se. — Então, Mcbride se tornou Montague. — Ela estava empolgada com as descobertas. — Sim.. Bill achou melhor modificar os sobrenomes. — Bill… Isso é tão legal! — sorriu. — Isso significa que a Ma… — A garota parou de falar, engolindo seco. — Vamos, preciso pegar o suco. — Liv… — Christoffer segurou a mão da amiga. — Marie-Jeanne Juliet Costello Eymer. — Sorriu para ela. — Costello se tornou Capulet. O mais engraçado de tudo é que ela odiava o Juliet. — Vocês realmente fizeram história! — A ruiva apertou a mão do amigo, que tinha seu olhar distante. Olivia sorriu ao notar o tom lilás em seus olhos. — Podemos ir, Romeo? — perguntou, divertida. — Você não vai esquecer isso tão cedo, não é? — Christoffer questionou rindo. — Claro que não! Agora vamos, temos que arrumar tudo ainda! Já era noite quando Olivia e Christoffer terminaram de arrumar tudo. Ficou simples, mas os dois gostaram do resultado. Havia alguns balões decorando a mesa. Olivia fez os cupcakes, colocou uma bandeja com queijo mussarela, queijo cheddar, presunto, azeitonas e molho rosé ao meio. Em uma outra bandeja estavam os salgadinhos. Por cima de um dos cupcakes, um pouco maior que os outros, havia uma vela ao meio. — Eu gostei disso! — Olivia suspirou, encostando-se na parede. — Ficou ótimo! Mandou bem, Liv! — Christoffer respirou profundamente, pegando seu celular que estava na mesa. — Bom, eu já vou. — O que? Por quê? — a ruiva perguntou, confusa. — Não sei se você sabe, mas a Ann-Marie meio que não gosta de mim. — o moreno disse, fazendo uma careta. — Não vou estragar o momento dela. — O que? Não gosta de você? Quem disse? — Ela perguntou, com as mãos na cintura. — É nítido! — rebateu com desdém. — Besteira! Pelo que me lembro bem, ela perguntou de você outras vezes. — A ruiva deu os ombros. — Você vai ficar e pronto. Antes que pudesse responder, atentando-se aos sons do lado de fora, escutou os passos de Ann-Marie. O coração da garota coração estava palpitando e sua respiração estava descompassada, como se fugisse de algo. Christoffer olhou para a porta e Olivia o acompanhou. Logo Ann-Marie entrou, fechando a mesma com pressa e encostando-se nela. — Eu vi Mitch! — disse nervosa. — Ele me assustou muito. Estava completamente diferente de ontem. Eu… — A morena parou de falar ao notar tudo a volta. — Ah, você lembrou! — Sorriu para a amiga. — Claro! Não poderia deixar passar em branco. É simples, mas foi feito com carinho. Até Chris ajudou. — Olivia foi até a amiga, abraçando-a. — Meus parabéns adiantado! — Obrigada! Não precisava, sério. — A menina sorriu. — Obrigada, Christoffer. — Ele está aqui? — Christoffer perguntou, com os dentes cerrados. — Quem? — A morena perguntou, confusa. — Ah, Mitch… Sim, eu acho. Eu estava chegando do prédio, quando ele apareceu. Estava estranho, parecia fantasia de halloween. — Bom, aqui estamos seguros. Não é, Chris? Aqui dentro! — Olivia perguntou ao amigo, dando ênfase na frase. — Claro! — Sorriu para as duas, tentando ao máximo dispersar os pensamentos que o assolavam naquele momento. — Gente, eu preciso muito tomar um banho. Eu juro que vai ser super rápido. Não se matem, por favor! — Olivia disse divertida, enquanto entrava no banheiro e fechava a porta. — Por falar nisso, meus parabéns, Ann-Marie. — Christoffer disse para a morena. — Obrigada, Christoffer. — Apenas Chris. — O garoto fez uma careta, rindo em seguida. — Alec me chama de Christoffer quando quer chamar minha atenção por algo. — Certo, Chris. — A garota disse, sorrindo de lado, deixando suas covinhas à mostra. — Você não foi hoje, teremos uma atividade valendo nota na próxima semana. — Ah, obrigado. Eu estava um pouco indisposto mais cedo. Olivia me convenceu a ir ao supermercado. — Riu levemente. — Ela é bem convincente quando quer algo — completou, acompanhando o riso. — Olha só vocês dois conversando civilizadamente. Nem parece que se odeiam. — Olivia apareceu no cômodo, falando em um tom debochado. — Odiar é uma palavra muito forte. — Ann-Marie riu, olhando para Christoffer. O garoto encarou-a de volta e por alguns segundos era como se sua amada estivesse ali. Ele sentiu seu estômago embrulhar ao lembrar-se da verdade. Já a morena, por meros segundos perdeu-se no olhar do garoto à sua frente. Sentia-se diferente cada vez que convivia um pouco mais com ele. Era como se já o conhecesse de algum lugar, só não se recordava de onde. — Desculpa interromper o casal, mas estou com fome. — Olivia disse divertida, fazendo cada um olhar para um lugar diferente. Olivia distribuiu salgadinhos e alguns dos frios no pratinho para ela, Ann-Marie e Christoffer. Colocou suco para cada um deles e sentou-se, enquanto saboreavam. — Ei, onde está seu namorado? — Ann-Marie perguntou para Olivia. — Alec não é meu namorado. — Olivia disse, dando os ombros. — Não? — Christoffer perguntou, arqueando a sobrancelha. — Não teve um pedido, então não, ele não é meu namorado — respondeu séria, arrancando uma gargalhada de Christoffer. — Preciso contar isso a ele. — O garoto disse, se recuperando do riso. — Você não se atreva! — rebateu. — Ele está trabalhando hoje. — Olhou para Ann-Marie, sorrindo de lado. — Ah, Chris. Nós precisamos fazer aquele trabalho logo, ou pelo menos começar. — A morena olhou para ele. — Trabalho? Vocês dois? Juntos? — Olivia perguntou confusa. — É, foi sorteio ou algo assim. — Christoffer deu os ombros. — Podemos começar amanhã. Nos encontramos na biblioteca. — Pode ser. — Ann-Marie respondeu assentindo com a cabeça. — É sobre o que esse trabalho? — A ruiva estava curiosa, pois sabia que os dois não se davam tão bem a ponto de fazerem alguma atividade juntos. — Romeu e Julieta. — Ann-Marie disse simples, arrancando uma gargalhada de Olivia. A ruiva logo colocou a mão sobre a boca, para estancar o riso. — Desculpa, eu… — A ruiva ajeitou sua postura e limpou a garganta. — Eu adoro Romeu e Julieta. Sobre o que é? — Perguntou interessada, sorrindo ladino. Assim que olhou para o amigo, notou que ele encarava-a seriamente. Mas, logo abaixou a cabeça rindo, perdendo a postura com o interesse da ruiva sobre o assunto. — O que tem de tão engraçado nisso? — Ann-Marie questionou confusa ao notar que os dois davam sorrisos. — Nada, é que eu e Chris estávamos falando esses dias sobre uma suposta lenda. — A ruiva explicou-se. — Lenda? Que lenda? — A morena estava cada vez mais desordenada. — Sobre um suposto casal que havia inspirado Shakespeare para a história de Romeu e Julieta. — Completou sua fala. — Mas, nada foi comprovado. — Há pessoas que nem acreditam que Shakespeare existiu. — Christoffer desviou o assunto. — Teorias… — Mas, que casal é esse? — Ann-Marie perguntou interessada. — Parece que eram amigos de Shakespeare, que infelizmente tiveram uma vida trágica e ele acabou inspirando para a história. — A ruiva disse. — São apenas lendas. Nada demais. — Completou, finalizando o assunto ao notar que os olhos de Christoffer mostravam tristeza e o tom cinza estava evidente. — Deve ser legal ter uma história sobre você. — Ann-Marie disse pensativa. — Ou não… — Christoffer comentou cabisbaixo, fazendo a morena olhar para ele sem entender a sua fala, porém triste pois era isso que ele mostrava. Como se aquilo fosse algo doloroso para ele. De fato era, mas a garota não tinha conhecimento disso. — Bom, eu preciso contar algo para vocês! — Olivia chamou a atenção dos dois. — Está grávida? — Ann-Marie perguntou rapidamente, fazendo Christoffer engasgar com o suco que estava tomando. — Não, claro que não! — A ruiva rebateu rapidamente. — Nem sei se isso é possível… — Murmurou baixo. — Então, o que é? — Christoffer perguntou. — Ao que tudo indica, serei promovida no trabalho! — Disse animadamente. — Parabéns, Liv! Você merece! — Christoffer sorriu para a amiga. — Isso é ótimo, Olivia! — Ann-Marie disse sorridente. — O melhor de tudo é que eu não irei mais precisar dobrar os turnos e terei duas folgas na semana. Carga horária reduzida, mais tempo em casa. — Ela falava tudo com empolgação. — Meus parabéns, você vai conquistar o mundo! — Ann-Marie disse, abraçando a amiga. — Bom, eu vou embora agora. Está ficando tarde e vocês precisam dormir. Amanhã temos aula cedo. — Christoffer disse, levantando. — Tem certeza? Está cedo ainda. — Ann-Marie falou, levantando também. — Eu preciso mesmo ir. Meus parabéns novamente, Ann-Marie. — Christoffer estava sem jeito, pois não sabia como agir com a garota. — Obrigada, Chris. — A morena respondeu, abaixando a cabeça, colocando uma mecha do cabelo para trás da orelha. Respirando fundo, ela estendeu a mão para ele. — Nos vemos amanhã! — Claro, até amanhã! — Christoffer respondeu, apertando a mão dela. Era como se uma descarga elétrica tivesse caído sobre eles. Ambos respiravam com dificuldade, Christoffer sentia que seu coração iria sair a qualquer momento do peito. Ann-Marie sentia sua boca seca, seu coração estava com as batidas descompassadas. Olivia sorriu ao ver a cena. De certa forma, estava feliz pelo amigo. No fundo, sabia que se ele havia conquistado Marie-Jeanne, também conquistaria Ann-Marie. Isso a deixava feliz. Seu sorriso aumentou ainda mais ao notar o tom lilás nos olhos de Christoffer. Ela amava as descobertas que estava fazendo e saber que os olhos só mudavam de cor quando o sentimento era intenso a alegrava. O amor que Christoffer sente é nítido, ela se via obrigada a concordar com Alexander quando ele disse que o amor dos dois era épico. — Bom, até amanhã. — Christoffer cortou todo o contato, soltando a mão da morena rapidamente. — Nos vemos amanhã? — Perguntou para a amiga. — Amanhã meu turno é dobrado. Não sei se vamos nos encontrar por aí. — De qualquer forma, tome cuidado vocês duas. — Christoffer disse de maneira séria. — Qualquer coisa, você já sabe o que fazer. — Alertou a amiga. — Pode deixar. Vem, eu te levo até a porta. — Olivia disse, puxando a mão do amigo. — Sabe… — A ruiva encostou a porta, deixando os dois do lado de fora. — tem algo que acontece com você, que eu acho a coisa mais linda do mundo. — O que? — Christoffer perguntou confuso. — Toda vez que você menciona Marie-Jeanne, seus olhos mudam de cor. — Ela sorriu. — Sério? — Ele perguntou assustado. — Isso não deveria acontecer. — Não, calma. É quase imperceptível. Mas, é notável. Quem repara bem, consegue ver. — Mas, o cinza é um dos mais nítidos. d***a! — Ele disse nervoso, passando a mão pelo cabelo. — Você acha que Ann-Marie viu? — Não ficam cinza. — A ruiva riu levemente do olhar de confusão do amigo. — Lilás. Essa é a cor. — Lilás? — Olhou-a com confusão. — Mas… O que essa cor representa? Eu nunca havia notado ela. — Amor. — Respondeu simples. — Estou aprendendo algumas coisas sobre vocês. Algumas cores eu sei, outras eu imagino quais sejam. — Parece que o Alec te tornou uma boa aprendiz. — Ele riu. — i****a! — A ruiva rolou os olhos. — Olivia! Você pode me ajudar? — A voz de Ann-Marie ecoou. — Bom, preciso ir. Tome cuidado! — A garota abraçou Christoffer. — Você também, qualquer coisa você me liga que eu chego rápido. — Disse depositando um beijo no topo da cabeça dela. — Obrigada por hoje. Eu sei que não é fácil, mas mesmo assim você fez. — Disse sorrindo. — Olivia! — Dessa vez, o tom de voz era irritado. — Vá, antes que ela a mate. — Christoffer riu, soltando a amiga e caminhando para a saída. — O que foi, Ann-Marie? Eu já voltei! — Olivia disse assim que fechou a porta e conferiu se todos os trincos estavam fechados corretamente. — Achei que iam ficar ali a noite toda. Já estão o dia inteiro juntos e ainda ficam conversando todo esse tempo. — Você está com ciúmes? — A ruiva perguntou divertida, cruzando os braços. — Porque aquele lance do Alec não ser meu namorado é brincadeira, tá bom. A gente tá junto sim. — Ciúmes? Do Christoffer? Claro que não! — A morena negou, desviando o olhar. — Irei fingir que acredito. — A ruiva sorria ladino. — Agora, vamos terminar logo isso porque precisamos dormir. STRATFORD-UPON-AVON, REINO UNIDO • 29 DE SETEMBRO DE 1580 — Perdoe-me a demora, mon amour. — Marie-Jeanne disse rapidamente, enquanto corria até o amado. — Achei que não conseguiria vir aqui hoje. — Não tem problema, meu amor. — Christoffer disse, abraçando a menina e selando seus lábios. — Meu pai está cada vez mais rígido. — A menina revelou tristemente. — Queria que Filipe viesse hoje mesmo para o noivado. — O quê? — O garoto encarou-a assustado. — Minha mãe conseguiu convencê-lo do contrário. Não sei por quanto tempo mais irá durar essa decisão. — A menina revelou. — Eu… bom, hoje é seu aniversário. Eu preparei algo mas… — Você lembrou? — Marie-Jeanne perguntou sorridente. — Claro, como eu poderia esquecer! É algo simples, mas eu… Bom, você pode ter suas próprias conclusões. Christoffer abaixou-se e pegou entre as pedras um buquê de dálias lilás. Os olhos de Marie-Jeanne se iluminaram com o presente. — Eu amo dálias! — Disse sorrindo. — São lindas! — A morena aproximou o buquê do seu rosto, fechando os olhos enquanto sentia o perfume das flores. — Muito obrigada, mon amour. — Chegou perto dele, depositando um beijo carinhoso em seus lábios. — Veja se você gosta. — Christoffer disse, entregando uma caixinha para a amada. — Chris! Não precisava de tudo isso. — A morena disse surpresa. Ao abrir, notou um cordão delicado, com um pequeno pingente em formato de coração. Havia alguns desenhos trabalhados nele, o que dava um charme a mais. — É lindo! — A morena disse sorrindo. — E, olha só… — Mostrou a parte de trás onde havia as iniciais MJ e CR gravadas. — É tão lindo… — A morena olhava encantada. — Você pode… — Ela disse colocando o cabelo para o lado, virando de costas para que Christoffer colocasse o cordão. — Eu amo você! — Christoffer disse, depositando um beijo suave nos lábios da amada. — Eu te amo mais! — Ela respondeu sorrindo. WINDBER, WESTERN USA • 29 DE SETEMBRO DE 2008 Ann-Marie sentou-se na cama, respirando fundo. Como se não fizesse aquilo por um longo tempo. Estava confusa com o sonho que acabava de ter. Parecia algo tão real, tão verdadeiro. Desordenada, ela passou a mão pelo cabelo. Tinha certeza que já havia visto aquele cordão alguma vez, só não sabia quando. Procurando respostas, levantou-se e foi até o seu armário. Usando a iluminação da tela do celular, clareava procurando o objeto. — Ann… aconteceu alguma coisa? — Escutou a voz sonolenta da amiga. — Não, eu só… Está tudo confuso. — Respondeu murmurando. — O quê? — A ruiva sentou-se na cama, sem entender o que a garota estava fazendo. — Eu tenho certeza que já vi aquilo antes. Eu só não sei se eu trouxe. — Viu o que? Do que está falando? — Olivia esfregou os olhos, levantando e indo até onde Ann-Marie estava. — Ele… — A morena parou de falar assim que encontrou o cordão dentro de um saquinho transparente. Exatamente como no sonho. — O que é isso? — Olivia perguntou curiosa, tentando ver o que a amiga pegava. Ao tirar a embalagem, Ann-Marie virou o pingente e, exatamente como no sonho, lá estavam as iniciais. Era como se ela soubesse que aquilo existia, mesmo sem ter nenhuma lembrança nítida em sua mente sobre isso. A única coisa que ela sabia, era que o cordão pertencia a sua mãe. Nunca havia usado, mas por alguma razão, ela levou-o consigo. — Que cordão é esse? — Olivia tentava entender. — Olha só! É exatamente como eu sonhei! Como eu sei sobre isso? Eu nunca tirei esse cordão da embalagem. — A menina entregou o cordão para a amiga e passou a mão pelo cabelo. — MJ e CR… — Olivia disse pensativa. — Marie-Jeanne e Christoffer Romeo… — Ela murmurou boquiaberta. — O que disse? — Ann-Marie perguntou confusa, estava com os pensamentos acelerados, não conseguiu focar no que a amiga disse. — Quem é MJ e CR? — Questionou. — Eu não faço ideia…
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD