Capítulo Onze - A Novel Approach

2317 Words
WINDBER, WESTERN USA • 28 DE SETEMBRO DE 2008 Olivia e Alexander estavam sentados no parque enquanto a ruiva terminava de comer um cachorro-quente. — Eu não acredito que você me convenceu a não falar nada para o Chris — Alexander disse, respirando fundo. — Você estava com a cabeça quente, ia acabar fazendo alguma besteira. Além do mais, eu disse que íamos contar juntos. — A moça suspirou. — Você conheceu alguém famoso? — perguntou, fazendo o homem olhá-la com a expressão confusa pela mudança repentina de assunto. — Quer dizer, você está aqui por muito tempo, certo? — O quê? — o loiro indagou, desordenado. — Você também é britânico? — a ruiva questionou. — Está cheia de perguntas hoje, bae… — Alexander disse de modo divertido, rindo levemente. — Não, eu não sou britânico. Eu sou de Ribe, um lugarzinho pequeno e um pouco histórico, talvez. Fica localizado na Dinamarca. Christoffer é britânico. — Ele eu tinha assimilado por conta do sotaque, não perdeu com o passar dos anos. — Chris não é tão velho quanto pensa. — O vampiro riu. — Não? — A ruiva o encarou em surpresa. — Perguntastes se já conheci alguém famoso, não foi? Se eu te contar, você não vai acreditar. — Olhou-a de maneira divertida. Ele estava surpreso com a forma que Olivia conseguia fazê-lo esquecer dos problemas em questão de segundos. — Conta, por favor — a ruiva falou empolgada. — Bom, eu conheci Shakespeare — disse, orgulhoso. — O quê? — Ela o olhou em descrença e gargalhou em seguida, mas logo parou quando o homem encarou-a com a sobrancelha arqueada. — Oh, você está falando sério? — Sim! — Alexander confirmou, simples. — Oh! — A moça colocou as mãos sobre a boca, espantada. — Como ele era? — Honestamente, ele era mais amigo de Chris do que meu. Mas o conheci antes de toda a fama. Era um sonhador, vivia andando com um caderno e uma caneta para fazer anotações de ideias que surgiam em sua mente. — Isso é… Surpreendente! — Oh, você sabe o que é mais divertido? — Alexander empolgou-se. — Eu sei quem inspirou Romeu e Julieta. — Não brinca! — respondeu a moça, boquiaberta. Seus olhos brilhavam a cada palavra do loiro. — Quem? Você? — perguntou com desdém. — O quê? Eu? Não! Claro que não, bae — tranquilizou ele, rindo levemente. — Então… — ela disse, mas logo sua mente teve um brilho. — Christoffer, é claro! — Sim, ele mesmo. — Não acredito! Ele e quem? — questionou, curiosa. — Bem... quem mais seria? Você já ouviu falar sobre ela. — Marie-Jeanne? — perguntou, pasma. — Sim! — Alexander suspirou. — Sabe, eu realmente achei que eles conseguiriam fugir e viver a vida deles longe de onde morávamos. — Ele riu levemente, com o olhar distante. — Pensei que se casariam, formariam uma família… O amor deles era épico, algo verdadeiramente lindo de se ver. Era aquele tipo de sentimento que causava inveja em quem visse. — O vampiro respirou fundo. — Infelizmente, foi interrompido. Por minha causa, inclusive. — Esse amor ainda é visível no Chris. — Olivia sorriu ladino. — Sempre que algo é mencionado, o olhar apaixonado dele surge. É possível ver um tom lilás no fundo. — Lilás? — Alexander olhou-a, chocado. — Sim, sempre que ele menciona ela, é possível ver a cor em suas pupilas. — Eu… nunca me toquei disso. — Sorriu. — Você repara bem, lobinha. Deveria experimentar perguntar ao Christoffer o nome dele completo, vai se surpreender! — Alexander disse, sorrindo ladino. — Por quê? — A ruiva encarou-o de modo interessado. — Vou deixar que descubra! — O homem lançou uma piscadela. — Bom, já que estamos falando dos dois, eu preciso da sua ajuda. — A ruiva animou-se novamente. — Claro, o que precisa? — Amanhã é aniversário da Ann-Marie, mas eu queria fazer algo para ela hoje, porque no dia seguinte é meu turno dobrado do qual não consegui trocar. A hora que eu chegar, ela provavelmente estará dormindo. — Certo, o que preciso fazer? — Ele sorriu. — Pensei em comprar alguns pães para fazer sanduíches, suco, talvez um cantinho com frios… — Bolo — Alexander disse, os lábios repuxados em um leve riso. — Claro, bolo. Pensei em fazer alguns muffins ou cupcakes. O que acha? — Eu prefiro cupcake — sugeriu. — Certo, cupcake. Eu só preciso comprar as coisas, tipo… agora. — Claro, vamos lá. No instante em que ambos levantaram, o telefone de Alexander começou a tocar, cujo aparelho o homem não hesitou em atender. — Doutor Bloodyeye falando. — Olivia olhou para o loiro atentamente. — Certo, eu compreendo... Não há problema algum, em vinte minutos estarei aí. Suspirando tristemente, a ruiva já havia entendido que não poderia contar com a ajuda do rapaz a seu lado naquele instante. Assim que finalizou a ligação, o loiro encarou-a, cabisbaixo. — Estão precisando de mim no hospital, o médico de plantão foi para uma cirurgia de emergência e não há outro para cobri-lo. — Está tudo bem. — A moça sorriu de canto. — Perdoe-me, bae. Por que não chama o Chris para ir contigo? — recomendou. — Eu vou em casa pegar minhas coisas e me trocar, por que não vem? Você fica com o carro e leva-o junto. Quando saí de casa, ele estava lá. — Pode ser. — Sorriu um pouco mais animada. — Não fique chateada comigo — Alexander pediu, puxando-a pela cintura. — Não estou, eu juro. — A ruiva tranquilizou, passando os braços pelo pescoço dele. — Claro que você irá me recompensar — disse de maneira convencida, fazendo o homem rir. — Eu vou, prometo. — Ele juntou seus lábios, beijando-a levemente. — Vamos, não quero ser motivo do seu atraso. — A moça puxou-o pela mão até o carro. — Não seria uma má ideia — Alexander disse, sorrindo maroto. — Alexander Bloodyeye, você tenha juízo. Os pacientes estão esperando — disse, divertida. Logo que chegaram no apartamento do vampiro, entraram e encontraram o mais novo deitado no sofá, assistindo televisão. O moreno sorriu ao ver os dois. — Você não estuda não, menina? — perguntou em diversão para Olivia. — E nem você, pelo visto — respondeu em mesmo tom. — Vocês não estudam, mas eu trabalho. Irei cobrir um plantão agora, irmão. — Tão cedo? Pensei que seria apenas pela noite. — É, eu também… — o homem murmurou, indo para o quarto. — Então… — Olivia disse enquanto jogava-se no sofá ao lado de Christoffer. — Diga logo o que você quer. — O vampiro riu, encarando-a. — Eu preciso da sua ajuda hoje. Amanhã é aniversário da Ann-Marie, e eu… — a moça interrompeu-se. — Chris, você está bem? De repente, o moreno adquiriu um olhar distante ao mesmo tempo em que uma imensidão cinza tomava conta de seus olhos. Hiperventilando, ele tentou controlar a respiração e as emoções. Estava cada vez mais difícil ignorar todas as semelhanças entre a sua amada Marie-Jeanne e Ann-Marie. Seria possível que as duas realmente estivessem ligadas? O suor escorria de sua testa, suas mãos encontravam-se molhadas, seu estômago doía. Tornava-se cada vez mais complicado conseguir controlar o compilado de sentimentos que havia dentro dele. — Irmão, o que está acontecendo? — Alexander surgiu na sala, parando ao lado do rapaz. — Bae, o que houve? — Não sei, eu só falei do aniversário da Ann-Marie, e então ele ficou assim… — a ruiva explicou enquanto respirava rapidamente, com os batimentos cardíacos acelerados. Não sabia o que estava ocorrendo com o amigo e a preocupação de Alexander estava se misturando com a dela. — Que dia é hoje? — o loiro perguntou para a moça. — É 28 de setembro. Alec, o que está havendo? — m***a! — murmurou ele. — Chris, você tem que voltar, agora! — o vampiro completou, encarando o irmão profundamente. — Christoffer! — disse um pouco mais alto. — Eu… — O moreno respirou fundo, sentindo seus olhos ficarem marejados. — Eu estou bem. Perdoe-me, Olivia. — Ele piscou algumas vezes, fazendo seus olhos voltarem para o tom de azul que possuíam. — Eu fiz algo errado? Me desculpe, Chris. Você não precisa me ajudar, eu consigo fazer sozinha — a moça disse com a voz falha, ainda sem saber o que havia feito. — Não, você não fez nada. Não se preocupe. É claro que eu te ajudo — Christoffer disse, sorrindo ladino para a amiga. — É só que… — Marie-Jeanne fazia aniversário dia 29 de setembro — Alexander completou. — Como…? Elas têm muita coisa em comum! — E depois de ontem… — o loiro começou a falar, mas logo se arrependeu, fechando os olhos em seguida. — O que aconteceu ontem? — o mais novo perguntou, preocupado. — Ele precisa saber, Alec. — A ruiva segurou a mão do amado. — Eu preciso saber o quê? Olha, se Ann-Marie disse alguma coisa sobre a festa, apenas lamento. Eu avisei que não era para beber tanto, mas não me escutou. Ainda tive que deixá-la em casa — Christoffer despejou tudo rapidamente. — Ontem a Ann teve um pesadelo… — Alexander começou a falar. — Eu sinto muito por ela — o moreno debochou. — Sobre a morte de Marie-Jeanne — Olivia completou, fazendo o outro rapaz olhar com a expressão desconcertada para eles. — Como assim? — perguntou, intrigado. — Ela sonhou com o dia da morte de Marie-Jeanne, literalmente. Era como se estivesse lá… — o vampiro disse com o olhar distante. — Mas como isso é possível? — Christoffer questionou. — Ela é realmente um doppelgänger? — Não! — Alexander rolou os olhos. — Quer dizer, não sei. — Olha, de onde eu venho há um nome: samsāra — Olivia começou a explicar. — É uma espécie de transmigração na qual, depois de um tempo no mundo dos mortos, a alma volta à vida. — Mas isso é possível? — Alexander indagou. — Não sei. Da mesma forma que você tem… Quantos anos você tem? — questionou. — De qualquer maneira, da mesma forma que vocês estão por aqui há anos, minha família se transforma em lobo. Nem tudo tem explicações. — Tem razão — Christoffer disse, respirando fundo. — Se isso for verdade, o que está… não sei… ativando essas memórias? — Ele franziu o cenho. — Ah, a outra parte da história… — Alexander suspirou. — Tem mais? — o moreno inquiriu, inquieto. — Nós nunca descobrimos o que aconteceu. E agora, bom, Ann-Marie nos contou. — Como assim? — O rapaz estava perplexo. — Amaymon a matou — Olivia revelou. — Ama… Mitch! — Christoffer constatou com raiva. — Espera, você conhece ele? — a moça perguntou. — Aquele filho da… — O vermelho tomou conta dos olhos do vampiro mais jovem. — Ele estava na festa ontem, o tempo todo atrás dela. — O rapaz estava furioso. Cada palavra pronunciada por Christoffer fazia seus lumes ficarem cada vez mais rubros, assustando a mulher que nunca havia visto o amigo daquela forma. Ela, que estava nervosa e com a respiração descompassada, escondia-se atrás de Alexander. — Chris, você precisa se acalmar! — O loiro chegou perto do irmão, olhando-o profundamente nos olhos. — Acalmar? Jura? — perguntou com escárnio. — Eu finalmente descobri quem fez tão m*l à minha amada Marie-Jeanne e você me pede calma? — Cada segundo a mais, suas íris atingiam um novo tom de carmesim. — Você precisa se acalmar — Alexander insistiu. Com os batimentos cardíacos e frequência respiratória elevados, o moreno encontrou o olhar assustado de sua amiga atrás do irmão, fazendo-o rapidamente piscar suas orbes várias vezes, afastando todos os pensamentos de sua mente. Demorou apenas alguns segundos para que conseguisse se acalmar, abrindo as pálpebras novamente ao revelar que os globos estavam mais azuis do que nunca. — Eu sinto muito, Olivia. Eu não quis te assustar. — O rapaz passou a mão pelos cabelos. — É só que… — Está tudo bem, Chris. É só que eu nunca tinha visto essa cor antes. Na verdade, vocês são os primeiros vampiros com quem tenho contato, então qualquer coisa sempre será novidade. — A moça sorriu sem graça. — Agora que sabe, precisa ficar atento na universidade. Se Amaymon estava na festa ontem, significa que os Bloodlust estão por perto. — Eu faço praticamente todas as aulas com Ann-Marie. O problema é Olivia, que fica em outras salas sozinha. — O que eu sinto, ele sente. Todas as vezes em que algo estava acontecendo, Alec chegava em questão de segundos. — A mulher sorriu para o amado. — Bom, todos nós devemos estar atentos — Alexander concluiu. — Agora eu preciso ir trabalhar. Irmão, leve-a até o supermercado e depois para o seu dormitório. — Espera, você não vai de carro? — Olivia perguntou, intrigada. — Achei que deixaria você lá e depois iria até o supermercado. — Não há tempo para isso, eu vou andando mesmo. — Andando? — A ruiva encarou-o, desordenada. — Você mesma disse que cheguei em segundos, certo? Eu não estava de carro — redarguiu o loiro. — Ah, claro. — Olivia riu, lembrando-se dos dons que aquela espécie possuía. — Estou indo agora. Irmão, cuide dela. Alexander depositou um beijo na testa de sua amada e saiu pela porta, fechando-a em seguida. — Bom, nós devemos ir logo. Ann-Marie tem aula hoje até às seis horas da noite. Até lá, conseguimos deixar tudo preparado — o moreno disse ao pegar a chave do carro, andando em direção à porta. — Chris, tem certeza que está tudo bem? Eu posso fazer isso sozinha — a moça sondou, preocupada com o amigo. — Não vou deixar você sozinha. Eu estou bem. Vamos?
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