Capítulo Dez - Ne Me Quitte Pas

1782 Words
WINDBER, WESTERN USA • 27 DE SETEMBRO DE 2008 Ann-Marie estava em um palácio, suas roupas eram de outra época. Confusa, olhou à sua volta. Sobre a cama, algumas roupas indicavam que alguém iria viajar. Logo uma mulher, com roupas de serviçais, entrou no quarto e aproximou-se dela. — Senhora, precisa de mais roupas para a sua fuga? — disse, em voz baixa. — Fuga? — questionou confusa. — Sim, hoje será a fuga com seu amado. A senhora esqueceu-se? — A mulher aparentava confusão. — Não, eu… — Ann-Marie caminhou até o espelho. Ao encarar o seu reflexo, notou que não era ela e sim outra pessoa idêntica a ela, porém com características distintas. Seu cabelo era cacheado, na altura dos ombros e estava solto, na sua cabeça, uma coroa enfeitava o seu penteado. No momento em que ia perguntar algo para a mulher, olhou a volta e se viu sozinha novamente. — É apenas um sonho… — murmurou para si. Ouvindo um barulho vindo da janela, olhou para lá assustada. Provavelmente seria o tal amado que a mulher havia dito. Porém, quem entrou foi Amaymon e, como de costume, seu sorriso perverso estampava o seu rosto. Ann-Marie sentiu seu coração se agitar precisava sair dali o mais rápido possível. Quando correu até a porta, Mitchell parou a sua frente, em uma velocidade absurda. Com os olhos arregalados, a garota voltou-se para a janela e novamente foi interrompida por ele. — Como… — A morena estava confusa. — Você é bem diferente do que eu imaginava. O bastardo sabe escolher. — Aproximou-se, mexendo nos cachos dela. Quando ela ia correr novamente, Mitchell puxou-a, e Ann-Marie acabou caindo no chão. Ele colocou seu corpo sobre o dela, prendendo os braços sobre a cabeça, por mais que a garota lutasse, não conseguia se soltar. — Eu amo quando vocês fazem isso, porque logo começam a implorar pela morte — disse, aproximando seu rosto do pescoço dela, inspirando profundamente. — Ah, o aroma de sangue fresco. Infelizmente, não poderei matá-la dessa forma — completou, passando os dedos pelo pescoço da garota. Ann-Marie encarou-o, apavorada. Se debatia, mas de nada adiantava. — Queria fazer mais por você, mas as ordens são que tudo deve ser feito rapidamente — Amaymon disse maleficamente, tirando uma faca de sua cintura. — Não! Por favor, não faça isso! Não! — Ann-Marie implorava e, quanto mais ela se debatia, mais Mitchell se divertia com a cena. ╬╬═════════════╬╬ Alexander caminhava ao lado de Olivia, quando sentiu cheiro de pavor, medo, tensão, um misto de sentimentos ruins exalava. Ele parou por alguns segundos, fazendo Olivia encará-lo. — O que foi? — a ruiva perguntou, confusa. — Não! Por favor, não faça isso! Não! — Alexander escutou a voz de Ann-Marie choramingando de longe. — Anda, corre. — Saiu puxando a ruiva, que o acompanhava, mas não entendia. — Alec! — Ela falou um pouco alto, assim que parou na porta do seu dormitório. — Não! Me larga! — Escutou Ann-Marie de dentro do quarto. Rapidamente ela abriu a porta, entrou assustada e viu que Ann-Marie dormia. — Ann, acorda. — Olivia aproximou-se dela, balançando-a devagar. — Não, Mitch! Me solta. — A morena ainda dormia. — Ann-Marie! Acorde! — Alexander falou um pouco alto, próximo a garota, fazendo-a sentar-se na cama assustada. Ela chorava, o suor escorria por todo seu corpo. Seu cabelo estava colado em sua testa. Confusa, olhou para os lados e deu um suspiro aliviado ao ver os dois ali. — Ei, eu estou aqui. — Olivia abraçou a garota. — Nada vai acontecer com você. — Foi tão real. — A morena choramingou. — Quer me contar sobre o que era o pesadelo? — Olivia afastou-se, passando a mão sobre o rosto da morena, tirando o cabelo que estava colado ali. — Eu estava em um lugar muito antigo, vestindo roupas de outra época. Era como se eu fosse outra pessoa. — Alexander franziu a testa, escutando tudo aquilo. — Uma mulher veio me dizer que eu fugiria com meu amado aquela noite. — O homem arregalou seus olhos, engasgando-se com a própria saliva. — Alec? — Olivia chamou sua atenção. — Perdoe-me, pode continuar. — Incentivou a morena a terminar. — Foi quando ele apareceu, dizendo coisas estranhas. Disse que eu cheirava a sangue fresco. — Olivia olhou para Alexander assustada, depois voltou a olhar para a amiga. — Ele quem? Você o conhece? — ele questionou. — Mitch. Ele estava na festa de hoje. Aquela festa que nós fomos convidadas. Maldita hora que fui. — A morena resmungou. — Eu não conheço nenhum Mitch — Olivia disse confusa. — Eu não entendo, era como se fosse eu lá, mas quando olhei no espelho, era completamente diferente. Tinha cabelos cacheados, e uma coroa na cabeça… — A morena disse pensativa, com o olhar distante. Alexander olhou boquiaberto para Olivia e então encarou a morena novamente. Não era possível que ele estivesse ouvindo tudo aquilo. — O que ele queria com você, Ann? — Olivia questionou. — Me m***r. — A morena olhava para a parede, como se tudo aquilo viesse a tona. — Com a faca, várias e várias vezes… — E de onde esse tal Mitch é? — Alexander perguntou, irritado com tudo aquilo. Quem quer que fosse, pagaria por tudo. — Ele estava na festa. Ele disse que já me viu pelo campus, mas nunca falou comigo porque eu ando sempre com um cachorro por perto. Sinceramente, eu não entendi absolutamente nada. Está tudo muito confuso. — A morena passou a mão pelos cabelos. — Cachorro? — perguntou Alexander com raiva. — Sim, eu só quero dormir. Estou cansada. — Ann-Marie respirou fundo. — Ele disse qual era o nome dele? — O homem estava furioso. — Era um nome estranho. Amy… Ama… — A morena tentava recordar-se. — Amaymon — Alexander disse, sentindo seu corpo se enrijecer, a raiva estava dominando-o. — Isso! Você conhece? — A morena olhou surpresa para ele. — Já ouvi falar. — Alexander fechou seus olhos, controlando suas emoções. — Volte a dormir, Ann. Foi um longo dia — Olivia falou, ajeitando a amiga na cama. — Durma bem. Eu estou aqui. Quando a morena adormeceu, Olivia pegou a mão de Alexander e levou-o para fora do quarto, fechando a porta. — Quem diabos é Amaymon? — a garota perguntou, cruzando os braços. — Não mente para mim, eu senti o que você sentiu. — Irmão de Lenore Romanov. Eles fazem parte dos Bloodlust — explicou. — Bloodlust? O clã? — Olivia encarou-o, confusa. — Achava que eles eram uma lenda… — Algumas pessoas pensam o mesmo de mim — murmurou. — Deixa eu adivinhar. Cabelos cacheados, coroa… Marie-Jeanne, certo? — questionou. — Sim, Marie-Jeanne era princesa. Todos esses anos, eu nunca havia entendido a morte dela. Mas, hoje eu… Ela morreu por minha causa. — Alexander respirou profundamente. — Chris nunca irá me perdoar. — Ao encarar ele, Olivia notou a imensidão cinza tomar conta do olhar dele. — Ei, claro que não! — Aproximou-se dele, passando a mão pelo seu rosto. — Ele é seu irmão e nós estamos falando de Chris, é claro que ele não vai ficar chateado com você. — Olivia, você não está entendendo — o loiro disse pausadamente. — É do amor da vida dele que estamos nos referindo. — Escuta, acima de tudo, ele é teu irmão. — Se ele está aqui, significa que a Lenore também está… — Alexander murmurou. — Ela está cumprindo o que disse, virá atrás de todos que eu amo. — Bem que o Chris me disse que você é paranóico… — Olivia resmungou. — Eu tenho que ir — Alexander disse rapidamente. — Alexander Bloodyeye, eu estou falando com você — Olivia disse irritada, fazendo-o encará-la com as sobrancelhas levantadas. — Escuta, bae. — Alexander respirou fundo, segurando o rosto de Olivia, fazendo-a encará-lo. — Certa vez eu confrontei Lenore e ela jurou que voltaria e iria atrás de todos que amo. A morte de Marie-Jeanne sempre foi um mistério para mim, porém agora tudo ficou claro. Eu não vou deixar ela machucar as pessoas que eu amo pela segunda vez — disse seriamente. — O que você quer dizer com bae? — A ruiva perguntou confusa. — Sério? Foi a única coisa que escutou? — Alexander rolou os olhos. — Não, mas é a única coisa que não sei o que significa. — Before anyone else — murmurou baixo. — Antes de qualquer outra pessoa… — Olivia sorriu, encarando-o. — Eu amei! — A ruiva se aproximou dele, passando seus braços pelo pescoço do garoto. — Você não está entendendo a gravidade da situação. — Alexander respirou fundo, puxando a ruiva pela cintura. — Escuta, você é a p***a de um vaearlaï. Se alguém não entendeu algo aqui foi essa Lenore. Você já enfrentou ela uma vez, e continua aqui, não é mesmo? O que significa que ela não é tudo isso que pensa que é. — Olivia sorriu para ele. — Eles fizeram tudo isso com Chris. Eu não posso deixar acontecer novamente com ele. Não posso deixar a história se repetir — disse tristemente. — Nós não vamos deixar nada acontecer com nenhum dos dois. Escuta, Chris estuda com Ann, tenho certeza que ele não deixará nada acontecer a ela. E eu estou sempre por perto, o que eu sentir você sente, lembra? — Esse é o problema, eu não vou me perdoar nunca se algo acon… — Não vai! — A ruiva interrompeu. — Nós somos quatro, e ele é apenas um. A vantagem é que ele não sabe que Ann-Marie sonhou isso. Bom, ela também não sabe… Você acha que ela é algo? — A ruiva perguntou baixo. — Não! Bom, doppelgänger, talvez? — O garoto sugeriu, fazendo Olivia rir. — Acha mesmo que ela é a irmã dela do m*l? — Não, mas Chris pensa isso, ainda mais por conta do seu sobrenome… — Deixa eu adivinhar, o mesmo sobrenome de Marie-Jeanne? — perguntou, arqueando a sobrancelha. — Exato! — sorriu amarelo. — Bom, de onde eu venho temos um nome para isso… — encarou-a atento. — Chama descendentes… — completou, fazendo Alexander rolar os olhos. — Nem tudo tem uma explicação sobrenatural, Alec. — Eu ainda preciso achar uma maneira de contar a Chris… — Vamos fazer isso amanhã. Nós contamos juntos a ele e ninguém sai machucado. — A ruiva sugeriu. — Certo, amanhã combinamos. Agora, você precisa dormir — Alexander disse, beijando a testa da garota. — Me avise quando chegar em casa — ela sorriu, dando um selinho nele.
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