Ela se recostou na cadeira, pegando o copo como se fosse juiz de interrogatório.
— Tá, agora me diz… vocês todos ainda estão solteiros ou estão de rolo com alguém?
Silêncio.
Um silêncio suspeito.
Zac foi o primeiro a rir, levantando as mãos.
— Eu tô solteiro e feliz, obrigado.
— Mentira — Leon cortou na hora. — Você ficou de “conversinha” com a fisioterapeuta do time.
— Conversinha é diferente de relacionamento — Zac respondeu rápido demais.
Lola estreitou os olhos.
— Isso foi muito específico.
Zac engasgou com a própria bebida.
Dante soltou um riso baixo.
Dante cruzou os braços, olhando em volta.
— Eu também tô solteiro.
— Você fala isso como se fosse uma sentença de prisão — Lola provocou.
— E é mais seguro assim — ele respondeu simples.
Liam soltou um suspiro leve.
Liam apoiou o braço na mesa.
— Solteiro.
— Seco assim? — ela perguntou.
— Eu trabalho demais pra ter tempo de drama — ele disse.
Adrian ajeitou a postura, tranquilo como sempre.
Adrian respondeu sem pressa:
— Também solteiro.
— Médico bonito, rico, solteiro… isso é ilegal em algum país — Lola comentou.
Ele só deu um meio sorriso.
— Ainda não fui preso por isso.
Leon girou o copo, fingindo pensar muito.
Leon respirou fundo.
— Solteiro também.
— Também? — Zac riu. — Isso soou como se você tivesse quase mentido.
— Eu só evito complicação — Leon respondeu.
Lola bateu na mesa, animada.
— Tá, então todos vocês estão solteiros…
Ela olhou um por um, como se estivesse processando a informação.
— Isso é perigoso.
— Perigoso por quê? — Liam perguntou, desconfiado.
Ela sorriu, inocente demais pra ser confiável.
— Porque um grupo de cinco homens lindos, ricos e funcionais… sem ninguém pra encher o saco emocionalmente… significa que sobra energia pra aprontar.
Zac riu alto.
— Ela não tá errada.
Dante apontou pra ela.
— Principalmente você que é a responsável por metade das nossas decisões ruins.
— Eu? — ela colocou a mão no peito de novo.
— Você — os cinco responderam juntos.
E a mesa voltou a rir.
Mas dessa vez tinha algo diferente no ar…
Como se a pergunta dela tivesse aberto uma porta que nenhum deles estava com pressa de fechar.
O bar já estava mais cheio de risadas, copos batendo, provocações voando entre eles como sempre.
Mas quando Lola encostou as costas na cadeira e falou, a energia mudou.
— Eu tive um encontro recentemente… péssimo.
Na hora, os cinco pararam ao mesmo tempo.
Liam estreitou os olhos.
— Péssimo como?
Zac já inclinou o corpo pra frente, interessado.
Leon parou de girar o copo.
Adrian ficou sério.
Dante soltou o ar devagar, aquele olhar de delegado que já pressentia problema.
— O que aconteceu? — Dante perguntou, mais baixo.
Lola soltou um riso sem humor, como se ainda não acreditasse.
— O cara perguntou se eu não tinha vontade de diminuir meus s***s e minha b***a.
Silêncio.
Um silêncio pesado.
Depois veio o choque.
— O QUÊ? — Zac quase levantou da cadeira.
— Repete isso — Leon falou, a voz mais baixa… perigosa.
Liam passou a mão no rosto, incrédulo.
— Ele disse isso pra você?
Adrian franziu o cenho.
— Em um encontro?
Dante já tinha mudado completamente a postura.
— Onde foi isso?
Lola deu de ombros, como se fosse absurdo demais até pra guardar raiva.
— Exatamente. Segundo ele, eu chamo atenção demais.
Ela riu de novo, mas agora era uma risada de incredulidade.
— Gente, sério… eu entrei no restaurante e basicamente parei o lugar. Todo mundo olhava, até homem acompanhado. Mas eu não tava dando bola pra ninguém.
Leon bateu o copo na mesa, mais forte do que devia.
— Não. Não.
Zac passou a mão no cabelo, rindo de nervoso.
— Isso não é insegurança, isso é doença.
Liam olhou pra ela fixamente.
— E você ficou lá ouvindo isso?
— Não, eu respondi mentalmente primeiro — ela disse calma.
Dante inclinou a cabeça.
— E depois?
Lola respirou fundo, como se fosse a parte mais simples do mundo.
— Ele ainda disse que ia me chamar pra um sushi…
Leon soltou um “c*****o” baixo, desacreditado.
— E desistiu.
Zac riu sem acreditar.
— Ah não…
— Porque disse que tinha certeza que não ia dar conta — ela continuou, leve. — “Prefiro evitar”.
Adrian fechou os olhos por um segundo.
— Isso é… inacreditável.
O ar na mesa ficou pesado e ao mesmo tempo cheio de energia.
Raiva, incredulidade… e aquela necessidade silenciosa de proteger.
Dante apoiou os cotovelos na mesa.
— Onde esse homem tá agora?
— Dante… — Lola chamou, meio rindo.
— Não é brincadeira — ele respondeu seco.
Leon soltou um riso sem humor.
— Eu ia destruir esse restaurante inteiro só por princípio.
Zac apontou pra ela.
— E você? O que você fez?
Lola deu um gole na bebida, tranquila demais.
— Eu levantei, olhei pra ele e falei: “E você não daria conta mesmo não.”
Silêncio.
Depois… explosão.
Zac riu alto, quase engasgando.
— NÃO!
Leon bateu na mesa rindo de raiva.
— EU SABIA! EU SABIA QUE VOCÊ NÃO IA FICAR QUIETA!
Liam soltou um sorriso incrédulo.
— Você falou isso na cara dele?
Adrian balançou a cabeça, impressionado.
— Corajoso… ou suicida social.
Dante respirou fundo, mas o canto da boca dele entregava que ele aprovava.
— E depois?
Lola deu de ombros.
— Me levantei e fui embora.
Ela sorriu, simples.
— Como uma boa deusa faz.
A mesa inteira ficou em choque por meio segundo…
E depois todos começaram a falar ao mesmo tempo.
— “Deusa”? — Zac riu.
— Você é impossível — Leon apontou pra ela.
— Isso foi humilhante pra ele — Liam disse, sério.
— Foi necessário — Dante completou.
Adrian olhou pra ela com um meio sorriso.
— E ele ficou?
— Ficou — ela respondeu. — Sentado. Sozinho. Processando a própria falta de noção.
Silêncio de novo.
Mas agora… era um silêncio satisfeito.
Lola cruzou as pernas, tranquila, como se nada tivesse acontecido.
E os cinco…
já não estavam mais só rindo.
Estavam perigosamente quietos.