O bar ainda estava meio em choque com a história do encontro — risadas curtas, xingamentos baixos, aquele clima de “isso não pode ser real” ainda pairando na mesa.
Mas então Lola soltou, mais leve, encostando a cabeça no encosto da cadeira:
— Mas agora eu tô sossegada… eu estava com muita saudade de vocês.
Foi como se o ar mudasse na hora.
Liam foi o primeiro a olhar pra ela de verdade, sem brincadeira, sem provocação.
— Você some demais.
Zac soltou um riso curto, mas mais suave.
— Fala isso como se fosse novidade. Ela sempre some e depois volta como se nada tivesse acontecido.
Leon inclinou o corpo pra frente, encarando ela.
— E a gente sempre fica aqui esperando.
Adrian respirou fundo, mais calmo, mas com aquele tom sincero.
— Também sentimos sua falta.
Dante cruzou os braços, olhando pra ela com firmeza.
— Principalmente quando você some sem avisar direito.
Lola riu baixo, mexendo no copo.
— Eu não sumo… eu só fico ocupada.
Zac arqueou a sobrancelha.
— “Ocupada” é o nome novo pra abandonar a gente?
Ela riu mais, mas o sorriso ficou mais suave.
— Eu tava no laboratório, trabalho, vida adulta… vocês sabem.
Liam encostou na mesa, olhando direto pra ela.
— A gente sabe. Mas não gosta.
Silêncio curto.
Não era cobrança agressiva… era cuidado m*l disfarçado.
Leon soltou um suspiro e apontou pra ela.
— Você fala “tô sossegada” como se a gente não ficasse meio doido quando você some.
Adrian completou, mais baixo:
— Você é… nossa responsabilidade emocional não oficial.
Lola abriu a boca, surpresa, e depois riu.
— Responsabilidade emocional? Isso existe?
Dante respondeu seco:
— Com você, sim.
Ela ficou alguns segundos olhando os cinco.
Grandes. Fortes. Intensos.
E mesmo assim… todos ali, meio desarmados com uma frase simples dela.
Lola soltou um suspiro leve e sorriu, mais sincera agora.
— Tá… então prometo uma coisa.
Eles olharam ao mesmo tempo.
— Não vou sumir tanto.
Zac apontou pra ela imediatamente.
— Gravado.
Leon riu.
— Vou cobrar.
Liam só balançou a cabeça, como se já soubesse que ela não ia cumprir 100%, mas queria acreditar mesmo assim.
Adrian sorriu de leve.
— Já é um começo.
Dante inclinou a cabeça.
— Melhor.
E por alguns segundos, o bar voltou ao normal…
Mas com aquela sensação estranha e boa de que, quando Lola estava ali, tudo fazia mais sentido — até a bagunça.
Lola soltou um suspiro leve, como se estivesse tentando manter a noite normal.
— Vou no banheiro rapidinho.
Ela levantou, ajeitou o vestido vermelho colado no corpo e saiu andando com aquela naturalidade dela, como se o mundo abrisse espaço sem pedir licença.
Na mesa, os cinco ficaram olhando ela ir.
Liam soltou um riso curto.
— Ela sempre faz isso… some e reaparece como se fosse uma cena de filme.
Zac já levantava a mão pro garçom.
— Aproveitar que ela saiu. Bora pedir comida de verdade.
Leon já entrou no modo dele:
— Peixe, batata, camarão, carne… tudo.
Adrian acrescentou calmo:
— E frios. E mais cerveja.
Dante apenas assentiu, atento, mas com o olhar ainda indo na direção por onde ela tinha ido.
Enquanto isso, no banheiro…
Lola se olhou no espelho.
Respirou fundo.
Arrumou os cachos com calma, retocou a maquiagem, aquele gesto automático de quem sempre gostou de estar impecável sem esforço.
O vestido vermelho marcava sua presença com força — elegante, marcante, impossível de ignorar.
Ela pegou o celular.
Vibração.
Uma mensagem.
O mundo pareceu diminuir por um segundo.
“Não adianta você se esconder de mim. Eu já te achei.”
E uma foto.
A casa dela.
O ar faltou.
Os dedos dela congelaram no celular.
Por alguns segundos, ela só ficou parada.
Respirou.
Uma vez.
Duas.
Forçou a calma no rosto, como se nada tivesse acontecido.
Guardou o celular sem responder.
Saiu.
E voltou pro bar.
Quando ela apareceu de novo, andando na direção deles, tudo parecia igual… mas não estava.
Os cinco olharam na hora.
Liam percebeu primeiro. O olhar dele mudou sutilmente.
Zac franziu a testa, como se sentisse que algo tinha saído do lugar.
Leon parou de falar no meio da frase.
Adrian a analisou em silêncio, médico até no olhar.
Dante ficou completamente atento, postura mudando na hora.
Porque Lola estava linda — como sempre.
Mas agora… havia algo no jeito dela andar.
Um pouco mais controlado.
Ela sentou de novo, ajeitando o vestido vermelho como se estivesse só voltando pra rotina normal da noite.
Liam ainda a observava por um segundo a mais do que o habitual, mas logo relaxou quando ela sorriu.
Zac já voltou a rir, puxando assunto qualquer com o garçom que trouxe as porções.
Leon foi o primeiro a atacar a comida, reclamando que “finalmente” tinham acertado o pedido.
Adrian servia todo mundo com calma, como se aquilo fosse um ritual normal entre eles.
Dante continuava atento, mas entrou na conversa como se nada estivesse errado.
As porções chegaram.
Peixe crocante, camarão, batata, carne, frios… a mesa virou caos em segundos.
— Isso aqui tá absurdo — Leon disse, mastigando já irritado porque estava bom demais.
— Você sempre fala isso — Zac riu. — Toda vez.
— Porque toda vez melhora — Leon rebateu.
Lola riu, pegando um camarão.
— Vocês brigam até com comida?
— A gente não briga — Liam disse. — A gente debate com intensidade.
— Isso é briga — ela respondeu, divertida.
O clima ficou leve de novo. Risadas, provocações, copos sendo enchidos.
Mas então, entre uma risada e outra…
Liam encostou na cadeira e olhou pra ela.
— Amanhã você sai que horas, Lola?
Ela piscou, pegando a batata como se fosse algo simples.
— Ah… amanhã é minha folga.
Zac abriu um sorriso imediato.
— Ótimo.
Leon já entrou na ideia:
— Podemos ir pra praia. O que você acha?
Adrian olhou pra ela com calma.
— Seria bom. Você precisa descansar.
Dante assentiu levemente.
— Lugar aberto, tranquilo. Melhor.
Lola olhou um por um.
E o sorriso dela apareceu fácil, leve, verdadeiro.
— Ah… claro. Podemos sim.
Ela apoiou o cotovelo na mesa, relaxando.
— Vai ser bom.
Por alguns segundos, eles só a observaram.
Não como um grupo barulhento de amigos agora…
Mas como se aquela resposta simples dela tivesse organizado algo dentro deles.
Zac levantou o copo.
— Então tá decidido.
Leon bateu o copo no dele.
— Praia amanhã.
Adrian sorriu leve.
— Sem estresse.
Dante completou, baixo:
— E sem problema.
Lola riu, encostando na cadeira de novo.
— Vocês falam isso como se sempre desse certo.
Liam olhou pra ela, direto.
— Dessa vez vai dar.
E a noite seguiu.
Rindo.
Comendo.
Brincando.
Como se nada no mundo pudesse interromper aquilo.
Mas o silêncio que vinha entre alguns olhares… dizia outra coisa.