DULCE Saviñon pov's
Acho que eu estava bem apresentável. Mas "bem apresentável" não era o suficiente para uma Saviñon, palavras da minha minha mãe. Eu estava me arrumando com Maite por vídeo chamada, já que não iríamos juntas ao jantar da vovó. Ela ficou chocada quando recusei ser acompanhante dela pelo motivo de estar indo com Christopher. May seria a única da família que saberia de toda a minha farsa do bem.
— Por que não usa um colar de brilhantes? — ela sugeriu enquanto eu terminava de me maquiar.
— Vai ficar chamativo demais, não acha? Esse vestido tem muito brilho na parte de cima. — afastei-me um pouco do notebook para que ela pudesse ver melhor a minha roupa.
— É, tem razão. — ficou com a expressão pensativa. — Melhor um colar simples. Aquele que você tem com o pingente pequeno.
Abri uma das gavetas da penteadeira e peguei o colar indicado por ela, o colocando logo depois.
— Ficou bom. — sorri.
— Hoje não é o dia mais difícil do ano? — suspirou enquanto pincelava um pouco de blush em sua bochecha. — Eu daria tudo pra ficar em casa agarradinha com o Travis debaixo de um cobertor grosso e macio.
— Nem me fale. — suspirei.
— Também queria ficar agarradinha com o Christopher? — perguntou sugestivamente.
— Não do mesmo modo que você, é claro. — ri. — Meu negócio com o Christopher se resume a sexo.
— Sabe, eu estou surpresa que as coisas estejam no mesmo nível depois desse tempo todo. Você não parecia fazer o estilo sexo casual.
— Eu não diria no mesmo nível. Eu e Christopher nos tornamos algum tipo de amigos. — dei de ombros.
— E o que isso significa?
— Que eu não o detesto e que o perdoei pelos anos de bullying praticados contra mim.
— Começa assim.
— O que começa assim? — revirei os olhos já esperando ouvir alguma bobagem.
— Nada, priminha. Não vamos deixar essa noite mais intensa do que ela já vai ser.
Assenti concordando.
— Já vai ser difícil demais ter que lidar com a Blanca surtando a noite inteira com a presença do meu pai e da Alexa.
— Não deixe ela beber demais, ela fica bem venenosa bêbada.
— Dos tantos desafios e obstáculos da minha vida, ser filha de Blanca Saviñon está em primeiro lugar.
Eu e May rimos juntas. Ouvi a minha campainha tocar e me dei conta de que seria o Christopher.
— Acho que o namorado de alguém chegou. — May brincou.
— Até daqui a pouco. — mandei um beijinho para ela.
— Até! — mandou outro de volta.
Conferi minha maquiagem mais uma vez e fui atender a porta. Assim que abri tive que dar atenção ao pedaço de m*l caminho vestindo um smoking na minha frente. Christopher nem parecia o motoqueiro bad boy de sempre. Agora ele estava formal demais, com um smoking perfeitamente alinhado todo na cor preta e uma gravata borboleta.
Sorri, me aproximei dele passando minhas mãos por seu peito e entornando meus braços em seu pescoço. Ele sorriu também e segurou minha cintura, se aproximando logo depois para um beijo que durou alguns segundos.
— Você está impecável. — elogiei, ajeitando a gravata dele.
— Posso dizer o mesmo, doutora. — apertou de leve minha cintura. — Só falta um acessório.
Franzi a testa quando o vi colocar a mão no bolso e tirar de lá um objeto pequeno e cilíndrico juntamente com um controle remoto também minúsculo.
— O que é isso? — perguntei receosa.
— Abre a mão.
Fiz o que ele disse. Christopher colocou o objeto em minha mão e depois apertou um dos botões do controle, fazendo aquela coisa vibrar. Arregalei os olhos no mesmo instante e olhei para ele como quem pergunta se aquilo era mesmo sério.
— Nem fodendo. — eu disse.
— Eu acho que me lembro bem de ter dito que daria o troco pela surra que você me deu. Isso aí ainda é pouco, estou sendo legal com você.
— Eu não vou passar o aniversário da minha avó com um vibrador na minha v****a! — protestei.
— Pense nisso como um desafio pessoal. Não vai ser divertido se não for feito em um local perigoso. Além disso, você pode escolher a sua palavra de segurança. Lembrando que não pode ser o meu nome, porque você não pode ficar me chamando de babaca na frente da sua família.
— Você só pode estar enlouquecendo. — soltei uma risada sarcástica.
— É isso ou aceitar uma submissão três vezes pior do que aquela que fez comigo. — falou naturalmente. — Sabe que me deve uma depois daquela noite. E isso também me incentivaria a não morrer de tédio durante essa festa em família. Eu poderia ficar a noite inteira lá se soubesse que você está nas minhas mãos. — sorriu.
— p**a merda... — resmunguei olhando para o vibrador que ainda estava na minha mão. — Você tem que me prometer que não vai ficar ligando esse treco quando eu estiver falando com alguém.
— Sobre isso eu não prometo nada.
— Mas...
— Você vai ter a sua palavra de segurança. Se quiser que eu pare, vai ser só dizer.
Mordi meus lábios, pensativa sobre aquilo. Por um lado, parecia ser a pior das ideias. Por outro, a ideia do perigo era excitante. Tudo bem, eu teria uma palavra segura e Christopher respeitaria isso. Pode até acabar sendo divertido.
— Lírio. A minha palavra segura vai ser lírio. — a flor favorita dele.
— Certo. — ele assentiu e sorriu.
— Eu vou colocar isso. Já volto.
Fui até o banheiro, levantei o vestido, abaixei a calcinha e introduzi o vibrador em mim. Não era tão desconfortável quanto achei que seria. Iria dar pra passar à noite assim, pelo menos até ele começar a vibrar.
Retornei para a sala e assim que Christopher bateu seus olhos em mim, apertou um dos botões do controle que ainda segurava.
— Ah... meu Deus... — parei de caminhar ao sentir a vibração.
— Essa é a menor velocidade, doutora, melhor ir se acostumando. — riu.
— Eu sou louca. Nós dois somos loucos.
— Eu sei. Isso não é ótimo? — colocou o controle em seu bolso. — Podemos ir?
— Sim.
Durante o caminho até o salão de festas, Christopher me deixou em paz e não acionou o vibrador nenhuma vez. Eu sabia que ele estava esperando que nós ficássemos cercados de pessoas e pensar nisso me deixou com um misto de nervosismo e ansiedade.
Chegamos até o local e assim que entramos eu reconheci grande parte das pessoas. Parentes próximos e distantes, amigos da família, sócios dos meus tios e amigos mais próximos da minha avó. Era um verdadeiro evento Saviñon. Antes de dar de cara com a minha mãe e ouvir inúmeras perguntas sobre Christopher, eu procurei pela minha avó, disposta a entregar o seu presente.
— Sua avó parece ser uma pessoa muito importante. — Christopher disse enquanto caminhávamos por entre as pessoas com nossos braços entrelaçados.
— E ela é. Depois que o meu avô faleceu, ela começou a cuidar das ações mais importantes e se tornou responsável pelos maiores negócios da família. Isso fez com que muita gente se aproximasse e começasse a bajular. É como se a vovó Hellen fosse a rainha Elizabeth.
— Nossa, ela deve odiar todo mundo. — riu.
— A maioria. — sussurrei perto dele. — E lá está ela!
Minha avó estava cercada por um grupo de pessoas, falando com todos animadamente, rindo e dando atenção ao que diziam. Ela era uma luz de pessoa, o ser mais acolhedor que eu já conheci. Quando ela me viu, acenou para que eu me aproximasse e logo pediu para que os outros a deixassem sozinha com a neta.
— Meu pequeno girassol! — ela abriu os braços, me convidando para um abraço que eu logo aceitei.
— Oi, vovó! Feliz aniversário! — nos soltamos do abraço e eu lhe entreguei seu presente.
— Deixa eu adivinhar. Um colar? — perguntou.
— A Maite me ajudou a escolher.
— Sei que vou adorar. Você sabe como eu amo joias e as que você me dá são as melhores. — apertou uma das minhas bochechas. — Vejo que está acompanhada. — olhou para Christopher.
— Sim. Esse é o Christopher, o meu namorado. E Christopher, essa é a vovó Hellen.
— É um prazer conhecê-la, senhora Saviñon. — Christopher segurou a mão dela e depositou um beijo. — Sabe, eu poderia jurar que era a mãe da Dulce e não a avó.
— Ah, deixe disso. — vovó riu e deu um tapinha no ombro dele. — Sua mãe estava errada, ele não parece um nerd ou um ex feio. Você já foi feio, querido?
Segurei o riso e olhei para Christopher, que continuava sorrindo com o mesmo semblante gentil.
— Não que eu me lembre. — respondeu naturalmente.
— Acho que a Blanca pode gostar de você. Não tem como ela achar um defeito, por mais que procure tanto. — falou segurando o queixo dele, literalmente analisando o seu rosto. — É, não tem defeito.
— Obrigado...? — Christopher disse meio incerto.
— De nada, doçura. — apertou a bochecha dele. — Não se intimide com a Blanca. Ela é insuportável, mas abaixa a guarda quando está diante de alguém de pulso firme. Digo isso por experiência própria. — piscou.
— Eu vou lembrar disso. — Christopher falou.
— Acho melhor a gente procurar a minha mãe agora. Depois eu volto pra falar mais com a senhora, vovó. — a abracei mais uma vez.
— Divirtam-se!
Nos afastamos e quando estávamos longe o suficiente, nós dois começamos a rir.
— A sua avó é doidinha. — comentou ele.
— Todo mundo mundo bajula tanto ela que ela chegou em uma fase da vida onde fala tudo o que pensa sem se preocupar.
— Espero chegar a esse nível um dia. — Christopher olhou por cima do meu ombro e arqueou as sobrancelhas. — Tem uma mulher muito parecida com você vindo na nossa direção e ela parece estar pronta para atacar.
— E lá vamos nós... — cantarolei, girando em meus calcanhares para ficar de frente para Blanca.
De repente, eu senti o maldito vibrador dentro de mim e arfei involuntariamente, sobressaltando um pouco. Olhei para Christopher com repreensão enquanto ele mantinha um sorriso.
— Só testando. — brincou.
— Dulce Maria! — minha mãe abriu um largo sorriso ao se aproximar. — Você está... — olhou-me de cima a baixo. — Aceitável.
Eu e Christopher trocamos olhares e enquanto ele parecia surpreso com o comentário passivo-agressivo, eu dei de ombros como se não fosse nada demais.
— E este deve ser o Christopher. — voltou-se para ele. — Você é bem mais bonito do que achei que seria.
— Eu agradeço o elogio, senhora Saviñon, mas por que achou que eu não seria tão bonito assim?
— Ah, você entende. É a Dulce. — franziu o cenho de leve.
— A Dulce é uma mulher espetacular. Por dentro e por fora.
Ouvir aquilo me fez ficar feliz, por mais que o comentário de Christopher fosse apenas para manter o falso papel de namorado.
— Claro. — minha mãe disse, balançando a mão como se quisesse mudar de assunto. — A Dulce me disse que você é empresário.
— Eu e meu pai somos donos da companhia Victor&Son.
— Ah, sim, eu os conheço e adoro o trabalho que fazem. E como vocês dois se conheceram?
— Eu estudei com a Dulce no colegial e nós voltamos a nos ver no encontro do ensino médio. — Christopher explicou.
— Achei que não tinha amigos no colegial. — ela disse olhando para mim. — Com exceção da Maite, claro, mas ela é sua prima, então não conta.
— Eu... — antes que eu me explicasse, Christopher me abraçou de lado e interrompeu a minha fala.
— E eu acho que não perder tempo com grupinhos no ensino médio foi a melhor coisa que a Dulce fez por si mesma. Veja como ela é brilhante agora. Foi bom não ter todas aquelas distrações. Eu a admirava na época e a admiro mais ainda agora. — ele olhou para mim e sorriu.
Pela primeira vez na vida, minha mãe olhou para mim com curiosidade, quase como se tivesse concordado com o elogio direcionado a mim anteriormente.
— Fico me perguntando de onde a Dulce puxou toda essa força e autocontrole que ela tem. — Christopher soltou um elogio indireto para a minha mãe.
— Da mãe, é claro. — Blanca falou. — O pai dela não tem nada de forte ou controlado. Se tivesse...
— Mãe, o Christopher já sabe que você e o papai se divorciaram e sabe porquê. Não precisa contar tudo como você sempre faz. — comentei ao interrompê-la.
— Essa aí sempre querendo defender o Fernando. — revirou os olhos. — Então, qual é mesmo o seu sobrenome? Espero que seja um de peso.
— Mãe... — a repreendi.
— Tudo bem, Dulce. — Christopher disse ao me confortar. — É Uckermann.
— Uckermann? — ela arqueou a sobrancelha. — Interessante... — começou a sorrir. — Eu adorei. Gostei do seu namorado, Dulce Maria.
— Que bom. — fiquei surpresa com o resultado positivo tão rápido.
— Agora me conte mais sobre a senhora, eu adoraria saber mais sobre as belas raízes da minha namorada. — Christopher pediu.
— Ah, certo...
Minha mãe adorava falar de si mesma, então Christopher havia acertado naquilo. Enquanto ela fazia um enorme monólogo sobre suas próprias qualidades, Christopher tratou de enfiar a mão em seu bolso e acionar o maldito vibrador novamente. Dessa vez foi um pouco mais forte.
— Ah... — coloquei minha mão sobre a boca assim que o som saiu de mim.
Blanca parou de falar e me olhou com o cenho franzido.
— Você está bem, Dulce Maria? — perguntou.
— Estou. Pode continuar.
Ela voltou a falar, dessa vez sobre a minha infância e do quanto foi difícil lidar com uma criança gênio. Enquanto ouvíamos a Blanca, Christopher continuou acionando o vibrador. Eu tentei me manter no controle o quanto pude, fazendo cara de paisagem e respirando fundo, pressionando minhas pernas uma na outra às vezes. E quando ele viu que eu estava lidando bem, aumentou mais a velocidade.
Eu ia gemer, mas ao invés disso soltei uma gargalhada exagerada e coloquei minha mão sobre o ombro de Christopher, apertando com muita força. Outra vez minha mãe olhou para mim com estranheza, já Christopher, mordeu o lábio inferior para segurar o riso.
— O que deu em você? — ela perguntou.
— Eu só estava me lembrando de quando você tentou me levar para fazer uma cirurgia a laser nos olhos e eu surtei. — menti. — Foi hilário, não?
— Ela tinha oito anos... — e lá vamos nós em mais uma história.
Christopher continuou a mexer comigo e agora eu já estava com meu corpo apoiado ao dele, torcendo para não gemer involuntariamente. A mão dele em volta de mim e apertando a minha cintura não estava ajudando muito na minha situação.
Da porta de entrada, eu avistei Maite acompanhada de Hart.
— Eu vou falar com a May e com o Hart. Vocês podem continuar se conhecendo. — falei para os dois.
— Tudo bem, amor. — ele me puxou para si e me deu um selinho demorado.
Sorri para ele, um sorriso sugestivo o suficiente para que ele entendesse que era hora de desligar o brinquedinho. Enquanto eu caminhava até Maite e Hart, Christopher ainda me provocou duas vezes, ligando e desligando o vibrador rapidamente. Eu olhei para trás com repreensão, mas ele agia naturalmente enquanto conversava com a minha mãe.
Cretino sínico!
— Oi, Dulce, você está linda! — Hart elogiou antes de me abraçar.
— Obrigada. — sorri.
— Você está bem? — May perguntou. — Pareceu ter se assustado com alguma coisa enquanto andava até aqui.
— Foi impressão sua. Eu estou ótima. — respondi rápida.
— E a tia Blanca gostou do seu namorado? — foi a vez de Hart perguntar. — Se não gostou, não se preocupe. Meu nariz parece estar roubando a cena esta noite. — riu.
— Ninguém mandou brigar por causa de uma prostituta. — May disse.
— Shhh. — ele a repreendeu. — Se a vovó ouvir isso ela vai cair dura.
— Meu namorado se deu super bem com a mamãe. Estão conversando agora. — acenei com a cabeça na direção deles.
— Você conseguiu fazer o Christopher usar um smoking? — May arqueou as sobrancelhas surpresa.
— Espera... — Hart estreitou os olhos enquanto os observava. — Eu acho que eu já vi o seu namorado em algum lugar.
— Que? — sinal vermelho. — Como assim? — ri nervosa.
— Dulce, quanto tempo faz que vocês estão saindo? — Hart ficou totalmente sério, quase preocupado, eu diria.
— Pouco mais de um mês, por que?
— Priminha, eu tenho péssimas notícias pra te dar.