DULCE Saviñon pov's
Para a minha sorte e o azar dele, Christopher tinha uma gaveta em sua cômoda especialmente para cintos e gravatas. E o que seriam apenas acessórios, agora me pareciam brinquedinhos. Enquanto eu observava cada um dos cintos, ele ficou sentado na cama com os braços cruzados, observando atentamente cada movimento meu.
— Qual desses será que dói mais? — murmurei para provocá-lo.
— Escolhe qualquer um. — resmungou ele.
Por fim, peguei algumas gravatas e dois cintos, sendo um mais grosso que o outro. Virei de frente para ele e o olhei de cima a baixo.
— Tira a roupa. — falei com firmeza.
— Eu gostaria que você me dissesse antes o que vai fazer. — me olhou desconfiado.
— Sou eu quem mando hoje, babaca. — dei alguns passos em sua direção, parando em pé entre as suas pernas. — E quando eu disser para você tirar as roupas... — envolvi uma das gravatas em seu pescoço e dei um apertão nem tão frouxo e nem tão forte para não machuca-lo de verdade. Christopher arfou em surpresa e ficou um pouco vermelho. — você tira. — completei com um semblante sério, tirando a gravata em seguida.
— Eu já tô me arrependendo. — disse mais para si mesmo, enquanto retirava sua camisa.
Me afastei para dar-lhe a liberdade de se livrar das outras peças de roupa. E enquanto Christopher se despia, eu fiquei encostada contra a cômoda, admirando a visão daquele corpo bem desenhado à minha frente. Depois de estar totalmente nu, Christopher ficou de pé olhando para mim, dando-me brecha para continuar as minhas ordens.
— Deite na cama.
Sem nenhuma objeção, ele foi até a cama e se deitou. Peguei as gravatas que iria precisar e fui até ele. Segurei um de seus braços e comecei a amarra-lo na cabeceira. Ele não dizia nada, apenas olhava para mim com um olhar que era um misto de curiosidade e medo. Eu sabia que ele não gostava nada de ser submisso, o que me incentivava ainda mais a tornar aquilo um mártire para mim e uma tortura – não literal – para ele.
Usei algumas gravatas para conseguir amarrar seus tornozelos aos pés da cama box. Tinha que admitir que eu fui muito boa em uma tarefa aparentemente difícil. E depois de tê-lo totalmente imóvel e exposto, eu peguei uma última gravata, sentei ao seu lado e cobri os seus olhos. Ele soltou um resmungo em protesto enquanto eu o vendava.
— Se reclamar, seu castigo será pior. — avisei.
— E qual é o castigo?
— Que garotinho mais ansioso você é. — debochei.
Saí de perto dele e retirei as minhas roupas, deixando-as espalhadas pelo chão. Depois disso, peguei o cinto mais grosso e parei em pé ao seu lado, olhando para cada parte do seu corpo, escolhendo o local perfeito para começar.
Antes de usar o cinto, passei minhas unhas levemente por uma de suas coxas e vi sua pele arrepiar no mesmo instante. Engatinhei na cama e abaixei o suficiente o meu rosto, encostando meus lábios em sua derme, depositando alguns beijinhos sem deixar de usar as unhas. Ouvi Christopher soltar um murmúrio incompreensível, mas em um tom claro de prazer.
— Gosta disso? — perguntei.
— Iria gostar mais se você subisse mais um pouco. — sorriu.
Agora era a hora da brincadeira começar de verdade. Ergui o cinto que estava em minha mão e sem aviso prévio, bati em sua perna com força o suficiente para causar uma ardência sem machucar gravemente. Eu era médica e sabia os limites que deveria usar.
— p***a! — gritou, reclamando da dor, contraindo o seu corpo e comprovando a limitação que as amarras davam aos seus movimentos. — Sua filha da p**a!
O palavrão dirigido a mim me fez querer rir, mas ao invés disso, eu bati ainda mais forte, uma maneira de castiga-lo pelo m*l comportamento.
— E disso, você gosta? — fui sarcástica.
Christopher contraiu o maxilar, mostrando uma irritação causada pelo meu comentário. Bati mais duas vezes, fazendo ele reclamar com mais alguns palavrões. Dei a volta na cama e me concentrei em sua outra coxa. Depois que sua pele estava bem vermelha e sua respiração ofegante e pesada, eu troquei pelo cinto mais fino, que usaria para bater em seu abdômen. Primeiro, passei o objeto pelo seu corpo, tornando aquilo tudo misterioso.
— Faz de uma vez... — suplicou.
Deferi alguns golpes em sua barriga e dessa vez Christopher tentou abafar os gritos, incapaz de abrir a boca.
— Ah... — o som que ele soltou a seguir foi um gemido. Sim, ele gemeu de prazer ao sentir o último golpe.
Observei a sua ereção latejar muito mais do que antes, o líquido lubrificante deixando seu p*u bem úmido. Sorri comigo mesma, um pouco surpresa, mas totalmente satisfeita com o resultado. Apesar de querer zoar com a cara dele, no fundo eu também queria que ele gostasse.
— Está sentindo prazer, Uckermann? — perguntei num tom malicioso.
Christopher engoliu em seco antes de dizer: — Não.
— Uma mentira, obviamente. — engatinhei sobre a cama novamente, chegando perto de seu rosto, mais precisamente a sua orelha. — Se não está gostando, usa a sua palavra de segurança. É só me chamar pelo meu nome que eu paro. — falei ao pé de seu ouvido.
Sua respiração continuou profunda e ele se manteve em silêncio.
— Foi o que eu pensei. — sorri. — Quando você imaginou que estaria desse lado no jogo da dor prazeirosa? — fiquei de pé novamente.
— Só... continua... — pediu muito relutante.
— Como se diz?
— Por favor...
— Bom garoto.
Voltei a bater nele com o cinto e dessa vez ele se permitiu gemer sem nenhum pudor. Eu gostava dos sons que saíam de sua boca quando eu lhe dava prazer. Eram graves, brutos e viciantes. Me davam uma sensação de poder e me excitavam ainda mais do que eu já estivesse. Nunca havia sido dominadora antes e estava gostando muito da experiência.
Larguei o cinto quando notei que Christopher estava chegando ao seu limite. Seu p*u com as veias bem aparentes, numa ereção que implorava para ser aliviada. O suor em seu rosto deixava sua pele brilhar sob a luz do quarto e todas aquelas marcas vermelhas deixadas por mim pareciam ser o suficiente.
Tornei a subir na cama e sentei sobre ele, encostando as nossas intimidades sem penetração. Ele soltou um suspiro de alívio e eu me esfreguei nele um pouco, querendo lhe dar um pouco de recompensa depois do nosso pequeno espetáculo.
E só para provocá-lo, toda vez que ele pedia por mais eu afastava minha b****a dele, tendo que lidar com suas reclamações melodramáticas. E apesar de estar gostando daquilo, eu também já estava excitada ao extremo.
Saí de cima dele e fiquei de joelhos ao seu lado, depois me arrastei até perto do seu rosto e passei uma das pernas sobre ele, deixando a cabeça de Christopher entre as minhas coxas. Ele entendeu o que eu faria e passou a língua por seus lábios, mostrando estar sedento para sentir o meu sabor.
Agachei-me para perto do seu rosto e ele ergueu a cabeça com pressa.
— Calma. — dei um puxão em seu cabelo, o afastando. — Não lhe ensinaram etiqueta? A comida vai até você, não o contrário. — brinquei.
Abaixei novamente encostando minha b****a no rosto de Christopher e como esperado, ele colocou sua língua para fora, lambendo meu clítoris em seguida. Mais uma vez eu puxei o seu cabelo e me afastei.
— c****e, doutora... — reclamou.
— Fique quietinho, babaca. Sem mover os lábios e muito menos a língua. Por enquanto, você só vai sentir o meu cheiro.
Quando ele ficou quieto, me vi tendo um passe livre para continuar. Outra vez aproximei o meu íntimo de seu rosto e Christopher ficou quieto como eu mandei, concentrando-se apenas em respirar fundo, sentindo o meu cheiro e roçando o nariz na minha sensibilidade, o que me proporcionou um breve alívio da minha excitação. Rebolei em seu rosto e me vi no limite.
— Me chupa. — mandei.
Christopher não hesitou e me chupou com vontade, me estimulando com a língua e com os lábios, se concentrando nos pontos em que eu mais gostava e os quais ele conhecia muito bem. Mesmo de olhos vendados, ele percorria aquela região como um verdadeiro expert. Apoiei minhas mãos em seus cabelos, aprofundando meus dedos em seus fios escuros, rebolando em seu rosto para complementar o meu prazer.
Entre um gemido e outro, gozei em sua boca, murmurando palavras desconexas de alívio enquanto o meu orgasmo se esvaía.
Agora tudo o que eu queria era senti-lo dentro de mim.
— Onde você guarda as camisinhas? — perguntei ao me levantar.
— No armário do banheiro. — respondeu.
Fui até o banheiro, abri o armário e me deparei com uma prateleira reservada apenas para caixas variadas de preservativos. Aquele cara gostava mesmo de t*****r. Peguei uma das caixas e retornei para o quarto. Coloquei uma camisinha em Christopher e sem demora, sentei sobre ele, sentindo-o me penetrar em seguida.
Foi aliviador para ambos. Comecei a quicar sobre ele, alternando entre reboladas rítmicas que eu revezava em movimentos mais lentos ou mais rápidos, dependendo dos picos de prazer que eu sentia. Em dado momento, sem parar os meus movimentos, eu me esquivei sobre Christopher, retirando a gravata que vendava os seus olhos. Ele olhou direto para os meus s***s, seus olhos cheios de luxúria, percorrendo o meu corpo com um desejo queimando em sua íris.
Vi ele puxar seus pulsos algumas vezes em tentativas falhas de se soltar na força. Mordi meus lábios, olhando para ele com perversidade, dando uma rebolada mais lenta dessa vez só para ouvi-lo gemer com mais profundidade. Ele adorava quando eu fazia aquilo.
Mais uma vez ele puxou os pulsos, mas eu sabia que seus esforços seriam inúteis. Meu pai foi da marinha e me ensinou como dar os melhores nós em cordas ou qualquer outra coisa que eu quisesse – gravatas, nesse caso. Qualquer tentativa de Christopher em se soltar seria perda de tempo.
— Dulce... Dulce... — sibilou um pouco desesperado.
Eu parei no mesmo instante de quicar sobre ele e o olhei com a testa levemente franzida. Ele queria parar?
— Pronto. Minha palavra de segurança. O jogo acabou. Agora me solta pra eu te f***r com força! — bruto, como sempre.
Primeiro soltei os nós em seus tornozelos e assim que seus pulsos estiveram livres, ele se ergueu, abraçou o meu corpo e me girou rapidamente para ficar abaixo dele. Christopher apoiou uma das mãos atrás do meu joelho, o erguendo para deixar minhas pernas mais abertas para ele. Após isso, me penetrou, estocando rápido, profundo e com uma força tão bruta quanto a sua própria personalidade.
Segurei seus ombros, o abraçando contra mim, mordendo meus lábios para evitar que eu gritasse em níveis absurdos, podendo ser ouvida pelo prédio inteiro se possível. Christopher enterrou seu rosto na curva do meu pescoço, encaixando mais o seu corpo em mim, até que enfim gozou, parando aos poucos até estarmos os dois satisfeitos e cansados o suficiente para não nos mexermos nos primeiros segundos.
Ele soltou um pouco do seu peso sobre mim e ergueu a cabeça, olhando em meus olhos. Nos encaramos de um jeito intenso por um tempo, até que ele me beijou. Foi um beijo calmo, a perfeita finalização de um ato carnal como aquele. Depois de finalizar com um selinho demorado, Christopher rolou para o lado, deitando-se de barriga para cima assim como eu.
— Tenho que admitir, doutora, você é boa nisso.
— Sou, não sou? — sorri. — Acho que esse foi o melhor sexo que já fizemos.
— Vai me pagar por isso. Por cada marca vermelha que deixou em mim. — a ameaça foi feita de uma forma bem s****l, eu diria.
— Você vai ter que trabalhar muito pra ser melhor que eu.
— Ah, eu serei. Nem imagina o tipo de castigo que eu vou te dar. — virou o rosto para olhar para mim e eu fiz o mesmo.
— Algum spoiler?
— Digamos que eu não vou nem precisar estar perto de você pra te fazer gozar.
A minha resposta foi entreabrir os lábios em surpresa e curiosidade. O que ele queria dizer com aquilo?
— Quer beber alguma coisa? — perguntou, mudando de assunto.
— Água seria perfeito.
Observei ele ficar de pé, depois vestir sua cueca e sair do quarto. Christopher voltou alguns minutos depois com um copo de água que eu bebi de uma vez.
— Você quer que eu chame um Uber? — sugeriu naturalmente depois que eu devolvi o copo.
— Que horas são?
— Acho que passou da meia noite.
— Está tarde, eu não gosto de pegar Uber sozinha à essa hora. — expliquei.
— Tudo bem, eu te levo.
— Ah, ok. — concordei tentando esconder que talvez aquilo tivesse me decepcionado.
Quebramos tantas regras no nosso acordo que eu achei que talvez ele abriria uma exceção e deixaria eu dormir em sua casa naquela noite, mas não foi bem assim.
Limites, Dulce, vocês ainda precisam ter limites!
Ambos nos vestimos e descemos juntos até a garagem do prédio. Entramos em seu carro e Christopher me levou para casa. Antes de eu sair, ele me puxou para um beijo de despedida que acabou virando um verdadeiro amasso de quase um minuto. Sorrimos um para o outro e nos despedimos.
[•••]
Um segundo café da manhã com a minha mãe em um curto período de tempo não era uma coisa comum na minha vida. Tive que cancelar uma reunião que teria com meu sócio no início daquele dia. Era como se minha mãe pudesse sentir os meus planos e estivesse indiretamente os atrapalhando.
Fiz o possível para chegar à cafeteria no horários marcado, mas para o azar dos meus ouvidos – que teriam que ouvir as reclamações de Blanca – eu acabei me atrasando quinze minutos.
Quando adentrei o local, avistei a mesa onde minha mãe estava sentada e notei que ela não estava sozinha. O rapaz de cabelo loiro ao seu lado era inconfundível para mim e eu fiquei surpresa em vê-lo.
— Hart? — sorri ao chegar até a mesa.
— Priminha! — ele sorriu também, ficando de pé e vindo para me abraçar.
Depois do abraço, ambos nos sentamos.
— Oi, mãe, como vai?
— Estaria de barriga cheia se tivesse chegado mais cedo, Dulce Maria. — foi ríspida. — O que aconteceu?
— Nada. Eu só dormi demais.
— Cansada de novo? Você tem que parar de trabalhar tanto à noite, só vive reclamando do cansaço e essas olheiras...
— Eu sei, mãe, você já me avisou sobre as minhas olheiras. — a interrompi, impaciente. — Mas eu não trabalhei ontem à noite.
— E o que fez? — e ela seguia firme na tarefa de ser muito intrometida.
— Tia, eu acho que a Dulce pode fazer o que quiser, certo? Não importa para nós o que ela faz na vida particular dela, então é melhor tratarmos do assunto principal. — Hart disse, me salvando como sempre fazia.
Lancei para ele um olhar de agradecimento antes de voltar minha atenção para a minha mãe novamente.
— Qual o problema dessa vez? — perguntei.
— O seu pai comprou uma casa na cidade. Ele vai voltar a morar aqui e pretende revelar a grande surpresa no aniversário da sua avó.
— Se é surpresa, como a senhora sabe disso? — arqueei a sobrancelha.
— Hart está cuidando da papelada e por um acaso eu acabei encontrando. — ela disse.
— Ela continua fuçando nas suas coisas? — perguntei para ele.
— Toda vez que eu faço uma visita. — Hart riu. — Mas não há com o que se preocupar. O tio Fernando e a tia...
— Não ouse chamá-la de tia! — Blanca o repreendeu e nós dois tivemos que segurar a risada.
— O tio Fernando e a Alexa. — corrigiu-se. — Eles só querem passar seus próximos anos nas suas raízes. Acho que vai ser bom para a Dulce se o pai dela estiver perto de novo.
— Bom? Ele a abandonou!
— Não foi bem assim... — tentei me pronunciar, mas ela ergueu o dedo para que eu ficasse em silêncio.
Eu e Hart ficamos ouvindo ela reclamar por um bom tempo, discursando sobre como ter o meu pai e sua esposa perto era uma péssima coisa. Minha mãe odiava qualquer passo positivo que os dois dessem e eu estava cansada de achar aquilo irritante. Eu só queria que esse café da manhã acabasse e eu pudesse cuidar de pessoas que com toda certeza tinham a mente menos complicada do que a mente de Blanca.
Hart possivelmente estava ali para eu não ter que lidar com tudo sozinha. Ele sempre era o intermédio entre mim e o lado maternal da minha mãe que, mesmo não parecendo, existia. Acho que essa mania em me defender foi o que o levou a escolher a advocacia como profissão.