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2702 Words
CHRISTOPHER Uckermann pov's — Eu não quebrei todas as regras. — ela disse bem rápido. — Não me apaixonei por você. Foi como pular de um avião e só depois perceber que estou sem paraquedas. E apesar de ter me sentido um nada naquele instante, eu me forcei a continuar com a expressão leve, sabendo que ela não duraria muito. Não disse nada e apenas a puxei para mim, a abraçado para que ela não me visse desmoronar. — É. Essa regra a gente não quebrou. — confirmei aquilo só para manter o meu orgulho intacto.  E foi preciso passar por aquela situação para eu perceber que estava completamente fodido. Eu odiava admitir sentimentos que eu considerava fracos, mesmo que fosse para mim mesmo. Mas eu estaria sendo um i****a se tentasse convencer a minha mente de que eu não estava apaixonado por ela. Eu estava. E acabei me dando conta disso da pior maneira.  Dulce não sentia o mesmo que eu e isso acabaria comigo em pouco tempo. Eu tinha que resolver essa situação, mas como? Como tirar alguém da minha cabeça quando ela era a pessoa em quem eu mais pensava todos os dias?  Depois de deixá-la em casa naquela noite, eu voltei para o meu apartamento e passei a noite em claro, rolando na cama com uma preocupação crescendo em meu peito. Eu fui a pessoa que mais deixou claro que paixão nenhuma deveria surgir do nosso acordo e fui o único o****o a começar a sentir isso. Eu me sentia um verdadeiro palhaço.  Na manhã de domingo, eu fui até a casa do meu pai para tomarmos café da manhã juntos. Avisei que precisava lhe contar uma coisa importante e também de alguns conselhos sobre Dulce. Ao ouvir o nome dela, meu pai se animou e foi adiantando que esperava ouvir boas notícias. Ele gostava da possibilidade de eu arranjar alguém e me aposentar dos meus dias de farra. E se esse alguém fosse uma psiquiatra linda, inteligente e renomada, seria melhor ainda. — Por favor, me diga que um milagre aconteceu. — ele disse animado.  Estávamos na cobertura, sentados em uma das mesas da área da piscina, local onde podíamos ver toda a cidade numa paisagem privilegiada.  — Não sei se deveria chamar de milagre. — dei de ombros. — Dependendo do ângulo, eu posso até chamar de maldição.  — Não há nada de errado em se apaixonar por alguém, Christopher.  — Há quando a outra pessoa não está apaixonada por você.  — Como pode ter certeza disso?  — Foi ela que disse com todas as letras. "Não me apaixonei por você". Eu não sou especialista em ler as expressões dos outros, mas ela disse isso tão rápido e com tanta convicção que eu nem pensei em contestar. Ela só quer comigo o que eu queria com ela no início.  — Ah, filho, eu sinto muito. — franziu levemente a testa, mostrando seu lamento.  — Eu não a culpo por não sentir nada. Eu fiz da vida dela um inferno no ensino médio. Por ela se apaixonaria por mim? Eu continuo sendo um babaca em muitos aspectos e nem de longe tenho o grau de intelectualidade que ela tem.  — Espera. Ela era a menina que fazia eu ser chamado no colégio por bullying toda semana?  — Sim. — fiquei envergonhado.  — Você era um pé no saco. Se ela foi capaz de dormir com você depois de tudo o que fez com ela, com toda certeza ela se apaixonaria.  — Bom, não aconteceu. E agora eu não sei o que fazer.  — Você só está apaixonado. Ainda não a ama nem nada do tipo, então não se apegou totalmente. A única forma de fazer uma paixão dessas sumir é se afastando da pessoa, evitando contato, evitando ver ou saber o que ela está fazendo.  — Me afastar da Dulce? Não é meio infantil?  — É isso ou aceitar ser o brinquedinho dela, arriscando se apaixonar ainda mais e depois ser chutado quando ela se cansar de você.  — Que droga. — bufei. — Eu posso pensar sobre isso.  — Pense primeiro em você e na sua sanidade mental.  Assenti e nós continuamos a comer em silêncio enquanto eu tentava tomar coragem para iniciar o próximo assunto, que com toda certeza era muito mais difícil do que a minha paixonite pela Dulce.  — Agora é o assunto importante.  — Meu filho se apaixonar por alguém pela primeira vez na vida não era o assunto importante? — riu.  — Não. — ri também. — Isso envolve você.  — Sem suspense, garoto. — ficou sério.  — Quando eu e Dulce fomos ao aniversário da avó dela na sexta, eu acabei descobrindo uma coisa.  — O que?  — A minha mãe casou com o pai da Dulce.  Meu pai ficou ainda mais sério e se manteve quieto olhando para mim. Quando finalmente voltou a si, ele pigarreou e colocou os cotovelos sobre a mesa, juntando as mãos em seguida.  — Dulce é uma Saviñon? — perguntou me pegando de surpresa.  — Você conhece o cara com quem a mamãe foi embora?  — Costumava conhecer. — assentiu. — Éramos amigos no colégio. Eu namorava a sua mãe e Fernando vivia atrás da Blanca. Cheguei a ajudar os dois a se encontrarem às escondidas algumas vezes. O pai da Blanca detestava a família do Fernando, então namorar ela abertamente não era uma coisa possível naquele momento.  — Caramba, eu não fazia ideia. — fiquei boquiaberto.  — E quem faria? — riu fraco. — Blanca sempre foi muito mimada e o Fernando fazia tudo o que ela queria, lhe dava presentes e fazia tantos elogios que até a rainha da Inglaterra ficaria com inveja. Quando o ensino médio acabou, o pai de Blanca descobriu o romance e a obrigou a fazer uma escolha. Ela escolheu o Fernando porque ele prometeu que ela seria independente e que tomaria as escolhas da própria vida se estivesse com ele.  — E você com a minha mãe?  — Nós dois estávamos muito bem. Planejávamos ir para a universidade juntos, mas acabou não acontecendo. Em vez disso, nós arrumamos empregos e eu comecei o meu projeto com a minha primeira oficina de garagem na casa dos meus pais. Depois de alguns anos eu e sua mãe nos casamos e eu consegui manter a casa com a oficina e sua mãe optou por parar de trabalhar.  — Fernando e Blanca também se casaram?  — Sim. Eles se mudaram para uma das propriedades dos pais do Fernando. Era um lugar lindo, eu e sua mãe passávamos alguns fins de semana com eles. As duas eram melhores amigas, mas a sua mãe sempre dizia que Blanca era chata demais quando queria ser. Eu não discordava, até porque depois de ter cortado laços com os pais, Blanca ficou ainda mais soberba e exigente. Não me surpreenderia se de repente Fernando quisesse o divórcio. Ele me falou várias vezes sobre a possibilidade de deixá-la, mas parou de dizer isso depois que Blanca engravidou.  — Se vocês eram tão amigos, por que eu não conheci a Dulce?  — Blanca e Alexandra engravidaram quase que ao mesmo tempo e as duas estavam com os hormônios mais altos do que o monte Everest. Sua mãe parou de ser paciente com o jeito egocêntrico da Blanca e as duas brigavam o tempo todo. Chegou um momento em que nós paramos de frequentar a casa deles gradativamente e somente eu continuava saindo com o Fernando para assistir futebol ou jogar sinuca. Fernando vinha até a nossa casa também e passava horas conversando com a gente e principalmente com a Alexandra. E pra mim era normal, afinal, ele era o meu melhor amigo. Ele continuou relatando sobre como a amizade esfriou aos poucos, agravando ainda mais quando eu e Dulce nascemos e eles ficaram muito ocupados cuidando de nós.  — Com o tempo nós só paramos de nos falar porque foi o que parecia mais normal.  — E como a minha mãe se envolveu com o Fernando?  — Eu estava ocupado demais nos meus projetos para o futuro. A minha meta era ficar rico e a sua mãe achava que seria perda de tempo. Eu foquei demais nisso, parei de dar tanta atenção à ela, mas eu ainda a amava muito e fazia questão de sempre lembrá-la disso. Quando você tinha oito anos, a sua mãe disse ter entrado para um clube do livro e saía todas as noites de sexta. Eu trabalhava à noite, então deixávamos você com a nossa vizinha.  — A Lisa. O primeiro par de pernas que chamou minha atenção. — ri e meu pai acompanhou minha risada.  — Não sei a quem você puxou. Enfim, um dia eu cheguei em casa mais cedo que o comum e vi que a sua mãe ainda não estava lá. Estranhei e resolvi ir até o endereço que ela me deu de onde ela disse ter ido para a reunião do clube do livro. Acontece que o endereço era falso. Eu fiquei acordado esperando ela chegar e nós brigamos muito feio.  — O que ela disse?  — Ela se desesperou, disse que eu estava desconfiando dela sem motivo algum e que deveria confiar na mulher com quem me casei. Eu resolvi deixar isso pra lá e evitar mais brigas. Queria poupar você de presenciar esse tipo de coisa.  — Bom, não deu muito certo. Eu vi vocês brigarem muitas vezes.  — Eu sei. Tudo fugiu do controle. Eu estava cada vez mais inseguro e sua mãe m*l olhava na minha cara. Um dia eu resolvi segui-la e vi ela entrar em um motel com o Fernando. Foi a pior sensação que eu já tive em toda a minha vida. Aquele foi o dia em que eu a vi pela última vez. De novo ela chegou tarde e de novo nós brigamos, mas dessa vez eu tinha certeza do que estava acontecendo e a confrontei. Ela disse que não me amava mais e que iria embora com o Fernando. Ela desistiu de nós.  — Fico me perguntando a razão de ela não ter voltado pra me ver. O Fernando sempre voltou pela Dulce. — mirei o chão.  — Sua mãe era muito intensa, quando ela sentia, ela sentia ao extremo. Ela saiu dizendo que não voltaria nunca mais e foi isso que ela fez.  — Por que você nunca me contou tudo isso antes?  — Porque eu não imaginei que você fosse se envolver sexualmente com Dulce Saviñon. Juro que se soubesse o sobrenome dela antes te aconselharia a se afastar o quanto antes. Não é nada contra a garota, ela parece ser legal, mas você não tinha que lidar com a sua mãe surgindo de novo. — Acho que a minha mãe pode querer se aproximar.  — Você é adulto agora, filho. Se quiser ouvi-la, faça isso. É uma decisão sua.  — Eu prefiro que ela me dê um tempo. Não estou pronto pra isso agora. Preciso lidar com outras coisas.  — Com a Dulce?  — É. Com a Dulce.  Depois de acabarmos o café da manhã, eu saí de lá e fui até o clube onde era sócio. Alfonso queria jogar golfe e eu precisava ocupar a minha mente com uma boa competição. Assim que troquei de roupa no vestiário do clube, meu celular começou a tocar.  "Nova chamada de Dulce" Ignorei a ligação, guardei o celular no bolso e fui direto para o campo de golfe, onde Alfonso me esperava em um dos carrinhos. Coloquei meus tacos na traseira e sentei ao lado de Poncho, que começou a dirigir até o primeiro buraco logo em seguida.  De novo o meu celular tocou e após analisar e ver que era ela, eu o guardei novamente.  — Problemas no paraíso? — Poncho me olhou de relance. — Não. Eu só não quero falar com ela agora.  — Se ela ficar muito no seu pé, você sempre tem a opção de chuta-la.  — Você está doido pra que eu faça isso, não é? — bufei.  — Você sabe que eu sou o próximo da fila. — riu.  Fiquei quieto esperando que o meu silêncio pudesse silencia-lo também. Chegamos até o primeiro buraco e começamos a jogar. Uma das garotas dos carrinhos de bebida se aproximou e eu tive que esperar Alfonso dar em cima dela para voltarmos ao golfe. Enquanto ele se distraía elogiando a beleza da garota, meu celular tocou de novo. Dulce estava bem insistente.  Olhei suas mensagens pela barra de notificações.  D - Pode me atender?  D - É importante!  D - Christopher, é sobre a sua mãe.  D - Você disse que eu não deveria ser envolvida nisso, então quero que você resolva! D - Christopher?  D - ???? Guardei meu celular de volta no bolso ao notar que Alfonso se aproximava novamente.  — Foi m*l, eu estava arranjando mais um contato para a minha coleção. — riu, mostrando o papel entre seus dedos. — E você? Que cara de poucos amigos é essa?  — É que eu revi a minha mãe anteontem. — Que? Ela voltou? — ficou boquiaberto.  — É. Ela é casada com o pai da Dulce.  — p**a que pariu.  — Isso tá enchendo a minha cabeça e eu não quero mais ter que falar sobre. Vamos voltar ao jogo. — segurei meu taco com firmeza.  Tive que desligar o meu celular para poder me concentrar no golfe. Seja lá o que Dulce quisesse que eu resolvesse, eu não podia lidar com a minha mãe do jeito que estava agora. Qualquer assunto que Alexandra tentasse tratar comigo acabaria em discussão porque eu estava irritado demais para querer ouvir. Eu precisava pensar e analisar a situação. E claro, ainda tinha o fato de que eu estava cogitando me afastar da Dulce.  Duas mulheres completamente diferentes, duas mulheres que significavam muito para mim, duas mulheres que poderiam me machucar. Eu estava cansado de ser machucado e cada vez mais a melhor solução parecia ser ignora-las.  Religuei meu celular apenas quando voltei para casa no início da noite. Dulce pareceu ter desistido de falar comigo ao meio dia, quando sua última mensagem foi enviada.  D - Não diga que eu não avisei!  O que p***a ela havia feito? Resolvi ligar para ela só para ficar ciente do que eu deveria esperar.  — Resolveu falar comigo? O que aconteceu com você? O que fez o dia inteiro que não podia me ligar? — ela estava claramente irritada.  — Eu estava ocupado, mas agora eu posso te ouvir.  — Sua mãe não parou de implorar pra que eu passasse o seu endereço pra ela. Eu queria falar com você pra saber o que eu deveria fazer, como eu deveria lidar com a Alexa.  — Deu o meu endereço pra ela? — agora fui eu que ficou irritado.  — Não. Mas só pra ela me deixar em paz eu tive que passar o seu número.  —  c****e! — reclamei.  — Não é culpa minha, eu tentei falar com você!  — Dulce, limites! Sabe o que são limites? Não era pra você interferir na minha vida assim, mas olha só você, olha o que está fazendo! — aquilo não era só sobre a minha mãe, mas ela não precisava saber tudo.  — Desculpa, mas isso não é responsabilidade minha. Se preferir, pode só dispensar ela e deixar claro que não quer contato. Se ela não ouvir isso de você, não vai desistir de ir atrás.  — Acontece que eu não tinha certeza e pretendia pensar antes de ser pressionado por ela!  — E como eu iria saber disso se você não me atendeu?  — Só... me deixa no meu canto por enquanto. Eu não quero falar com a minha mãe e no momento, também não quero falar com você. — baixei o tom de voz.  Do outro lado da linha, houve um breve silêncio. Dulce suspirou antes de dizer:  — Ok. Quando esfriar a cabeça, me liga. Ou não... Sei lá. — sua fala pareceu bem desanimada. — Tchau, Dulce. — Tchau.  Desliguei e joguei o celular no sofá. Agora era questão de tempo até eu começar a receber ligações de Alexandra. Estas eu faria questão de ignorar.
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