Cadeado

1245 Words
Cadeado Lyra Papadakis Os dias passaram devagar desde meu casamento e a esperança dele voltar ainda estava viva dentro de mim. Ainda não sei se era mentira ou sonho r**m, uma forma do destino me castigar, mas o que eu fiz para acontecer tal agouro comigo? Fiz tudo certo aceitar seus sonhos loucos de abrirmos um espaço para ele cantar aqui na ilha, enquanto eu movimentava o nosso restaurante. Tudo estava tão organizado e tinha tudo para dar certo, era para ser do jeito que tínhamos sonhado, ou eu sonhei, clareamento não tínhamos os mesmos sonhos. Não sei porque ainda pensava nele abrindo a porta e dizendo o quanto foi i****a, o quanto foi ingênuo e como foi egoísta em deixar todos para trás. Que estava arrependido e me queria de volta... Acho que eu pularia em seus braços na mesma hora e não deixaria nada mais nos atrapalhar, eu seria tola a esse ponto. A minha família tenta ser forte comigo, eles não falam em Heitor e agradeço por isso de todo o meu coração. Tento manter a minha dignidade pelo menos na fachada, mostrar que superei e que não vou voltar atrás em nada que eu disse no dia do meu casamento. Fui falatório por dias, aqueles olhares de pena eram o que me matava mais... Deus sabe a raiva que eu sentia vendo as Senhoras me entregando olho grego para dar sorte pois estava com falta, as meninas tinham um olhar de satisfação, Heitor era o desejo de todas elas, eu era a sortuda. E os homens eram uma mistura de sentimentos que não gosto de dizer. Uns eram respeitosos, outros perguntavam se queria ajuda para esquecer Heitor e claro outros só me viam como a mulher abandona no altar, um azarada! Saulo já deu soco em alguns dos amigos que foram totalmente desrespeitosos, ele sempre está perto para me proteger. Fora a minha família que está vindo na ilha sempre que pode, tios, tias, primas e primos. - Você não quebrou o prato na direção certa! - Era um domingo e todos os meus familiares estavam na ilha, mas uma forma de me animar. Minha tia Toula irmã da minha mãe estava fazendo carneiro e eu estava ajudando no preparo e ela me soltou uma dessa... -A tradição de quebrar os pratos nas comemorações de alguém existe há cerca de 4 mil anos. Na antiguidade os pratos eram quebrados na porta da futura casa dos noivos porque os gregos acreditavam que o barulho de louça se partindo enganaria e afastaria os maus espíritos. Seu noivo ficou cheio de graça porque não fizemos isso, foi um livramento Lyra, Heitor não era homem para você! Homem que não respeita as tradições, não é um bom homem para estar em nossa família... - Ele não é um Xeno( estrangeiro), nasceu em nossa terra e sabe as tradições! - Falo para minha tia. - Mas age como um e o onde ele está agora? Seus pais, seus tios e tias, primos e primas, ninguém tem coragem de te falar, mas eu Toula Papadakis tenho, Heitor Pappa não era para você! Você deu ouvidos ao seu noivo e não quebrou os pratos! Os maus espíritos foram lá e levaram ele que não acreditava nas tradições... Daí me paciência... - Lyra, está em seu estado de luto, eu respeito, mas não perca seu brilho por quem não merece..." O amor somente destruiu tudo de bom que eu tinha em minha vida, levou meu sorriso, o colorido que eu via da vida e deixou uma dor que não sai do meu corpo de forma alguma. Peguei meu coração e tranquei ele com um cadeado pesado, as correntes grossas, ele m*l consegue bater desde então, está pesado com a proteção extra que estou tendo. Heitor não vai conseguir abrir o cadeado, me recuso passar por tudo isso e depois deixar ele vir com suas juras de amor e abrir com a porcaria da chave que ele tem... A chave é um amor fraco, sem estrutura e confiança, não posso me sujeitar a isso novamente, bom é ao que a razão grita em minha cabeça toda vez que penso em ir atrás de Heitor... Tenha amor próprio Lyra! Eu dei tudo de mim e ele não soube aproveitar, tudo mesmo, até a minha alma e ele fugiu mesmo assim. Eu tento descansar minha alma cansada, mas, admito, espero voltar, ainda sim espero, mas acho que é para ter as respostas que tanto preciso. - Bom dia! - Saulo vem todos os dias me vê, trás flores, às vezes traz algum livro ou lápis para que eu possa desenhar. Ele vive entre a cidade e a ilha, então é fácil para ele comprar as coisas. Me afundei no trabalho, estou trabalhando no meu restaurante e por incrível que pareça vive cheio de clientes, não tem mais música livre, não gosto mais de ouvir músicas de amor, a única coisa que ficou daquele época são os meus desenhos das paisagens da ilha. Eu amo desenhar, sempre quando estava feliz eu desenhava, mas agora meus desenhos estão tão tristes e vazios, então é rara às vezes que ainda tento. - Bom dia Saulo! Como está seus pais? - Saulo me olha triste, já se passaram um mês para ser exata e nenhum notícia de Heitor. Eu sei, trancar me coração... - Envergonhados, tristes e pagando por um crime que não cometeram...- Olho achando estranho sua fala. - Como assim? - Somos a família cujo o noivo abandonou a noiva no altar, estão até falando que meu irmão acabou com a sua vida...- Saulo fecha os olhos. - Ele é um grande i****a que acabou com as nossas vidas e nem para se desculpar, falar para a mãe que está bem, a coitada vive triste e sozinha pensando que por culpa dela seu filho foi um covarde com você. - Não se culpe por isso, a culpa é toda dele, sei trabalhar e posso me cuidar sozinha. Tenho uma família grande que me ajuda como pode, não precisam se martirizar. Não quero mais saber de amor, vou morrer solteira que é melhor! Eles não precisam se preocupar comigo. Saulo me olha triste... - Não pode acabar com a sua chance de ser feliz por causa dele Lyra, como assim nunca mais vai amar? - Saulo se aproxima e tem um cheiro de mar misturado a madeira, é estrando essa mistura me atingir assim... - Medo, tenho medo de me machucar e acontecer tudo novamente, não sou boba da corte para deixarem fazer o que querem de mim Saulo, quem vai me levar a sério na ilha depois que seu irmão fez comigo? Esquecer seria certo, me fechar seria necessário e não amar é o ideal para não sofrer novamente. - Saulo se aproxima mais... Esse cheiro está me enjoando... - Ele acabou com você, nunca vou o perdoar... - Ele é seu irmão, não podemos misturar as coisas, ele vai sempre ser o seu irmão, sangue não escolhe, não mente ou se renega. Se ele precisar ajude, mas não contem comigo... Saulo tenta me abraçar, mas um enjôo terrível me atinge e saio correndo, sinto sua presença mas nem ligo. Entro no banheiro e vômito a minha alma! Depois de um tempo dentro daquela lugar ouço vozes... A porta é aberta e eu estou abraçada a um vaso... - Deus isso vai ser um tragédia! - Héstia minha prima que trabalha comigo logo diz.
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