Passei meus braços em torno do seu pescoço, o aproximando ainda mais de mim.
Ele começou dando um selinho, mas sua língua logo pediu por passagem, e eu dei.
O beijo era incrivelmente bom e viciante, havia um leve gosto de bebida e creme dental. Era um beijo urgente, como se a gente dependesse dele para sobreviver.
Nos afastamos apenas quando o ar nos faltou.
O que tinha acabado de acontecer aqui?
Eu e Justin estávamos ofegantes, ele ainda me segurava nos braços, mantendo sua testa colada na minha. Eu mantinha meus olhos fechados, enquanto brincava com alguns fios de cabelo que havia em sua nuca. Não podia encará-lo agora, não queria encará-lo agora.
Justin me solta e se afasta um pouco, abro meus olhos vendo que ele parecia confuso.
O louro ainda estava parado em minha porta, sem dar um passo sequer para dentro do meu apartamento.
- Me desculpe por isso! – é o que ele diz. Me causando um certo desconforto.
- Não acredito que você atravessou a cidade, veio até mim, me beijou e agora está me pedindo desculpas. – o fito seriamente.
Justin me olha e logo um sorriso de lado surge ali.
- Eu queria fazer isso, não significa que é o certo. – ele olha em meus olhos.
Estávamos mesmo tendo essa conversa? Era de madrugada, Justin devia estar em sua festa agora, e eu devia estar dormindo. Tudo está errado!
- E o que é certo? – cruzo os meus braços e encaro o louro por alguns segundos.
- Não vou ter essa conversa com você aqui. – Justin me empurra gentilmente e entra em meu apartamento, fechando a porta atrás de si.
Permaneço intacta o olhando, enquanto vejo ele andar de um lado para o outro, passando as mãos pelos os cabelos.
- Nós dois não temos nada a ver. – Ok, Justin. Agora me conte algo novo. – Eu não costumo me envolver com pessoas que não fazem parte desse mundo, Lucy. Não me envolvo com pessoas anônimas.
De repente pareceu que eu estava implorando pra ele estar comigo, coisa que eu não estava.
- Justin, foi só um beijo, eu não estou pedindo pra você ter algo comigo! Não aja como se eu tivesse causado isso.
Ele para e me olha.
- Você não está entendendo! – ele aumenta um pouco o tom de voz.
- Sim, eu entendi perfeitamente bem. Você está esfregando na minha cara que não vai ter nada comigo porque eu não sou famosa, porque sou alguém comum. Sendo que, quem veio até mim foi você, eu não vou implorar pra ter algo contigo. – eu disse tentando conter meus nervos. Estava querendo socá-lo por ser tão o****o a ponto de se prender a algo tão banal como o fato de eu não ser a merda de uma pessoa conhecida.
- Lucy, só escuta. – ele diz um pouco afobado. Paro de falar e o olho atentamente. – Você realmente não está entendendo onde quero chegar. O que eu quis dizer é que não costumo me envolver com pessoas anônimas, que passei anos da minha vida fugindo disso e agora caí.
Franzo o cenho, ele parecia perdido em seu próprio raciocínio.
- A merda de um plano de anos foi por água a baixo porque eu conheci você! – seus olhos encontraram os meus.
As malditas borboletas estavam ali novamente, meu coração voltou a acelerar e senti minhas mãos começarem a suar.
- Era pra você ser só uma amiga, Lucy. Mas eu não controlo o que sinto, acabei me apaixonando por você!
O encaro perplexa, passando as mãos pelo o meu cabelo. Ele estava mesmo falando aquilo? Ou eu fiquei louca de vez?
- V-você o quê? – gaguejo um pouco ao perguntar.
Ele já tinha dito que gostava de mim, mas ele estava bêbado e provavelmente se referia a gostar de mim como uma amiga. Mas agora, agora ele estava diante de mim, sóbrio, dizendo que se apaixonou. Se isso for um sonho, por favor, não posso acordar sem ver o desfecho.
- É isso mesmo que você ouviu, eu estou apaixonado por você! – ele disse me afrontando. O que teria me causado risadas se eu não estivesse tão inerte no que ele acabara de dizer. Justin apaixonado por mim? Ele está mesmo apaixonado por mim? Isso só pode ser uma brincadeira de muito m*l gosto comigo, o destino não seria tão gentil a esse ponto.
O louro caminhou rapidamente em minha direção, me fazendo dar alguns passos para trás, até encostar minhas costas na parede gelada, sentindo um frio me percorrer.
Ele parou bem em minha frente, apoiando cada mão em um lado da minha cabeça, se inclinando levemente em minha direção.
- Para de me olhar assim! – ele disse baixo, pude sentir o cheiro do seu hálito batendo contra o meu rosto. Enquanto seus olhos me encaravam. Ele parecia procurar algo em mim, era como se tentasse entender o que se passava em minha mente.
Pisquei algumas vezes, tentando raciocinar o que tinha acabado de acontecer, era tudo muito confuso.
- Assim como? – pergunto enquanto mantenho meus olhos fixos em seus olhos.
- Como se eu tivesse dito a maior besteira que você já ouviu.
Coloco minhas mãos sobre o seu peito, tentando afastá-lo de mim, mas não surge efeito algum no louro, já que seu corpo permanece intacto em minha frente.
- Mas você disse a maior besteira que eu já ouvi. – disse enquanto pensava no tamanho da merda que isso era, mesmo que eu tivesse amado ouvir isso dele, era loucura de acordo com as nossas circunstâncias, eu já tinha que lidar com os meus sentimentos, não conseguiria lidar com os dele também.
Justin me olha sério, posso ver que ele se magoa com o que eu falo.
- Quer dizer, olhe para mim, eu sou só uma fotógrafa comum, por que alguém como você se interessaria por mim? – completo.
Parecia que tínhamos mudado de lado. Justin estava dizendo à alguns minutos atrás que não costumava se envolver com gente anônima, e aquilo doeu em mim, a ideia dele não querer nada por eu ser só eu, mas agora, quem está achando isso uma loucura sou eu. Eu que estou achando um absurdo um cara como ele se interessar por uma garota como eu.
Justin me analisa e suspira.
- Você tem noção do tamanho da merda que está dizendo?
- É a verdade! Isso nunca funci...- sou interrompida pelo louro, ele cola os lábios novamente nos meus. Iniciamos um outro beijo, e só nos afastamos quando o ar falta, ele termina me dando um selinho. Ótimo jeito de me fazer calar a boca!
- Você acha que eu não sei o quanto isso é errado, Lucy? É justamente sobre isso que eu estava falando à minutos atrás.
- Quem te garante que você não está confuso, Justin? Talvez a nossa amizade tenha te confundido.
- Eu não estaria aqui agora se existisse alguma possibilidade de estar confuso. – sinto sinceridade no tom de sua voz. – Faz tempo que estou com isso dentro de mim, você nem sabe o tanto de vezes que eu me segurei para não te agarrar.
Engulo seco o encarando perplexa, vendo ele soltar uma risada baixa. Minha feição não devia ser uma das melhores.
- Você continua me olhando como se eu estivesse louco.
- Talvez você esteja. – digo baixo. – Quem me garante que isso não é uma brincadeira de m*l gosto?
A verdade é que eu estava apavorada, apavorada com a ideia de Justin gostar mesmo de mim. Tinha medo de sair magoada nisso, ou pior, o magoá-lo. Desvio meus olhos de suas íris carameladas, sei que ele deve estar achando um absurdo as coisas que estou dizendo.
Logo sinto sua mão segurar de forma firme o meu queixo, me fazendo fitá-lo.
- Eu jamais brincaria com isso, Lucy. Eu jamais brincaria com o sentimento de alguém assim.
- No fundo, eu sei disso. – suspiro. – Mas você realmente consegue entender como isso é pra mim? Eu estou diante de um dos maiores artistas da atualidade, ouvindo ele me dizer que está apaixonado por mim. – solto uma risada seca. – Isso é louco!
Ele ri e n**a algumas vezes com a cabeça.
- Acha mesmo que eu estou achando isso a coisa mais normal desse mundo? – n**o. Sei que isso é estranho pra ele, assim como é pra mim. – Mas como eu disse, a gente não controla o que sente, e eu me apaixonei por você.
Era bizarro ouvir isso dele, não importava quantas vezes ele dissesse. Acabo soltando um sorriso e desviando meus olhos dele.
- Eu amo tanto esse sorriso. Oh, céus! Como amo esse sorriso. – ele me deu alguns selinhos, me fazendo rir ainda mais.
- Justin, para! – tentei afastá-lo enquanto ainda ria, mas era em vão, ele sequer se mexeu. Ele ria também.
- Eu não quero parar, não quero me afastar.
Olhei em seus olhos, passei as mãos em volta de sua cintura e o abracei forte, encostando minha cabeça em seu peitoral. Justin logo passou as mãos em volta dos meus ombros, me apertando fortemente contra seu corpo, enquanto apoiava seu queixo no topo da minha cabeça. Às vezes ele dava alguns beijos no topo da minha cabeça, mas logo voltava a apoiar seu queixo ali.
Isso era tão errado! Tão fodidamente errado! Ser amiga do Justin já era pesado, imagine se envolver com ele amorosamente. A situação havia fugido completamente do meu controle, o certo seria abrir o jogo com ele, dizer que eu me aproximei para tirar fotos apenas, que tudo foi devidamente calculado. Mas como eu diria isso? Como eu olharia em seus olhos e diria que eu sou uma mentirosa? Eu não sei quais palavras usar, não sei uma forma de dizer sem que o machuque. Existe uma forma? No fundo eu sei que não. Não existe um jeito disso ser bom, não quando o que eu fiz é r**m.
Perdi a noção de quantos minutos se passaram, vez ou outra eu ouvia o suspiro do louro.
Nos soltamos lentamente, olhando profundamente um para o outro, era um momento estranho mas diferente de qualquer coisa que eu já tinha vivido. Nunca em toda a minha vida alguém me olhou como ele estava olhando.
- Eu preciso voltar, ainda tem uma festa rolando na minha casa. – ele disse baixo, se afastando de mim, o que me incomodou, sentia falta de ter o seu corpo perto do meu.
- Sim, precisa. E eu preciso da minha cama. – eu realmente estava morta, sentia que podia dormir a qualquer momento.
- Precisa mesmo, você está péssima! – ele soltou uma risada enquanto me analisava. Olhei perplexa pra ele, enquanto colocava uma de minhas mãos sobre o peito, fingindo indignação.
- Que audácia! – sorri quando vi ele se aproximar.
Ele me puxou pra ele e novamente me beijou, eu nunca me cansaria de seus beijos.
- Agora eu posso ir. – ele me soltou e caminhou até a porta, me fazendo acompanhá-lo. Ele passou por ela a deixando aberta, me encostei nela enquanto via ele se virar novamente pra mim, dando aquele sorriso incrível, que só ele tinha.
Justin veio até e mim, dando outro selinho.
- Agora eu vou mesmo. – ele disse me causando risadas.
- Boa noite, Bieber. – vi seu sorriso de lado.
Ele acenou e se afastou, indo em direção ao elevador, antes de entrar ele me deu outro sorriso, sumindo rapidamente de minha visão ao entrar nele.
Fecho a porta com um sorriso bobo em meus lábios, o que tinha acabado de acontecer aqui?
(...)
Eu realmente não sei se o dia estava mais bonito que o normal, ou se era o meu excelente humor naquela manhã que estava favorecendo.
Foi a primeira vez em minha vida que levantei da cama com um sorriso gigante em meu rosto, juro, eu poderia rasgar as minhas próprias bochechas a qualquer momento, não estava acostumada a sorrir. Depois de fazer toda a minha higiene matinal eu fui em direção a cozinha cantando. Sim, cantando. Isso era bizarro até pra mim. Preparei todo um café da manhã, era a primeira vez que acordara com fome. Depois de tudo pronto me sentei na bancada, degustando tudo que estava diante de meus olhos com calma.
A noite passada aparece em meus pensamentos como pequenos flashes revejo tudo que vivi, e como tudo foi incrivelmente perfeito. Quer dizer, a parte da festa não tanto, mas o depois. Ah, o depois!
Revivo tudo novamente em meus pensamentos, e posso jurar que sinto os seus lábios nos meus novamente, como se ele estivesse aqui agora. Não podia ser um sonho, claro que não. Eu jamais sonharia com algo tão real assim, e ao me dar conta disso sorrio novamente. Eu havia mesmo beijado o Justin na noite passada.
De algum lugar do apartamento ouvi meu celular tocar alto, me virei vasculhando a sala rapidamente com os olhos, vendo o aparelho vibrar em cima da mesa de centro. Caminhei lentamente até ele e vi que o nome da Jen brilhava ali, rapidamente o peguei e atendi a ligação.
- NÃO ACREDITO QUE VOCÊ SUMIU DEPOIS DE JOGAR AQUELA BOMBA EM MIM! – afastei o aparelho do meu ouvido ao ver o tanto que ela estava gritando, não queria mesmo ter uma dor no ouvido logo cedo por conta dos gritos da minha melhor amiga. – NÃO SE FAZ ISSO, LUCY!
Esperei um tempo até que ela parasse com o show, assim que não ouvi mais os seus gritos coloquei o aparelho novamente em meu ouvido. Conseguia ouvir a respiração acelerada dela, Jen estava mesmo nervosa.
- Acabou? – foi o que perguntei, e como resposta ouvi uma longa bufada vindo dela. – Eu realmente me esqueci das mensagens, me desculpe! – Tinha esquecido completamente da minha conversa com a Jen, e entendo ela estar tão nervosa quanto a isso, o nosso último assunto tinha sido a vinda do Chaz ao meu apartamento, assunto importante.
- O que aconteceu? Você dormiu? – ela parecia estar mais calma.
Pensei no que seria o certo, confirmar que eu havia dormido, ou dizer a verdade? Será que vale a pena dizer isso? E se não tiver significado nada. Dei um suspiro.
- Aconteceu alguma coisa, Lucy? – ela perguntou baixo. Parecia receosa.
- Aconteceu...
- Alguém te destratou naquela festa? Se for isso me diz quem foi, que eu juro que vou até Los Angeles e dou uma lição na pessoa. – Neguei com a cabeça e soltei uma risada baixa ao ouvir isso, era fofo Jen se preocupar comigo a esse nível. Mas o máximo que ela conseguiria fazer caso se envolvesse nesse tipo de confusão, é quebrar a própria unha.
- Não é nada disso. Ninguém me tratou m*l naquela festa. – Estavam ocupados demais ignorando minha existência. – Justin veio no meu apartamento depois que vim embora.
- Justin? O que ele foi fazer aí? – não estava vendo ela, mas sabia que sua testa devia estar bem franzida agora.
Pensei em como diria isso da forma mais direta possível.
- Bom, veio me dizer que está apaixonado por mim e nos beijamos. – disse de uma vez só.
Jen ficou completamente em silêncio por longos segundos. Cheguei a pensar que ela não estava mais ali, mas logo sua voz soou.
- Ele o quê?
- Me beijou.
- Eu realmente estou chocada. Quer dizer, eu já sabia que vocês gostavam um do outro, mas por alguns momentos achei que nenhum dos dois fosse tomar uma atitude. Vocês sempre foram bons como amigos.
- É, eu sei. – passei a mão pelo o meu cabelo.
- Como se sentiu quando ele te beijou? – pelo tom da sua voz ela devia estar sorrindo.
- Eu não sei, foi um misto de sentimentos. Não me lembro de ter sentido isso antes, Jen.
- Ah, vocês são uns fofos! Eu realmente estou feliz por finalmente ter rolado.
- Eu também. Mas não sei muito o que isso significa.
- Como assim?
- Eu não sei o que nós somos, ainda somos amigos? Ou agora temos algo a mais? É confuso pra mim. – me joguei no sofá e suspirei. – Nunca passei por isso.
- Não se importe com isso agora, deixe as coisas fluírem naturalmente. Vocês não precisam de um rótulo.
- Mas como eu cumprimento ele, Jen? Com um beijo no rosto ou um beijo na boca? – parecia bobeira eu me preocupar com algo tão pequeno, mas eu realmente estava perdida sobre isso, perdida sobre tudo.
- Lucy, sem surtos. – ela soltou uma risada. – Isso não é nada demais, não tem com o que se preocupar. Observe como o Justin vai reagir e vai no embalo, sinta a vibe.
- Tudo bem, acho que posso fazer isso.
- Claro que pode! É mais simples do que parece.
- Eu espero.
- Agora me conte todos os detalhes, eu preciso de cada detalhe.
- Não tem o que dizer, foi só um beijo. – digo e dou de ombros.
- Lógico que tem o que dizer, como foi o beijo? Justin beija bem? Tem pegada? – ela pergunta tudo de uma vez.
Não aguento e solto uma risada alta, sendo acompanhada por minha amiga.
- Isso é extremamente constrangedor. – digo.
- Não acho. Só responde, Lucy.
- Ele beija muito bem, Jen. Satisfeita? – podia sentir minhas bochechas queimarem. Devia estar que nem um tomate a essa altura do campeonato.
- Satisfeita não estou, mas sei que é o máximo que vou conseguir. – ela suspirou. – Agora preciso que me fale sobre o Chaz.
- Ele veio até o meu apartamento. – respirei fundo, não sei como diria isso. – Me fez perguntas sobre você. Perguntou se você estava bem, se estava saindo com alguém.
- O que você disse?
- Eu não disse. As perguntas pareciam ser retóricas, ele mesmo as respondeu.
- Qual foi a resposta? – ela perguntou baixo.
- Que você estava bem sim, que estava feliz e que sim, estava com outra pessoa. Ele estava péssimo, Jen. E eu disse pra ele seguir em frente, que estava na hora dele entender as suas escolhas e continuar a vida.
Ela deu um longo suspiro.
- Ele deve me odiar tanto.. – sua voz estava chorosa.
- Talvez até fosse o que ele queria, mas não é bem assim, Jen. Chaz claramente te ama.
- Eu preciso ir, tenho uma reunião para fazer.
- Tem a ver com a grife?
- Sim. Já me demiti e agora estou resolvendo o restante das coisas pra começar com a minha marca.
- Fico muito feliz por você! – disse animada. Ouvi a Jen suspirar, ela claramente não estava feliz, tudo isso tinha um motivo, e o nome dele é Chaz.
- Liga pra ele! – é o que digo. Mesmo sabendo que ela não vai ouvir o meu conselho.
- Melhor não. – pausa. – Vou desligar, depois nos falamos!
- Beijos, e boa sorte!
- Obrigada.
Fim da ligação.
Eu e a Jen estávamos em situações péssimas com as pessoas de quem gostamos, como pode escolhas erradas influenciarem tanto na nossa vida? Me sinto extremamente m*l por tudo. m*l por ter me enfiado nisso tudo, m*l por ter prejudicado alguém que eu gosto e ainda pior por não conseguir dizer a ele toda a verdade. Eu não podia mudar o meu passado, mas com certeza poderia mudar o futuro.
Desperto de meus pensamentos com uma mensagem.
Louro:
Ei, bom dia. Tem algo para fazer hoje?
Sorrio ao ler sua mensagem, rapidamente dígito uma resposta.
Você:
Bom dia. Não pelo o que eu saiba.
Louro:
Ótimo! Agora você tem um compromisso.
Você:
Que seria?
Louro:
Estou indo para uma de minhas casas, e queria muito que fosse.
Você:
E onde seria essa casa?
Louro:
É numa parte isolada. Não quero dar muito detalhes, é surpresa.
Chamei uns amigos para passar o fim de semana lá, e seria bem legal se você fosse.
Você:
Não sei se é uma boa. Quer dizer, acho que não vou fazer diferença lá.
Louro:
Lucy, não diga bobagem. Eu quero mesmo que você vá!
Posso passar aí pra te pegar daqui 1hr?
Justin me perguntando se pode vir? Essa é nova.
Você:
Não sei porque você pergunta.
Com toda a certeza não aceitaria caso eu dissesse não.
Louro:
Ainda bem que sabe. Passo aí daqui uma 1hr, seja rápida.
Bufo ao ler sua mensagem. Eu precisava arrumar uma pequena mala em menos de 1hr.
Corro até meu quarto, e pego uma mochila a colocando em cima da minha cama. Abro meu guarda roupa e analiso bem as roupas que estão em minha frente, peguei alguns shorts, umas camisas e regatas. Peças íntimas e joguei tudo na mochila.
Olhei para um biquíni e pensei se seria uma boa pegá-lo ou não, a casa do Justin com toda a certeza tinha piscina, achei melhor pegar o biquíni e colocar na bolsa. Peguei uma bolsa menor e guardei alguns produtos como, desodorante, creme, shampoo e condicionador. Guardei também o carregador do meu celular, e pronto, estava tudo pronto.
Caminhei até o banheiro e tomei uma ducha, vesti uma camisa larga e confortável e um shorts. A casa devia ser longe daqui, algo me diz que passaremos algumas horas no carro, achei que seria melhor usar algo confortável.
Peguei meu celular e vi uma mensagem do louro ali, ele já me esperava lá embaixo.
Peguei as minhas coisas e sai dali, fechei meu apartamento, guardei as chaves e desci. Ao passar pelo porteiro o cumprimentei com um pequeno sorriso e breve aceno. Assim que sai do prédio me deparei com uma Range Rover preta. O louro estava sentado no banco do motorista com o vidro abaixado me observando com um leve sorriso nos lábios, enquanto eu dava passos rápidos até o carro.
Agora era a hora da verdade, como a gente iria se cumprimentar? Esse realmente é um grande dilema pra mim.
Abri a porta e tive que me esforçar para não cair quando sentei no banco, aquele carro era mais alto do que eu imaginava. Ao fechar a porta, vi o vidro ao meu lado se fechar aos poucos. Olhei para o louro, vendo ele com um belo sorriso. Ele parecia estar feliz.
- Oi. – eu disse tímida. Não sei como reagir perto dele depois do nosso beijo.
- Me dá oi direito. – seu corpo se inclinou em minha direção, logo senti uma de suas mãos vir no meu pescoço, me puxando para perto.
Justin me beijou brevemente e me soltou, fazendo eu soltar um sorriso i****a. Eu era mesmo uma boba apaixonada.
- Estou feliz que você esteja aqui. – ele disse.
- Acredite, eu também.
Joguei minha mochila no banco de trás e coloquei o cinto. Justin logo começou a dirigir.
- Temos um longo caminho pela frente. – ele disse enquanto batucava em seu volante.
- Muito longo? – o olhei de soslaio.
Gostava de viagens longas de carro.
- Uma hora e meia. – ele me olhou brevemente e sorriu. – Vai ter que me aturar muito. – Justin deu uma piscadela.
- Como vou aguentar sem te matar antes? Vamos ver. – disse brincalhona.
- Você me ama, baby.
Eu estava com a minha mão esquerda apoiada na minha coxa, ele pegou ela e a segurou, entrelaçando nossos dedos.
Enquanto eu olhava para a janela senti ele levar a minha mão junto a dele até sua boca, e depositar um beijo leve nas costas dela. O que me causou uma risada.
Logo ele voltou a colocar minha mão onde ela estava e voltou a segurar o volante com as duas mãos, segurança em primeiro lugar.
- Posso colocar uma música? – questiono depois de um tempo.
- Claro. – ele diz risonho, olhando fixamente para a pista.
Conecto meu celular no bluetooth do carro e seleciono a música do Bruno Mars, Young Girls. A vibe dela tinha tudo a ver com esse momento.
O som logo começa a soar pelo carro, volto a olhar a janela admirada com tudo o que vejo. Não precisava de muito pra me surpreender, isso é fato.
O céu estava bonito naquele dia, estava bem azul, com poucas nuvens. Abro um pouco a janela e coloco a minha cabeça um pouco pra fora, sentindo o vento fresco batendo contra o meu rosto.
Justin me encarava dando altas risadas, ele devia achar que eu estava louca.
- Gosto quando você se diverte assim. – ele diz.
O olho sorridente.
- Eu também. – voltei a me sentar corretamente, e pelo resto da viagem me mantive apenas atenta por onde passávamos, absorvendo cada lembrança.