Esquentando o palco

698 Words
A batida grave da música ecoava pelo clube lotado, vibrando através do chão de madeira enquanto os holofotes rodavam pelo ambiente, iluminando as mesas ocupadas por mulheres ansiosas. Algumas já seguravam notas de dinheiro, esperando pelo momento certo para jogá-las no palco. Outras bebiam drinques coloridos, os olhos cravados no telão que piscava no centro do salão, anunciando que o momento mais esperado da noite estava chegando. O sorteio. Toda semana, o clube promovia uma experiência exclusiva para uma cliente sortuda. E aquela noite não era diferente. Max estava nos bastidores, ajustando o chapéu sobre a cabeça, um sorriso de canto no rosto. Ele já sabia o que viria a seguir. Aquele era o momento em que os gritos se intensificavam, a expectativa explodia e uma mulher sortuda tinha a chance de receber uma dança particular sua. O telão brilhou, e as mulheres do salão pararam para olhar. O nome da escolhida surgiu em letras grandes e brilhantes. "Mel B." O bar inteiro vibrou com gritos e aplausos quando a câmera focou nela. Max moveu os ombros, relaxando o corpo antes de entrar em cena. No meio da multidão, sentada um pouco afastada da confusão, estava ela. Uma mulher bem jovem de pele dourada, cabelos castanhos caindo sobre os ombros e um vestido azul justo. Seu olhar arregalado e as mãos inquietas denunciavam o nervosismo. Diferente das outras mulheres ali, que gritavam e jogavam dinheiro no palco, ela parecia mais hesitante. Era exatamente o tipo de reação que Max adorava. Sem pressa, ele desceu do palco, deixando que o feixe de luz o seguisse. Caminhou entre as mesas, os olhos femininos o devorando, algumas mãos ousadas tentando tocá-lo. Mas ele tinha um destino certo. Mel ainda parecia atordoada quando ele parou ao seu lado. Suas amigas estavam histéricas, empurrando-a para que se levantasse. Max inclinou-se levemente, aproximando-se o suficiente para que apenas ela o ouvisse. — Parece que a sorte sorriu pra você, gatinha. Ela piscou algumas vezes, as bochechas ganhando um leve tom rosado. — Eu... não esperava por isso — murmurou, desviando o olhar. Max sorriu. — Isso é o que torna tudo mais divertido. Ele pegou sua mão com suavidade e guiou-a para se levantar. O público enlouqueceu. A caminhada até o palco pareceu durar uma eternidade para Júlia. Ela sentia os olhares sobre si, os murmúrios curiosos, as risadas de suas amigas. Seu coração batia forte, a adrenalina misturando-se ao nervosismo. A música mudou. A batida sensual e envolvente dominou o ambiente. Max a posicionou no centro do palco e deslizou os dedos pelos braços dela, fazendo-a arrepiar-se. — Está nervosa? — sussurrou contra sua orelha. — Sim... — confessou em um fio de voz. Ele sorriu. — Relaxa... eu sei o que estou fazendo. Moveu os quadris contra os dela, conduzindo o ritmo da dança. O calor de seus corpos se misturou, e Júlia prendeu a respiração. O público assistia, vidrado. Max girou-a lentamente, deixando seus corpos se alinharem de forma perfeita. Suas mãos desceram pela lateral do vestido dela, firmando-se na sua cintura. — Está gostando? — provocou. Ela umedeceu os lábios, hesitando. — Eu... — Não precisa responder — interrompeu. — Seu corpo já me disse tudo. Com um movimento ágil, Max a puxou contra si para o último impacto da dança. Os gritos ecoaram no salão. Ele deslizou os lábios pelo canto de sua boca, sem realmente beijá-la, apenas o suficiente para sentir o gosto do desejo não realizado. Então, afastou-se devagar. Mel piscou, tentando assimilar o que havia acontecido. A plateia urrava. Max acenou para o público e desceu do palco, deixando a de pé, respirando fundo. Antes de ir para os bastidores, ele sentiu um olhar observador pousado sobre ele. Era Miranda, a dona do clube. Ela estava encostada no balcão, uma taça de champanhe na mão e um sorriso de canto. Aos 50 anos, Miranda ainda exalava poder. No passado, havia sido a estrela do clube, a mulher que levava a multidão ao delírio todas as noites. Agora, era a mente afiada por trás do sucesso do lugar. Max a respeitava. Ele piscou para ela antes de sumir pelos corredores dos bastidores. A noite estava apenas começando.
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