Jardim de Desconcertos

2094 Words
Changkyun gostava de admirar os dois Reis, o amor dos dois sempre serviu de inspiração para muitos casais, e a maioria dos ômegas jovens sonhavam em viver algo parecido, sendo amados por seus alfas da mesma maneira que Wonsik amava seu ômega, dando a ele seu coração por completo. Changkyun nunca fora um exemplo de ômega romântico, mas isso não significava que ser amado não era um de seus desejos. Ele queria ser amado, todavia, não queria ser tratado como se fosse de vidro, afinal, muitas vezes a fragilidade dos ômegas não passava de fingimento, apenas para tornar os alfas mais fortes. A frágil virilidade dos alfas. Wonsik não era assim, pelo menos, isso era o que aos poucos ia descobrindo, sua sensibilidade era de se admirar, por mais que diante do Reino ele sempre impusesse a sua presença de alfa, quando estava em casa as coisas eram bem diferentes. Ele gostava de cuidar das flores, de tocar arpa e de passar horas com seu esposo no jardim. — Queria que o meu alfa fosse doce assim. Ouviu um suspiro escapar alto de Hyungwon, que repousara os braços na janela ao seu lado, os olhos do ômega mais alto se mantinham presos nos dois Reis logo abaixo, que sorriam um para o outro como se um deles houvesse dito algo de muito engraçado. — Você é casado? O outro sorriu, afastando um pouco a gola de sua camisa e mostrando-o sua marca, que possuía um tamanho exagerado e um formato turvo, como se houvesse sido feita às pressas. Provavelmente havia sido marcado em um cio. — Eu e Hoseok nos casamos há seis meses. — o disse, e não conseguia parar de sorrir, o brilho em seus olhos ao proferir o nome de seu alfa era bastante visível — Ele é um dos guardas de confiança do Rei, um pouco mais velho que eu. Não é muito bom em ser romântico, — acabou rindo baixo, provavelmente lembrando-se de algo que seu marido já tentou fazer e deu errado — Mas se esforça. — Ah, entendo. O Im voltou a observar o jardim, o casal real estava voltando para o castelo, pois já estava prestes a anoitecer e ambos precisavam se preparar para o jantar. O céu vermelho ao pôr-do-sol era realmente muito bonito, e o cheiro que subia das alfazemas conseguia ser ainda melhor. Era como se seu quarto estivesse estrategicamente no cantinho certo para o agradar. — Vossa majes... Você tem sorte. — Hyungwon soltou de uma hora para outra — Sabe, quanto ao príncipe Jooheon. Changkyun não entendeu. — Sorte? — Quanto a pessoa que ele é. — o respondeu — O príncipe herdou muitas características de seu pai, vai saber reconhece-las com o tempo, ele não é a pessoa que você pensa, Changkyun. Hyungwon se retirou do quarto logo após dizer isto, deixando para trás um Im muito confuso, que a princípio não havia entendido. Changkyun havia criado em sua cabeça uma imagem de Jooheon, onde o mesmo se apresentava como um alfa mandão e arrogando, que o havia tirado de sua família apenas para desfrutar de seu corpo, e depois que houvesse se cansado, o jogaria em um quarto qualquer do castelo. Noivo? Ele não conseguia se enxergar daquela maneira. Príncipes se casam com pessoas da realeza, e não com plebeus como ele. A porta se abriu, não ligou muito por acreditar ser apenas Hyungwon retornando, todavia, o cheiro que invadiu o quarto, o fez olhar para trás. Era Jooheon, vestido de n***o da cabeça aos pés, a pele alva e os cabelos da cor do sol contrastavam com as roupas, e ele parecia ainda mais avassalador. Alguma coisa em Jooheon lhe dava arrepios, e ele ainda não sabia dizer se esses tais arrepios eram bons ou ruins. — Não o vi o dia inteiro. — foi a primeira coisa dita por ele, após sentar-se na imensa cama. — Não estava muito disposto. — o respondeu. — A sair do quarto ou a me ver? O ômega desviou seus olhos, passando a observar o lado de fora da janela mais uma vez, já era a hora da troca dos guardas, e podia ver alguns deles transitando perto dos portões. Olhou mais uma vez para Jooheon, que ainda o encarava fixamente, aqueles olhos pequenos traziam um mistério que o Im não sabia ao certo se queria ou não desvendar. — Você me odeia? A pergunta inesperada havia deixado o ômega aturdido, abriu a boca várias vezes enquanto seu cérebro ainda formulava uma resposta. Nada vinha. Nenhuma resposta parecia condizer com a verdade. Não o odiava, mas também não gostava dele. A verdade era que Changkyun não entendia Jooheon, e isso o deixava confuso... e com medo. Olhou para o chão. — Me tirou da minha família e me trancou aqui dentro. — suas palavras vieram em sussurros, nem o olhava e falava mais para si do que para ele — O que eu deveria sentir? Alguns segundos se passaram, tudo ainda era silêncio. O príncipe então se ergueu da cama, caminhando devagar até o rapaz que ainda estava parado ao lado da janela. Changkyun não o olhou em momento algum, permanecendo com seus olhos voltados para os próprios pés, transtornado com seus próprios pensamentos. De que coisas um príncipe era capaz? Diziam por aí que eles eram os donos do mundo, que poderiam fazer o que bem quisessem. “Ele não é a pessoa que você pensa, Changkyun.” — Fui até sua família, pedi sua mão e sua mãe me concedeu permissão para casar-me com você. — falou calmo, sua distância era curta, podia sentir sua respiração — Me diga, em que ponto estou errado? Em nenhum. Ômegas nunca optavam sobre seus companheiros, os mesmos eram sempre escolhidos por suas famílias, e dados em casamento, eram raros os que se casavam por amor. Pelo menos, amor de ambos. Se não fosse o príncipe, sua mãe o teria dado em casamento a outro que lhe pedisse, ela nunca fizera muita questão de lhe procurar um bom noivo, afinal. O alfa fez menção de se afastar, todavia, teve sua camisa segurada por uma das mãos do menor. O encarou. — Vai mesmo se casar comigo? Jooheon sorriu de lado, aproximando um pouco mais seu rosto do rosto do ômega, que por sua vez procurou se afastar, mas não conseguindo dar muita distância. — E o que é que você andou pensando, Changkyun? Mais uma vez encurralado, o ômega umedeceu os lábios e olhou rapidamente para o maior, logo voltando seus olhos para baixo. Estava com vergonha.   — Você sempre fala do meu corpo, achei que me quisesse apenas para isso. Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio. Por um lado, Jooheon entendia o pensamento do ômega, e por outro, se sentia ofendido. Em uma fração de segundo, empurrou o menor na direção da parede, o prendendo entre ela e seus braços. Seu joelho ficou entre as pernas do Im, enquanto uma de suas mãos prensava seu pulso esquerdo na parede atrás dele. Baixou seu rosto, roçando seu nariz de leve no pescoço do menor. — Se eu o quisesse apenas para isso, — sussurrou ao pé de seu ouvido, fazendo o ômega se arrepiar — já teria o feito. Em um solavanco, se afastou do mesmo, deixando Changkyun um tanto atordoado. Estava nítido nos olhos do menor o quanto ele havia ficado balançado com o que havia acabado de acontecer. Todos os pequenos e finos pelos de seu corpo estavam eriçados, sua garganta estava seca, e de uma forma inconsciente, ele havia se e******o com aquela aproximação. Seu cio estava perto demais. — Por que eu? O alfa parou de imediato em seu caminho, virando-se novamente para o menor, que continuava parado próximo à parede. — Porque você não é como os outros. — o disse simplesmente, sorriu pequeno — A maioria quer uma coroa, um dote caro, você não é assim, é? Você me enfrentou e isso mexeu comigo, nenhum ômega havia levantado a voz pra mim antes, você é forte, e isso chama muito a minha atenção. Os olhos do ômega se alargaram, ele não esperava ouvir aquilo. Pra falar a verdade, ele não fazia ideia do que esperar, pois sequer conseguia imaginar um só motivo para que um príncipe o escolhesse como noivo. Ele não era mais bonito do que os outros, e nem tinha algum talento para expor. Changkyun era um ômega comum, sem tirar e nem pôr. — Vamos, o jantar já vai ser servido. Seguiu Jooheon pelos corredores, nenhum dos dois falava nada, apenas o bom e velho silêncio era apreciado, enquanto ambos se aproximavam do salão de jantar. Como sempre, a mesa já era ocupada pelo casal real e pelo irmão mais novo de Jooheon. Eles eram sempre os últimos a chegar, ocupando sempre as mesmas cadeiras. Ficava em silêncio, nunca tinha nada a dizer durante as refeições, pra falar a verdade ele sequer havia trocado meia dúzia de palavras com seus futuros sogros, por mais que sempre estivesse a os admirar de longe. Ele nunca tinha o que dizer. — A decoração para o Baile de Noivado já está sendo preparada. — o Rei alfa comentara em algum momento — Os mensageiros já partiram com os convites aos nobres dos reinos vizinhos, para que venham conhecer o seu noivo. A comida desceu rasgando na garganta de Changkyun e seus olhos marejaram, ele havia ficado surpreso. O assunto casamento era mesmo sério, e só agora parecia estar a se dar conta disso. Ele iria se casar, se casar com o herdeiro do trono. Seu marido seria em breve o Rei Alfa daquela nação, e ele seria seu Rei Ômega. Parecia surreal. — Tenho certeza que muitos ômegas irão ficar desapontados quando descobrirem que você irá se casar, meu filho, vários ainda cultivavam esperanças de que fosse escolher algum deles. — Hakyeon, o rei ômega, comentou risonho, intercalando seu olhar entre seu filho e o ômega sentado ao lado dele. — É uma pena para eles. — respondeu, sorrindo de uma forma que Changkyun ainda não havia visto — Mas meu coração já foi fisgado. Uma das mãos do alfa se pôs sobre a sua, e por dois segundos o Im olhou para suas mãos juntas sem entender nada. “Meu coração já foi fisgado” soava de uma forma que o menor não conseguia entender muito bem, era como se ele houvesse dito que realmente gostava dele. Gostava? Logo após o jantar, ambos se retiraram da mesa e seguiram o mesmo caminho que faziam todas as noites, para os seus devidos quartos. Changkyun, como sempre, caminhava ao lado de Jooheon em silêncio, enquanto um milhão de coisas se passavam em sua cabeça. O ômega se perguntava o que o príncipe sentia, até onde ele iria, o que fazer a seguir, e principalmente, como agir. Ele não sabia o que fazer, esse era o grande problema. — Príncipe- — Jooheon. — o interrompeu — Me chame pelo meu nome, Changkyun, eu sou seu noivo. O menor limpou a garganta. — Jooheon. — se corrigiu, continuando — Eu posso... ir ver a minha família amanhã? — Não. O encarou um pouco frustrado e irritado. O príncipe não parecia não bondoso agora. Era algum castigo? — Não é seguro que saia do castelo, se quer ver a sua família, eles têm total permissão para entrar e sair do castelo. Mas você deve ficar aqui, pessoas más podem tentar te fazer m*l para tentar arrancar alguma coisa de mim ou da minha família. Parte de Changkyun queria revidar, protestar e fazer um imenso escândalo. Enquanto a outra parte, queria entender a preocupação do alfa, e encarar isso como proteção, algo bom, e não como algo r**m. Ainda haviam os que discordavam dos pensamentos de Wonsik, e procuravam qualquer coisa para o atingir. Ele já significava o suficiente para atingir a família real? — Então eu posso pedir para alguém vá buscar o meu irmão? — Claro. O ômega assentiu com a cabeça, dando um passo mais a frente para entrar seu quarto. Todavia, ele não esperava que um trovão alto e estrondoso fosse soar naquele exato momento. O barulho o fez se assustar, e dessa forma dar dois passos de volta na direção de Jooheon, e o abraçar automaticamente. O alfa não havia entendido a reação de Changkyun, a última coisa que esperaria era que o Im tivesse medo de trovões. Mas o buraco era mais embaixo, e logo o príncipe conheceria a maior fobia de Changkyun: Chuva.
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