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MATTEO RICCI O dom implacável.

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Blurb

Matteo é implacável em tudo o que faz. Frio, c***l e incapaz de acreditar no amor, ele carrega marcas profundas de uma infância destruída pela violência do próprio pai. Durante anos, viu sua mãe definhar em uma cama, sofrendo nas mãos do homem que transformou sua vida em um inferno. Até que, consumido pelo ódio, Matteo colocou um fim em seu maior tormento ao matar o próprio pai. Mas aquilo não apagou sua dor — apenas o transformou em alguém ainda mais sombrio.

Liz sempre viveu pela dança. Doce, sonhadora e cheia de luz, ela jamais imaginou que sua vida mudaria de forma tão c***l ao ser obrigada a se casar no lugar da irmã, que fugiu. Ela não queria ser uma substituta, muito menos fazer parte daquele mundo, mas aprendeu cedo que ninguém foge do destino.

Chamada de erro desde o momento em que entrou na vida dele, Liz parecia ser apenas mais uma obrigação. Porém, o que Matteo não esperava era que justamente ela se tornaria sua maior fraqueza… e também a sua ruína.

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Capítulo 1 MATTEO RICCI
MATTEO NARRANDO Nascer na máfia não é algo muito fácil. Nunca soube o que é família, nem amor. Não tem isso no mundo em que eu vivo. Desde pequeno, acordava no meio da noite com os gritos da minha mãe. No começo, eu não entendia o porquê; era muito pequeno para isso. Conforme fui crescendo, comecei a entender o que o monstro do meu pai fazia com ela. Ela era bastante espancada e estuprada por ele todas as noites em que ele chegava bêbado e drogado. Descontava toda a sua frustração nela, mas não era só nela. Ele deixava ela trancada no quarto. Poucas vezes em que via ela, sempre estava muito machucada e andando com dificuldade, mas sempre tentava abrir um sorriso doce quando me via. Mesmo estando m*l, ele nunca permitiu que ela fosse nossa mãe. Meu pai sempre foi um homem c***l. Quando meu irmão completou 10 anos, meu pai tirava ele de casa. Voltava muito machucado. No meio da noite, ele tirava meu irmão do quarto e levava ele para o banheiro. Meu irmão gritava muito, e, se meu pai saísse do banheiro e me visse chorando ou com medo, eu tomava uma surra. Eu só tinha 7 anos. Meu irmão nunca me falava o que acontecia. Ele sempre foi muito bom e cuidava de mim. A gente só tinha uma refeição por dia, que era o almoço. À noite, era só um copo de água e um pão para dividir. Meu irmão sempre me dava a parte dele, principalmente quando as agressões começaram. Eu não conseguia falar, quem dirá comer. Comecei a entender o que acontecia quando chegou minha vez. Eram surras diárias. Fiquei pendurado em uma corda pelos braços, sem comer ou beber, apanhando. Meu pai mandava os homens dele jogarem água com vinagre nas feridas e me colocava no sol. Era uma dor absurda. Me jogava em uma sala com homens totalmente treinados e só podia parar quando o adversário desmaiasse, o que sempre acontecia comigo. Não tinha chances. Eles davam três de mim; eu era só uma criança. O grito à noite no banheiro não era mais do meu irmão, eram os meus. Ele me obrigava a entrar em uma banheira com sal grosso, gelo e água, e a dor era tanta que não tinha como não gritar. A primeira vez que matei alguém, não dormi por dias. Meu pai invadiu a casa de um inimigo e me levou. Ele matou com crueldade o casal na frente dos filhos e deixou as crianças para mim e para meu irmão, que matou sem hesitar. Eu hesitei, mas matei e tomei uma surra por hesitar. Então entendi por que meu irmão não hesitou. Eu tinha 13 anos. Com 16 anos, já tinha matado tantas pessoas que não dava mais para contar. O mais próximo que a gente tinha de um pai era um dos seguranças do meu pai, Hugo. Ele sempre dava um jeito de cuidar das feridas, trazia algo para comer e levava a gente para ver nossa mãe. Com o passar dos anos, a gente não escutava mais os gritos da minha mãe. Ela sempre estava em cima de uma cama e, mesmo assim, tentava abrir um sorriso para a gente. Com 17 anos, eu já não apanhava mais. A briga era mais justa e, então, tomei uma decisão de nos livrar do monstro que era meu pai. Planejei tudo com o Hugo, que era em quem eu mais confiava. Esperei ansioso pelo dia em que ele chegasse bêbado, e esse dia chegou. O miserável foi direto para o quarto agredir minha mãe, mas eu fui mais rápido: peguei ele pelo pescoço e apertei. Ele tentou lutar, mas não era mais forte que eu. Depois que ele desmaiou, sufoquei ele com o travesseiro. Não podia deixar rastro. Contei para meu irmão depois que fiz. Agora, só eu, ele, minha mãe e o Hugo sabíamos o que eu tinha feito, mas meu irmão e o Hugo conseguiram convencer a máfia de que ele teve um enfarto. Minha mãe descansou dias depois. Queria que ela tivesse conseguido levantar daquela cama, poder conhecê-la e ter uma mãe, mas era tarde demais e ela descansou. Meu irmão assumiu a máfia, e estava tudo indo bem até que ele se apaixonou por uma mulher que a máfia não aceitava, uma prostituta que só estava com ele pelo dinheiro, mas ele não enxergava isso. Foi embora com ela. Tentei falar e acabamos brigando. Ele foi e deixou tudo que lutamos para conquistar. E eu nem consegui ficar com raiva dele; ele fez tanto por mim. Mandava dinheiro para ajudar ele a se manter, cuidava de tudo que ele precisava, mas ele acabou morrendo pelas mãos da mulher que ele tanto amava. Parece ironia, mas foi o que aconteceu, e eu culpo ela por isso. Quando a encontrei, torturei por dias e a matei para vingar o que ela fez com meu irmão, a única família que eu ainda tinha. Hoje, com 30 anos, sou o capo da máfia italiana. Herdeiro do trono, tenho várias empresas de fachada para justificar o dinheiro da máfia. Não tenho amigos, não gosto muito de interagir com outras pessoas, muito menos de conversa. A pessoa com quem mais converso e considero meu homem de confiança é o Hugo. Ele está do meu lado desde sempre, é o único que permito se aproximar. Ele me ajuda com tudo e é meu braço direito dentro e fora da máfia. Os velhos do conselho começaram a encher o saco, dizendo que está na hora de me casar e ter herdeiros, pelo fato de que preciso dar continuidade à família e ter um sucessor. Só que isso não é para mim, pois não sou um homem de sentimentos, não conheço o amor e nem pretendo conhecer. Filhos não estão nos meus planos. Não colocaria uma criança no mundo com o sangue r**m igual eu tenho, para levar a vida que eu levo. Isso nunca. Eles e o Hugo me encheram tanto com esse negócio de obrigação e legado que aceitei. Deixei nas mãos do Hugo escolher uma futura esposa para mim. Não me importa quem seja, mas digo: só vou viver com ela pela máfia. Isso eu sei. Agora, filhos não vão acontecer. Já fiquei com muitas mulheres, mas nada além de sexo. Não quero amor para minha vida. Amor nos deixa fracos e vulneráveis e nos leva à morte. É só o que conheço desse sentimento: minha mãe e meu irmão morreram pelas mãos das pessoas que eles amavam, e não vou permitir que isso aconteça comigo. Hugo encontrou uma noiva para mim. Aurora Navarro, filha de um mafioso, aliado nosso, com o objetivo desse casamento também de fortalecer a aliança, e isso foi o que mais me interessou nesse casamento. Tive que jantar com ela duas vezes, obrigado pelo Hugo. Não posso negar que ela é muito bonita, mas muito exibida. Mas não me importa, servirá para o que eu preciso, que é tirar os velhos do meu pé. Acabei de descobrir que minha querida noiva fugiu. O casamento é amanhã. Vou fazer uma visitinha para a família dela. Eles vão resolver isso, porque eu preciso casar amanhã, custe o que custar, nem que eu tenha que matar eles. Mas preciso da minha noiva. — Matteo, tem certeza? — Hugo pergunta assim que paramos o carro na frente da casa dos Navarro. — Tenho, ninguém, absolutamente ninguém, me faz de i****a — falei, descendo do carro. Tocamos a campainha. A empregada abriu, e entramos. — Senhor, espere, por favor — a empregada falou, correndo atrás de mim. — Senhor e senhora Navarro — falei, entrando na sala, e os dois levantaram assustados. — Dom, Hugo, o que traz vocês aqui? — o senhor Navarro falou. — Vim ver minha noiva — falei, sentando no sofá. — Ela não está — responderam. — Vou esperar, estou sem pressa hoje — falei, olhando para ele. — Quero ver até quando vai sustentar essa mentira — falei, olhando para ela. — Vamos achar ela, coloquei todos os meus homens nisso — falou, abaixando a cabeça. — Eu espero que entenda a gravidade da situação — falei, levantando-me e mantendo o olhar fixo nele. — O acordo foi claro, e qualquer desvio será interpretado como uma quebra definitiva de confiança. Não me obrigue a tomar medidas drásticas para garantir que o que foi prometido seja cumprido. — Por favor, precisamos de tempo — a senhora interveio, com a voz trêmula. — Alice — ele falou, alertando-a. — O tempo está acabando — respondi friamente. Nesse momento, passos ecoaram na escada e uma voz jovem interrompeu o silêncio: — Papai? Está tudo bem? — ela falou. Ele arregalou os olhos. Todos se viraram. Uma jovem observava a cena, confusa. O silêncio que se seguiu foi tenso, carregado de implicações que ela ainda não compreendia. — Volte para o seu quarto, Liz — ordenou ele, com urgência. Analisei a situação. A presença dela mudava a dinâmica do jogo. A pressão sobre a família agora era real e imediata. — Não — falei, olhando para ela. — Por favor, ela é só uma menina — a esposa falou. — Hugo, você sabia que o Josep Navarro tinha mais filhas? — falei, ainda olhando para ela, que estava parada no mesmo lugar, atenta a tudo. — Não! — ele respondeu. — Interessante — falei, olhando para ele. — Ela morava fora, chegou tem poucos dias — ele falou. — Ótimo — falei e fui até a menina, peguei no braço dela e a arrastei para a sala. — Me solta! — ela gritou. — Dom, por favor, ela é muito nova — ele falou. — Quantos anos? — falei, olhando para ela. — 18 anos. Por quê? — falou, confusa. — Ótimo, vocês têm até amanhã, na hora do casamento, para me trazer a filha certa. Se não, me caso com essa — falei, jogando ela para o Hugo. — Não, por favor! — a senhora gritou. — Dom... — Josep tentou falar. — Até amanhã — falei, saindo. — Papai! — a menina gritou quando o Hugo começou a arrastá-la para fora. — Vai ficar tudo bem, filha — ele respondeu, enquanto a mulher dele chorava. Entrei no carro e partimos. O Hugo foi no outro, com a menina.

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