O EXÍLIO DAS SOMBRAS: LEALDADE, SILÊNCIO E O RUGIDO REPRIMIDO [NARRADO POR NEGUIM — Vinícius Andrade] O silêncio sepulcral do casarão do Júlio, encravado no meio do nada, no interior mais profundo e bruto, tava me agoniando as entranhas muito mais do que o barulho ensurdecedor de um tiroteio de dez horas seguidas. A gente tinha acabado de cruzar o portão blindado de ferro fundido, a minha XT ainda tava ali no pátio com o motor estalando — tec, tec, tec — de tão quente, expelindo o calor da fuga frenética, mas a minha mente... ah, parceiro, a minha mente tinha ficado cravada lá no Morro da Vila. Ficou presa no meio do cheiro acre de pólvora, do asfalto fervendo e do som dos drones táticos que eu deixei sobrevoando a nossa casa. A Kelly (Jaqueline) desceu da minha garupa com as pernas tão

