O SANTUÁRIO DAS SOMBRAS E A ISCA DO DEBOCHE [NARRADO POR NEGUIM — Vinícius Andrade] O silêncio do interior é um bagulho que incomoda profundamente quem nasceu, cresceu e foi forjado no meio do barulho incessante da favela. Na Vila, o silêncio é sinal de perigo, de "bote" da polícia ou de invasão; é o vácuo que precede o chumbo. Aqui no casarão do Júlio, o silêncio é absoluto, uma massa pesada que faz o ouvido apitar. Cada estalo de galho seco lá fora parece um tiro de fuzil 7.62, cada sombra de árvore balançando no vento parece um mercenário da "Cavalaria" tentando pular o muro. Eu tava sentado num banco de madeira rústica, na parte lateral da varanda, com o notebook aberto no colo, os olhos ardendo de tanto encarar o código. Tava tentando desesperadamente pescar uma frequência de satél

