O CREPÚSCULO DA INOCÊNCIA: O LUTO ANTES DO SANGUE [NARRADO POR FAÍSCA] O sol do interior entrou pela fresta da cortina do casarão como uma faca quente, me avisando com um brilho c***l que o meu plantão de vigia improvisado no tapete tinha chegado ao fim. Eu tava um bagaço humano. Minhas costas pareciam que tinham sido usadas de escudo em rebelião de presídio de segurança máxima, e o sono tava pesando nos meus olhos como se eu tivesse carregando dois sacos de cimento de cinquenta quilos em cada pálpebra. Me levantei milimetricamente, ouvindo a respiração leve, rítmica e sagrada da Aurora e do Murilinho, e dei um beijo na testa de cada um, bem de leve, sentindo o calor da pele deles. Foi como um batismo de paz antes do mergulho no inferno. Eu sabia, no fundo da minha alma de bandido, que

