O RITUAL DAS CICATRIZES: O PACTO DE SANGUE E O LAMENTO DOS GUERREIROS [NARRADO POR MURILO FERREIRA] O silêncio no galpão da boca do Setor 4 era o pior tipo de barulho que eu já tinha "ouvido" na vida. Era um vácuo sonoro que comprimia o peito, um zumbido de ausência que gritava mais alto que qualquer rajada de fuzil. A Melissa tinha descido pro asfalto, escoltada por quatro carros da nossa confiança, levando no olhar aquela mistura de pânico e determinação de quem ia tentar usar o Direito contra um monstro que só entendia a linguagem do aço. Mas eu não conseguia tirar os pés dali. Parecia que eu tava chumbado no concreto sujo, cravado na cena do crime que me roubou o que eu tinha de mais leal. Eu e o Gargalo ficamos ali, duas gárgulas de puro ódio, vendo a fumaça cinzenta do gás químico

