O EVANGELHO SEGUNDO O PULGA — DEBOCHE, LÁBIA E O "QUASE" ÓBITO [NARRADO POR PULGA — Carlos Eduardo Lima] O sol tava batendo na laje de um jeito tão ignorante, tão sem educação, que parecia que ia fritar o resto de neurônio que eu ainda tenho sobrando aqui na minha caixa craniana, mas papo reto de quem tem a visão: quem é que precisa de cérebro quando se tem um estilo inconfundível, um carisma que transborda e uma língua que trabalha mais que motor de 1100 cilindradas em dia de racha na rodovia? Eu tava ali, encostado na mureta, vendo o Faísca subir o beco todo espumando, a cara vermelha de ódio destilado, parecendo um pitbull que acabou de levar um banho de mangueira gelada no meio do sono de beleza. Eu não aguentava, parça. A risada saía de dentro da minha alma, uma gargalhada tão alta

