Chapter 11

1197 Words
Sentado em frente da Tv, praticamente deitado no sofá, Rubinho ascende outro cigarro de maconha, assistia um jogo de futebol. Sentada em frente do balcão, distribuía minha atenção entre ele, que estava de costas para mim e a Tv. Quando meu celular vibra na minha mão, desvio o olhar da tv e abro a mensagem que havia chegado. De onde você conhece esse meliante? Por quê? O cara é mais sujo do que p*u de galinheiro e a ficha dele é tão extensa, que dá pra usar como papel higiênico. Ergo o olhar para Rubinho entretido com a televisão. A primeira vez que ele foi apreendido pela polícia foi aos 8 anos por associação ao tráfico. A mãe compareceu e ele acabou sendo liberado. Ficou nessas apreensões por furto e associação ao tráfico até os 13 anos, quando foi preso em flagrante por matar a irmã de 1 ano e meio, fruto de um segundo relacionamento. Pisco algumas vezes, precisando ler a mensagem novamente para ter certeza de que estava lendo corretamente. Meu coração dispara quando tenho a certeza do que li. Rubinho havia matado a própria irmã. O laudo do IML constatou que a morte foi por asfixia mecânica. Ele a sufocou até a morte e depois disso, jogou o corpo dentro de uma fossa. Rubinho se mexe no sofá, dando outra longa tragada no cigarro. - Chuta, p***a! - grita para a televisão. A mãe dele entregou ele pro Conselho Tutelar depois disso, alegando que não tinha condições psicológicas para vê-lo como filho. Depois que ele cumpriu 3 anos de detenção na Fundação Casa, foi transferido para o orfanato, onde com 16 anos sua guarda passou para outra pessoa como provisória. - Quer dar um trago? - Rubinho pergunta de repente, sem se virar - Marcela? - Olho para ele, sorrindo de leve, quando ele vira o rosto para me olhar. - Melhor não. Pode fazer m*l pra bebê. - Você e essas paranóias - Ele volta a encarar a tv. Quem ficou com a guarda provisória dele? Digito rapidamente, não conseguindo uma resposta imediata. - Tá me dando uma larica - diz segurando o cigarro pela metade entre os dedos - Tem o quê ainda pra comer? - Tem fruta - digo rapidamente. - Sai fora que vou comer frutinha. Coisa de viado - Encaro o celular esperando a mensagem chegar - Até que tu poderia ir comprar alguma coisa lá pra nois comer, né? Quer saber... - Ele senta de repente - eu vou. Cadê a chave do carro? - Olho para ele, permanecendo deste modo por alguns segundos - Não vou a pé não. - Na gaveta do aparador - murmuro. Pegando a chave, vem até mim, parando do meu lado. - Quer alguma coisa da rua? - Não. Não está faltando nada não. - Tu que sabe. Depois não quero você me pedindo pra ir comprar nada - Ele se afasta, saindo de casa. Segundos depois, ouço o carro dar partida. Josiane Ferreira da Silva. Leio a mensagens umas cinco vezes. Intrigada, ligo para Guilherme que, atende no segundo toque. - Só tem o nome dela? - Vou até a porta, verificando se Rubinho tinha ido mesmo. - O quê mais você quer saber? Começo a andar pela casa, sem ter ideia do que mais queria saber. Só aquelas informações, haviam conseguido me destabilizar, me fazendo pensar em várias coisas ao mesmo tempo, principalmente no fato que por segurança, devia ficar o mais longe possível dele. - Não devia nem estar fazendo isso - Guilherme continua - Ele não tem nada haver com o Gael. - Até um tempo eles eram amigos. Gael confiava nele. Breve pausa. - Quer continuar fuçando a vida dele, é isso? - Tem como descobrir mais dessa Josiane? - Sempre tem - murmura. Outra pausa. - Tá bom - digo por fim, desligando. Havia engravidado e soltado um assassino frio e calculista. Um homem que foi capaz de matar a própria irmã! A ficha lentamente começou a cair e comecei a me dar conta da gravidade da situação. Estava grávida, prestes a dar a luz...Minha filha não estava segura ao nascer perto do próprio pai. Para mim, não havia uma explicação lógica para Rubinho matar uma criança indefesa. Não havia lógica alguma! Muito menos uma explicação coerente, pois não tinha nem como inventar uma. Se eu lhe contasse que sabia, o quê ele alegaria? Ciúmes? Se estressou com a criança e acabou a matando? Não havia uma explicação para aquela barbaridade. Se ele foi capaz de chegar a tal ponto, qual seria seu limite? Até onde conseguiria ir? Parada no meio da casa, me dei conta de que não poderia mandá-lo embora, isto o faria levantar questionamentos e deduções que, poderia fazê-lo fazer algo contra mim. Fingir que não sabia de nada, me parecia ser a melhor alternativa, até saber como me livrar dele. Palmas em frente da casa, fazem com que caminhe cautelosa até a porta e por um pequeno buraco, veja a vizinha da frente. Abro a porta forçando um sorriso. - Oi - Me aproximo do portão improvisado. - Oi! Tava descansando, né? - diz olhando para dentro de casa. - Na verdade não. Era alguma coisa? - pergunto semicerrando um pouco as pálpebras. Ela se mexe inquieta, com um meio sorriso no rosto, arrumando o cabelo em baixo da touca de nero. - Ouvi uns gritos ontem - diz baixo - Aí vim saber se tava tudo bem. Já que esses dias é a primeira vez que vejo um homem aí na sua casa, desde que está morando aqui. Mantenho o sorriso no rosto, lembrando rapidamente do ocorrido que queria com todas as minhas forças apagar da minha mente. Claro que ela ouviu. Com certeza dava para se escutar até na outra rua. - Tá tudo bem sim - Garanto - Só foi uma discussão boba. - Pelo jeito da discussão até achei que ele tava batendo em você. Depois tudo ficou quieto, aí não quis vir aqui. Mas qualquer coisa, pode me chamar - Antes que eu dissesse alguma coisa, meu carro vira a esquina, fazendo com que a vizinha da frente desse um passo para trás e me olhasse - Deixa eu ir. Assinto, a vendo caminhar em passos largos para dentro de casa. Rubinho para o carro na minha frente, descendo do mesmo com agilidade. - Quem era que tava falando com você? - pergunta segurando duas sacolas. - A vizinha da frente - Aponto com a cabeça a casa da frente. - Ela queria o quê? - Nada. Só conversar mesmo. - Corta isso aí - diz passando por mim - Não quero mulher minha dando liberdade pra essas mulher fofoqueira não. - Comprou o quê? - pergunto o seguindo para dentro de casa. - Nada pra você. Disse que não queria nada - diz tirando alguns salgadinhos e biscoitos das sacolas - Faça bom aproveito das tuas frutas. Enchendo um copo de refrigerante, ele volta para frente da tv, ignorando completamente minha presença perto dele. Não querendo ter um surto, vou para o quarto, me sentindo um pouco mais segura ao me trancar no cômodo.
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