Chapter 8

1327 Words
Saio do quarto, encontrando Rubinho no mesmo lugar, mas com um diferencial: no lugar da cocaína, agora havia um cigarro de maconha em sua mão. - Estou com fome - digo antes de andar até as sacolas em cima do balcão. — Pensei que iria passar o dia todo, se escondendo no quarto. — Não, Rubinho — respondo da forma mais suave possível, olhando o interior das sacolas — Me esconder implicaria que estou chateada com alguma coisa que você fez. Mas não posso ficar chateada, posso? Você faz o que quer comigo e devo simplesmente aceitar, certo? — Abro um sorriso doce, adorando a forma como os olhos dele se estreitaram com minha resposta. Sabia que estava cutucando a onça com vara curta. Ele se recosta no sofá com um sorriso lento e sensual no canto dos lábios. — Tá tentando fazer com que me sinta culpado, Marcela? Claro que já sabe que tô além desse tipo de sentimento. — É claro que está. — Queria que as palavras soassem amargas, mas elas saíram atropeladas. Ele sorri. — Come alguma coisa. Não quero minha filha com fome — E com aquele comentário, ele dá outra longa tragada no cigarro, soltando a fumaça lentamente. Me sento de frente para ele, depois da minha marmita estar aquecida. — Então, não vai me dizer onde foi ontem? — pergunto comendo o salmão assado. Meu apetite voltou com intensidade e todos os traços do m*l-estar anterior desapareceram — Quero dizer, quando saiu primeiro. — Ah, sim, ia contar a você sobre isso — diz ele com um toque de empolgação sombria nos olhos. — Estava atrás de algumas pistas. — Ah, uau. — Eu o encarei, fingindo empolgação — Que tipo de pistas? — Quem é a pessoa que quer matar no momento? — Rubinho pareceu confuso pela pergunta. — Até então era o Gael. Só se você já mudou. Estreito os olhos, não conseguindo acreditar. — O quê descobriu? — Meu coração quase parou de bater enquanto eu esperava ansiosamente pela resposta. — Não muita coisa — Ele pareceu surpreso por eu achar que não. — Gael nunca foi de dar bandeira. Mesmo quando tava no Alemão. Ele não quer ser encontrado. — Isto está meio... óbvio, não acha? - pergunto hesitante - Já faz algum tempo que ninguém ouve falar dele. Pra ser mais precisa, desde que a polícia invadiu o Alemão. — Óbvio? — Ele ri. — Gael nunca quis ser encontrado por ninguém. Ele encontrava as pessoas. Como os mais velhos costumavam dizer: “ Ele era macaco velho”. Não ficaria dado bobeira ou colocaria um alvo bem nas costas dele. Não seria burro o bastante, a menos que ele quisesse atrair a atenção de alguém para alguma emboscada. — Vocês são amigos. Não faz ideia de onde ele possa estar? — Minha voz ficou mais alta quando me lembrei do companheirismo dos dois — Deve ter um lugar que ele ia para se esconder, quando as coisas ficavam tensas no Alemão. Rubinho dá de ombros, encarando o vazio a frente. — Se tiver um lugar — diz com um sorriso sombrio nos lábios — É o Jacarezinho. Franzo o cenho, sem saber que merda de lugar era aquele. Se é que era um lugar ou algum tipo de apelido para algum esconderijo secreto. - Onde fica isso? - Ele me olha incrédulo. Balançando a cabeça de um lado para o outro, sorrindo de canto, antes de dar outra tragada no cigarro - Poderíamos procurar ele lá - proponho - Tentar descobrir se ele está lá mesmo. - Nem fudendo - O sorriso de Julian desapareceu e a expressão dele ficou dura. — Se eu chegar perto do Jacarezinho, me matam. Não sou bem vindo lá. Gael praticamente está protegido lá, por causa das amizade que ele fez. Lá, ele representa uma ameaça muito real, que preciso eliminar o mais depressa possível - Ele me olha, com o cigarro perto da boca - Precisamos atacar antes que ele venha atrás de nós e essa é a oportunidade perfeita. Ele não sabe que estamos vivos. Eu o encaro friamente. Conseguindo imaginar com exatidão Gael nos achando com a maior facilidade do mundo. — Temos que achar ele, antes que ele ache a gente. É como um jogo, nós estamos com a vez. Se encontrarmos ele logo e o matar, boa parte dos nossos problemas estarão resolvidos- digo rapidamente, tentando afastar as cenas que inventei da minha cabeça. — Marcela... — A voz dele soou gentil, mas os olhos estavam duros e frios. — Não é assim que as coisas funcionam. Não sei de onde tirou toda essa merda. Só que isso não funciona no tráfico. Não sabemos quem tá ajudando ele. O que significa, que se desconfiarem que estamos tentando matar ele, vamos estar comprando mais briga e com gente que não queremos. - Do que você está falando? - Gael têm as costas quente - diz convicto - Se fosse tão fácil matar ele, eu já teria conseguido há bastante tempo. Então... - Ele levanta, apagando o cigarro no mármore do balcão, fazendo com que o cheiro fosse inalado rapidamente pelas minhas narinas - tenta não fazer nada precipitado e atrair atenção indesejada - Dito isto, ele entra no quarto e poucos segundos depois, ouço a água do chuveiro cair. A sensação que eu tinha e que com certeza estava correta, era que Rubinho, assim como Gael, escondiam alguma coisa. E se eu quisesse destruir o Rubinho logo depois do Gael, precisava saber mais sobre ele. Olho para a sequência de números quase apagada em meu braço, já tendo uma ideia de como faria isso, entretanto, ainda havia um pequeno obstáculo: precisava de algo que tivesse o nome completo de Rubinho. E achando que ele não tinha habilitação, o jeito seria apelar para a identidade. Sem muito elaborar a ideia, deixo a cozinha em direção do quarto, indo para o guarda-roupa, aonde começo a abrir as portas. Algum tempo atrás, em meio a solidão imposta e com uma vontade de t*****r enlouquecedora, acabei que entrando em um s*x shop, acreditando que um daqueles brinquedos iriam me satisfazer. Por ter usado o básico algumas vezes, acreditava que não teria problemas em conseguir atingir meu prazer sozinha. E não consegui, mas o problema foi os utensílios masoquistas que comprei, apenas por comprar, já que não tinha usado e que acabei deixando por ali, acreditando que um dia usaria. E o dia finalmente havia chegado. De um jeito bastante inusitado e com um próposito ainda mais inusitado. Segundos depois, encontro a sacola parda de papelão com a logo do s*x shop, de lá de dentro tiro prendedores de m*****s, uma venda e um pênis de borracha, um pouco maior tanto na grossura quanto no comprimento do pênis de Rubinho. Deixando os objetos sobre a cama, me adianto em vestir uma das lingeries que tinha guardado, escolhendo a mais transparente que tinha. Feito tudo isso, sento na cama e espero Rubinho sair do banheiro. O que me rende bons minutos esperando impacientemente. Ele ergue um dos cantos da boca num sorriso ao me ver sentada nos pés da cama. - O quê é isso? - pergunta, desviando o olhar de mim, para os objetos ao meu lado. - Dizem que o sexo depois da briga é bom. Ele ergue as sobrancelhas, mantendo o sorriso no rosto. - Quer trepar é, cachorra? - Quero que me coma com isso aqui - Pego o pênis de borracha. Rubinho se aproxima devagar, segurando meu cabelo com força, conseguindo involuntariamente que meu corpo ficasse tenso com a lembrança da madrugada. - Se quer que eu coma seu **, deveria pedir logo. Lhe dou um leve sorriso, recebendo em seguida um beijo molhado dele. Para conseguir ir até o final, comecei a imaginar que não era Rubinho ali. Homens aleatórios começaram a vir em minha mente, enquanto o correspondia da melhor forma ao beijá-lo.
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